Num momento em que grande parte da Europa recua, Portugal emerge como o mercado imobiliário com maior dinamismo transacional do continente — uma distinção que revela tanto a vitalidade do país como as fraturas estruturais que ainda o separam das economias mais maduras. O estudo da ERA Group, apoiado por dados do INE que apontam para um crescimento de 24,9% no primeiro trimestre de 2025, sugere que Portugal ocupa um lugar singular: abundante em movimento, mas ainda distante, em preço, dos mercados que historicamente o precedem.
Portugal lidera crescimento de transações imobiliárias na Europa em 2025
Portugal cresce enquanto a Europa trava
Porque é que Portugal está a crescer mais do que outros países europeus, se os preços são tão mais baixos?
Porque crescimento de transações e preços são coisas diferentes. Portugal tem oferta, tem procura, tem financiamento — isso move o volume. Os preços baixos podem até ser parte da atração.
Mas convém notar: o estudo prevê 10% para 2025, mas os dados do INE do primeiro trimestre mostram 24,9%. Isso é muito acima da previsão. Não sabemos se é um pico ou se a previsão fica curta.
É verdade. Os números do primeiro trimestre são reais, a previsão é apenas uma estimativa. Podem estar a ser conservadores.
E quanto aos outros países? Porque é que caem?
O estudo diz que é falta de oferta — mas isso é uma explicação, não uma confirmação. Não temos números de quantas casas faltam em França ou Áustria.
Ainda assim, a tendência é clara: enquanto a maioria dos mercados europeus está travado, Portugal está a acelerar.
Lisboa é cara como Praga, mas o resto de Portugal é barato. Isso não cria dois mercados muito diferentes?
Exatamente. É uma vantagem: quem não consegue comprar em Lisboa tem alternativas acessíveis no resto do país. Isso alimenta o volume.
Mas o estudo não diz nada sobre quem está a comprar estas casas — investidores, residentes, estrangeiros. Sem isso, é difícil saber se é crescimento saudável ou especulação.
E os preços vão subir?
Se o crescimento de transações continuar, é provável. Mas por enquanto, Portugal mantém-se acessível.
El Pulso
- Portugal é o único entre 19 países europeus com previsão de crescimento de 10% em transações imobiliárias para 2025, numa Europa onde mercados como França, Áustria e Irlanda continuam a recuar por falta de oferta.
- Os dados do INE reforçam a tendência com força: as transações imobiliárias cresceram 24,9% no primeiro trimestre de 2025 face ao mesmo período do ano anterior, sinalizando um mercado em aceleração.
- A melhoria nas condições de financiamento surge como catalisador central desta expansão, tornando o crédito mais acessível e estimulando uma procura que o mercado português tem conseguido, pelo menos parcialmente, absorver.
- Apesar do volume de transações, o preço médio do metro quadrado em Portugal (€1.777) é menos de metade da média europeia (€3.558), expondo uma assimetria entre atividade e valorização que define o paradoxo do mercado nacional.
- Lisboa escapa parcialmente a essa assimetria, com €4.340 por metro quadrado — um valor que a coloca ao nível de Praga e Viena, e acima de Roma, Madrid e Bruxelas, revelando dois mercados dentro do mesmo país.
Num momento em que grande parte da Europa recua, Portugal emerge como o mercado imobiliário com maior dinamismo transacional do continente — uma distinção que revela tanto a vitalidade do país como as fraturas estruturais que ainda o separam das economias mais maduras. O estudo da ERA Group, apoiado por dados do INE que apontam para um crescimento de 24,9% no primeiro trimestre de 2025, sugere que Portugal ocupa um lugar singular: abundante em movimento, mas ainda distante, em preço, dos mercados que historicamente o precedem.
Um estudo da ERA Group coloca Portugal numa posição invulgar: o país deverá registar o maior crescimento de transações imobiliárias entre 19 mercados europeus em 2025, com uma expansão prevista de 10%. A previsão assenta no dinamismo do mercado e no acesso a melhores condições de financiamento, e é reforçada por dados recentes do INE que confirmam um crescimento de 24,9% nas transações no primeiro trimestre do ano.
