Retirar Forças Armadas da frigideira foi a maior proeza de Lula 3

Vinte e três envolvidos na trama golpista foram presos, incluindo Jair Bolsonaro.
tirar as Forças Armadas da frigideira foi sua maior proeza
Colunista avalia que manter os militares afastados da crise institucional foi o maior feito do governo Lula.
Mark

Por que a recusa dos militares em apoiar o golpe é considerada tão importante?

Mimi

Porque se os comandantes tivessem cedido, o golpe teria legitimidade institucional. As Forças Armadas são a última barreira antes do caos total. Sem elas, Bolsonaro era apenas um homem furioso.

Mark

Mas Baptista Junior diz que as Forças Armadas perderam confiança. Como isso é uma vitória?

Mimi

É uma vitória porque a instituição sobreviveu intacta. A confiança abalada é temporária. Uma instituição destruída por dentro, corrompida pelo golpismo, seria permanente.

Mark

O brigadeiro advertiu Bolsonaro sobre o peso que cairia nos militares. Bolsonaro ouviu?

Mimi

Ouviu, mas não acreditou que seria levado a sério. Pensava que os generais cederiam no final. Baptista Junior mostrou que não.

Mark

E quanto aos outros comandantes? Por que a Marinha foi diferente?

Mimi

A fonte não detalha isso, mas o fato é que a maioria recusou. Uma instituição com comando dividido é mais forte do que uma unida em torno de um golpe.

Mark

Então Lula não fez nada? Apenas se beneficiou da recusa militar?

Mimi

Lula criou as condições políticas para que a recusa militar fosse possível. Não é o mesmo que orquestrar tudo, mas é governança.

  • No final de 2022, Bolsonaro e generais próximos ao Palácio do Planalto tramavam ativamente um golpe de Estado, colocando a democracia brasileira sob ameaça concreta.
  • O brigadeiro Baptista Junior confrontou o presidente diretamente, alertando que seriam as Forças Armadas — e não Bolsonaro — a carregar o peso das consequências caso o plano avançasse.
  • A recusa militar teve um preço: meses de incerteza corroeram a confiança pública nas instituições castrenses, deixando uma cicatriz institucional mesmo entre os que agiram corretamente.
  • Com a resistência dos comandantes, Lula chegou ao Planalto e governou; vinte e três envolvidos na trama, incluindo o próprio Bolsonaro, acabaram presos.
  • O afastamento das Forças Armadas da crise é hoje reconhecido como a realização mais duradoura do terceiro mandato de Lula — uma vitória discreta, mas de peso histórico.

No limiar entre a democracia e o abismo, as Forças Armadas brasileiras enfrentaram uma escolha que definiria o destino das instituições do país. Em 2022, quando Jair Bolsonaro e aliados próximos arquitetavam um golpe de Estado, os comandantes militares — liderados pela postura firme do brigadeiro Carlos Baptista Junior, da Aeronáutica — recusaram-se a ser instrumentos de ruptura. Esse gesto de contenção, custoso para a imagem das próprias instituições, tornou possível a transição de poder e é hoje apontado como a maior conquista silenciosa do governo Lula.

No final de 2022, Brasília vivia sob tensão sufocante. Jair Bolsonaro e alguns generais de sua confiança articulavam um golpe de Estado, e a pergunta que assombrava o país era uma só: as Forças Armadas embarcariam?

A resposta, descoberta depois, foi não. Com exceção do comando da Marinha, os militares recusaram-se a participar. O brigadeiro Carlos Baptista Junior, chefe da Aeronáutica, foi o mais explícito nessa recusa. Em livro recém-lançado, intitulado 'Eu Disse Não - Uma Trincheira Antigolpista', ele narra o momento em que enfrentou Bolsonaro diretamente, advertindo-o de que, se o golpe avançasse, seriam as Forças Armadas a carregar todas as consequências. Era um aviso calculado e corajoso.

Aquela postura teve um custo. O brigadeiro reconheceu que os meses de incerteza abalaram a confiança pública nas instituições militares. Mas o abalo não foi irreversível. Graças à resistência de Baptista Junior e de outros comandantes, Lula chegou ao Planalto e pôde governar. Vinte e três pessoas envolvidas na trama acabaram presas, entre elas o próprio Bolsonaro.

Pode-se debater o legado do governo Lula em diversas frentes. Mas manter as Forças Armadas fora de uma crise que poderia tê-las destruído — e destruído a democracia junto — é apontado como sua maior realização. Não é pouca coisa.

No final de 2022, quando a tensão tomou conta de Brasília, havia razão para temer. O presidente Jair Bolsonaro e alguns generais próximos ao palácio estavam tramando um golpe de Estado. Naquele momento de incerteza institucional, a pergunta que pairava era simples e terrível: as Forças Armadas acompanhariam?

O que se descobriu depois foi que não acompanharam. Com exceção do comando da Marinha, os militares recusaram-se a participar. O brigadeiro Carlos Baptista Junior, chefe da Aeronáutica, foi o primeiro a deixar isso explícito. Ele acaba de lançar um livro intitulado "Eu Disse Não - Uma Trincheira Antigolpista", no qual relata sua posição durante aqueles dias de ebulição política.

Em entrevista à repórter Bela Megale, Baptista Junior descreveu o momento em que enfrentou Bolsonaro diretamente. Ele advertiu o presidente sobre o que estava em jogo: se o golpe avançasse, seriam as Forças Armadas que carregariam todo o peso das consequências. Era um aviso claro. Pelo rumo que as coisas tomavam, o golpismo estava se deslocando inteiramente para os ombros dos militares. Baptista Junior via isso com clareza e não se calou.

Mas aquela recusa teve um custo. O brigadeiro reconheceu que o período de incerteza prejudicou a instituição. Ele falou em perda de confiabilidade, embora a palavra mais precisa seja confiança mesmo. A desconfiança pública nas Forças Armadas cresceu durante aqueles meses tensos. Felizmente, porém, esse abalo não durou muito. Graças a atitudes como a de Baptista Junior e de outros comandantes que se recusaram a participar, Lula conseguiu chegar ao Planalto e governar. Vinte e três pessoas envolvidas na trama golpista acabaram presas, incluindo o próprio Bolsonaro.

É possível discutir se o governo de Lula deixou sua marca em outras áreas. Mas tirar as Forças Armadas da frigideira — mantê-las fora de uma crise que poderia tê-las consumido — foi sua maior realização. Não é pouca coisa.

Presidente, olha aqui o que está acontecendo. Depois de tudo isso, quem vai levar toda essa carga são as Forças Armadas
— Brigadeiro Carlos Baptista Junior, em advertência a Bolsonaro
As Forças perderam confiabilidade, talvez seja essa palavra
— Brigadeiro Carlos Baptista Junior, sobre o impacto da crise nas instituições militares
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