Depois de mais de um quarto de século percorrendo os corredores dos grandes bancos de investimento, Renato Ejnisman escolheu a escala menor e a autonomia maior de uma boutique. Sua entrada como sócio na Laplace — casa fundada por quatro profissionais com reputação construída em reestruturações e ofertas de ações — reflete um movimento mais amplo no mercado brasileiro: o de executivos sênior que trocam a segurança hierárquica pela participação nos resultados. É uma aposta na profundidade em vez da amplitude, na propriedade em vez do cargo.
Renato Ejnisman, ex-chefe de IB do Santander, vira sócio da Laplace
Achei que estava na hora de deixar de ser executivo e passar a ser sócio
Por que um executivo sênior do Santander sairia agora, em março, para entrar em uma boutique?
Ejnisman tinha mais de 25 anos em bancos de investimento — Bank of America, Bradesco, depois Santander. Ele chegou ao ponto em que queria ser sócio, não apenas executivo. A Laplace já tinha reconhecimento no mercado, e ele conhecia os fundadores.
Mas a gente não sabe os termos da parceria. Quanto ele investe? Qual é a estrutura de participação? Isso importa para entender se é uma promoção real ou um movimento lateral.
E qual é o diferencial que ele traz?
Ofertas de ações é uma área onde ele vai adicionar força. A Laplace já fazia reestruturações — Voke, Coteminas — mas ter alguém que liderou o IB do Santander deve abrir portas em operações maiores.
Verdade, mas "vai ajudar em todas as áreas" é genérico. A gente não tem detalhe sobre quais clientes ele vai trazer ou que tipo de deal ele vai liderar.
E essa história de "nerds" que Carvalho contou?
Mostra que a Laplace valoriza rigor técnico. Ejnisman é formado em Física, o nome da firma vem de um matemático francês. É uma boutique que se posiciona como inteligente, não apenas conectada.
Certo, mas isso é narrativa interna. O que importa para o mercado é se a Laplace vai crescer de verdade com essa entrada ou se é só um reforço tático.
E a gestora de agronegócio que eles mencionam?
Tem quatrocentos milhões em ativos. É uma linha de negócio paralela ao M&A tradicional. Não sabemos se Ejnisman vai atuar ali também.
Exatamente. A gente sabe que ele chegou, sabe que vai trabalhar com ofertas de ações, mas não sabe como a estrutura de sócios vai funcionar agora com cinco pessoas em vez de quatro.
The Pulse
- Ejnisman deixou o Santander em março após 25 anos em grandes bancos, encerrando uma trajetória que passou por Bank of America e Bradesco antes de chegar ao topo do banco de investimento do grupo espanhol.
- A transição de executivo para sócio representa uma ruptura deliberada: menos estrutura corporativa, mais exposição direta aos resultados — e aos riscos — do negócio.
- A Laplace já carrega um portfólio expressivo, com assessorias nas reestruturações de Voke e Coteminas, na venda da Boa Vista para a Equifax e no follow-on da Sabesp, além de uma gestora de agronegócio com R$ 400 milhões sob gestão.
- A chegada de Ejnisman foi descrita pelos sócios como natural — ele conhecia a equipe há anos pelo mercado — e o novo sócio reforçará especialmente a atuação em ofertas de ações.
- O movimento ecoa uma tendência crescente no mercado brasileiro de M&A: talentos sênior migrando de instituições globais para boutiques especializadas em busca de autonomia e participação societária.
Depois de mais de um quarto de século percorrendo os corredores dos grandes bancos de investimento, Renato Ejnisman escolheu a escala menor e a autonomia maior de uma boutique. Sua entrada como sócio na Laplace — casa fundada por quatro profissionais com reputação construída em reestruturações e ofertas de ações — reflete um movimento mais amplo no mercado brasileiro: o de executivos sênior que trocam a segurança hierárquica pela participação nos resultados. É uma aposta na profundidade em vez da amplitude, na propriedade em vez do cargo.
