Recessão em 2027 causaria perdas inéditas em ativos de investidores, alerta Jobim

O prejuízo cai direto na carteira do investidor, não fica absorvido pelo sistema bancário
A diferença estrutural que torna uma recessão em 2027 potencialmente mais destrutiva para investidores do que crises anteriores.
Mark

Por que uma recessão em 2027 seria tão diferente das crises anteriores que o Brasil enfrentou?

Mimi

Porque desta vez o endividamento não está concentrado nos bancos. Está nas mãos de investidores — pessoas que compraram ações, debêntures, fundos. Se as empresas não conseguem pagar, o prejuízo cai direto na carteira de quem investiu, não fica absorvido pelo sistema bancário.

Mark

E por que os juros altos são tão destrutivos nesse cenário?

Mimi

Juros reais elevados por muito tempo aumentam o custo financeiro das empresas. Elas têm menos lucro para reinvestir, para pagar dividendos, para crescer. Muitas entram em recuperação judicial. E quando isso acontece em larga escala, o investidor que comprou o papel dessa empresa perde.

Mark

O governo diz que a dívida alta é culpa dos juros, não da gestão. Isso faz sentido?

Mimi

Faz sentido parcial. Juros altos de fato aumentam o custo de rolar a dívida. Mas o governo também controla a despesa. Se as despesas obrigatórias crescem mais rápido que a receita, a dívida sobe independentemente dos juros. O governo argumenta que não pode fazer reformas estruturais, e aí fica preso.

Mark

Qual é o sinal mais visível de que algo está errado?

Mimi

Os pedidos de recuperação judicial. Casas Bahia é o mais recente, mas não é isolado. Quando empresas grandes começam a pedir recuperação, significa que o custo financeiro ficou insustentável. É um aviso de que o sistema está sob pressão.

Mark

Se uma recessão vier, o que acontece com quem tem dinheiro investido?

Mimi

Depende do que investiu. Se tem ações de empresas que entram em recuperação, perde. Se tem debêntures, pode perder também. Se tem títulos do governo, está mais protegido, mas o governo pode ter dificuldade para pagar se a receita cair muito. Não há porto seguro perfeito nesse cenário.

Mark

E a eleição de outubro muda algo?

Mimi

Para Jobim, muda tudo. Ele acredita que uma reeleição de Lula significa que não haverá as reformas estruturais necessárias — previdência, teto de gastos, privatizações. Sem elas, a situação fiscal piora. Outros economistas podem discordar, mas o ponto é que as escolhas políticas de agora definem o espaço de manobra para lidar com uma crise futura.

  • Pedidos de recuperação judicial explodiram para níveis inéditos, e o caso das Casas Bahia funcionou como um sinal de alarme que disseminou pessimismo extremo entre empresários e investidores.
  • Pela primeira vez, um ciclo de endividamento apoiado no mercado de capitais expõe o investidor final — pessoa física ou institucional — ao risco direto de calote, sem o amortecedor dos balanços bancários.
  • A dívida bruta do governo brasileiro atingiu 81,9% do PIB em junho, o maior patamar desde a pandemia, enquanto o cenário global se agrava com a dívida americana ultrapassando US$ 40 trilhões e os juros dos Treasuries de 30 anos no maior nível desde 2007.
  • Uma recessão em 2027 criaria uma armadilha fiscal: a receita do governo encolheria enquanto despesas obrigatórias e indexadas continuariam crescendo, sem mecanismos de contenção viáveis no horizonte imediato.
  • O governo minimiza os alertas, atribuindo a pressão fiscal aos juros elevados e aos efeitos da guerra do Irã, mas o mercado ainda não precificou plenamente o risco de contração econômica projetado por Jobim.

Em um momento em que o endividamento global pressiona economias desenvolvidas e emergentes, o economista Pedro Jobim lança um alerta incomum sobre o Brasil: uma eventual recessão em 2027 não pouparia os investidores comuns, pois o ciclo de crédito atual foi construído sobre o mercado de capitais — e não sobre os balanços dos bancos. Diferente das crises de 2015 e 2016, os calotes viriam diretamente para a carteira de quem comprou ações, debêntures e cotas de fundos. A arquitetura do risco mudou, e com ela, a natureza das perdas possíveis.

Pedro Jobim, economista-chefe da Legacy Capital, publicou um alerta que aponta para um risco que o Brasil nunca enfrentou em escala significativa: uma recessão que atingiria diretamente a carteira de investidores pessoas físicas e institucionais. A diferença em relação às crises anteriores está na estrutura do endividamento. Em 2015 e 2016, as dívidas estavam concentradas nos bancos. Hoje, o ciclo de crédito se construiu sobre o mercado de capitais — ações, debêntures, fundos — instrumentos que chegaram às mãos do investidor final. Se houver calotes, eles não ficarão retidos nos balanços bancários: virão direto para quem comprou o papel.

