Rooftop onde jovem caiu não tinha câmeras, mas perícia analisa 700 vídeos

Isabelle Caracristi, 22 anos, estudante de Direito, faleceu após queda do rooftop do 23º andar de condomínio em Fortaleza.
Câmeras mostram a trajetória, mas não o que aconteceu no rooftop
A perícia reconstruiu a queda através de vídeos, mas o local onde Isabelle estava antes de cair não tinha vigilância.
Mark

Como a polícia conseguiu reconstruir o que aconteceu se não havia câmeras no rooftop?

Mimi

Eles usaram câmeras de outros pontos do prédio. O elevador registrou Isabelle entrando sozinha, e outra câmera captou a trajetória do corpo durante a queda. Com isso, os peritos calcularam o tempo e a velocidade.

Luke

Mas isso não mostra o que aconteceu no rooftop em si, certo? Só mostra que ela entrou no elevador e que caiu.

Mimi

Exato. Por isso a polícia diz que outras possibilidades ainda não foram completamente descartadas.

Mark

E quanto ao namorado? Por que ele foi preso?

Mimi

Ele foi acusado de incitação ao suicídio e ameaça. A polícia acredita que ele pode ter induzido Isabelle a pular.

Luke

Mas qual é a evidência disso? Os vídeos mostram que ela entrou sozinha no elevador.

Mimi

A defesa dele questiona exatamente isso. A advogada disse que ele se apresentou voluntariamente e deixou o celular à disposição.

Mark

Então não há provas diretas de que ele a incitou?

Luke

Não que estejam públicas. A investigação está em segredo de Justiça.

Mimi

E o celular de Isabelle foi recuperado e será periciado. Talvez haja mensagens ou conversas que esclareçam a relação entre eles.

Mark

Quanto tempo levou para o caso ganhar atenção?

Mimi

Cinco dias. Isabelle morreu no dia 13, mas só no dia 18 a mãe publicou um vídeo nas redes sociais pedindo justiça.

Luke

E depois disso tudo acelerou — prisão no dia 22, audiência no dia 23.

Mimi

Sim, a repercussão nas redes sociais mudou o ritmo da investigação.

  • Isabelle Caracristi, 22 anos, estudante de Direito, caiu do rooftop do 23º andar em 13 de setembro
  • Rooftop não tinha câmeras; perícia analisou mais de 700 vídeos de outros pontos
  • Queda levou aproximadamente 3 segundos; corpo em posição vertical, sem sinais de violência
  • João Munhoz Neto, 34 anos, namorado, preso preventivamente por incitação ao suicídio e ameaça
  • Caso ganhou repercussão 5 dias depois, quando mãe publicou vídeo nas redes sociais

Rooftop não tinha câmeras, mas vídeos de elevador e queda do corpo ajudaram a reconstruir os últimos momentos de Isabelle antes da morte. Perícia analisou mais de 700 vídeos e confirmou que filmagens não foram manipuladas; corpo apresentava lesões compatíveis com queda, sem sinais de violência.

Polícia conclui que estudante Isabelle Caracristi caiu voluntariamente do rooftop de condomínio em Fortaleza. Namorado João Munhoz Neto foi preso preventivamente por incitação ao suicídio e ameaça.

No dia 13 de setembro, uma estudante de Direito de 22 anos foi encontrada morta no pátio de um condomínio no bairro Aldeota, em Fortaleza. Isabelle Caracristi havia caído do rooftop do 23º andar do prédio onde morava com o namorado. A morte só ganhou repercussão cinco dias depois, quando sua mãe publicou um vídeo nas redes sociais pedindo explicações e justiça. Desde então, a investigação se intensificou, revelando detalhes sobre os últimos momentos da jovem e levando à prisão preventiva de João Munhoz Neto, seu namorado de 34 anos.

O rooftop de onde Isabelle caiu não possuía câmeras de segurança instaladas. Essa ausência inicial pareceria deixar um vazio crucial na investigação, mas a Polícia Civil conseguiu reconstruir os acontecimentos através de outras fontes. Câmeras do elevador registraram Isabelle entrando sozinha, com o celular na mão, e apertando o botão do 23º andar. Outras câmeras do condomínio captaram a trajetória do corpo durante a queda. Com base nessas imagens, os peritos calcularam que a queda levou aproximadamente três segundos e conseguiram estimar a velocidade do corpo. Os dados técnicos, segundo a perícia, corroboram a hipótese de uma queda voluntária, com o corpo em posição vertical. Júlio Torres, perito geral da Perícia Forense do Estado do Ceará, confirmou que as câmeras foram essenciais para determinar a dinâmica do ocorrido.

