Em Campo Grande, dois diretores da agência municipal de tecnologia pediram exoneração no mesmo dia em que a prefeitura abriu licitação de R$ 15,4 milhões para terceirizar serviços de TI — uma coincidência que, sem explicação oficial, convida à reflexão sobre como as instituições públicas redefinem seus limites entre o Estado e o mercado. A simultaneidade dos atos não prova causalidade, mas raramente o acaso governa sozinho os diários oficiais. O pregão marcado para 28 de outubro dirá, ao menos, quem assumirá a operação; o porquê das saídas, por ora, permanece em silêncio.
Prefeitura exonera diretores da Agetec e abre licitação de R$ 15 mi para terceirizar TI
Exonerações e licitação publicadas no mesmo dia levantam questões sobre reestruturação
Por que a prefeitura resolveu terceirizar justamente agora? Há alguma crise de atendimento ou é uma decisão orçamentária?
O edital fala em "serviços técnicos continuados", o que sugere que a prefeitura quer garantir cobertura permanente. Mas o documento não explica a urgência ou o diagnóstico que levou a essa escolha.
Exatamente. Sabemos que a licitação foi aberta, sabemos que dois diretores saíram no mesmo dia, mas não sabemos se uma coisa causou a outra ou se foram decisões paralelas. A prefeitura não respondeu.
E quanto aos dois servidores que foram exonerados? Eles pediram para sair ou foram pedidos para sair?
Segundo o Diário Oficial, foram os próprios que solicitaram a exoneração. Mas isso não nos diz se saíram por insatisfação, por pressão, ou simplesmente porque já tinham planos de ir embora.
Certo. O registro oficial diz que eles pediram. Temos que ficar com isso. Não há informação sobre motivações.
R$ 15,4 milhões é muito dinheiro. Como a prefeitura chegou a esse número?
O edital não detalha o cálculo. Ele apenas estabelece que esse é o valor estimado para 24 meses de operação de central de atendimento, suporte técnico e software de gerenciamento.
Então não sabemos se é baseado em orçamento anterior, em pesquisa de mercado, ou em projeção de demanda. É um número que a prefeitura estabeleceu, mas a metodologia não está pública.
E se nenhuma empresa conseguir fazer o trabalho pelo preço que a prefeitura quer?
O edital permite prorrogações sucessivas, então há flexibilidade no contrato. Mas se ninguém apresentar proposta viável, a licitação pode fracassar.
Verdade. E aí a prefeitura teria que reabrir o processo ou encontrar outra solução. Mas isso é especulação. Por enquanto, o pregão está marcado para 28 de outubro.
El Pulso
- Dois diretores da Agetec foram exonerados no mesmo dia em que a prefeitura lançou edital para terceirizar exatamente as funções que sua agência desempenhava — a coincidência acende alertas sobre transparência administrativa.
- O contrato de R$ 15,4 milhões prevê Service Desk, suporte remoto e presencial e um software alinhado ao padrão ITIL, sinalizando uma transferência estrutural — e não apenas pontual — da gestão de TI para a iniciativa privada.
- A prefeitura não respondeu aos pedidos de esclarecimento sobre o timing das ações, deixando o campo aberto para interpretações sobre reestruturação planejada ou ruptura interna.
- O pregão eletrônico de 28 de outubro incluirá uma prova de conceito obrigatória para a empresa provisoriamente vencedora, o que indica algum rigor técnico no processo — mas não responde às perguntas políticas que o cercam.
Em Campo Grande, dois diretores da agência municipal de tecnologia pediram exoneração no mesmo dia em que a prefeitura abriu licitação de R$ 15,4 milhões para terceirizar serviços de TI — uma coincidência que, sem explicação oficial, convida à reflexão sobre como as instituições públicas redefinem seus limites entre o Estado e o mercado. A simultaneidade dos atos não prova causalidade, mas raramente o acaso governa sozinho os diários oficiais. O pregão marcado para 28 de outubro dirá, ao menos, quem assumirá a operação; o porquê das saídas, por ora, permanece em silêncio.
Na manhã de 8 de outubro, o Diário Oficial de Campo Grande trouxe dois registros que chegaram juntos e partiram em direções opostas: a saída de dois diretores da Agetec e a abertura de uma licitação milionária para terceirizar serviços de tecnologia da informação. Fábio de Souza Barbosa e Edna Botelho da Silva Cóxeo, ambos em cargos comissionados de direção e assessoramento, deixaram a Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação a pedido próprio, segundo o registro oficial. Nenhuma explicação pública foi oferecida.
No mesmo ato, a prefeitura lançou edital para contratar uma empresa privada especializada em operação de central de atendimento e suporte técnico. O escopo é amplo: Service Desk, suporte remoto de primeiro nível, atendimento presencial ou remoto de segundo nível e fornecimento de software de gerenciamento alinhado ao padrão ITIL — referência internacional em gestão de tecnologia. O contrato terá duração inicial de 24 meses, com possibilidade de prorrogações.
O pregão eletrônico está marcado para 28 de outubro, com disputa pelo menor preço e uma etapa adicional: a empresa provisoriamente vencedora precisará demonstrar, em prova de conceito, que sua solução funciona na prática. Nenhuma empresa foi pré-selecionada.
A reportagem buscou a prefeitura para entender a relação entre as exonerações e a licitação, mas não obteve resposta antes da publicação. A administração municipal permanece em silêncio sobre o que pode ser uma reestruturação deliberada — ou uma coincidência que ainda aguarda explicação.
Na quinta-feira, 8 de outubro, a Prefeitura de Campo Grande publicou dois atos no Diário Oficial que chegaram juntos: a exoneração de dois diretores da Agetec e a abertura de uma licitação de R$ 15,4 milhões para terceirizar serviços de tecnologia da informação. A coincidência de datas não passou despercebida.
Os dois servidores exonerados foram Fábio de Souza Barbosa e Edna Botelho da Silva Cóxeo, ambos ocupantes de cargos comissionados de direção e assessoramento na Agência Municipal de Tecnologia da Informação e Inovação. Segundo o registro oficial, os pedidos de exoneração partiram dos próprios servidores. Não houve comunicação pública sobre os motivos das saídas.
No mesmo dia, a prefeitura lançou edital para contratar uma empresa privada especializada em operação de central de atendimento e suporte técnico. O escopo inclui manutenção de um Service Desk, suporte remoto de primeiro nível e atendimento presencial ou remoto de segundo nível aos usuários dos sistemas municipais. A empresa vencedora também deverá fornecer um software de gerenciamento de serviços de TI alinhado com as práticas do ITIL, padrão internacional de gestão de tecnologia. O contrato terá duração inicial de 24 meses, com possibilidade de prorrogações sucessivas.
O pregão eletrônico está marcado para 28 de outubro, com abertura dos envelopes às 8 da manhã. A disputa seguirá o critério de menor preço, e o edital prevê uma etapa adicional: a empresa provisoriamente vencedora deverá participar de uma prova de conceito para demonstrar o funcionamento da solução que oferece. Até o momento, nenhuma empresa foi pré-selecionada ou indicada.
A sequência dos eventos — exonerações e licitação publicadas no mesmo dia — ocorre enquanto a prefeitura prepara a transferência de parte das atividades de atendimento e suporte de TI para a iniciativa privada. A reportagem procurou a prefeitura para esclarecimentos sobre o timing e a possível conexão entre as duas ações, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações futuras da administração municipal.
Citas Notables
Os pedidos de exoneração foram feitos pelos próprios servidores— Diário Oficial de Campo Grande