Professora denuncia violência sexual por instrutor de academia no Recife

Mulher de 25 anos sofreu assédio sexual, mordida e agressão física, relatando trauma psicológico e medo de represálias ao denunciar o crime.
a mulher que fica como errada
Razão pela qual a vítima demorou a denunciar o assédio sexual sofrido na academia.
Mark

Por que ela esperou três dias para denunciar?

Mimi

Ela ficou sem reação no momento. Mas também havia medo — medo de que, em casos assim, a mulher fosse vista como culpada. Isso não é paranoia. É uma realidade que muitas mulheres conhecem.

Mark

E a academia realmente o readmitiu depois de prometer que o desligaria?

Mimi

Sim. Eles disseram que foi temporário, para cobrir ausências médicas. Mas para a vítima, que já havia denunciado e recebido garantias, encontrá-lo lá novamente foi um choque.

Mark

O que a câmera de segurança mostrou exatamente?

Mimi

Ele se aproximou dela duas vezes, abraçando-a enquanto ela tentava se afastar. Depois fez um gesto de coração e disse que era brincadeira. Mas ela não achou brincadeira nenhuma.

Mark

Qual é o próximo passo agora?

Mimi

A polícia está investigando. O conselho de educação física também pediu acesso ao inquérito para decidir se abre um processo ético-disciplinar. Mas tudo isso leva tempo, e ela continua tendo que lidar com as consequências.

Mark

Ela conseguiu identificar o instrutor?

Mimi

Sim, Filipe Gomes da Silva. Mas a reportagem não conseguiu encontrar quem o representa legalmente. Ele não se pronunciou sobre as acusações.

  • Professora de 25 anos denunciou violência sexual em 19 de maio na Academia ElevaFit, Recife
  • Instrutor Filipe Gomes da Silva foi demitido, mas readmitido temporariamente para cobrir ausências
  • Vítima encontrou o suspeito novamente na academia em 19 de agosto, levando a novo boletim de ocorrência
  • Câmeras de segurança registraram o incidente com abraços não consentidos

Vítima registrou boletim de ocorrência três dias após o incidente, mas encontrou o suspeito novamente na academia na última quarta-feira, levando a novo registro. Academia ElevaFit afirmou ter demitido o instrutor, mas o readmitiu temporariamente para cobrir ausências médicas de outros profissionais.

Professora de 25 anos denunciou à Polícia Civil ter sofrido violência sexual após ser mordida e agarrada por instrutor de academia no Recife. Câmeras de segurança registraram o incidente ocorrido em maio.

Uma professora de 25 anos entrou em uma delegacia de polícia em Olinda três dias depois de um encontro que a deixou abalada. Ela havia sido mordida e agarrada por um instrutor de academia no Recife, e agora precisava contar o que havia acontecido. O incidente ocorreu em 19 de maio na Academia ElevaFit, no bairro de Passarinho, na zona norte da capital pernambucana. Câmeras de segurança do estabelecimento capturaram tudo: o instrutor Filipe Gomes da Silva se aproximando dela duas vezes, abraçando-a enquanto ela tentava se afastar com os braços. Depois de soltá-la, ele fez um gesto de coração com as mãos e disse que havia sido apenas uma brincadeira. Para a professora, que pediu para não ser identificada, foi tudo menos uma brincadeira. "Foi desesperador, horrível", ela descreveria depois.

O silêncio inicial não foi escolha. A mulher ficou sem reação no momento do ocorrido, paralisada pela situação. Quando finalmente procurou a polícia, três dias se haviam passado. Ela escolheu uma delegacia em Olinda, próxima ao seu trabalho, em vez de ir direto a uma unidade em Recife. Um policial, segundo seu relato, sugeriu que ela deveria ter procurado a capital logo após o incidente. Mas ela não havia feito isso por medo. Ela sabia, por experiência ou por ouvir histórias, que em casos assim "a mulher que fica como errada". O boletim de ocorrência foi registrado com as acusações de importunação sexual, assédio sexual e lesão corporal.

A professora entregou uma cópia do boletim à proprietária da academia. Recebeu a garantia de que o instrutor seria desligado e não teria mais acesso ao estabelecimento. Ela acreditou. A Academia ElevaFit, em nota oficial, confirmou que havia tratado o relato com "seriedade e responsabilidade" desde o primeiro momento e que havia realizado o desligamento do profissional. Tudo parecia resolvido. Mas na noite de quarta-feira, 19 de agosto, a professora foi à academia em um horário diferente do que costumava frequentar. Lá estava ele. "Levei um susto", ela disse. O instrutor que deveria ter sido banido do local estava trabalhando novamente.

A Academia ElevaFit ofereceu uma explicação. O retorno de Filipe Gomes da Silva, segundo a empresa, havia ocorrido "diante do afastamento médico simultâneo de profissionais da equipe e após tentativas, sem êxito, de encontrar substitutos disponíveis". Em outras palavras, ele havia sido chamado "excepcionalmente para a cobertura de duas diárias" porque havia falta de pessoal. A readmissão temporária de um homem acusado de violência sexual para cobrir turnos criou uma situação que a vítima descreveu como um susto, mas que também a levou a registrar um novo boletim de ocorrência.

A Polícia Civil de Pernambuco informou que um inquérito foi instaurado para apurar os fatos e que a investigação segue em andamento. A reportagem não conseguiu identificar quem representa a defesa do instrutor. Enquanto isso, o Conselho Regional de Educação Física da 12ª Região, que abrange Pernambuco, manifestou repúdio ao caso e solicitou acesso ao inquérito. O conselho informou que pretende "reunir os elementos necessários à apuração dos fatos e à eventual instauração de processo ético-disciplinar" contra o profissional.

A professora disse esperar que o instrutor seja punido. Ela também deixou uma mensagem para outros profissionais do setor: que entendam que "não podem chegar assim na mulher, tocar, fazer o que quer". Seu caso, agora registrado em boletins de ocorrência e sob investigação, se tornou mais um episódio na longa história de mulheres que precisam navegar sistemas que frequentemente as culpam por terem sido agredidas. A investigação continua, e o que acontecerá com Filipe Gomes da Silva e com a Academia ElevaFit ainda está por ser determinado.

Foi desesperador, horrível
— A professora vítima do assédio
Não podem chegar assim na mulher, tocar, fazer o que quer
— A professora, sobre o que espera que profissionais do setor entendam
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