Em dez cidades do interior, litoral e Vale do Paraíba de São Paulo, outdoors instalados pelo Sindicato dos Delegados de Polícia surgem como espelhos de uma promessa não cumprida: a de que a Polícia Civil seria uma das mais bem pagas do país. O que estava confinado às mesas de negociação agora ocupa o espaço público, revelando a distância entre o discurso da valorização policial e a realidade vivida por quem enfrenta o crime organizado com insegurança financeira. É o momento em que a paciência de uma categoria se transforma em campanha — e uma disputa interna se converte em questão coletiva.
Delegados de SP instalam outdoors contra gestão de Tarcísio em segurança
Promessa não foi cumprida, e a carreira não é atrativa
Por que o sindicato escolheu outdoors agora, especificamente em fevereiro de 2026?
Porque as promessas de 2022 não foram cumpridas e a situação ficou insustentável. Não é um gesto impulsivo — é uma escalada calculada de uma frustração que vem se acumulando.
O déficit de 14 mil profissionais é realmente tão grave quanto parece?
É grave porque significa que cada policial está fazendo o trabalho de mais de um. Você tem gente trabalhando sob pressão constante, sem repouso adequado, e o governo diz que contratou 5.760 pessoas. Mas 3.691 saíram. O saldo é negativo.
O governo respondeu com números de equipamentos e viaturas. Isso não resolve o problema?
Não. Um colete balístico não paga a conta de casa. Uma viatura nova não compensa a falta de hora extra. O sindicato está dizendo: vocês podem modernizar delegacias, mas se o policial não consegue sustentar a família, ele sai da carreira ou fica amargado.
Qual é o risco político para Tarcísio nessa situação?
Se a Polícia Civil continuar esvaziada e desmotivada, a segurança pública sofre. E segurança é a moeda de troca política. Outdoors em dez cidades é aviso: a categoria está indo para a rua com essa mensagem.
Isso vai escalar para greve?
Ainda é cedo para dizer. Mas quando um sindicato investe em campanha pública, está sinalizando que negocia nos bastidores não funcionou. O próximo passo é sempre mais visível.
O Pulso
- O Sindpesp instalou outdoors em dez cidades paulistas cobrando do governador Tarcísio de Freitas o cumprimento de promessas feitas em 2022 sobre salários e valorização da Polícia Civil.
- O déficit de 14.377 profissionais na corporação expõe uma sangria silenciosa: as admissões não compensam as saídas por aposentadorias e exonerações.
- Delegados enfrentam jornadas extenuantes sem hora extra, adicional noturno ou auxílio-saúde, enquanto arriscam a vida diante de facções criminosas com salários que o sindicato classifica como indignos.
- O governo responde com números de nomeações, viaturas, coletes e obras — mas o sindicato argumenta que infraestrutura não substitui remuneração digna e plano de carreira justo.
- A campanha pública de outdoors marca uma escalada: o que era negociação interna agora pressiona o governador diante da opinião pública em cidades estratégicas do estado.
Em dez cidades do interior, litoral e Vale do Paraíba de São Paulo, outdoors instalados pelo Sindicato dos Delegados de Polícia surgem como espelhos de uma promessa não cumprida: a de que a Polícia Civil seria uma das mais bem pagas do país. O que estava confinado às mesas de negociação agora ocupa o espaço público, revelando a distância entre o discurso da valorização policial e a realidade vivida por quem enfrenta o crime organizado com insegurança financeira. É o momento em que a paciência de uma categoria se transforma em campanha — e uma disputa interna se converte em questão coletiva.
Na terça-feira 24 de fevereiro, outdoors com críticas ao governador Tarcísio de Freitas começaram a aparecer em dez cidades paulistas — entre elas Campinas, Ribeirão Preto, Santos e São José dos Campos. A ação é do Sindpesp, o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, e marca o início de uma campanha pública para cobrar promessas feitas durante a eleição de 2022, quando Tarcísio afirmou que a Polícia Civil seria uma das mais bem pagas e equipadas do país.
