Uma década após assinar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Júnior anunciou apoio a Lula, argumentando que apenas uma vitória no primeiro turno poderia conter o que chamou de ações desesperadas de Bolsonaro contra as instituições. O gesto, recebido pelo PT como símbolo de uma convergência mais ampla, revelava como a defesa da democracia havia se tornado um eixo capaz de aproximar adversários históricos. A onze dias das eleições, o Brasil assistia a um realinhamento que transcendia as fronteiras partidárias e colocava em questão o sentido de escolhas feitas no pass
PT vê apoio de Reale a Lula como movimento em defesa da democracia
Reconstruir aquilo que foi destruído em nome do povo
Por que o apoio de Reale Júnior importa tanto para o PT neste momento?
Porque Reale não é um aliado tradicional de Lula. Ele foi um dos autores do impeachment de Dilma. Quando alguém assim muda de posição, sinaliza que há pessoas de diferentes espectros políticos vendo um risco comum à democracia.
Mas precisamos ser claros: Reale não está apoiando Lula porque mudou de ideia sobre Dilma ou sobre o PT. Ele está apoiando porque descarta a terceira via e vê Bolsonaro como uma ameaça maior. São motivações diferentes.
Verdade. Reale diz explicitamente que quer impedir "ações desesperadas" de Bolsonaro. Não é uma reconciliação ideológica.
E quanto à abstenção? Por que o PT está tão preocupado com isso?
Porque em eleições polarizadas, quem fica em casa pode definir o resultado. O PT quer mobilizar indecisos, votos brancos e nulos, e principalmente evitar que pessoas não votem.
A reportagem não diz qual é o índice de abstenção esperado ou histórico. Gleisi menciona "sempre um índice alto", mas não temos números. É um problema real ou uma preocupação genérica?
É uma preocupação legítima em qualquer campanha, mas você tem razão — não sabemos a magnitude.
Então o que muda com onze dias para o fim?
Neste ponto, as campanhas estão tentando mobilizar as margens. Votos já decididos não mudam muito. O PT está apostando que pode converter indecisos e trazer abstencionistas para as urnas.
O Pulso
- Um dos autores do impeachment de Dilma rompe com seu próprio legado e declara voto em Lula, descartando qualquer viabilidade da terceira via.
- O PT interpreta o movimento como sinal de que a ameaça às instituições democráticas está mobilizando até antigos adversários do partido.
- Gleisi Hoffmann reconhece publicamente que participantes do impeachment agora admitem que o processo prejudicou a democracia brasileira.
- A campanha petista enfrenta o risco concreto de abstenção elevada e mira três grupos: indecisos, eleitores de branco ou nulo, e os que planejam não comparecer.
- A narrativa do PT se consolida: não é uma eleição comum, mas uma escolha entre dois modelos de país, com o Estado democrático de direito como linha divisória.
Uma década após assinar o pedido de impeachment de Dilma Rousseff, o jurista Miguel Reale Júnior anunciou apoio a Lula, argumentando que apenas uma vitória no primeiro turno poderia conter o que chamou de ações desesperadas de Bolsonaro contra as instituições. O gesto, recebido pelo PT como símbolo de uma convergência mais ampla, revelava como a defesa da democracia havia se tornado um eixo capaz de aproximar adversários históricos. A onze dias das eleições, o Brasil assistia a um realinhamento que transcendia as fronteiras partidárias e colocava em questão o sentido de escolhas feitas no passado.
Miguel Reale Júnior, jurista que havia assinado o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, anunciou apoio a Lula para o primeiro turno das eleições de 2022. Em entrevista publicada no dia 21 de setembro, Reale descartou qualquer chance real para candidatos da terceira via e argumentou que apenas uma vitória de Lula poderia impedir o que chamou de ações desesperadas de Bolsonaro contra as instituições democráticas. Para ele, apoiar Lula significava defender a democracia, a dignidade humana e o meio ambiente — valores que, em sua avaliação, estariam ainda mais ameaçados em um segundo mandato do presidente.
