Em Jundiaí, a morte de uma jovem de 23 anos que parecia acidental revelou-se, sob o olhar da medicina legal, um ato deliberado de violência. Rogério Botelho foi preso no próprio velório de Juliana Ferraz Nascimento, enquanto assinava documentos para liberar o corpo — sem surpresa, sem protesto, como quem já carregava o peso do que havia feito. O laudo pericial, ao identificar asfixia por esganadura, desfez a narrativa de acidente e colocou mais um nome na longa lista de mulheres mortas por quem deveria amá-las.
Preso em velório, homem acusado de feminicídio 'não alegou inocência', diz delegada
Ele simplesmente permaneceu em silêncio, como se já esperasse
Por que a delegada achou tão significativo que ele não tivesse reagido quando foi preso?
Porque inocência grita. Pessoas presas injustamente protestam, perguntam, exigem explicações. Ele não fez nada disso. Apenas esperou.
E o laudo do legista — como é que uma morte acidental no banheiro deixa marcas de asfixia por esganadura?
Não deixa. Não existe forma acidental de alguém apertar as próprias mãos no próprio pescoço. A esganadura é sempre um ato de outra pessoa.
Ela reclamava do relacionamento?
Sim. Depois de oito anos juntos, ela estava pensando em sair. Um ano morando junto. Algo estava errado.
Ele tentou fazer parecer acidente?
Montou a cena inteira. Banheiro, porta arrombada, história de madrugada. Tudo calculado para parecer um infortúnio. Mas as mãos dele no pescoço dela não deixam mentira possível.
E agora?
Agora a polícia ouve quem a conhecia. Cada pessoa que ela confidenciou, cada momento em que ela disse que queria sair. O quadro completo de por que ele fez isso.
The Pulse
- O corpo de Juliana contava uma história diferente da versão do companheiro: lesões internas no pescoço provaram que ela foi estrangulada com as mãos, não vítima de um acidente doméstico.
- Rogério tentou montar uma cena de acidente no banheiro, mas a perícia desfez cada peça dessa narrativa, levando à sua autuação também por fraude processual.
- A prisão aconteceu no velório, enquanto ele assinava papéis para liberar o próprio corpo que havia causado — um silêncio que a delegada interpretou como a confissão que ele nunca fez em palavras.
- Familiares revelam que Juliana se queixava do companheiro e considerava terminar um relacionamento de oito anos, sinalizando uma tensão que a investigação agora tenta reconstruir.
Em Jundiaí, a morte de uma jovem de 23 anos que parecia acidental revelou-se, sob o olhar da medicina legal, um ato deliberado de violência. Rogério Botelho foi preso no próprio velório de Juliana Ferraz Nascimento, enquanto assinava documentos para liberar o corpo — sem surpresa, sem protesto, como quem já carregava o peso do que havia feito. O laudo pericial, ao identificar asfixia por esganadura, desfez a narrativa de acidente e colocou mais um nome na longa lista de mulheres mortas por quem deveria amá-las.
Rogério Botelho estava no velório quando a polícia chegou. Ele assinava os papéis para liberar o corpo de Juliana Ferraz Nascimento, de 23 anos, ainda no Instituto Médico Legal. Não demonstrou surpresa. Não perguntou por quê. Ficou em silêncio — como quem já sabia que aquele momento era inevitável.
O caso aconteceu em Jundiaí, a cerca de 60 quilômetros de São Paulo. A versão de Botelho era simples: os dois haviam voltado de um evento, comido algo e ido dormir. Ela foi ao banheiro e não voltou. De madrugada, ele chamou o irmão dela para arrombar a porta. A encontrou morta.
O laudo pericial não deixou essa história de pé. As lesões externas no rosto, braços, pernas e abdômen, somadas aos exames internos da região cervical, apontaram para uma causa precisa: asfixia mecânica por esganadura — estrangulamento feito apenas com as mãos. A delegada Renata Yumi Ono foi direta: isso não é acidente. É um ato deliberado. Foi exatamente essa conclusão que a levou a pedir a prisão. Botelho foi autuado por feminicídio e também por fraude processual, por ter tentado simular um acidente para enganar os investigadores.
A investigação agora busca entender o que havia por trás do relacionamento. O irmão de Juliana não presenciou agressões diretas, mas contou que ela se queixava do companheiro e pensava em se separar. Eles namoravam há oito anos e moravam juntos há cerca de um ano. A polícia planeja ouvir mais pessoas próximas para reconstruir essa dinâmica.
Botelho já foi encaminhado ao sistema prisional. Sua defesa não foi localizada. O que permanece é a imagem daquele velório: um homem em silêncio, assinando papéis para liberar o corpo da mulher que havia matado, sabendo que não havia mais nada a dizer.
Rogério Botelho estava no velório de sua companheira quando a polícia chegou para prendê-lo. Ele assinava os papéis para liberar o corpo de Juliana Ferraz Nascimento, de 23 anos, que ainda estava no Instituto Médico Legal, quando os agentes o abordaram. Nada em seu comportamento sugeriu que a prisão o surpreendesse. Ele não perguntou por quê. Não protestou. Não pediu um advogado. Simplesmente ficou em silêncio, como se já esperasse por aquele momento.
O caso ocorreu em Jundiaí, a cerca de 60 quilômetros de São Paulo. A delegada Renata Yumi Ono, responsável pela investigação, explicou depois que o silêncio de Botelho fazia sentido: ele sabia que a história que havia contado não resistiria ao exame dos fatos. Segundo sua versão inicial, ele e Juliana haviam voltado de um evento, comido algo e ido dormir. Ela estava no banheiro. De madrugada, percebeu que ela não havia saído de lá. Chamou o irmão dela para arrombar a porta. A encontrou morta.
O laudo do legista destruiu essa narrativa. Os ferimentos em Juliana — nas lesões externas dos braços, rosto, pernas e abdômen, e mais importante, nos exames internos da região cervical — apontavam para uma causa de morte muito específica: asfixia mecânica por esganadura. Ono explicou o significado técnico com precisão: esganadura é asfixia provocada apenas com as mãos, diferente de enforcamento ou outros métodos. Não é um acidente. Não é uma queda. É um ato deliberado.
Essa conclusão médica foi o ponto de virada. Ono disse que foi exatamente isso que a levou a pedir a prisão de Botelho. A versão dele — morte acidental no banheiro — era totalmente incompatível com o que o corpo revelava. Não havia espaço para dúvida. Ele foi autuado por feminicídio e também por fraude processual, porque, segundo Ono, ele havia "montado a cena" para tentar enganar o perito e o delegado, sugerindo que tudo havia sido um acidente.
A investigação agora se volta para entender a dinâmica do relacionamento. O irmão de Juliana foi ouvido e não relatou ter presenciado agressões diretas, mas mencionou algo importante: ela se queixava do companheiro e estava pensando em se separar. Eles namoravam há oito anos e moravam juntos há aproximadamente um ano. A polícia planeja ouvir mais familiares e amigos para montar um quadro mais completo do que acontecia entre eles.
Rogério Botelho já foi encaminhado para o sistema prisional. Sua defesa não foi localizada para comentar o caso. O que fica claro é que naquele velório, enquanto assinava os papéis para liberar o corpo da mulher que havia matado, ele já sabia que o silêncio era sua única opção.
Notable Quotes
A esganadura é um tipo de asfixia que você só pratica com as mãos, não é igual enforcamento, por exemplo, é só com as mãos— Delegada Renata Yumi Ono
Ele não apresentou nenhuma reação, não perguntou o motivo de estar sendo preso, não alegou inocência em nenhum momento— Delegada Renata Yumi Ono