No noroeste do Paquistão, duas caravanas de peregrinos xiitas foram emboscadas por homens armados numa estrada que as autoridades tinham reaberto apenas uma semana antes, ceifando pelo menos 42 vidas numa região onde a memória de confrontos anteriores ainda não cicatrizou. O ataque, imediatamente classificado como terrorista, revela a fragilidade de uma paz que nunca foi verdadeiramente consolidada entre comunidades que partilham um país mas não sempre um horizonte comum. Sem que ninguém tenha reivindicado a autoria, o silêncio em torno da responsabilidade pesa tanto quanto os números, que ain
Ataque sectário no Paquistão deixa pelo menos 42 mortos
Os números subiram de 32 para 42, e ainda há 10 em estado crítico
Porque é que estas tensões entre xiitas e sunitas em Kurram parecem tão intratáveis?
Porque não são apenas religiosas. São territoriais, históricas, e envolvem controlo de recursos e poder local. Kurram é uma zona onde os xiitas têm presença dominante, o que cria dinâmicas de poder que as comunidades sunitas contestam.
Mas o país tem 240 milhões de pessoas. Porque é que a violência se concentra em zonas específicas?
Porque noutras partes do Paquistão as comunidades conseguem conviver. Mas em Kurram, a geografia e a demografia criaram uma situação onde cada lado sente que tem algo a perder ou a ganhar. É uma questão de escala local que explode em violência.
O facto de ninguém ter reivindicado o ataque é significativo?
Muito. Significa que pode ser uma ação de grupos não organizados, ou que grupos organizados não querem ser identificados. Ou que a investigação ainda está no início. A falta de reivindicação deixa tudo em aberto.
E a reação dos comerciantes em greve — é um sinal de que a população está a perder a paciência?
É um sinal de que a população sente que as autoridades falharam. Baqir Haideri foi claro: havia ameaças conhecidas, havia uma caravana de 100 veículos, e não havia proteção adequada. A greve é uma forma de dizer que isto não é aceitável.
Isto pode piorar?
Pode. Há 10 pessoas em estado crítico. Se morrerem, o número sobe para 52. E cada morte alimenta o ciclo de vingança que caracteriza estes conflitos. Julho teve 50 mortos. Agora temos 42 confirmados. A tendência é preocupante.
El Pulso
- Homens armados abriram fogo sobre uma caravana de mais de 100 veículos numa estrada que fora reaberta há apenas uma semana após semanas de encerramento por confrontos anteriores — a violência regressou antes mesmo de a ferida anterior sarar.
- O balanço subiu de 32 para 42 mortos ao longo do dia, com 10 sobreviventes em estado crítico nos hospitais, mantendo a tragédia em aberto e o número final incerto.
- Nenhum grupo reivindicou o ataque, mas líderes xiitas locais acusam as autoridades de terem ignorado ameaças recentes de militantes e de não terem garantido escolta adequada à caravana.
- A resposta política foi imediata — o primeiro-ministro Shehbaz Sharif prometeu justiça, o ministro do Interior classificou o incidente como terrorismo — mas a comunidade xiita respondeu com greve em Parachinar, sinalizando desconfiança nas instituições.
- O ataque insere-se numa longa cadeia de violência sectária na região de Kurram, onde os xiitas têm presença dominante mas representam apenas 15% da população nacional, e onde em julho deste ano cerca de 50 pessoas já tinham morrido em confrontos semelhantes.
No noroeste do Paquistão, duas caravanas de peregrinos xiitas foram emboscadas por homens armados numa estrada que as autoridades tinham reaberto apenas uma semana antes, ceifando pelo menos 42 vidas numa região onde a memória de confrontos anteriores ainda não cicatrizou. O ataque, imediatamente classificado como terrorista, revela a fragilidade de uma paz que nunca foi verdadeiramente consolidada entre comunidades que partilham um país mas não sempre um horizonte comum. Sem que ninguém tenha reivindicado a autoria, o silêncio em torno da responsabilidade pesa tanto quanto os números, que ainda podem crescer.
Duas caravanas de xiitas seguiam a estrada entre Parachinar e Peshawar quando foram atacadas por homens armados. A rota tinha sido reaberta pelas autoridades apenas uma semana antes, após semanas de encerramento motivadas por confrontos anteriores entre comunidades. Ao longo do dia, o número de mortos subiu de 32 para 42, com 10 passageiros em estado crítico nos hospitais — o balanço final permanece incerto.
