Santander aponta Petrobras e Nubank entre destaques positivos do 2T26

Juros altos e crédito apertado dividem o mercado em dois
Enquanto commodities disparam, setores domésticos enfrentam pressão de custos e consumo mais fraco.
Mark

Por que o Santander vê tanta diferença entre empresas de commodities e negócios domésticos?

Mimi

Os juros reais estão muito altos no Brasil. Isso machuca qualquer empresa que dependa de consumidor ou crédito. Mas quem vende petróleo, minério, aço — essas empresas ganham com preços internacionais altos e não sofrem tanto com a taxa Selic.

Mark

E o Nubank crescendo 51% em lucro enquanto bancos tradicionais sofrem — como isso faz sentido?

Mimi

O Nubank é diferente. Ele cresceu em receitas, não em volume de crédito tradicional. Está ganhando margem, expandindo a base de clientes. O Bradesco e o Banco do Brasil estão presos em provisões altas — estão se protegendo contra calotes que podem vir.

Mark

Essas revisões de estimativas que o Santander menciona — elas mudam o que os investidores vão fazer?

Mimi

Sim. Se você vê que petróleo e gás estão sendo revistos para cima e varejo para baixo, você começa a realocar dinheiro. A temporada de resultados vai confirmar isso que já está acontecendo nos bastidores.

Mark

A Natura caindo 10% em receita por causa de mudanças de sistema — isso é temporário ou sinal de algo maior?

Mimi

Provavelmente temporário, mas sinaliza desorganização. Quando uma empresa grande tropeça em atualizações de sistema, o mercado fica nervoso. Pode ser que recupere, mas o trimestre vai doer.

Mark

Se as commodities estão em alta, por que a Aura Minerals está caindo em produção?

Mimi

Porque produção é diferente de preço. A Aura está com custos subindo, conflitos geopolíticos afetando a operação. Mesmo com ouro mais caro, se você produz menos e gasta mais, o resultado piora.

  • A polarização é profunda: empresas de commodities devem crescer 33% no Ebitda, enquanto setores domésticos avançam apenas 8% — uma divisão que expõe o peso dos juros reais sobre o consumo e o crédito.
  • Nubank projeta lucro 51% maior em um ano, Bradesco avança 15% e Petrobras se beneficia de preços elevados de petróleo, consolidando os destaques positivos da temporada.
  • Do outro lado, Banco do Brasil sofre com provisões elevadas no agronegócio, JBS enfrenta custos crescentes na operação americana de carne bovina, e Natura registra queda de receita por turbulências operacionais internas.
  • O Santander revisou para cima as estimativas de petróleo e gás, enquanto cortou projeções para varejo, construção civil e bancos — movimentos que antecipam e reforçam a narrativa de mercado já em curso.
  • A temporada de resultados deve cristalizar a preferência dos investidores por ativos menos sensíveis a juros, sem alterar a macroeconomia, mas tornando cada vez mais nítida a geografia dos ganhos e das perdas.

À medida que o Brasil atravessa um ciclo de juros elevados e crédito restritivo, o Santander oferece um retrato antecipado da temporada de resultados do segundo trimestre de 2026: uma economia que avança em duas velocidades distintas. Empresas ancoradas em commodities — petróleo, aço, minério — projetam expansão robusta, enquanto negócios dependentes do consumo doméstico e do crédito enfrentam ventos contrários persistentes. Esse mapa de vencedores e perdedores não é apenas uma previsão financeira; é um espelho das escolhas estruturais que moldam quem prospera e quem tropeça num mesmo país.

O Santander desenhou um cenário claro para a temporada de resultados do segundo trimestre de 2026: uma economia em duas velocidades, onde commodities avançam e setores domésticos recuam diante dos juros altos e do crédito apertado.

No agregado, as empresas acompanhadas pelo banco devem entregar crescimento médio de 10% na receita líquida, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido. Mas a média esconde uma divisão profunda: empresas ligadas a commodities projetam alta de 33% no Ebitda e 32% no lucro líquido, enquanto os setores domésticos avançam apenas 8% e 10%, respectivamente.

Entre os dez destaques positivos, o Nubank se sobressai com lucro projetado de US$ 960 milhões — alta de 51% em um ano. O Bradesco deve registrar lucro recorrente de R$ 6,97 bilhões, com retorno sobre patrimônio de 16%. Petrobras e Prio se beneficiam dos preços sustentados do petróleo, mesmo com o imposto de 12% sobre exportações de óleo. Gerdau, Usiminas, Multiplan, TIM, Smart Fit e Fras-le completam o grupo, cada uma apoiada por fatores específicos — da valorização do real à recuperação de volumes e créditos tributários extraordinários.

No campo oposto, oito empresas carregam o rótulo de destaque negativo. O Banco do Brasil enfrenta provisões elevadas, com o agronegócio como principal ponto de atenção. A JBS sofre com custos crescentes na operação americana de carne bovina e recuperação lenta nos preços de aves. A Natura registra queda de cerca de 10% na receita por dificuldades operacionais ligadas a atualizações de sistemas e mudanças nos canais de venda. Grupo Mateus, Inter, Marcopolo, Aura Minerals e Pague Menos completam o grupo, cada um pressionado por dinâmicas próprias de custo, demanda ou rentabilidade.

As revisões recentes de estimativas confirmam esse mapa: petróleo e gás receberam ajustes positivos, enquanto varejo, construção e bancos sofreram cortes. O que a temporada deve revelar não é uma surpresa, mas uma confirmação — quem está perto das commodities sobe; quem depende do consumo doméstico e do crédito segue sob pressão.

