Na terça-feira de julho de 2022, o Reino Unido cruzou um limiar que parecia distante: 40,2 graus Celsius registrados em Heathrow, a primeira vez na história do país que o termômetro ultrapassava os 40 graus. O evento não era uma anomalia isolada, mas parte de uma onda de calor que varria o oeste europeu — a segunda em apenas um mês —, enquanto incêndios consumiam a Península Ibérica e cientistas repetiam, com crescente urgência, que o clima não está apenas mudando, mas acelerando. O que antes era exceção começa a se tornar a nova normalidade.
Reino Unido bate recorde histórico de 40,2°C enquanto Península Ibérica queima
Esses extremos serão cada vez mais extremos
Por que o Reino Unido, um país conhecido pelo clima temperado, de repente bate recordes de calor tão extremos?
Porque o aquecimento global não é uma mudança uniforme. Ele amplifica os extremos. O que antes era raro agora se torna possível. E quando acontece, acontece com força.
Mas 40,2 graus é apenas um número. O que isso significa na prática para as pessoas?
Significa que infraestruturas inteiras não foram projetadas para isso. Trilhos de trem se deformam. Casas sem ar-condicionado se tornam inabitáveis. E quando há incêndios, como em Wennington, as pessoas perdem suas casas.
O governo britânico parece ter sido apanhado desprevenido.
Ou escolheu não se preparar. Johnson faltou a uma reunião de emergência. Seu vice pediu às pessoas que aproveitassem o sol. Enquanto isso, bombeiros lutavam contra chamas a 30 quilômetros de distância.
E na Espanha, a situação parece diferente.
Diferente em escala. Quase 6 mil pessoas tiveram que sair de suas casas. Dezenas de milhares de hectares queimados. Não é um recorde de temperatura que faz manchete; é o deslocamento em massa.
Os cientistas parecem estar dizendo que isso vai piorar.
Exatamente. Stephen Belcher foi claro: esses extremos serão cada vez mais extremos. A única saída é neutralidade de carbono rápida. Tudo mais é apenas gerenciar o desastre.
Então estamos vendo o futuro?
Estamos vendo um futuro. E ele está chegando mais rápido do que muitos esperavam.
The Pulse
- O termômetro em Heathrow marcou 40,2°C, quebrando o recorde britânico de 38,7°C estabelecido apenas três anos antes — um salto que cientistas descrevem como sintoma inequívoco da crise climática.
- Enquanto Londres batia seu recorde, a cidade de Wennington ardia a 30 quilômetros de distância, com cem bombeiros combatendo chamas que destruíram casas e edifícios inteiros.
- Na Península Ibérica, quase 6 mil pessoas foram evacuadas devido a incêndios florestais persistentes na Espanha, com o tráfego ferroviário suspenso e dezenas de milhares de hectares já consumidos pelo fogo.
- O governo britânico enfrentou críticas severas: Boris Johnson faltou a uma reunião de emergência para ir a uma festa, e o vice-primeiro-ministro sugeriu que os cidadãos 'aproveitassem o sol' — comentário repudiado pela comunidade médica.
- A onda de calor avançava para o norte: Holanda, Alemanha e França já registravam ou ameaçavam bater seus próprios recordes históricos de temperatura, sinalizando que nenhuma fronteira contém o fenômeno.
Na terça-feira de julho de 2022, o Reino Unido cruzou um limiar que parecia distante: 40,2 graus Celsius registrados em Heathrow, a primeira vez na história do país que o termômetro ultrapassava os 40 graus. O evento não era uma anomalia isolada, mas parte de uma onda de calor que varria o oeste europeu — a segunda em apenas um mês —, enquanto incêndios consumiam a Península Ibérica e cientistas repetiam, com crescente urgência, que o clima não está apenas mudando, mas acelerando. O que antes era exceção começa a se tornar a nova normalidade.
Na tarde de 19 de julho de 2022, o aeroporto de Heathrow registrou 40,2 graus Celsius — a primeira vez na história do Reino Unido que a temperatura ultrapassava os 40 graus. O recorde anterior, de 38,7°C, havia sido estabelecido em Cambridge apenas três anos antes. A agência meteorológica Met Office confirmou o número às 13 horas e seu chefe de ciência, Stephen Belcher, foi direto: "O clima mudou e continuará mudando. Esses extremos serão cada vez mais extremos."
O calor não era apenas um número. A cerca de 30 quilômetros de Londres, a cidade de Wennington enfrentava um incêndio de grandes proporções, com cem bombeiros tentando conter chamas que já haviam destruído casas e edifícios. Na noite anterior, o Reino Unido havia vivido sua noite mais quente já registrada, com temperaturas que não caíram abaixo de 25 graus em vários pontos do país.
