No cruzamento entre o Atlântico e a Europa, Lisboa emergiu não por impulso, mas por desenho — cabos submarinos, infraestruturas densas e uma geografia singular convergiram para transformar Portugal num nó de interligação digital de escala global. Um estudo da DE-CIX confirma o que a indústria já pressentia: o país posiciona-se agora como alternativa real aos históricos centros europeus de Frankfurt, Londres e Amesterdão. É a história de uma nação periférica que, ao abraçar a infraestrutura invisível da era digital, se colocou no centro do mundo.
Portugal consolida posição como centro global de interligação com infraestruturas e cabos submarinos
A latência é a nova moeda da era digital
Porque é que Portugal conseguiu fazer isto? Não é um país com a população ou a economia de Frankfurt ou Londres.
Exatamente. O estudo mostra que Portugal não compete pelos números económicos ou populacionais. Compete pela geografia e pela infraestrutura. Está no meio do Atlântico, equidistante de mercados emergentes e da Europa. E investiu deliberadamente em cabos submarinos e datacenters.
Mas quanto desse crescimento é real e quanto é apenas a DE-CIX a promover o seu próprio negócio? O estudo foi encomendado por eles.
É uma questão justa. Mas os números — a queda de 65% nos preços, o aumento de 844% na velocidade — esses são verificáveis. O que o estudo faz é interpretá-los como evidência de uma posição estratégica.
E os cloud providers? Porque é que ainda não estão cá?
Porque é mais fácil estar em Frankfurt ou Londres, onde já há escala. Mas o estudo sugere que isso pode mudar se a infraestrutura continuar a melhorar.
Portanto, Portugal tem a infraestrutura, mas ainda não tem o ecossistema de aplicações que a justifique plenamente.
Correto. É um potencial ainda em desenvolvimento. A conferência de outubro é um sinal de que estão a tentar acelerar isso.
Qual é o risco? Que isto não funcione?
O risco é que a infraestrutura seja excelente mas ninguém a use porque as empresas já têm operações estabelecidas noutros sítios. A latência é importante, mas não é tudo.
Verdade. Mas a EllaLink, o cabo direto para o Brasil, já trouxe duas redes brasileiras. Isso mostra que a geografia pode ser decisiva para certos mercados.
El Pulso
- Portugal desafia a hegemonia dos FLAPS europeus ao triplicar redes conectadas e reduzir preços de trânsito IP em 65% desde 2016, tornando-se uma alternativa economicamente competitiva.
- A velocidade média de internet disparou 844% em menos de uma década, sinalizando uma transformação infraestrutural que vai muito além de simples melhorias incrementais.
- A concentração de estações de amarração de cabos submarinos e Internet Exchanges num raio de 100 quilómetros cria uma densidade de conectividade difícil de replicar noutros mercados europeus.
- A grande lacuna que ainda persiste é a ausência de grandes fornecedores de serviços cloud — a próxima batalha estratégica para consolidar o ecossistema digital português.
- A conferência Atlantic Convergence, em outubro em Lisboa, reunirá os arquitetos globais da infraestrutura digital e funcionará como sinal público da ambição de Portugal neste domínio.
No cruzamento entre o Atlântico e a Europa, Lisboa emergiu não por impulso, mas por desenho — cabos submarinos, infraestruturas densas e uma geografia singular convergiram para transformar Portugal num nó de interligação digital de escala global. Um estudo da DE-CIX confirma o que a indústria já pressentia: o país posiciona-se agora como alternativa real aos históricos centros europeus de Frankfurt, Londres e Amesterdão. É a história de uma nação periférica que, ao abraçar a infraestrutura invisível da era digital, se colocou no centro do mundo.
Lisboa transformou-se numa encruzilhada digital global por uma combinação deliberada de investimento em infraestruturas, geografia favorável e cabos submarinos que a colocam ao lado de Frankfurt e Londres como centro de interligação internacional. Um estudo encomendado pela DE-CIX confirma que Portugal consolidou-se como alternativa viável aos tradicionais pontos de convergência europeus — os chamados FLAPS.
A DE-CIX celebra cinco anos em Portugal com números expressivos: desde 2019, o número de redes ligadas à sua plataforma em Lisboa triplicou, chegando a 60 redes conectadas, incluindo duas brasileiras que aproveitam o cabo submarino EllaLink. O CEO Ivo Ivanov sublinha que a localização de Lisboa minimiza a latência — fator crítico numa era em que a velocidade de transmissão é a moeda mais valiosa dos serviços digitais.
Os indicadores de conectividade mudaram dramaticamente. Os preços de trânsito IP caíram 65% desde 2016, e a velocidade média de ligação disparou 844%, fazendo Portugal subir 15 posições no ranking mundial. O que distingue o país é a concentração geográfica: as principais estações de amarração de cabos e os Internet Exchanges situam-se todos num raio de 100 quilómetros, criando uma rede densamente interligada. Até 2026, Portugal deverá contar com 115 estações de amarração em todo o mundo, com ligações diretas a 60 países.