O Santander traçou um mapa claro do que espera da temporada de resultados do segundo trimestre de 2026: uma economia em duas velocidades, onde as empresas ligadas a commodities disparam enquanto os negócios domésticos tropeçam nos juros altos e no crédito apertado.

Dez companhias ganham o rótulo de destaque positivo na avaliação do banco. Petrobras, Prio, Bradesco, TIM, Smart Fit, Gerdau, Multiplan, Nubank, Fras-le e Usiminas devem se beneficiar de fatores que vão desde preços mais altos do petróleo até melhora operacional e maior resiliência dos negócios. No agregado, o Santander projeta que suas empresas de cobertura entreguem crescimento médio de 10% na receita líquida, 23% no Ebitda e 20% no lucro líquido na comparação anual. Mas os números escondem uma divisão profunda: as empresas ligadas a commodities devem registrar crescimento de cerca de 11% na receita líquida, 33% no Ebitda e 32% no lucro líquido, enquanto os setores domésticos apresentam expansão mais moderada, com alta de aproximadamente 10% na receita, 8% no Ebitda e 10% no lucro líquido. Essa polarização reflete o impacto dos juros reais elevados e das condições de crédito mais restritivas que continuam a pesar sobre varejo, construção civil e bancos.

Entre os destaques, o Bradesco deve registrar lucro recorrente de R$ 6,97 bilhões, alta de 15% na comparação anual e de 2% sobre o trimestre anterior, com retorno sobre patrimônio de 16%. O Nubank projeta lucro líquido de US$ 960 milhões, avanço de 51% em um ano e de 10% na comparação trimestral, impulsionado pelo crescimento das receitas, embora o ritmo de expansão das despesas deva acelerar. No setor de petróleo, Petrobras e Prio devem ser beneficiadas pela alta sustentada do petróleo e pela boa execução operacional, compensando o impacto negativo do imposto de 12% sobre as exportações de óleo. A Fras-le deve mostrar melhora relevante na rentabilidade, favorecida pela valorização do real, que reduz o impacto dos custos dolarizados. A Gerdau deve registrar recuperação dos volumes e dos preços no Brasil, com Ebitda consolidado estimado em R$ 3,37 bilhões e margem de 18%. A Multiplan deve apresentar um trimestre forte impulsionado por créditos tributários extraordinários de PIS/Cofins, com receita líquida estimada em R$ 845,2 milhões, alta de 23,7% em um ano. A Smart Fit deve reportar crescimento de 22% na receita e de 12% no lucro líquido, sustentada principalmente pelo bom desempenho da plataforma Totalpass. Na TIM, a expectativa é de crescimento de 6% na receita consolidada, para R$ 7 bilhões, e avanço de 7,2% no Ebitda. A Usiminas deve apresentar estabilidade nos volumes de aço, melhora dos preços realizados e recuperação da produção de minério de ferro, com Ebitda consolidado projetado em R$ 714 milhões.

No lado oposto, o Santander aponta oito empresas como destaques negativos: Aura Minerals, Banco do Brasil, Grupo Mateus, Inter, JBS, Marcopolo, Natura e Pague Menos. Essas companhias devem enfrentar desafios como pressão de custos, ambiente de consumo mais fraco, provisões elevadas, menor rentabilidade ou dificuldades operacionais. O Banco do Brasil deve mostrar apenas uma leve melhora em relação ao trimestre anterior, com provisões continuando a pressionar os resultados e o agronegócio como principal ponto de atenção. A Aura Minerals deve registrar queda de 5% na produção de ouro na comparação trimestral, acompanhada por aumento dos custos unitários. O Grupo Mateus deve ter queda de 7,5% nas vendas nas mesmas lojas e compressão da margem Ebitda. No Inter, apesar da expectativa de crescimento do lucro e da carteira de crédito, o aumento do custo de risco deve limitar a expansão da margem financeira ajustada ao risco. A JBS deve apresentar resultados mais fracos na comparação anual, pressionada pelo aumento dos custos da operação de carne bovina nos Estados Unidos e pela recuperação mais lenta dos preços na divisão de aves. A Marcopolo deve ficar abaixo das expectativas, afetada por um mix menos favorável, menor rentabilidade das exportações, inflação de custos e um intervalo temporário nas entregas de programas governamentais. A Natura deve sofrer com dificuldades operacionais no Brasil, relacionadas a atualizações de sistemas e mudanças nas políticas dos canais de venda, resultando em queda de cerca de 10% da receita e compressão de aproximadamente cinco pontos percentuais da margem Ebitda.

O Santander reforça que as revisões recentes das estimativas confirmam esse cenário de polarização. Enquanto o setor de petróleo e gás recebeu revisões positivas para lucro e Ebitda, segmentos como varejo, construção civil e bancos sofreram cortes nas projeções. A temporada de resultados deve reforçar a preferência do mercado por empresas menos sensíveis aos juros e mais expostas às commodities, sem alterar, por si só, a narrativa macroeconômica. O que se desenha é um mercado onde a geografia dos ganhos e perdas está cada vez mais clara: quem está perto do petróleo, dos metais e das commodities sobe; quem depende do consumo doméstico e do crédito segue sob pressão.

A temporada de resultados deve reforçar a preferência do mercado por empresas menos sensíveis aos juros e mais expostas às commodities
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