Este desempenho não é estreia. Em 2024, Portugal já tinha sido o quarto mercado europeu com maior crescimento de transações, com uma subida de 14,5%, superado apenas pela Turquia, República Checa e Luxemburgo. Enquanto isso, mercados como França, Áustria e Irlanda enfrentaram quedas, sobretudo por escassez de oferta — problema que deverá persistir ao longo de 2025.
Há, porém, um contraste que matiza o otimismo. O preço médio do metro quadrado em Portugal ronda os €1.777 — menos de metade da média europeia de €3.558. Os mercados mais caros do continente são a Suíça, o Luxemburgo e os Países Baixos. Lisboa, no entanto, segue uma trajetória própria: com €4.340 por metro quadrado, a capital portuguesa equipara-se a Praga e Viena, e supera Roma, Madrid e Bruxelas.
Este dualismo reflete uma realidade estrutural mais ampla. Com 75% da população da União Europeia a viver em áreas urbanas, a pressão sobre os preços nas grandes cidades é sistemática. Portugal beneficia de uma dinâmica particular: fora dos centros urbanos, o mercado cresce em volume sem pressão excessiva sobre os preços; dentro de Lisboa, a valorização aproxima-se já dos padrões das capitais europeias mais consolidadas.
Um estudo divulgado esta semana coloca Portugal numa posição invulgar entre os mercados imobiliários europeus: o país deverá registar o maior crescimento de transações no setor em 2025, com uma expansão prevista de 10% face aos 19 países analisados pela ERA Group. A previsão assenta em dois pilares — o dinamismo que o mercado português tem demonstrado e o acesso a melhores condições de financiamento — e ganha credibilidade com dados recentes do Instituto Nacional de Estatística que confirmam a tendência: no primeiro trimestre de 2025, as transações imobiliárias cresceram 24,9% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Este otimismo não surge do nada. Em 2024, Portugal já se tinha posicionado como o quarto mercado europeu com maior crescimento de transações, com um aumento de 14,5%. Apenas a Turquia (20%), a República Checa (43%) e o Luxemburgo (48%) superaram o desempenho português. Enquanto isso, mercados tradicionais como França, Áustria e Irlanda enfrentaram quedas nas transações, principalmente por falta de oferta — uma escassez que se espera que persista ao longo de 2025.
Mas há um detalhe que complica a narrativa de sucesso. Apesar do dinamismo das transações, o preço do metro quadrado em Portugal permanece significativamente abaixo da média europeia. Enquanto a média dos 19 países estudados ronda os 3.558 euros por metro quadrado, Portugal fica-se pelos 1.777 euros — menos de metade. Os mercados mais caros da Europa são a Suíça (11.400 euros), Luxemburgo (8.488 euros), Países Baixos (4.445 euros), Áustria (3.560 euros) e França (3.217 euros).
Lisboa, porém, segue uma trajetória diferente. A capital portuguesa atinge 4.340 euros por metro quadrado, um valor que a coloca em linha com cidades como Praga (4.555 euros) e Viena (4.184 euros), e acima de Roma (3.200 euros), Madrid (3.805 euros) e Bruxelas (3.337 euros). As cidades mais caras da Europa continuam a ser Berna (15.000 euros), Luxemburgo (12.462 euros) e Paris (9.557 euros).
Este contraste reflete uma realidade mais ampla: 75% da população da União Europeia vive em áreas urbanas, e essa proporção tem crescido consistentemente na maioria dos países. A concentração urbana exerce pressão sistemática sobre os preços da habitação nas grandes cidades, criando dois mercados paralelos — um dinâmico em transações mas acessível em preço fora dos centros urbanos, outro mais caro mas concentrado nas capitais e grandes metrópoles. Portugal beneficia desta dinâmica: o volume de transações cresce enquanto os preços permanecem relativamente contidos, pelo menos fora de Lisboa.
Citas Notables
O dinamismo do mercado e as melhores condições de financiamento justificam a previsão de crescimento de 10% em Portugal— ERA Group