A resposta do governo gerou indignação. O primeiro-ministro Boris Johnson optou por participar de uma festa de despedida em vez de comparecer a uma reunião de emergência sobre a onda de calor. Seu vice, Dominic Raab, sugeriu publicamente que os britânicos "aproveitassem o sol" — comentário que médicos condenaram com veemência.
Na Península Ibérica, a situação era ainda mais grave. A Espanha vivia o nono dia de uma onda de calor extrema, com incêndios persistentes na província de Zamora e quase 6 mil pessoas evacuadas. O tráfego ferroviário entre Madri e a Galiza permanecia suspenso, região onde quase 30 mil hectares já haviam sido queimados em um incêndio anterior em junho.
O fenômeno não respeitava fronteiras. A Holanda se aproximava de seu recorde nacional, a Alemanha ameaçava superar os 41 graus, e a França já havia registrado 42,6°C em Biscarosse no dia anterior. Cientistas alertavam que apenas alcançar rapidamente a neutralidade de carbono poderia frear a escalada — mas, por ora, o continente ardia.
Na terça-feira, 19 de julho de 2022, o termômetro no aeroporto de Heathrow, a oeste de Londres, marcou 40,2 graus Celsius. Era a primeira vez na história do Reino Unido que a temperatura ultrapassava a marca dos 40 graus. A agência meteorológica britânica Met Office confirmou o número às 13 horas, horário local. O recorde anterior havia sido estabelecido três anos antes, em Cambridge, quando o mercúrio atingiu 38,7 graus em julho de 2019.
Este marco térmico não era isolado. O Reino Unido estava imerso em uma onda de calor que varria o oeste europeu, a segunda em apenas um mês. Cientistas apontavam para a crise climática como responsável direto pelo fenômeno: as emissões de gases de efeito estufa estavam tornando esses eventos mais intensos, mais duradouros e mais frequentes. Stephen Belcher, chefe de ciência e tecnologia da Met Office, descreveu o recorde como um aviso inequívoco. "O clima mudou e continuará mudando", afirmou. "Esses extremos serão cada vez mais extremos." Segundo ele, apenas alcançar rapidamente a neutralidade de carbono poderia estabilizar o aquecimento.
Enquanto Londres registrava seu recorde, a cerca de 30 quilômetros a leste, a cidade de Wennington enfrentava um incêndio de grandes proporções. Cem bombeiros trabalhavam para conter as chamas que já haviam consumido extensas áreas de vegetação e destruído vários edifícios e casas. Na noite anterior, o Reino Unido havia vivido sua noite mais quente em registro, com temperaturas em alguns locais não caindo abaixo de 25 graus.
A resposta do governo britânico ao fenômeno gerou críticas. O primeiro-ministro Boris Johnson não compareceu a uma reunião de emergência sobre a onda de calor no domingo, optando por participar de uma festa de despedida. O vice-primeiro-ministro Dominic Raab pediu aos britânicos que "aproveitassem o sol", comentário que médicos condenaram publicamente.
Na Península Ibérica, a situação era ainda mais grave. A Espanha enfrentava uma onda de calor extrema que havia começado nove dias antes. Os incêndios florestais persistiam, especialmente na província de Zamora, no noroeste, que já havia sofrido um grande incêndio um mês antes. As autoridades regionais informaram que quase 6 mil pessoas tiveram que ser evacuadas. O tráfego ferroviário permanecia suspenso entre Madri e a Galiza, região conhecida como uma das maiores reservas de lobos da Europa, onde quase 30 mil hectares já haviam sido queimados em um incêndio anterior em junho. A agência meteorológica espanhola anunciou uma pequena trégua após vários dias em que as temperaturas ultrapassaram os 40 graus em grande parte do país.
O calor extremo não se limitava ao Reino Unido e à Espanha. A onda de calor avançava para o norte europeu. A Holanda poderia registrar 39 graus, aproximando-se de seu recorde nacional de 40,7 graus estabelecido em 2019. Na Alemanha, as temperaturas deveriam ultrapassar os 41 graus, ameaçando o recorde de 41,2 graus registrado em julho de 2019 no oeste do país. A França já havia registrado recordes no dia anterior: 42 graus em Nantes e 42,6 graus em Biscarosse. As temperaturas deveriam cair ligeiramente na costa atlântica francesa, mas avançar para o leste.
Notable Quotes
O clima mudou e continuará mudando. Esses extremos serão cada vez mais extremos.— Stephen Belcher, chefe de ciência e tecnologia da Met Office