Produção automotiva cai 41% e atinge pior nível desde 2003

Nível de emprego na indústria automotiva caiu 4,5% em 12 meses, chegando a 122,1 mil funcionários em setembro.
A indústria estava trabalhando para crescimento que nunca chegou
As montadoras se prepararam para produção de 3,16 milhões de veículos em 2020, mas a demanda caiu 41%.
Mark

Como uma queda de 41% na produção se traduz na vida real das pessoas que trabalham nessa indústria?

Mimi

Bem, em setembro havia 122,1 mil funcionários na indústria automotiva. Um ano antes havia mais. Isso significa que dezenas de milhares de pessoas perderam seus empregos ou tiveram suas horas reduzidas. A Anfavea diz que é "natural" as empresas ajustarem a força de trabalho, mas para quem foi demitido, é uma crise pessoal.

Luke

Espera — a queda de 4,5% em doze meses significa quantas pessoas exatamente? Se havia 122,1 mil em setembro de 2020, isso quer dizer que havia aproximadamente 127,8 mil um ano antes. Então estamos falando de algo em torno de 5,7 mil empregos perdidos. Mas o texto não diz isso explicitamente. Poderia ser mais ou menos dependendo de como a Anfavea conta.

Mark

E por que a indústria estava tão despreparada? Eles não viram isso vindo?

Mimi

No começo do ano, a Anfavea projetava crescimento de 7,3% e produção de 3,16 milhões de veículos. As montadoras investiram, contrataram, se posicionaram para isso. Depois veio a pandemia e tudo desabou. Ninguém estava preparado para uma queda de 41%.

Luke

Mas o texto não explica por que a queda foi tão severa. Sabemos que houve uma contração, mas não sabemos se foi lockdown, falta de demanda, problemas na cadeia de suprimentos, ou tudo junto. A Anfavea não oferece essa análise.

Mark

A revisão de setembro parece otimista demais? Eles estão sendo realistas?

Mimi

Eles revisaram para melhor porque viram sinais de recuperação em setembro — foi o melhor mês do ano em emplacamentos. Mas ainda estão projetando queda de 31% nas vendas. Não é otimismo, é reconhecimento de que o pior passou.

Luke

Verdade, mas uma revisão de 40% para 31% em dois meses é uma mudança grande. Isso reflete dados sólidos ou é mais esperança? O texto não deixa claro o que mudou entre julho e setembro além de "sinais de recuperação em setores econômicos". Quais setores? Quanto de recuperação?

Mark

Então a indústria vai ficar menor em 2021 também?

Mimi

O texto não fala sobre 2021. Moraes menciona que as empresas querem manter estoques justos para ter "mais certeza do volume do ano que vem", o que sugere incerteza. Mas não há projeção.

Luke

Exato. O texto termina em setembro de 2020 com esperança condicional. Não sabemos o que aconteceu depois, se a recuperação continuou ou se houve novo colapso.

  • Produção acumulada de 2020: 1,331 milhão de veículos, queda de 41%, pior nível desde 2003
  • Vendas acumuladas: 1,37 milhão de licenciamentos, queda de 32%
  • Emprego na indústria: 122,1 mil funcionários em setembro, queda de 4,5% em 12 meses
  • Exportações acumuladas: 207,3 mil veículos, queda de 38,6%, faturamento de US$ 5 bilhões (queda de 34%)
  • Revisão de previsões: queda de 31% nas vendas (1,92 milhão) e 35% na produção (1,915 milhão) para 2020

Produção acumulada de 2020 chegou a 1,331 milhão de veículos, queda de 41% e pior nível desde 2003. Vendas caíram 32% no acumulado para 1,37 milhão de licenciamentos; setembro foi melhor mês do ano com 207 mil unidades.

A produção de veículos no Brasil caiu 41% no acumulado de 2020, atingindo o pior desempenho desde 2003, enquanto vendas recuaram 32% no período, segundo dados da Anfavea.

A indústria automotiva brasileira chegou em setembro de 2020 a um patamar não visto desde o início dos anos 2000. A produção acumulada nos nove primeiros meses do ano atingiu 1,331 milhão de veículos, representando uma queda de 41% em relação ao mesmo período de 2019 — o pior desempenho desde 2003, segundo dados divulgados pela Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Embora o número seja alarmante, as vendas apresentaram uma trajetória ligeiramente menos severa, com recuo de 32% no acumulado, totalizando 1,37 milhão de licenciamentos.

September trouxe sinais de estabilização relativa. O mês registrou 207 mil veículos vendidos, representando queda de 12% frente a setembro de 2019, mas marcou a melhor performance do ano em termos de emplacamentos. Comparado a agosto, houve aumento de 8,9% nas vendas. Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea, contextualizou o resultado: o volume de setembro equivalia ao que se produzia em 2017, enquanto o acumulado do ano já havia recuado aos patamares de 2006. A produção em setembro caiu 11%, atingindo 220,16 mil unidades, mantendo-se alinhada com a nova realidade de demanda do mercado.

O ajuste na força de trabalho acompanhou a contração produtiva. Em setembro, o nível de emprego na indústria automotiva chegou a 122,1 mil funcionários, representando uma queda de 4,5% em doze meses. Moraes caracterizou esses cortes como naturais, explicando que as empresas estavam adequando sua mão de obra à nova demanda do mercado. A indústria, que havia se preparado para um cenário de crescimento no início do ano, agora operava em ritmo defensivo, buscando manter estoques justos e proteger o caixa das operações.

As exportações também sofreram pressão significativa. Em setembro, as remessas caíram 16,7%, totalizando 30,5 mil veículos exportados, com receita de US$ 693,2 milhões — queda de 14,1%. No acumulado de nove meses, o volume embarcado somou 207,3 mil veículos, retração de 38,6%, enquanto o faturamento chegou a US$ 5 bilhões, representando queda de 34% em relação ao período anterior.

Diante de sinais de recuperação em setores da economia e melhora gradual do mercado, a Anfavea revisou suas projeções para 2020 em direção mais otimista. A entidade passou a estimar queda de 31% nas vendas anuais, com 1,92 milhão de unidades comercializadas — uma melhora significativa frente à previsão anterior de julho, que apontava recuo de 40% e apenas 1,67 milhão de emplacamentos. Para a produção, a nova estimativa indicava queda de 35%, chegando a 1,915 milhão de veículos, comparado à projeção anterior de 45% de redução e 1,63 milhão de unidades.

O contraste com as expectativas iniciais do ano era brutal. No começo de 2020, a Anfavea havia projetado produção de 3,16 milhões de veículos com crescimento de 7,3%. As montadoras se estruturaram para esse cenário. A revisão de setembro, embora ainda refletisse uma crise profunda, sinalizava que o piso da queda havia sido atingido e que a indústria começava a se reposicionar. A prioridade agora era manter estoques controlados e preservar a saúde financeira das empresas para enfrentar a incerteza que permanecia sobre a demanda em 2021.

Produção em linha com o que o mercado está demandando. A indústria está trabalhando com o ritmo da nova demanda e ajustando a sua produção. É a pior produção no acumulado desde 2003.
— Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea
É natural que as empresas façam ajustes de produção em função do mercado. O objetivo das empresas é ajustar a força de trabalho à nova demanda.
— Luiz Carlos de Moraes, presidente da Anfavea
Quieres la nota completa? Lee el original en Valor Investe ↗
Contáctanos FAQ