Arquiteta transforma plantas do quintal em marca de cosméticos que fatura R$ 250 mil

Eu era uma artesã de cosméticos, não uma empresária
Ana Carolina Frota reflete sobre como um programa de aceleração mudou sua visão do próprio negócio.
Mark

Como uma arquiteta acaba virando empresária de cosméticos?

Mimi

A pandemia fechou a demanda por paisagismo. Ela tinha tempo e um quintal cheio de plantas que sua mãe lhe ensinou a cultivar. Começou a fazer extratos e sabonetes só para usar, depois para amigos. O interesse cresceu tanto que virou negócio.

Luke

Mas quando exatamente ela decidiu que era um negócio e não só um hobby?

Mimi

Quando participou de um programa de aceleração de bioeconomia. Aí ela teve mentorias, recursos, e começou a regularizar os produtos junto à Anvisa. Ela mesma diz que não se via como empresária antes disso.

Mark

E como ela garante que os produtos são seguros?

Mimi

Trabalha com um engenheiro químico, Renato Carvalho, que faz controle de qualidade e testes. Ele diz que um produto pode levar até dois anos para ser desenvolvido.

Luke

Dois anos é muito tempo. Quantos produtos ela tem pronto?

Mimi

Cerca de 20 itens — linhas facial, corporal, capilar, sabonetes, maquiagens. O mais vendido é um óleo corporal de babaçu.

Mark

Por que babaçu?

Mimi

É um ingrediente que marca a região do Maranhão. E ela compra 100% dos ativos de produtores locais, não de fornecedores industriais.

Luke

Isso é um diferencial de marketing ou realmente muda a qualidade?

Mimi

Muda a cadeia. Ela apresenta os produtos finalizados às quebradeiras de coco babaçu que fornecem a matéria-prima. É uma relação direta.

Mark

E os números? Quanto ela fatura?

Mimi

Passou de R$ 100 mil em 2023 para R$ 250 mil em 2025. Vende por e-commerce próprio, feiras e lojas parceiras.

Luke

Crescimento de 150% em dois anos é bom, mas ainda é uma empresa pequena. Qual é o próximo passo?

Mimi

Construir uma fábrica própria que una produção industrial, pesquisa e educação ambiental. Ela quer mostrar que é possível gerar valor econômico conservando a biodiversidade.

  • A pandemia esvaziou a agenda de paisagismo de Frota e a deixou diante de um quintal produtivo sem destino — a abundância virou o gatilho de uma virada de vida.
  • A transição de artesã a empresária exigiu anos de formação em cosmética natural, fitoterapia e aromaterapia, além de um processo regulatório junto à Anvisa que pode levar até dois anos por produto.
  • A marca aposta em 100% de ativos regionais, conectando diretamente quebradeiras de coco babaçu e produtores locais à cadeia produtiva — e apresentando a elas os produtos finalizados como gesto de reconhecimento.
  • O faturamento saltou de R$ 100 mil em 2023 para R$ 250 mil em 2025, com vendas por e-commerce, feiras e lojas parceiras, sinalizando que o modelo de bioeconomia encontrou mercado.
  • O próximo horizonte é uma fábrica própria que una produção, pesquisa e educação ambiental — um espaço que transforme conservação da biodiversidade em modelo econômico replicável.

No Maranhão, uma arquiteta descobriu na pandemia que o quintal de casa guardava mais do que plantas — guardava um propósito. Ana Carolina Frota transformou o cultivo artesanal de espécies regionais em uma marca de cosméticos naturais que fatura R$ 250 mil, ancorando cada produto em ingredientes como babaçu e urucum extraídos de comunidades locais. Sua trajetória é um lembrete de que crises podem ser portais, e que a biodiversidade, quando respeitada, pode sustentar tanto a terra quanto quem nela vive.

Ana Carolina Frota passou anos desenhando jardins no Maranhão. Quando a pandemia reduziu a demanda por paisagismo, ela se voltou para o quintal de casa — e para as plantas que sua mãe lhe ensinou a cultivar desde criança. O que começou como passatempo logo gerou uma abundância de extratos, óleos e sabonetes que ela não sabia como absorver. A pergunta que surgiu foi simples e transformadora: e se isso virasse uma marca?

O caminho não foi imediato. Frota buscou formação em cosmética natural, fitoterapia, aromaterapia e técnicas de extração, além de mergulhar em pesquisas sobre a biodiversidade maranhense. Os primeiros produtos circularam entre amigos. Foi ao participar de um programa de aceleração em bioeconomia que ela finalmente se reconheceu como empresária — algo que, até então, parecia distante de sua identidade de artesã.

