Em um país de dimensões continentais, a disputa pelo poder revela suas fraturas mais profundas não nos discursos, mas nos mapas. A pesquisa Quaest mostra que Lula e Flávio Bolsonaro chegam tecnicamente empatados aos três maiores colégios eleitorais do Brasil — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro —, enquanto cada um domina sete estados em regiões distintas, espelhando uma polarização que divide o território tanto quanto divide a sociedade. O resultado ainda não está escrito, e é justamente essa abertura que torna o momento tão carregado de possibilidades.
Quaest mostra disputa acirrada: Lula e Flávio Bolsonaro empatam em 9 estados
Os três maiores colégios eleitorais permanecem disputados
O que significa exatamente "empate técnico" em nove estados? É realmente um empate ou apenas números muito próximos?
Significa que a diferença entre os candidatos está dentro da margem de erro da pesquisa. Em São Paulo, por exemplo, Flávio tem 30% e Lula 29%, mas a margem de erro é de dois pontos. Então estatisticamente, qualquer um poderia estar à frente.
Mas isso também quer dizer que a pesquisa não consegue dizer quem está ganhando nesses estados. Pode ser que Lula esteja realmente à frente em São Paulo, ou Flávio, ou que estejam realmente empatados. A pesquisa não resolve isso.
E nesses estados onde há empate, há algum padrão? Algo que explique por que estão tão divididos?
Não há um padrão claro. São Paulo, Minas e Rio de Janeiro são estados grandes, urbanos, com eleitorados diversos. Talvez por isso nenhum dos dois consiga dominar completamente.
Também é importante notar que há 17% de indecisos em Minas Gerais. Isso é bastante. Esses votos podem mudar completamente o resultado.
E quanto ao Nordeste? Parece que Lula tem uma vantagem clara lá.
Sim, é praticamente inconteste. Na Bahia ele tem 50%, em Pernambuco 54%, no Maranhão 58%. Flávio não chega a 20% em nenhum desses estados. É o reduto mais seguro de Lula.
Mas mesmo lá há indecisos. Na Bahia são 12%, no Maranhão 11%. Não é como se Lula tivesse 90% garantidos. Ainda há espaço para movimento.
E Flávio, onde ele está mais forte?
No Norte e Centro-Oeste. Roraima com 52%, Rondônia com 45%, Santa Catarina com 45%. Esses são seus territórios mais seguros.
Mas note que em Roraima, Lula tem apenas 17%. Isso é uma diferença de 35 pontos. Enquanto em São Paulo a diferença é de um ponto. Não são disputas do mesmo tipo.
Então o que essa pesquisa realmente nos diz sobre quem pode ganhar?
Que a eleição provavelmente será decidida nesses nove estados de empate. O Nordeste é de Lula, o Norte e Centro-Oeste tendem para Flávio, mas os estados grandes e urbanos estão abertos.
E também que há muita gente ainda indecisa. Em vários estados, os indecisos são 12%, 13%, 14%, 17% até. Esses votos podem virar o jogo em qualquer lugar.
O Pulso
- Nos três estados que concentram a maior fatia do eleitorado nacional, a diferença entre Lula e Flávio Bolsonaro cabe dentro de um único ponto percentual — uma indefinição que mantém a campanha em suspenso.
- O Nordeste funciona como fortaleza petista, com Lula alcançando entre 50% e 58% em estados como Bahia, Pernambuco e Maranhão, enquanto Flávio Bolsonaro não passa de 19% nessas regiões.
- Flávio Bolsonaro responde com domínio no Norte e Centro-Oeste: em Roraima lidera com 52%, e em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso abre vantagens de até 22 pontos sobre o presidente.
- Em Goiás, Ronaldo Caiado surge como terceira força com 32%, ameaçando fragmentar o voto e introduzir uma variável que pode redesenhar alianças locais.
- Com nove estados ainda indefinidos e três dos maiores sem cobrir — Ceará, Pará e Piauí —, a campanha segue sem um favorito claro e com muito território ainda por disputar.
Em um país de dimensões continentais, a disputa pelo poder revela suas fraturas mais profundas não nos discursos, mas nos mapas. A pesquisa Quaest mostra que Lula e Flávio Bolsonaro chegam tecnicamente empatados aos três maiores colégios eleitorais do Brasil — São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro —, enquanto cada um domina sete estados em regiões distintas, espelhando uma polarização que divide o território tanto quanto divide a sociedade. O resultado ainda não está escrito, e é justamente essa abertura que torna o momento tão carregado de possibilidades.
A pesquisa Quaest traça um mapa presidencial marcado pela incerteza nos lugares que mais importam. Em nove estados, Lula e Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados, e entre eles estão São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro — os três maiores colégios eleitorais do país. Fora dessa zona de indefinição, cada candidato lidera em sete estados, criando uma divisão geográfica que reflete a polarização nacional em sua forma mais crua.