A infraestrutura de datacenters também cresceu — 33 no início de 2024, com projetos como o de Sines alimentado por energia 100% verde a reforçar o compromisso com a sustentabilidade. A próxima fronteira é a atração de grandes fornecedores de serviços cloud, ainda ausentes de forma substancial. Em outubro, Lisboa acolhe a conferência Atlantic Convergence, iniciativa da DE-CIX em parceria com AtlasEdge, EllaLink e Interfiber Networks, que reunirá operadores globais e sinalizará o próximo capítulo desta consolidação.
Lisboa transformou-se numa encruzilhada digital global. Não por acaso, mas por uma combinação deliberada de investimento em infraestruturas, geografia favorável e amarração de cabos submarinos que a colocam agora ao lado de Frankfurt e Londres como centro de interligação internacional. Um estudo encomendado pela DE-CIX, operador mundial de Internet Exchange, vem confirmar o que já se intuía: Portugal consolidou-se como alternativa viável aos tradicionais pontos de convergência europeus conhecidos como FLAPS — Frankfurt, Londres, Amesterdão, Paris e Estocolmo.
A DE-CIX marca cinco anos de operações em Portugal com números que falam por si. Desde que abriu as portas em Lisboa em 2019, o número de redes ligadas à sua plataforma triplicou. Hoje mantém 60 redes conectadas, incluindo duas redes brasileiras que chegaram recentemente, aproveitando a ligação direta entre Portugal e o Brasil através do cabo submarino EllaLink. O CEO da empresa, Ivo Ivanov, destaca que a localização estratégica de Lisboa minimiza a latência na troca de dados — um factor crítico numa era em que a velocidade de transmissão é considerada a moeda mais valiosa dos serviços digitais. As ligações diretas por cabo submarino à América do Sul já existem; as futuras conexões à costa leste dos EUA ampliarão ainda mais este alcance.
Os números da conectividade portuguesa mudaram dramaticamente na última década. Os preços de trânsito IP caíram 65% desde 2016, descendo para 0,26 cêntimos por megabit — uma posição competitiva quando comparada com Espanha (0,25 cêntimos) e Alemanha (0,22 cêntimos). Simultaneamente, a velocidade média de ligação à Internet disparou 844%, passando de 12,6 Mbps em 2016 para 119 Mbps em 2024, o que fez Portugal subir 15 posições no ranking mundial. O preço médio por megabit para clientes finais caiu 20%, refletindo uma infraestrutura que se tornou simultaneamente mais rápida e mais acessível.
O que distingue Portugal de forma particularmente notável é a concentração geográfica da sua infraestrutura de classe mundial. As quatro principais estações de amarração de cabos internacionais e os três principais Internet Exchanges do país em Lisboa situam-se todos num raio de apenas 100 quilómetros, criando uma rede única e densamente interligada. A localização geográfica coloca o país no centro da conectividade global — equidistante de mercados emergentes e dos principais centros económicos dos cinco continentes, minimizando potencialmente os tempos de ida e volta dos fluxos de dados. Com os investimentos previstos, até 2026 Portugal deverá contar com 115 estações de amarração de cabos em todo o mundo, estabelecendo ligações diretas com 60 países e estendendo-se até à Austrália.
A infraestrutura de datacenters também cresceu significativamente. No início de 2024, Portugal contava com 33 datacenters, dos quais 20 estão nas proximidades de Lisboa. O datacenter da Covilhã e o projeto de Sines, alimentado por energia 100% verde, representam a diversificação geográfica e o compromisso com sustentabilidade. Este ecossistema robusto permitiu que o número de Internet Exchanges em funcionamento em Portugal duplicasse nos últimos oito anos, para quatro operações, oferecendo serviços em vários centros de dados para uma diversidade de operadores de rede.
O estudo da DE-CIX argumenta que Portugal oferece algo que os FLAPS tradicionais não conseguem replicar tão facilmente: um centro de interligação global de classe mundial capaz de gerir fluxos de tráfego internacional destinados à Europa ou actuar como zona de trânsito para encaminhamento mais eficiente de dados internacionais. Para redes que procuram uma localização mais próxima dos mercados emergentes ou um novo ponto de vantagem para lidar com latência, Portugal tornou-se uma opção que não pode ser ignorada.
A próxima fronteira é clara: a atração de cloud service providers. Enquanto redes de distribuição de conteúdo como Akamai, CDN77, Cloudflare e Fastly já têm presença em Portugal, os grandes fornecedores de serviços cloud ainda não estabeleceram uma presença substancial no país. Este ano, Lisboa acolherá a primeira conferência Atlantic Convergence, marcada para 1 a 3 de outubro, reunindo operadores mundiais e arquitetos da infraestrutura digital pan-atlântica, operadores de centros de dados, cabos submarinos e satélites LEO, fornecedores de serviços cloud e operadores de Internet Exchange. A conferência, iniciativa da DE-CIX em parceria com AtlasEdge, EllaLink e Interfiber Networks, sinalizará o próximo capítulo da consolidação de Portugal como centro digital global.
Citas Notables
Assistimos a um crescimento significativo, com o número de redes ligadas a triplicar desde o início das nossas operações. A localização estratégica da DE-CIX Lisboa minimiza a latência na troca de dados, apoiada por ligações diretas por cabos submarinos à América do Sul e ligações futuras à costa leste dos EUA.— Ivo Ivanov, CEO da DE-CIX