A sequência descrita por Jobim é preocupante. Juros reais elevados por anos aumentaram o custo financeiro das empresas, levando muitas delas ao limite. Os pedidos de recuperação judicial atingiram patamares inéditos, a inadimplência subiu e os bancos ampliaram provisões. O pedido de recuperação das Casas Bahia funcionou como termômetro do humor do mercado — indicadores da XP registram pessimismo extremo entre empresários e investidores.

Jobim projeta uma recessão em 2027, provocada pelo nível dos juros reais e pelo esgotamento do ciclo de crédito. O impacto nas contas públicas seria em cascata: a receita do governo cairia junto com a atividade econômica, enquanto as despesas obrigatórias e indexadas continuariam subindo. Sem reformas estruturais — uma nova reforma da previdência, retorno do teto de gastos ou privatizações —, a situação fiscal se deterioraria rapidamente.

O governo tem respondido minimizando a gravidade dos alertas. A dívida bruta chegou a 81,9% do PIB em junho — o maior percentual desde a pandemia —, mas o Ministério da Fazenda sustenta que o resultado ficou abaixo das projeções do mercado e atribui parte da pressão aos efeitos da guerra do Irã. O pano de fundo global reforça a vulnerabilidade: a dívida federal americana ultrapassou US$ 40 trilhões, os rendimentos dos Treasuries de 30 anos atingiram o maior nível desde 2007, e as tentativas do Tesouro americano de estabilizar o mercado tiveram efeito passageiro. Nesse cenário de endividamento elevado e juros altos em escala global, o alerta de Jobim ganha contornos ainda mais urgentes para o Brasil.

Pedro Jobim, economista-chefe da Legacy Capital, publicou um alerta neste fim de semana que coloca em foco um risco econômico que o Brasil nunca enfrentou em escala significativa: uma recessão que atingiria diretamente a carteira de investidores pessoas físicas e institucionais. A diferença entre uma crise futura e as que o país já viveu está na arquitetura do endividamento. Quando a economia contraiu em 2015 e 2016, as empresas e famílias deviam principalmente aos bancos. Hoje, o quadro é outro. O ciclo de crédito atual se construiu sobre o mercado de capitais — ações, debêntures, fundos de investimento — instrumentos que chegaram às mãos do investidor final. Se houver calotes, eles não ficarão presos nos balanços bancários. Virão direto para a conta de quem comprou o papel.

A sequência que Jobim desenha é clara e preocupante. Juros reais elevados, mantidos por anos, aumentaram o custo financeiro das empresas. Muitas delas não conseguiram suportar a pressão. Os pedidos de recuperação judicial explodiram para patamares nunca vistos. A inadimplência subiu. Os bancos tiveram de fazer provisões maiores. O sinal mais recente foi o pedido de recuperação da Casas Bahia, que funcionou como um termômetro do sentimento no mercado — indicadores da XP apontam pessimismo extremo entre empresários e investidores.

O cenário que Jobim projeta é uma recessão em 2027, provocada pelo nível de juros reais e pelo esgotamento do ciclo de crédito. As projeções de mercado ainda não incorporam essa contração, mas o risco cresceu. O nível de endividamento das empresas, das famílias e do governo, combinado com juros altos por muitos meses, criou as condições para uma queda da atividade econômica.

Uma recessão teria efeitos cascata nas contas públicas. A receita do governo cairia junto com a economia. Mas as despesas — quase todas obrigatórias e indexadas — continuariam subindo. Sem medidas de contenção como uma nova reforma da previdência, retorno do teto de gastos ou privatizações, a situação fiscal se deterioraria rapidamente. Jobim, crítico de longa data do presidente Lula, vê a eleição de outubro como a última chance para o país se reorganizar. Para ele, a reeleição de Lula significaria a certeza de um desastre econômico.

O governo tem respondido aos alertas com argumentos que minimizam a gravidade. A dívida bruta do governo geral chegou a 81,9% do PIB em junho — o maior percentual desde a pandemia, equivalente a R$ 10,8 trilhões — mas o Ministério da Fazenda sustenta que a alta é resultado dos juros elevados e já era esperada. Argumenta também que o resultado tem ficado abaixo das projeções do mercado. Sobre a inflação, o governo culpa os efeitos da guerra do Irã, que dificultam o trabalho do Banco Central, e aponta que o problema fiscal não é exclusivamente brasileiro.

De fato, a pressão sobre as contas públicas é global. A dívida federal bruta dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões na semana anterior, número que abalou os mercados e provocou venda de títulos do Tesouro americano. O rendimento dos Treasuries de 30 anos atingiu o maior patamar desde 2007. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, respondeu aumentando o tamanho das operações de recompra, mas o efeito foi breve. O cenário global de endividamento elevado e juros altos cria um pano de fundo de vulnerabilidade que torna o alerta de Jobim ainda mais relevante para o Brasil.

É provável que a economia caminhe para uma recessão, em 2027, induzida pelo patamar de juros reais e pelo esgotamento do ciclo de crédito
— Pedro Jobim, economista-chefe da Legacy Capital
No plano econômico, a reeleição de Lula será a certeza de um desastre
— Pedro Jobim
Vuoi la storia completa? Leggi l'originale su InfoMoney ↗
Contattaci Domande frequenti