O Nordeste é o território mais seguro de Lula. Na Bahia, ele marca 50% contra 17% de Flávio. Em Pernambuco, chega a 54% contra 19%. Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe seguem o mesmo padrão, com o presidente petista oscilando entre 50% e 58%. Flávio Bolsonaro, por sua vez, encontra sua base mais sólida no Norte e Centro-Oeste: 52% em Roraima, 45% em Rondônia, e vantagens entre 17 e 22 pontos em Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso.
Mas é nos estados empatados onde a eleição provavelmente será decidida. Em São Paulo, Flávio aparece com 30% e Lula com 29% — diferença de um ponto dentro da margem de dois. Minas Gerais e Rio de Janeiro repetem o padrão, com os dois candidatos separados por apenas dois pontos. Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Tocantins completam essa faixa intermediária onde nenhum dos dois conseguiu se destacar.
Em Goiás, um terceiro ator complica o quadro. Ronaldo Caiado, do PSD, aparece com 32%, à frente de Flávio Bolsonaro (27%) e Lula (20%), sinalizando uma possível fragmentação do voto que pode alterar dinâmicas locais. Entre os candidatos menores, nenhum ultrapassou 7% em qualquer estado — Romeu Zema alcança esse patamar em Minas Gerais, seu melhor resultado. A pesquisa não cobriu Ceará, Pará e Piauí. O cenário permanece aberto, e a campanha segue em território indefinido.
A mais recente pesquisa Quaest desenha um mapa da disputa presidencial marcado pela incerteza nos redutos mais populosos do país. Em nove estados, Lula e Flávio Bolsonaro estão tecnicamente empatados — uma zona de indefinição que inclui os três maiores colégios eleitorais: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Fora dessa margem de erro, cada candidato comanda sete estados, criando um quadro de divisão geográfica que reflete a polarização nacional em sua forma mais pura.
No Nordeste, o domínio de Lula é praticamente inconteste. Na Bahia, ele alcança 50% das intenções de voto contra 17% de Flávio Bolsonaro. Em Pernambuco, chega a 54% contra 19%. Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte e Sergipe seguem o mesmo padrão: vantagens que extrapolam qualquer margem de erro, com o presidente petista oscilando entre 50% e 58% nessas regiões. É o seu território mais seguro.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, encontra sua base mais sólida no Norte e Centro-Oeste. Em Roraima, lidera com 52% contra 17% de Lula. Em Rondônia, marca 45% contra 25%. Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso também lhe favorecem, com vantagens que variam entre 17 e 22 pontos percentuais. Esses sete estados formam um bloco onde sua candidatura encontra resistência menor.
Mas é nos estados de empate técnico onde a campanha provavelmente será decidida. São Paulo apresenta Flávio com 30% e Lula com 29% — uma diferença de um ponto dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Minas Gerais mostra Flávio com 31% e Lula com 30%, igualmente indefinido. Rio de Janeiro marca Flávio com 31% e Lula com 29%. Nesses três estados, que juntos concentram uma parcela significativa do eleitorado nacional, o resultado permanece aberto. Amapá, Amazonas, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Tocantins completam a lista dos nove estados onde nenhum dos dois candidatos conseguiu se destacar de forma decisiva.
Um terceiro ator emerge em Goiás, único estado onde não ocorre empate entre os dois principais candidatos. Ronaldo Caiado, do PSD, aparece numericamente à frente com 32%, enquanto Flávio Bolsonaro marca 27% e Lula 20%. Embora Caiado e Flávio estejam tecnicamente empatados dentro da margem de erro, sua presença mais forte em Goiás sinaliza uma possível fragmentação do voto que pode alterar dinâmicas locais.
A pesquisa não cobriu três estados: Ceará, Pará e Piauí. As margens de erro variam — dois pontos percentuais em São Paulo, três pontos nas demais regiões — um detalhe técnico que importa porque define o que pode ser considerado empate real e o que é apenas proximidade numérica. Entre os candidatos menores, nenhum conseguiu penetração significativa em nível estadual. Renan Santos, da Missão, marca no máximo 4% em alguns estados. O escritor Augusto Cury, do Avante, não ultrapassa 4% em nenhuma região. Romeu Zema, do Novo, alcança seu melhor desempenho em Minas Gerais, com 7%.
O cenário reflete uma campanha ainda em aberto, onde os três maiores colégios eleitorais permanecem disputados e onde a geografia do voto se divide entre o Nordeste consolidado para Lula, o Norte e Centro-Oeste mais favoráveis a Flávio, e uma faixa intermediária onde tudo pode acontecer. A campanha segue seu curso em território indefinido.
Citações Notáveis
Pesquisa não foi realizada em Ceará, Pará e Piauí— Quaest