Em um movimento que surpreendeu dirigentes e atletas, Eduardo Baptista deixou o Criciúma para assumir o comando do Internacional poucas horas após uma derrota — um gesto que revela como o futebol profissional opera em tempos de urgência, onde lealdades são medidas em resultados e contratos se desfazem da noite para o dia. A transição carrega também um peso simbólico: Baptista chega ao clube que seu pai, Nelsinho, deixou de forma traumática em 1996, tornando essa missão algo maior do que uma simples troca de emprego.
Presidente do Criciúma admite surpresa com saída de Baptista para o Inter
Me surpreendeu e surpreendeu a todos, inclusive os atletas
Como é possível que o presidente não tivesse ideia de que o treinador estava sendo cortejado?
Canella foi bem claro: não havia sinalização nenhuma. Baptista não manifestou interesse em sair, e o Criciúma só começou a agir quando os ruídos da torcida ficaram muito altos. A negociação foi rápida demais para que houvesse preparação.
Mas a pressão da torcida já era grande antes da derrota para o Operário. Como Canella não estava monitorando a situação? E quando exatamente o Inter fez contato?
Boa pergunta. O que sabemos é que a derrota foi terça-feira à noite e a saída foi anunciada logo depois. Canella diz que só começaram a agir quando os ruídos ficaram muito grandes, mas não especifica quanto tempo antes disso.
Então a sequência de cinco derrotas em seis rodadas foi o gatilho real?
Parece ser. O Criciúma caiu para a sexta posição com a segunda pior campanha do returno. Isso criou o ambiente perfeito para que o Inter viesse com uma proposta.
E quanto ao valor da multa? R$ 300 mil é muito ou pouco para um treinador em uma Série B?
Não há contexto no material para comparar, mas o fato de o Inter ter pagado rapidamente sugere que considerou um investimento viável.
Qual é o peso de Baptista ser filho de Nelsinho?
Nelsinho deixou o Inter de forma traumática em 1996. Agora seu filho assume o mesmo cargo. É uma volta carregada de história, para melhor ou para pior.
The Pulse
- A derrota de 2 a 0 para o Operário-PR foi o gatilho: ainda com Baptista no banco, o Inter já articulava sua contratação nos bastidores.
- O presidente do Criciúma admitiu publicamente ter sido pego de surpresa — nem ele, nem os atletas receberam qualquer sinal de que o técnico pretendia partir.
- R$ 300 mil de multa rescisória foram pagos pelo Inter para acelerar uma negociação que se concretizou em questão de horas.
- O Criciúma amargava a segunda pior campanha do returno da Série B, com cinco derrotas em seis rodadas e pressão crescente da torcida sobre o treinador.
- Baptista assume o Colorado carregando o peso de um sobrenome marcado na história do clube — seu pai Nelsinho saiu do Inter de forma traumática em 1996.
Em um movimento que surpreendeu dirigentes e atletas, Eduardo Baptista deixou o Criciúma para assumir o comando do Internacional poucas horas após uma derrota — um gesto que revela como o futebol profissional opera em tempos de urgência, onde lealdades são medidas em resultados e contratos se desfazem da noite para o dia. A transição carrega também um peso simbólico: Baptista chega ao clube que seu pai, Nelsinho, deixou de forma traumática em 1996, tornando essa missão algo maior do que uma simples troca de emprego.
A saída de Eduardo Baptista do Criciúma aconteceu tão depressa que surpreendeu até o presidente do clube, Pedro Paulo Canella, que admitiu publicamente não ter recebido qualquer sinal do treinador sobre uma possível partida. A negociação com o Inter se concretizou logo após a derrota de 2 a 0 para o Operário-PR — partida em que Baptista ainda estava no banco do Tigre. O Colorado pagou R$ 300 mil de multa rescisória para viabilizar a contratação em tempo recorde.
Canella descreveu o episódio como perturbador para todos dentro do clube, incluindo os atletas. Segundo ele, foi apenas quando os "ruídos" da torcida ficaram altos demais que o Criciúma entrou em contato com o empresário do técnico para começar a tomar decisões — e, nesse intervalo, o Inter já havia agido primeiro.
O momento era delicado para Baptista no Criciúma: cinco derrotas em seis rodadas, a segunda pior campanha do returno da Série B e o clube estacionado na sexta posição. O desempenho recente havia apagado o bom início de trabalho, quando a equipe chegou a ocupar posição confortável na tabela.
Com mais de uma década de carreira como treinador — passando por Sport, Palmeiras, Fluminense, Coritiba e Juventude, entre outros —, Baptista chega ao Inter com experiência, mas também com um peso histórico: seu pai, Nelsinho Baptista, comandou o Colorado e deixou o clube de forma traumática em 1996. Agora, é o filho quem tenta escrever um capítulo diferente nessa história.
A saída de Eduardo Baptista do Criciúma para o Inter aconteceu tão rapidamente que surpreendeu até quem estava dentro do clube. Pedro Paulo Canella, presidente do Criciúma, admitiu na quarta-feira que o treinador não havia dado qualquer sinal de que pretendia deixar a equipe catarinense. A negociação com o Colorado se concretizou logo após a derrota de 2 a 0 para o Operário-PR na terça-feira à noite — a mesma partida em que Baptista ainda estava no banco de reservas do Tigre. O Inter pagou R$ 300 mil de multa rescisória para viabilizar a contratação.
Canella descreveu o episódio como inesperado e perturbador. "Me surpreendeu e surpreendeu a todos, inclusive os atletas, a forma que foi", disse o dirigente, acrescentando que a instituição precisava "virar a página". Segundo ele, não houve qualquer comunicação prévia do técnico ou de seu staff indicando uma possível saída. Apenas quando os "ruídos" começaram a ficar muito altos — uma referência à pressão da torcida por uma mudança — é que o Criciúma entrou em contato com o empresário de Baptista e começou a tomar decisões sobre o futuro do treinador.
O timing da saída coincidiu com um momento delicado para o Criciúma. Baptista enfrentava pressão crescente após uma sequência de resultados ruins. A derrota para o Operário foi a quinta em seis rodadas, deixando o clube na sexta posição da Série B com a segunda pior campanha do returno. Meses antes, o treinador havia conseguido colocar a equipe em posição confortável na tabela, mas o desempenho recente havia erodido a confiança.
Baptista chega ao Inter com um currículo construído ao longo de mais de uma década como treinador. Começou sua carreira em 2014 no Sport e desde então passou por Palmeiras, Fluminense, Ponte Preta, Coritiba, Vila Nova, CSA, Mirassol e Juventude. Sua experiência mais recente na Série A foi em 2022, quando trabalhou no Juventude. Ele é filho de Nelsinho Baptista, técnico que comandou o Inter mas deixou o clube de forma traumática em 1996 — um legado que agora seu filho terá de navegar ao tentar recuperar o Colorado.
Notable Quotes
Não tive uma sinalização do staff nem do Eduardo sinalizando que ele queria sair. Não teve contato nenhum, não teve negociação nenhuma.— Pedro Paulo Canella, presidente do Criciúma