Renato Ejnisman passou mais de 25 anos em bancos de investimento — Bank of America, Bradesco e, por último, Santander, onde chefiou a operação de investment banking. Em março, saiu. Agora é sócio da Laplace, boutique de fusões e aquisições fundada por Renato Carvalho, Allan Libman, Daniel Assa e Guilherme Rocha.
A decisão foi, segundo ele próprio, uma escolha consciente de mudar de papel. "Achei que estava na hora de deixar de ser executivo e passar a ser sócio", disse ao Brazil Journal. A conversa com os fundadores foi direta — ele já conhecia a equipe pelo mercado há anos, e a admiração era mútua.
Do lado da Laplace, a recepção veio com humor que revela a cultura da casa. Carvalho contou que os convites internos para as reuniões sobre a chegada do novo sócio tinham o título 'Renato 2' — uma brincadeira que também aponta para o perfil técnico da equipe: o nome da boutique é referência ao matemático francês Pierre-Simon Laplace, e Ejnisman é formado em Física.
Na prática, ele vai reforçar a atuação em ofertas de ações e atuar em todas as frentes da boutique, que já assessorou reestruturações de Voke e Coteminas, a aquisição da Boa Vista pela Equifax e um follow-on da Sabesp. A Laplace também opera uma gestora de agronegócio com cerca de R$ 400 milhões em ativos.
A movimentação é parte de um padrão mais amplo: profissionais sênior de grandes instituições migrando para boutiques especializadas, trocando hierarquia por autonomia — e salário fixo por participação nos resultados.
Renato Ejnisman deixou o Santander em março depois de passar mais de um quarto de século em bancos de investimento. Agora ele é sócio da Laplace, a boutique de fusões e aquisições fundada por Renato Carvalho, Allan Libman, Daniel Assa e Guilherme Rocha. A transição marca um ponto de virada em sua carreira: sair da condição de executivo para entrar como proprietário.
Ejnisman começou no Bank of America em 2000 e ficou lá sete anos. Depois foi para o Bradesco, onde permaneceu por quatorze anos antes de chegar ao Santander em 2022 como chefe do banco de investimento. Sua chegada à Laplace não foi surpresa para os sócios fundadores — ele conhecia a equipe há anos através do trabalho no mercado. "Achei que estava na hora de deixar de ser executivo e passar a ser sócio", disse Ejnisman ao Brazil Journal. "A Laplace é uma casa com grande reconhecimento no mercado. Sempre admirei a capacidade da equipe de ajudar os clientes em momentos de crescimento ou de reestruturações, como o atual. A conversa foi simples".
Carvalho descreveu a chegada de Ejnisman com uma dose de leveza que revela a cultura interna da boutique. "Eu brinco que aqui na Laplace somos todos nerds", disse. "Nosso nome é uma referência a um matemático [o francês Pierre-Simon Laplace], e o Renato, não sei se você sabe, é formado em Física. Nas nossas reuniões para tratar da chegada dele eu mandava o invite com o título 'Renato 2'". A brincadeira aponta para uma equipe que valoriza rigor técnico e formação sólida.
Na prática, Ejnisman vai reforçar a atuação da Laplace em ofertas de ações e contribuir em todas as áreas da boutique. A firma já tem um portfólio robusto de operações recentes: assessorou as reestruturações de Voke e Coteminas, a compra da Boa Vista pela Equifax e um follow-on da Sabesp. Além do negócio de M&A tradicional, a Laplace opera uma gestora focada em agronegócio que administra cerca de quatrocentos milhões de reais em ativos.
A movimentação reflete uma tendência no mercado de fusões e aquisições brasileiro: profissionais sênior de grandes bancos migrando para boutiques especializadas. Para Ejnisman, a mudança representa uma aposta em escala menor mas com maior autonomia — e participação nos resultados. Para a Laplace, significa agregar experiência de quem liderou a operação de investimento de um dos maiores bancos do país.
Notable Quotes
Achei que estava na hora de deixar de ser executivo e passar a ser sócio. A Laplace é uma casa com grande reconhecimento no mercado.— Renato Ejnisman
Aqui na Laplace somos todos nerds. Nosso nome é uma referência a um matemático, e o Renato é formado em Física.— Renato Carvalho, sócio fundador da Laplace