A presidente do sindicato, delegada Jacqueline Valadares, resume o problema com precisão: policiais que enfrentam facções criminosas, arriscam a vida e sustentam famílias não têm salários dignos nem direitos básicos como hora extra, adicional noturno e auxílio-saúde. O déficit de 14.377 profissionais na corporação agrava o quadro — as 5.760 admissões realizadas pelo governo não cobriram as 3.691 saídas por aposentadorias e exonerações.
O governo estadual respondeu citando a maior nomeação da história da Polícia Civil, com mais de 4.000 vagas autorizadas, além da entrega de 185 viaturas, 12.600 coletes balísticos, 7.400 armas e 20 obras de modernização de delegacias. Para a gestão, esses números são evidência de valorização. Para o sindicato, equipamentos não resolvem a questão central: sem remuneração digna e plano de carreira justo, a carreira perde atratividade e a segurança pública se fragiliza.
Os outdoors transformam uma negociação que estava nos bastidores em disputa aberta. A tensão entre o discurso oficial de valorização policial e a experiência cotidiana dos delegados agora ocupa as ruas — e promete se intensificar.
Na terça-feira 24 de fevereiro, outdoors começaram a aparecer em dez cidades do interior paulista, do Vale do Paraíba e do litoral. As mensagens eram diretas: críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas na área de segurança pública e na valorização dos policiais civis. Quem colocou os anúncios foi o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo, o Sindpesp, iniciando uma campanha que promete cobrar promessas feitas durante a campanha eleitoral de 2022.
Araçatuba, Bauru, Campinas, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos, Santos e Sorocaba receberam os outdoors na primeira etapa. O sindicato alega que a Polícia Civil não é valorizada pela atual gestão estadual. Os números que sustentam essa reclamação são significativos: há um déficit de 14.377 profissionais na corporação. Embora o governo tenha realizado 5.760 admissões, houve 3.691 desligamentos por aposentadorias, exonerações e outros motivos, criando um saldo negativo que preocupa a categoria.
A delegada Jacqueline Valadares, presidente do sindicato, foi direto ao ponto. Segundo ela, trata-se de uma gestão que não oferece salários dignos para quem enfrenta facções criminosas, coloca a vida em risco e trabalha sob carga extenuante, tudo isso com insegurança financeira para sustentar as famílias. Durante a campanha de 2022, Tarcísio prometeu que a Polícia Civil seria uma das mais bem pagas e equipadas do país. Na avaliação do sindicato, essa promessa não foi cumprida.
Os problemas vão além do salário base. Valadares apontou que a carreira não é atrativa porque, além dos baixos vencimentos, faltam direitos básicos como hora extra, adicional por trabalho noturno e auxílio-saúde. Se o governador quer falar em segurança pública, argumenta o sindicato, deve começar cumprindo o que deve à Polícia Civil: remuneração digna, política de valorização real, plano de carreira justo e condições concretas para enfrentar o crime organizado.
O governo respondeu. Em nota enviada ao Poder360 em 10 de fevereiro, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que valoriza permanentemente as forças policiais. A pasta citou números: a maior nomeação da história da Polícia Civil, com mais de 4.000 vagas autorizadas e efetivo total de 26.200 policiais. Também mencionou a entrega de 185 viaturas, 12.600 coletes balísticos, 7.400 armas e 20 obras de modernização de delegacias na capital.
A tensão entre a gestão estadual e a categoria policial permanece. De um lado, o sindicato insiste que equipamentos e viaturas não resolvem a questão fundamental: policiais precisam de salários que permitam viver com dignidade e segurança financeira. Do outro, o governo aponta investimentos em infraestrutura e pessoal como evidência de valorização. Os outdoors nas dez cidades paulistas marcam o ponto de inflexão dessa disputa, transformando uma negociação interna em campanha pública.
Citações Notáveis
Trata-se de uma gestão que não entrega salários dignos para aqueles que enfrentam facções criminosas, que colocam suas vidas em risco e que têm carga de trabalho extenuante— Jacqueline Valadares, presidente do Sindpesp
Se o governador pretende falar em segurança pública, deve começar cumprindo o que deve à Polícia Civil: remuneração digna, política de valorização real e plano de carreira justo— Jacqueline Valadares, presidente do Sindpesp