PSI fecha em alta de 1,71%, impulsionado pela NOS e Jerónimo Martins

A bolsa de Lisboa terminou em terreno positivo enquanto Wall Street recuava
O PSI ganhou 1,71% no mesmo dia em que os índices norte-americanos caíram cerca de 1% devido à incerteza sobre tarifas.
Mark

Porque é que a NOS e a Jerónimo Martins dispararam tanto quando o resto da Europa estava a cair?

Mimi

Há uma dinâmica interessante aqui. Enquanto o setor automóvel e a tecnologia alemã estavam sob pressão, as empresas portuguesas beneficiaram de um impulso mais amplo. Pode estar relacionado com reposicionamento de carteiras ou confiança específica nestes setores.

Mark

E a Corticeira Amorim a cair quando tudo sobe — isso é um sinal de algo?

Mimi

Não necessariamente. Às vezes uma ação move-se contra a corrente por razões muito específicas do negócio ou do mercado. Neste caso, foi apenas uma exceção num dia de ganhos generalizados.

Mark

Wall Street a cair 1% enquanto Lisboa sobe 1,71% — como é que isto funciona?

Mimi

Os mercados não se movem em sincronia. Lisboa estava a responder a dinâmicas locais e setoriais, enquanto Nova Iorque estava presa pela incerteza sobre as tarifas de Trump. São histórias diferentes no mesmo dia.

Mark

A NVIDIA a vir na quarta-feira — isso explica a cautela em Wall Street?

Mimi

Parcialmente. Há sempre uma pausa antes de resultados de uma empresa tão grande. Mas a verdade é que a incerteza sobre as políticas tarifárias é o que realmente está a pesar no sentimento geral.

Mark

O euro a valorizar-se — isso é bom ou mau para Portugal?

Mimi

Depende da perspetiva. Para exportadores, uma moeda mais forte é mais desafiante. Mas pode refletir confiança relativa nos ativos europeus, o que é positivo para o sentimento geral.

  • A NOS disparou 4,27% e arrastou consigo Jerónimo Martins, Mota-Engil e REN numa sessão em que Lisboa nadou contra a corrente europeia.
  • O DAX alemão afundou 1,1%, arrastado por perdas pesadas da Airbus, da SAP e do setor automóvel, expondo as fragilidades da maior economia da zona euro.
  • Wall Street recuava cerca de 1% com os investidores em suspenso face às novas tarifas de Trump e à possibilidade de efeitos retroativos decididos pelo Supremo Tribunal norte-americano.
  • A atenção dos mercados globais convergia para a quarta-feira, quando a NVIDIA divulgaria resultados capazes de redefinir o sentimento em torno da inteligência artificial e da tecnologia.
  • O euro valorizou ligeiramente face ao dólar e o petróleo recuou com suavidade, sinais de um mercado que respira fundo antes de decidir para onde vai.

Numa segunda-feira marcada pela fragmentação dos mercados europeus, a bolsa de Lisboa afirmou-se como um dos poucos pontos de luz num continente dividido entre receios setoriais e incertezas geopolíticas. O PSI encerrou com uma valorização de 1,71%, puxado pela NOS e por um conjunto de cotadas que, juntas, desenharam um retrato de resiliência relativa. Enquanto Frankfurt e Paris cediam ao peso da indústria e da tecnologia, Lisboa lembrava que os mercados, como as marés, raramente se movem todos na mesma direção.

A bolsa de Lisboa abriu a semana em alta, fechando a sessão de segunda-feira com uma valorização de 1,71% e atingindo os 9.245,67 pontos. A NOS foi a grande protagonista, disparando 4,27% para 5,010 euros, seguida de perto pela Jerónimo Martins, que subiu 4,15% para 22,10 euros. A Mota-Engil, a REN e a Sonae completaram o pelotão da frente, com ganhos entre os 2% e os 3%. A única nota discordante veio da Corticeira Amorim, que recuou 0,14% e fechou o dia em contraciclo.