A mudança de posição não era isolada. Gleisi Hoffmann, presidente do PT, recebeu a notícia como confirmação de uma tendência mais ampla. Falando após um encontro com Lula em São Paulo, ela descreveu o apoio de Reale como importante e o situou dentro de um movimento crescente de defesa da democracia. Hoffmann observou que vários participantes do impeachment de Dilma agora reconheciam que aquele episódio havia prejudicado as instituições brasileiras — e que era preciso reconstruir o que havia sido destruído.
Com onze dias até o pleito, o PT mobilizava-se em múltiplas frentes. A preocupação central era a abstenção: a campanha concentrava esforços em indecisos, eleitores inclinados ao voto branco ou nulo, e aqueles que simplesmente não planejavam comparecer às urnas. O apoio de Reale — um nome respeitado nos círculos jurídicos, situado do lado oposto uma década antes — servia como evidência de que a convergência em torno da democracia era real e ultrapassava as divisões partidárias tradicionais.
Miguel Reale Júnior, jurista que uma década antes havia assinado o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff, anunciou seu apoio a Luiz Inácio Lula da Silva para o primeiro turno das eleições presidenciais de 2022. A decisão, revelada em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo no dia 21 de setembro, marcava uma inflexão notável: Reale descartava qualquer perspectiva de vitória para candidatos da chamada terceira via e argumentava que apenas uma vitória de Lula no primeiro turno poderia impedir o que chamou de "ações desesperadas" do presidente Jair Bolsonaro contra as instituições democráticas.
Para Reale, o cálculo era direto. Sem chance real de um terceiro caminho prosperar, apoiar Lula significava defender a democracia, a dignidade humana e o meio ambiente — bens que, em sua avaliação, sofreriam ataques ainda mais intensos caso Bolsonaro conquistasse um segundo mandato. Essa mudança de posição — de autor de um impeachment para apoiador do ex-presidente que havia sido alvo de investigações durante aquele processo — não era isolada. Reale integrava um movimento mais amplo que a cúpula do PT procurava destacar publicamente.
No mesmo dia, Gleisi Hoffmann, presidente nacional do Partido dos Trabalhadores, recebeu a notícia como confirmação de uma tendência maior. Falando após um encontro com Lula sobre políticas para pessoas com deficiência em São Paulo, Hoffmann descreveu o apoio de Reale como "importante" e o enquadrou dentro de um movimento de defesa da democracia que se ampliava conforme a eleição se aproximava. Ela observou que vários dos que haviam participado do processo de impeachment de Dilma agora reconheciam que aquele episódio havia prejudicado as instituições democráticas brasileiras — uma avaliação que, em suas palavras, representava o reconhecimento de que era preciso "reconstruir aquilo que foi destruído em nome do povo brasileiro".
Com apenas onze dias até o pleito, o PT mobilizava-se em múltiplas frentes. Hoffmann deixou claro que a campanha enfrentava uma preocupação específica: a possibilidade de abstenção elevada. A estratégia petista concentrava-se em três grupos de eleitores: aqueles cujo voto ainda não estava definido, os que declaravam intenção de votar em branco ou nulo, e os que simplesmente não compareceriam às urnas. O partido buscava reverter cada uma dessas posições através de mobilização intensiva de seus militantes.
A narrativa que o PT construía era a de um momento de inflexão histórica. Não se tratava apenas de uma disputa eleitoral convencional, mas de uma escolha entre dois modelos de país. Hoffmann enfatizava que pessoas de diferentes origens políticas estavam se unindo em torno da defesa do Estado democrático de direito, compreendendo, em sua formulação, "o momento que nós estamos" e a necessidade de reforçar essa defesa. O apoio de Reale — um nome respeitado nos círculos jurídicos, alguém que havia estado do lado oposto uma década antes — servia como evidência de que essa convergência era real e transcendia as divisões partidárias tradicionais.
Citações Notáveis
Sem perspectiva de vitória da terceira via, é importante que Lula vença no primeiro turno, para se impedir ação desesperada de Bolsonaro— Miguel Reale Júnior
Vários participantes do impeachment agora avaliam que aquilo foi um erro e que realmente teve problema com a democracia— Gleisi Hoffmann