Santos foi condenado a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá pela compra do zagueiro Joaquim e participação na revenda ao Tigres do México. O Cuiabá renegociou a dívida em cinco parcelas, mas Santos pagou apenas a primeira, levando o caso à CNRD em maio de 2025.
Santos é condenado a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá por dívida de transferência
Sentença não paga salário
Por que essa condenação do Santos ao Cuiabá importa agora? Parece um problema entre dois clubes.
Importa porque revela como o futebol brasileiro funciona financeiramente. O Cuiabá está disputando a Série B com o caixa comprometido por dívidas de outros clubes — mais de R$ 40 milhões no total. Isso afeta diretamente o desempenho em campo.
Mas a condenação saiu. O Santos foi condenado. Isso não resolve?
Não, porque o Santos pode recorrer. E o Cuiabá já viu isso antes: o Santos foi condenado pela FIFA em outros casos e só pagou depois de receber transfer ban, meses depois da sentença.
Então a condenação é só um papel?
É um passo, mas não é garantia. O Cuiabá tentou resolver isso com um acordo de cinco parcelas. O Santos pagou uma e parou.
Espera — o Cuiabá renegociou e abriu mão de parte do que tinha a receber, e mesmo assim o Santos não cumpriu?
Exatamente. Por isso o clube está frustrado. Não é só a dívida. É o padrão: clubes devedores continuam contratando enquanto quem paga em dia financia quem não paga.
E os outros clubes que devem ao Cuiabá?
O Corinthians conseguiu um plano de 24 parcelas até 2031, sem juros. O Sport deve R$ 6 milhões. O Grêmio aguarda julgamento. São várias situações diferentes.
Mas o ponto é o mesmo: o Cuiabá está esperando há quase dois anos por esse dinheiro. A sentença não muda isso amanhã.
O que o Cuiabá quer agora?
Pagamento imediato. E que as decisões sejam executadas com a mesma rapidez com que a FIFA cobra os mesmos devedores.
El Pulso
- Santos condenado a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá
- Dívida pela compra do zagueiro Joaquim em fevereiro de 2023 e revenda ao Tigres do México em 2024
- Cuiabá renegociou em cinco parcelas; Santos pagou apenas uma
- Processo na CNRD durou dezesseis meses, iniciado em maio de 2025
- Créditos totais do Cuiabá contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões
Santos foi condenado a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá pela compra do zagueiro Joaquim e participação na revenda ao Tigres do México. O Cuiabá renegociou a dívida em cinco parcelas, mas Santos pagou apenas a primeira, levando o caso à CNRD em maio de 2025.
A CNRD da CBF condenou o Santos a pagar R$ 18,6 milhões ao Cuiabá por dívida referente à compra do zagueiro Joaquim em 2023 e participação na revenda. O clube paulista já havia descumprido acordo de parcelamento.
A Câmara Nacional de Resolução de Disputas da CBF condenou o Santos a pagar R$ 18.616.377,46 ao Cuiabá em decisão proferida no final de setembro. A dívida remonta à compra do zagueiro Joaquim em fevereiro de 2023 e inclui a participação do clube mato-grossense nos lucros da revenda do atleta ao Tigres, do México, operação realizada em 2024. O que começou como uma transação entre dois clubes brasileiros transformou-se em um litígio de quase dois anos, revelando fraturas profundas na forma como o futebol doméstico lida com obrigações financeiras.
O Cuiabá havia tentado resolver o impasse através de um acordo. Diante da dificuldade em receber, o clube renegociou a dívida e aceitou recebê-la em cinco parcelas, abrindo mão de parte relevante do que tinha a receber. O Santos, porém, cumpriu apenas o primeiro pagamento. Quando ficou claro que o acordo não seria honrado, o Cuiabá acionou a CNRD em maio de 2025. A sentença levou dezesseis meses para sair.
A reação do Cuiabá à condenação foi marcada por frustração contida. Em nota oficial, o clube afirmou receber a decisão "com respeito, mas não com alívio", ressaltando que uma sentença não coloca dinheiro nas contas bancárias nem paga os salários dos funcionários. O que o Cuiabá esperava era o pagamento imediato. Mas o clube já conhecia o cenário: o Santos ainda pode recorrer ao Conselho de Arbitragem da CBF, abrindo mais um capítulo processual que pode estender a cobrança indefinidamente.
O histórico recente alimenta essa preocupação. O Cuiabá citou casos anteriores envolvendo o próprio Santos com outros credores. Quando cobrado pela FIFA pelo Arouca e pelo Mônaco, o Santos só efetuou os pagamentos após receber uma proibição de registrar novos jogadores — e isso aconteceu meses depois de já estar condenado. Durante esse período, o clube continuou contratando. O padrão sugere que sentenças, por si só, não garantem o cumprimento.
O problema do Cuiabá não é isolado. O clube está envolvido em disputas financeiras com vários times brasileiros. O Corinthians deve pela venda do volante Raniele e conseguiu incluir sua dívida em um plano de 24 parcelas trimestrais que se estende até 2031, com correção apenas pela inflação e sem juros — condições extremamente favoráveis ao devedor. O Sport deve cerca de R$ 6 milhões pela venda do lateral Matheus Alexandre. O Grêmio aguarda julgamento sobre a inclusão de aproximadamente R$ 900 mil em um plano coletivo. Somados, os créditos do Cuiabá contra clubes brasileiros ultrapassam R$ 40 milhões.
Essa situação financeira afeta diretamente o desempenho do Cuiabá na temporada. O clube disputa a reta final do Campeonato Brasileiro da Série B com o caixa severamente comprometido. Está em décimo lugar com 43 pontos, quatro abaixo da zona de classificação para o playoff. Em sua nota, o Cuiabá deixou claro que essa situação não resulta de má gestão interna, mas de contratos que outros clubes assinaram e não cumprem. Enquanto isso, os devedores continuam no mercado, contratando jogadores e ampliando suas folhas salariais. No futebol brasileiro contemporâneo, quem paga em dia acaba financiando quem não paga.
O Cuiabá reafirmou sua confiança nas instituições do futebol, mas deixou registrado que não aceitará em silêncio o uso de recursos processuais com o objetivo de adiar indefinidamente o pagamento de uma dívida que vence há quase dois anos. A questão agora é se a condenação da CNRD será suficiente para quebrar esse ciclo ou se o Santos seguirá o padrão de recorrer, atrasar e continuar operando normalmente enquanto o credor fica à espera.
Citas Notables
Sentença não paga salário. O que o clube espera agora é o pagamento imediato.— Cuiabá Esporte Clube, em nota oficial
No futebol brasileiro de hoje, quem paga em dia financia quem não paga.— Cuiabá Esporte Clube, em nota oficial