A investigação analisou mais de 700 vídeos no total. Um laudo pericial concluiu que não houve qualquer tipo de alteração ou manipulação nas filmagens examinadas. O corpo de Isabelle apresentava múltiplas lesões compatíveis com o impacto contra o solo, mas não havia sinais de violência. Exames toxicológicos realizados tiveram resultado negativo para substâncias de interesse. A Polícia Civil apontou que a morte foi motivada por precipitação voluntária, embora tenha ressalvado que outras possibilidades ainda não foram completamente descartadas e o caso permanece em investigação.

João Munhoz Neto foi preso preventivamente no dia 22 de setembro, um dia após a mãe de Isabelle divulgar o vídeo que viralizou nas redes sociais. A prisão foi mantida pela Justiça Estadual em audiência de custódia realizada no dia 23. O pedido de prisão preventiva se baseia em dois artigos do Código Penal: o artigo 122, que trata de induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou fornecer material para automutilação, e o artigo 147, sobre ameaça. A defesa de João Munhoz, representada pela advogada Lígia Peixe, criticou a prisão. Ela afirmou que seu cliente se apresentou voluntariamente no dia anterior, entregou o celular e deixou seus telefones à disposição, dizendo que compareceria em qualquer lugar para ser ouvido. A advogada descreveu a prisão como uma surpresa.

Os detalhes da vida de Isabelle antes da morte ajudam a contextualizar o caso. Ela era estudante do segundo semestre de Direito e havia estagiado por aproximadamente 20 dias em um escritório de advocacia em Fortaleza, onde conheceu João Munhoz Neto. Em agosto, solicitou seu desligamento da empresa por razões de ordem pessoal. Sua mãe, Isorlanda Caracristi, descreveu a filha como uma jovem intensa e romântica, extremamente amorosa, que ligava constantemente quando ela viajava para trabalhar em Sobral. A mãe a chamava de menina linda e disse que eram muito amigas.

A cronologia dos eventos no dia 13 de setembro mostra que João Munhoz e sua mãe deixaram o condomínio por volta das 18h32. Às 19h12, Isabelle apareceu sozinha em um elevador, celular na mão, seguindo para o rooftop. Por volta das 20h40, ocorreu o óbito. João retornou ao condomínio às 22h48. A Perícia Criminal foi acionada ainda na noite do dia 13. A mãe de Isabelle só foi informada sobre a morte no dia 14 de setembro, quando foi ao condomínio.

Durante a investigação, a Polícia Civil apreendeu o celular e um tablet da mãe de João Munhoz, Sara Regina Alexandre Munhoz, que foi encontrada na praia do Cumbuco em Caucaia no dia 20 de setembro. O celular de Isabelle também foi recuperado e será periciado. A perícia identificou na parede próxima à porta do apartamento de João uma estrutura que indica que havia uma câmera instalada no local, mas os peritos não conseguiram determinar quando o equipamento foi retirado, nem localizaram imagens anteriores. Também foi constatado que não há câmeras de segurança nas escadas que dão acesso ao rooftop. Até o momento, a equipe de investigação não identificou o acesso de outras pessoas ao local.

O Tribunal de Justiça do Ceará informou que os procedimentos relacionados à investigação tramitam em segredo de Justiça. A defesa de João Munhoz relatou que seu cliente está fragilizado e sob efeito de medicamentos desde a morte de Isabelle, embora não tenha especificado quais medicações. O caso permanece aberto, com a polícia mantendo a possibilidade de que outras explicações possam ainda ser investigadas.

Nunca teve câmera no rooftop. Nós temos câmeras que mostram o percurso da precipitação do corpo, inclusive, essa câmera foi importante para calcular essa dinâmica da precipitação
— Júlio Torres, perito geral da Perícia Forense do Estado do Ceará
Ontem ele se apresentou voluntariamente, entregou o celular, eu deixei meus telefones, disse que a hora que precisassem ouvi-lo, ele estaria em qualquer lugar para ser ouvido
— Lígia Peixe, advogada de defesa de João Munhoz Neto
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