A Europa apresentou um quadro bem mais fragmentado. O CAC40 francês caiu 0,22% e o DAX alemão perdeu 1,1%, penalizado por quedas expressivas da Airbus, da SAP e do setor automóvel. O Ibex35 espanhol conseguiu avançar 0,68%, mas foi Lisboa quem mais se destacou. Ramiro Loureiro, analista do Millennium Investment Banking, explicou a divergência pelas dinâmicas setoriais: enquanto Berlim sofria, o índice português beneficiou de um impulso alargado que envolveu também a Galp e o BCP.

Do outro lado do Atlântico, Wall Street recuava cerca de 1%, pressionada pela incerteza em torno das tarifas que Donald Trump pretende implementar e pelos potenciais efeitos retroativos de uma decisão do Supremo Tribunal norte-americano. O sentimento geral permanecia cauteloso, com os investidores já a posicionar-se para a quarta-feira, quando a NVIDIA divulgaria os seus resultados após o fecho de mercado.

Nos mercados de matérias-primas, o petróleo registou quedas ligeiras, com o WTI a fixar-se nos 66,44 dólares e o Brent nos 71,26 dólares. O euro valorizou 0,19% face ao dólar, encerrando nos 1,1804 dólares — um sinal ténue, mas real, de preferência pelos ativos europeus numa sessão de incertezas partilhadas.

A bolsa de Lisboa terminou a primeira sessão da semana em terreno positivo, fechando com uma valorização de 1,71% e atingindo os 9.245,67 pontos. O desempenho foi impulsionado por um conjunto de cotadas que registaram ganhos significativos, enquanto o resto da Europa apresentava um quadro mais misto, dividido entre perdas e ganhos conforme o setor e a geografia.

A NOS foi a grande protagonista do dia, disparando 4,27% para 5,010 euros e liderando a sessão com folga. Logo atrás, a Jerónimo Martins subiu 4,15% para 22,10 euros, consolidando-se como a segunda força motriz do índice. A Mota-Engil ganhou 3,35% para 5,250 euros, enquanto a REN avançou 2,27% para 3,825 euros. A Sonae somou 2,16% para 1,9880 euros e a Altri registou um ganho mais modesto de 0,21% para 4,790 euros. A única exceção ao cenário de ganhos foi a Corticeira Amorim, que recuou 0,14% para 6,90 euros, fechando o dia em contraciclo.

O panorama europeu revelou-se mais fragmentado. Enquanto o PSI ganhava terreno, o índice francês CAC40 caía 0,22% para 8.497,17 pontos, e o alemão DAX sofria uma queda mais acentuada de 1,1%. Em contraste, o Ibex35 espanhol avançou 0,68% para 18.287,30 pontos. Segundo Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium Investment Banking, a divergência refletiu dinâmicas setoriais distintas: enquanto o índice alemão foi arrastado por perdas expressivas da Airbus, SAP e do setor automóvel, o português beneficiou de um impulso generalizado que envolveu não apenas a NOS e Jerónimo Martins, mas também a Mota-Engil, REN, Sonae, Galp e BCP.

O contexto internacional permanecia marcado pela incerteza. Wall Street recuava cerca de 1% no fecho das praças europeias, condicionado pela indefinição em torno das novas tarifas que Donald Trump pretende aplicar e pelos potenciais efeitos retroativos da decisão do Supremo Tribunal norte-americano sobre aplicações tarifárias anteriores. Rumores de interesse comprador entusiasmavam a Paypal na última hora de negociação, mas o sentimento geral permanecia cauteloso. A atenção dos investidores estava também voltada para a quarta-feira, quando a NVIDIA, a maior empresa do mundo, divulgaria os seus resultados após o fecho de mercado.

Nos mercados de matérias-primas, o petróleo apresentava uma ligeira queda. O WTI texano recuou 0,11% para 66,44 dólares por barril, enquanto o Brent caía 0,07% para 71,26 dólares. O gás natural registou uma descida mais pronunciada de 0,90% para 2,957 dólares. No mercado cambial, o euro valorizou-se 0,19% face ao dólar, fixando-se nos 1,1804 dólares, refletindo uma ligeira preferência pelos ativos europeus apesar das incertezas que pairavam sobre o continente.

As bolsas europeias encerraram divididas entre as quedas de 1,1% do DAX e os ganhos de 1,7% do PSI, com o índice português a receber impulso de grande parte das suas cotadas
— Ramiro Loureiro, analista de mercados do Millennium Investment Banking
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