Com estrutura e investimentos, a marca regularizou seus produtos junto à Anvisa e construiu um portfólio de cerca de 20 itens — linhas facial, corporal, capilar, sabonetes e maquiagens. O carro-chefe é um óleo corporal de babaçu. Todos os ativos vêm de comunidades e produtores locais: quebradeiras de coco babaçu, fornecedores de urucum — ingrediente de uso tradicional indígena agora presente em sabonetes e maquiagens. Frota faz questão de mostrar os produtos finalizados a quem fornece a matéria-prima.

Os números contam a evolução: de R$ 100 mil em 2023 para R$ 250 mil em 2025. Para clientes como Laíse Frasão, comprar a marca é também apoiar a preservação ambiental e os saberes tradicionais da região. O próximo passo é construir uma fábrica própria que una produção industrial, pesquisa e educação ambiental — um espaço que demonstre, na prática, como negócio, natureza e comunidade podem avançar juntos.

Ana Carolina Frota é arquiteta. Durante anos, desenhou jardins e projetos de paisagismo no Maranhão. Quando a pandemia chegou, a demanda por seus serviços caiu. Ela tinha tempo livre e um quintal cheio de plantas. O que começou como um passatempo — cultivar espécies, extrair óleos, fazer sabonetes artesanais — se transformou em algo que ela nunca havia planejado: um negócio.

O interesse pelas plantas vinha de longe. Sua mãe lhe ensinou desde criança as técnicas de plantio e os cuidados necessários para que as espécies crescessem. Quando o quintal começou a produzir abundância — extratos, óleos essenciais, sabonetes — Frota se viu diante de uma quantidade que não sabia como usar. A pergunta era simples: e se isso virasse algo maior? "Mas eu comecei a colher tanta coisa que eu não sabia o que fazer. E a partir daí começou a ideia de criar uma marca para fazer os cosméticos", ela conta.

O caminho de artesã para empresária não foi direto. Frota buscou formação em cosmética natural, fitoterapia, aromaterapia e técnicas de extração de óleos essenciais. Mergulhou em pesquisas acadêmicas sobre as plantas da biodiversidade maranhense. No começo, os produtos — óleos, extratos, sabonetes — eram distribuídos apenas para amigos e conhecidos. Mas o interesse cresceu. Quando participou de um programa de aceleração focado em bioeconomia, ela finalmente se viu como empresária. "Eu nem me via como empresária, imagine como startup. Eu era uma artesã de cosméticos", lembra.

Com recursos e mentorias, a marca ganhou estrutura. Parte dos investimentos foi para regularizar os produtos junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Frota trabalha com o engenheiro químico Renato Carvalho, que cuida do controle de qualidade e dos testes de segurança e estabilidade das fórmulas. Segundo ele, desenvolver um único produto pode levar até dois anos e exigir centenas de tentativas. Hoje o portfólio tem cerca de 20 itens — linhas facial, corporal e capilar, sabonetes e maquiagens. O mais vendido é um óleo corporal feito com babaçu, ingrediente que marca a região.

A escolha dos ingredientes não é casual. Cem por cento dos ativos utilizados na produção vêm de comunidades e produtores locais. Frota faz questão de apresentar os produtos finalizados às quebradeiras de coco babaçu que fornecem parte da matéria-prima. Entre os ingredientes está o urucum, usado tradicionalmente por povos indígenas e agora incorporado a sabonetes, maquiagens e produtos de cuidado com a pele. A valorização dos ativos regionais se tornou um dos pilares do negócio.

Os números refletem essa estratégia. O faturamento passou de R$ 100 mil em 2023 para R$ 250 mil em 2025. As vendas acontecem pelo e-commerce próprio, em feiras e em lojas parceiras. Para a cliente Laíse Frasão, que usa a linha capilar e produtos faciais da marca, a compra representa mais que cosméticos — é apoio à preservação ambiental e aos conhecimentos tradicionais da região.

Agora Frota planeja o próximo passo: construir uma fábrica própria no Maranhão. O projeto prevê unir produção industrial, pesquisa e educação ambiental em um único espaço. A ideia é reforçar a proposta de gerar valor econômico a partir da conservação da biodiversidade. "Eu vejo muito o trabalho da minha empresa nesse lugar, de ser também um parâmetro, um norte", afirma. O que começou no quintal de casa agora aponta para algo maior — um modelo que mostra como negócio, natureza e comunidade podem caminhar juntos.

Mas eu comecei a colher tanta coisa que eu não sabia o que fazer. E a partir daí começou a ideia de criar uma marca para fazer os cosméticos
— Ana Carolina Frota
Eu nem me via como empresária, imagine como startup. Eu era uma artesã de cosméticos
— Ana Carolina Frota
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