Rússia lançou 629 drones e mísseis contra Kiev, atingindo mais de 100 edifícios e instalações diplomáticas da UE. Governo português classifica agressão como 'inqualificável' e reafirma solidariedade com Ucrânia durante esforços de paz.
Portugal condena ataque russo massivo à Ucrânia com pelo menos 12 mortos
A agressão russa que mina os esforços de paz é intolerável
Por que é que Portugal sente necessidade de condenar publicamente este ataque específico, quando há tantos outros?
Porque este atingiu a delegação da UE. Não é apenas um bombardeio; é um ataque direto contra as instituições europeias. Portugal fala em nome de uma ordem que está a ser desafiada.
Mas a condenação muda alguma coisa? A Rússia vai parar?
Provavelmente não. A condenação é um ato de posicionamento político. Portugal está a dizer: nós vemos isto, nós recusamos isto, nós estamos do lado oposto.
Três crianças mortas. Como é que se escreve sobre isto sem parecer que se está a explorar o sofrimento?
Nomeando-as como parte da realidade. Não é sensacionalismo dizer que crianças morreram; é honestidade. O que seria exploração seria usá-las para fazer um ponto emocional que não é verdadeiro.
O ataque foi deliberado contra civis ou foi colateral?
A escolha de alvos — a delegação da UE, um centro comercial no centro da cidade, durante a madrugada — sugere intenção. Não é colateral quando se atira 629 armas contra uma capital durante a noite.
E agora? Qual é o próximo passo?
Depende de como o Ocidente responde. Se a condenação for tudo, a Rússia continuará. Se houver consequências reais, talvez mude o cálculo. Por enquanto, é apenas palavras contra mísseis.
O Pulso
- 629 drones e mísseis lançados contra Kiev em 29 de agosto
- Pelo menos 12 mortos, incluindo 3 crianças, e 48 feridos
- Mais de 100 edifícios danificados, incluindo delegação da UE
- Primeiro grande ataque combinado a Kiev em semanas
Rússia lançou 629 drones e mísseis contra Kiev, atingindo mais de 100 edifícios e instalações diplomáticas da UE. Governo português classifica agressão como 'inqualificável' e reafirma solidariedade com Ucrânia durante esforços de paz.
Portugal e a UE condenam ataque russo massivo contra Kiev que causou pelo menos 12 mortos e 48 feridos, incluindo ataques à delegação europeia.
Na madrugada de 29 de agosto, a Rússia lançou um ataque massivo contra Kiev que deixou pelo menos 12 pessoas mortas e 48 feridas, marcando o primeiro grande bombardeio combinado contra a capital ucraniana em semanas. O ataque envolveu 629 drones e mísseis — segundo a Força Aérea ucraniana, 598 drones e 31 mísseis balísticos e de cruzeiro — que atingiram mais de 100 edifícios espalhados por sete distritos diferentes. Entre os alvos estava a delegação da União Europeia, um golpe que elevou a tensão diplomática num momento em que os Estados Unidos liderava esforços de paz.
O Governo português respondeu com uma condenação severa. Através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, Lisboa classificou o ataque como "inqualificável" e publicou uma declaração na rede social Facebook reafirmando a solidariedade com a Ucrânia. "Estamos ao lado da Ucrânia. A agressão russa que mina os esforços de paz e agora visa instalações diplomáticas é intolerável", afirmou o ministério. O presidente do Conselho Europeu, António Costa, foi mais além, denunciando especificamente que mísseis russos atingiram a delegação europeia em Kiev e condenando a ação como "deliberada" numa "noite de ataques mortíferos".
O custo humano do bombardeio revelou-se particularmente grave. O ministro do Interior ucraniano, Ihor Klymenko, confirmou que três das vítimas mortais eram crianças, com base em dados preliminares. As autoridades esperavam que os números aumentassem conforme as equipas de resgate continuavam a trabalhar nos escombros para libertar pessoas presas. A destruição material foi igualmente extensa: quase 100 edifícios foram danificados, incluindo um centro comercial no centro da cidade, e milhares de janelas foram estilhaçadas pela onda de choque dos impactos.
O ataque atingiu o coração de Kiev, uma ocorrência rara desde o início da invasão em larga escala em fevereiro de 2022. A escolha de alvos diplomáticos — particularmente a delegação da UE — sugeriu uma escalada intencional, um sinal de que Moscovo estava a responder aos esforços de mediação internacional. O timing do bombardeio, durante a madrugada, maximizou o potencial de danos civis, atingindo uma população adormecida e vulnerável.
Para Portugal e para a União Europeia, o ataque representou um momento de clareza sobre a natureza do conflito. Não era apenas uma guerra entre dois países; era um ataque direto contra as instituições e símbolos da ordem europeia. A condenação portuguesa, embora firme, refletia uma realidade mais ampla: enquanto diplomatas tentavam negociar uma paz, a Rússia continuava a bombardear cidades inteiras, alvejando deliberadamente estruturas civis e diplomáticas. O que viria a seguir dependeria de como a comunidade internacional responderia a esta escalada.
Citações Notáveis
Estamos ao lado da Ucrânia. A agressão russa que mina os esforços de paz e agora visa instalações diplomáticas é intolerável— Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal
Condenou a ação deliberada da Rússia numa noite de ataques mortíferos com mísseis russos a serem lançados contra civis e pessoal da delegação da UE— António Costa, presidente do Conselho Europeu