No coração de um inverno que se aproxima, a Rússia desferiu contra a Ucrânia o seu ataque aéreo mais devastador em três meses — 120 mísseis e 90 drones direcionados não a linhas de frente, mas à luz, ao calor e à continuidade da vida civil. É uma estratégia antiga com uma lógica cruel: quem controla a energia, controla a resistência. A Ucrânia intercetou 140 projéteis, mas o que não foi abatido deixou marcas em redes elétricas, em famílias sem aquecimento, e em duas vidas ceifadas em Mykolaiv.
Rússia lança 120 mísseis e 90 drones contra infraestruturas ucranianas
O alvo era destruir a energia; o resultado foi apagões contínuos
Porque é que a Rússia continua a atacar as infraestruturas energéticas? Não seria mais eficaz atacar posições militares?
As infraestruturas energéticas são posições militares, de certa forma. Sem eletricidade, as cidades não funcionam, os hospitais não funcionam, as comunicações falham. É uma forma de desgastar a população e as capacidades de defesa simultaneamente.
Mas temos de ser claros: Zelensky diz que as defesas abateram 140 alvos, mas não sabemos quantos dos 120 mísseis e 90 drones foram realmente destruídos. Alguns destroços caem, causam danos, e isso é contabilizado como impacto mesmo que o projétil tenha sido intercetado.
Então os números de vítimas em Mykolaiv — duas mortes, seis feridos — são consequência direta do ataque ou de destroços?
Segundo Popko, foram "resultado de um ataque de drone", o que sugere impacto direto. Mas a fonte não especifica se foi um drone que conseguiu passar ou destroços de um que foi abatido.
Exatamente. A distinção importa porque muda a narrativa sobre a eficácia das defesas aéreas. Se a maioria dos projéteis foi intercetada mas os destroços ainda causam mortes, isso é uma história diferente.
As autoridades pedem reforço das defesas aéreas. Isso é realista?
É o que pedem, mas a realidade é que os sistemas de defesa aérea são recursos escassos. Os aliados ocidentais têm fornecido, mas nunca em quantidade suficiente para cobrir todo o território ucraniano.
E vale a pena notar que este ataque foi descrito como "o mais poderoso dos últimos três meses", o que significa que ataques deste calibre têm sido regulares. Não é uma anomalia.
O Pulso
- Com 210 engenhos lançados num único domingo, a Rússia escalou deliberadamente a pressão sobre a Ucrânia no momento em que o inverno começa a apertar.
- Cortes de emergência atingiram Kiev, Donetsk e Dnipropetrovsk, enquanto explosões ecoaram de Odessa ao centro do país, semelhando um cerco invisível à vida quotidiana.
- Em Mykolaiv, dois civis morreram e seis ficaram feridos — entre eles duas crianças — num ataque de drone que transformou o conflito geopolítico em tragédia doméstica.
- As defesas aéreas ucranianas abateram 140 alvos, um feito assinalável, mas insuficiente para travar os danos em infraestruturas críticas de energia.
- Kiev continua a pressionar os aliados ocidentais por sistemas de defesa aérea mais robustos, argumentando que sem eles não é possível reparar o que cada ataque destrói.
No coração de um inverno que se aproxima, a Rússia desferiu contra a Ucrânia o seu ataque aéreo mais devastador em três meses — 120 mísseis e 90 drones direcionados não a linhas de frente, mas à luz, ao calor e à continuidade da vida civil. É uma estratégia antiga com uma lógica cruel: quem controla a energia, controla a resistência. A Ucrânia intercetou 140 projéteis, mas o que não foi abatido deixou marcas em redes elétricas, em famílias sem aquecimento, e em duas vidas ceifadas em Mykolaiv.
No domingo, a Rússia lançou aquele que Volodymyr Zelensky classificou como o ataque aéreo mais poderoso dos últimos três meses: 120 mísseis e 90 drones de múltiplos tipos — Shaheds, mísseis de cruzeiro, balísticos e lançados por aeronaves — varreram o espaço aéreo ucraniano em simultâneo. As defesas do país conseguiram abater 140 alvos, mas os impactos e os destroços dos projéteis intercetados causaram danos significativos em instalações energéticas críticas.
A operadora DTEK anunciou cortes de emergência em três regiões — Kiev, Donetsk e Dnipropetrovsk —, enquanto o ministro da Energia alertava para um ataque deliberado ao sistema elétrico nacional. Explosões foram reportadas em Kiev, Odessa e nas regiões oeste e central do país. Em Mykolaiv, no sul, o saldo humano foi o mais doloroso: dois mortos e seis feridos, incluindo duas crianças.
Este bombardeio insere-se numa estratégia russa consistente desde fevereiro de 2022: desgastar a Ucrânia pelo colapso energético, forçando apagões que afetam tanto a população civil como as operações militares. As autoridades ucranianas insistem junto dos aliados ocidentais que apenas defesas aéreas mais robustas poderão inverter este ciclo — intercetando mais projéteis e criando espaço para reparar o que cada vaga de ataques continua a destruir.
A Rússia lançou um ataque combinado de mísseis e drones contra a Ucrânia no domingo, mobilizando 120 mísseis e 90 drones num assalto que o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky descreveu como o mais potente dos últimos três meses. O ataque utilizou múltiplos tipos de armamento: drones Shaheds, mísseis de cruzeiro, mísseis balísticos e projéteis lançados a partir de aeronaves. As defesas aéreas ucranianas conseguiram abater 140 alvos aéreos durante o bombardeio, segundo Zelensky numa declaração publicada no Telegram.
O objetivo declarado era destruir infraestruturas energéticas em toda a Ucrânia. Serhii Popko, chefe da Administração Militar de Kiev, confirmou que houve danos significativos em instalações críticas, tanto por impactos diretos como por destroços de projéteis abatidos. A operadora de energia DTEK anunciou cortes de emergência em três regiões: a área metropolitana de Kiev, Donetsk e Dnipropetrovsk. O ministro da Energia, German Galushchenko, havia alertado para o que chamou um "ataque massivo" ao sistema elétrico nacional.
Em Mykolaiv, no sul do país, o ataque deixou um saldo de duas mortes e seis feridos, incluindo duas crianças. As explosões foram ouvidas em múltiplos pontos da Ucrânia: na capital Kiev, no porto estratégico de Odessa, e nas regiões oeste e central do país. Este padrão de bombardeio reflete uma estratégia russa consistente desde a invasão de fevereiro de 2022: enfraquecer a capacidade energética ucraniana através de ataques repetidos às infraestruturas de produção e distribuição de eletricidade.
Os ataques aéreos russos têm provocado apagões contínuos em toda a Ucrânia, forçando cortes de energia de emergência regulares que afetam a população civil e as operações militares. As autoridades ucranianas têm pedido insistentemente aos aliados ocidentais que reforcem as defesas aéreas do país, argumentando que sistemas de defesa mais robustos permitiriam não apenas interceptar mais projéteis, mas também criar as condições necessárias para reparar as infraestruturas danificadas. A capacidade de produção de energia continua a ser um ponto vulnerável crítico na defesa ucraniana, e cada ataque em larga escala aprofunda o défice energético nacional.
Citações Notáveis
O alvo do inimigo eram as nossas infraestruturas energéticas em toda a Ucrânia. Infelizmente, há danos em objetos provocados por impactos e queda de destroços.— Serhii Popko, chefe da Administração Militar de Kiev
Ataque massivo da Rússia ao sistema elétrico— German Galushchenko, ministro da Energia ucraniano