O ataque ocorreu no noroeste do Paquistão, numa região marcada por tensões históricas entre xiitas e sunitas. Nenhum grupo reivindicou a responsabilidade, mas as autoridades classificaram-no imediatamente como terrorista. O oficial de polícia Azmat Ali confirmou que vários veículos foram alvejados durante a deslocação entre as duas cidades.
A reação política foi rápida: o ministro provincial Aftab Alam confirmou o balanço e anunciou investigações; o ministro do Interior Mohsin Naqvi não hesitou em usar a palavra terrorismo; o primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o Presidente Asif Ali Zardari emitiram condenações públicas, com Sharif a prometer que os responsáveis não escapariam à justiça.
No terreno, o líder xiita Baqir Haideri acusou as autoridades de terem ignorado ameaças recentes de militantes e de não terem assegurado proteção suficiente à caravana. Em resposta ao ataque, os comerciantes de Parachinar declararam greve, expressando tanto luto como desconfiança face ao Estado.
Os xiitas representam cerca de 15% dos 240 milhões de habitantes do Paquistão, país de maioria sunita. A região de Kurram, onde a comunidade xiita tem presença dominante, tem sido palco recorrente de violência sectária — em julho, cerca de 50 pessoas morreram em confrontos semelhantes. O país enfrenta simultaneamente operações militares no Baluchistão, onde talibãs paquistaneses e separatistas alimentam outro front de instabilidade, tornando a gestão da segurança nacional cada vez mais fragmentada.
Duas caravanas de xiitas viajavam pela estrada que liga Parachinar a Peshawar quando homens armados abriram fogo. O que começou como um confronto mortal entre comunidades religiosas rivais transformou-se, ao longo do dia, numa tragédia de proporções crescentes. Os números subiram de 32 mortos para 42, e ainda há 10 pessoas em estado crítico nos hospitais, o que significa que o balanço final pode ser ainda mais pesado.
O ataque ocorreu no noroeste do Paquistão, numa região já marcada por tensões profundas entre xiitas e sunitas. A caravana com mais de 100 veículos seguia uma rota que as autoridades tinham reaberto apenas uma semana antes, após semanas de encerramento provocadas por confrontos anteriores. Azmat Ali, oficial da polícia local, confirmou que vários veículos foram alvo de disparos enquanto se deslocavam entre as duas cidades. Ninguém reivindicou a responsabilidade pelo ataque até ao momento, mas as autoridades classificaram-no imediatamente como terrorista.
A reação política foi rápida. Aftab Alam, ministro provincial, confirmou o balanço de 42 mortos e garantiu que investigações estavam em curso. O ministro do Interior, Mohsin Naqvi, não teve dúvidas em chamar ao incidente um ataque terrorista. O primeiro-ministro Shehbaz Sharif e o Presidente Asif Ali Zardari emitiram condenações públicas, com Sharif a prometer que os responsáveis pela morte de civis inocentes não escapariam à justiça.
O contexto desta violência é profundo e estrutural. Os xiitas constituem cerca de 15% dos 240 milhões de habitantes do Paquistão, um país de maioria sunita. Embora as duas comunidades convivam pacificamente em muitas zonas do país, há décadas que existem tensões em áreas específicas, particularmente na região de Kurram, onde os xiitas têm presença dominante. Em julho deste ano, cerca de 50 pessoas de ambos os grupos foram mortas em confrontos semelhantes.
Baqir Haideri, um líder xiita local, apontou o dedo às autoridades, acusando-as de não terem fornecido segurança adequada à caravana apesar de militantes terem feito ameaças recentes contra xiitas na região. A comunidade respondeu com ação imediata: os comerciantes de Parachinar anunciaram uma greve para o dia do ataque, em protesto contra a violência e, implicitamente, contra o que veem como falha das autoridades em proteger os seus.
Este incidente não ocorre num vácuo. O Paquistão está simultaneamente envolvido em operações militares na província do Baluchistão, no sudoeste, onde a violência tem sido atribuída aos talibãs paquistaneses e aos separatistas do Exército de Libertação do Baluchistão. A segurança no país permanece frágil, com múltiplas frentes de conflito que drenam recursos e atenção das autoridades. O ataque em Kurram é apenas o episódio mais recente de uma violência sectária que persiste apesar dos apelos à coexistência pacífica.
Citas Notables
Os responsáveis pelo assassínio de civis inocentes não ficarão impunes— Shehbaz Sharif, primeiro-ministro do Paquistão
As autoridades locais não proporcionaram segurança adequada à caravana, apesar de ameaças recentes contra xiitas— Baqir Haideri, líder xiita local