Programa cobre custos de candidatura e oferece acompanhamento acadêmico, enquanto bolsas são concedidas pelas próprias universidades americanas. Candidatos precisam ter bom desempenho escolar, domínio de inglês, envolvimento em atividades extracurriculares e estar no 2º ou 3º ano do ensino médio.
Programa americano abre portas para jovens pobres estudarem em universidades dos EUA
A vida já oferece adversidades, mas não desistem
Por que esse programa é importante agora, especificamente? Parece ser uma iniciativa pequena em relação ao tamanho do problema.
Porque desde 2014, quando o Ciências Sem Fronteiras acabou, praticamente desapareceram as portas abertas para alunos pobres estudarem no exterior. O Oportunidades Acadêmicas é um dos poucos que ainda existe.
Quantos alunos o programa realmente atinge por ano? O texto não diz.
Não especifica, mas menciona que já ajudou gente que agora está em posições importantes, como o secretário de Educação do Rio.
E quanto às bolsas? Quem paga?
As universidades americanas é que concedem as bolsas. O programa cobre os custos da candidatura e oferece orientação durante o processo.
Então o programa não garante bolsa integral. Depende da universidade aceitar e oferecer ajuda financeira.
Exato. O programa abre a porta, mas a bolsa é decisão de cada instituição.
Qual é o perfil do aluno que consegue entrar?
Precisa ter bom desempenho escolar, dominar inglês, estar envolvido em atividades extracurriculares, ser de família de baixa renda e estar no 2º ou 3º ano do ensino médio.
Isso é bastante seletivo. Quantos alunos de baixa renda realmente atendem a todos esses critérios?
É verdade. O programa não é para qualquer um. Exige determinação e já uma certa estrutura de oportunidades — estágios, cursos extras, inglês fluente.
Então acaba sendo um programa para os pobres que já têm vantagens?
De certa forma, sim. Mas para quem se encaixa, muda tudo.
O Pulso
- Inscrições abertas até 10 de janeiro de 2022
- Programa cobre custos de candidatura e oferece acompanhamento acadêmico
- Bolsas são concedidas pelas próprias universidades americanas
- Oportunidades para alunos pobres no exterior tornaram-se escassas desde fim do Ciências Sem Fronteiras em 2014
- Inscrições de brasileiros no Common Application cresceram 41% em 2020
Programa cobre custos de candidatura e oferece acompanhamento acadêmico, enquanto bolsas são concedidas pelas próprias universidades americanas. Candidatos precisam ter bom desempenho escolar, domínio de inglês, envolvimento em atividades extracurriculares e estar no 2º ou 3º ano do ensino médio.
Iniciativa Oportunidades Acadêmicas do EducationUSA oferece apoio para estudantes de baixa renda brasileiros ingressarem em universidades americanas de excelência, com inscrições abertas até janeiro de 2022.
Mariami Topeshashvili estava tomando um milk-shake na Praia de Copacabana quando ouviu falar, pela primeira vez, sobre a oportunidade que a levaria a Harvard. Nascida na Geórgia, no Leste Europeu, ela havia chegado ao Brasil ainda criança, refugiada com a família, e cresceu na favela carioca Ladeira dos Tabajaras. Naquele momento, aos poucos anos de distância daquele encontro casual, ela era uma adolescente do Colégio Pedro II com dois estágios simultâneos — um em química na Petrobras, outro em filosofia do direito na PUC-Rio — além de vender bótons e frequentar aulas de teatro à noite. Foi justamente em uma dessas aulas que uma professora americana, voluntária, mencionou o Oportunidades Acadêmicas, um programa do EducationUSA, órgão vinculado ao Departamento de Estado dos Estados Unidos e à Missão Diplomática americana no Brasil.
O programa busca exatamente jovens como Mariami. As inscrições para 2022 estão abertas até 10 de janeiro, e o perfil esperado é bem específico: alunos que demonstrem determinação, desempenho acadêmico sólido, participação ativa em atividades extracurriculares e fluência em inglês. Há também requisitos estruturais — estar matriculado no 2º ou 3º ano do ensino médio em 2022, ou ter concluído o ensino médio em 2021 — e um critério social fundamental: vir de uma família de baixa renda. O que diferencia este programa de outras iniciativas é que ele não apenas abre portas; ele também cobre os custos do processo de candidatura às universidades americanas e oferece acompanhamento acadêmico durante toda a jornada. As bolsas de estudo propriamente ditas vêm das próprias instituições de ensino.
O contexto em que o Oportunidades Acadêmicas opera é de escassez. Cerca de 70 mil estudantes brasileiros estão atualmente matriculados em universidades no exterior, mas as oportunidades para alunos de menor poder aquisitivo se tornaram raras após o encerramento do Ciências Sem Fronteiras, em 2014. Ainda assim, há sinais de interesse crescente: as inscrições de brasileiros no Common Application — o portal de entrada para 900 universidades americanas — aumentaram 41% em 2020 comparado a 2019. Algumas escolas em grandes centros urbanos já dedicam mais recursos ao SAT, o vestibular americano, do que ao Enem. Mas essa realidade não alcança a maioria dos alunos de baixa renda, para quem as barreiras financeiras e de acesso à informação permanecem altas.
Simone Ferreira, uma das orientadoras do programa, identifica um traço comum entre os alunos que conseguem avançar: "Em comum, os alunos que passam têm sangue no olho. A vida já oferece adversidades a eles, mas não desistem." Essa observação aponta para algo que vai além dos números e critérios de seleção — a resiliência como fator determinante. Mariami Topeshashvili é um exemplo vivo disso. Sua trajetória, que começou em um encontro casual em uma aula de teatro, a levou a uma das universidades mais prestigiadas do mundo. Mas ela não é um caso isolado. O programa já ajudou a formar nomes como Renan Ferreirinha, que hoje é secretário municipal de Educação do Rio de Janeiro.
O que o Oportunidades Acadêmicas representa, em última análise, é uma rachadura pequena mas significativa em um sistema que historicamente fechou portas para jovens pobres. Não resolve o problema estrutural da desigualdade educacional no Brasil, mas oferece um caminho concreto para quem tem o desempenho, a determinação e o domínio de inglês necessários. Para os próximos candidatos — aqueles que estão preenchendo inscrições até 10 de janeiro — a oportunidade está ali, real e acessível, esperando por quem estiver disposto a persegui-la.
Citações Notáveis
Em comum, os alunos que passam têm sangue no olho. A vida já oferece adversidades a eles, mas não desistem— Simone Ferreira, orientadora do programa