Em 19 de julho de 2026, a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 numa final que encerrou a maior Copa do Mundo já realizada — 48 seleções, três países-sede, e uma competição onde o futebol dividiu o palco com interesses políticos e financeiros sem precedentes. Pela primeira vez, a Fifa transformou o torneio num espelho fiel da era em que vivemos: globalizada, comercializada e permeada pelo poder personalista. E ainda assim, como sempre acontece com o futebol, Cabo Verde surgiu do anonimato para lembrar ao mundo por que esse jogo ainda importa.
Política, negócios e futebol se entrelaçam em Copa histórica com 48 seleções
Política, negócios e futebol funcionaram como forças entrelaçadas
Como é possível que uma competição de futebol tenha se tornado tão entrelaçada com política e negócios? Não era para ser sobre o jogo?
O jogo continua sendo o jogo, mas a Copa cresceu tanto que agora comporta outras coisas. Quando você tem 48 seleções, três países como anfitriões, e bilhões de dólares em jogo, você não consegue mais separar essas dimensões.
Mas as pausas para hidratação — isso não é uma mudança fundamental no esporte?
É. E é sintomático. Aquelas pausas não existem porque os jogadores precisam mais de água agora. Existem porque há espaço para publicidade, porque há apostas sendo feitas, porque há dinheiro a ser capturado em cada intervalo.
E quanto à intervenção de Trump? Anular uma suspensão por pedido de um presidente — isso não ultrapassa uma linha?
Ultrapassa. Mas a Fifa já havia sinalizado que estava disposta a fazer isso quando presenteou Trump com um prêmio da paz antes da competição começar. A entidade estava sinalizando: estamos aqui para agradar.
Então a Copa foi ruim?
Não. Paradoxalmente, foi atraente e bem disputada. Cabo Verde surpreendeu. Houve emoção. O futebol ainda conseguiu ser futebol, mesmo dentro de todas essas pressões.
O que muda em 2030?
Potencialmente 64 seleções. Se 48 já criou algumas partidas desinteressantes, imagine 64. Mas também significa mais países tendo a chance de participar, mais histórias sendo contadas.
El Pulso
- A expansão para 48 seleções e a co-organização entre EUA, México e Canadá redefiniram a escala do torneio, mas também multiplicaram as tensões entre o esporte e os interesses que o cercam.
- Donald Trump pressionou a Fifa diretamente — e obteve resultados: uma regra de suspensão automática foi anulada para beneficiar um jogador americano, enquanto a delegação iraniana foi submetida a constrangimentos diplomáticos em solo americano.
- A avalanche de apostas e o modelo do Super Bowl invadiram o campo: pausas para hidratação dividiram as partidas em quatro tempos, e o intervalo virou palco de shows musicais, alterando o ritmo tradicional do jogo.
- A Globo perdeu o monopólio das transmissões no Brasil pela primeira vez, e a CazéTV, canal do YouTube, cresceu de forma recorde, sinalizando uma ruptura definitiva no modelo de cobertura televisiva.
- Apesar das contradições, o torneio produziu surpresas genuínas — Cabo Verde capturou a atenção global e lembrou que o futebol ainda guarda a capacidade de subverter expectativas.
Em 19 de julho de 2026, a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 numa final que encerrou a maior Copa do Mundo já realizada — 48 seleções, três países-sede, e uma competição onde o futebol dividiu o palco com interesses políticos e financeiros sem precedentes. Pela primeira vez, a Fifa transformou o torneio num espelho fiel da era em que vivemos: globalizada, comercializada e permeada pelo poder personalista. E ainda assim, como sempre acontece com o futebol, Cabo Verde surgiu do anonimato para lembrar ao mundo por que esse jogo ainda importa.
A final disputada no domingo 19 de julho trouxe algo inédito: a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 num torneio onde política, negócios e futebol funcionaram como forças inseparáveis. Pela primeira vez, três nações — Estados Unidos, México e Canadá — compartilharam a sede do evento. Pela primeira vez também, 48 seleções disputaram o título, um salto expressivo em relação às 32 edições anteriores.
Essa expansão não é acidental. A Fifa de Gianni Infantino promove uma globalização deliberada do futebol, e o centenário da competição em 2030 já aponta para 64 países participantes. A trajetória é longa: de 13 nações no Uruguai em 1930, passando por 16, 24 e 32, chegou-se agora a 48.
Os negócios acompanharam esse crescimento. Ingressos mais caros, patrocinadores por toda parte, transmissões em múltiplas plataformas. No Brasil, a Globo não transmitiu todos os jogos pela primeira vez, e a CazéTV cresceu de forma recorde, redesenhando a paisagem da cobertura televisiva. Infantino estimara, em 2022, que o futebol movimentaria 286 bilhões de dólares anuais.
A pressão financeira deixou marcas no próprio jogo. Pausas para hidratação dividiram as partidas em quatro tempos — modelo emprestado do basquete americano, favorável à publicidade. O intervalo foi ampliado e preenchido com shows musicais, à moda do Super Bowl.
A política também entrou em campo de forma inédita. Trump pressionou a Fifa, que chegou a anular a suspensão automática de um jogador americano expulso. O governo americano impediu a delegação iraniana de pernoitar nos EUA, realizou revistas em jogadores e barrou um árbitro da Somália.
Do ponto de vista esportivo, o torneio foi atraente. Alguns jogos foram desinteressantes, mas as surpresas compensaram. O caso mais emblemático foi Cabo Verde, que capturou a atenção global e lembrou que, apesar de todas as contradições, o futebol ainda sabe surpreender.
A final da Copa do Mundo encerrada no domingo 19 de julho trouxe consigo algo que nenhuma edição anterior havia visto: a Espanha derrotou a Argentina por 1 a 0 em um torneio onde política, negócios e futebol funcionaram como forças entrelaçadas, moldando cada aspecto da competição. Pela primeira vez, três nações compartilharam a responsabilidade de sediar o evento — Estados Unidos, México e Canadá — e pela primeira vez também, 48 seleções disputaram o título, um salto significativo em relação às 32 que competiram nas edições anteriores.
Essa expansão não é acidental. A Fifa, sob liderança de Gianni Infantino, vem promovendo um processo deliberado de globalização do futebol. O centenário da competição em 2030 marca o próximo passo: a entidade já estuda a possibilidade de elevar o número de participantes para 64 países. A trajetória é clara quando se olha para trás. A primeira Copa, disputada no Uruguai em 1930, reuniu apenas 13 nações. O formato se consolidou com 16 participantes em 1954, permanecendo assim até 1978. Em 1982, chegou-se a 24 seleções. Entre 1998 e 2022, foram 32. Agora, 48.
A expansão territorial correspondeu, nesta edição, a um fortalecimento notável dos negócios. Os ingressos tiveram seus preços elevados e as vendas aumentaram. Uma rede vasta de patrocinadores e anunciantes ocupou os estádios e as transmissões através de múltiplas plataformas. Infantino estimou, em 2022, que o futebol movimentaria 286 bilhões de dólares anuais — na época, aproximadamente 1,45 trilhão de reais. Um marco importante: pela primeira vez, a Globo não transmitiu todos os jogos. Esse espaço aberto permitiu que a CazéTV, um canal do YouTube, crescesse de forma recorde, alterando a paisagem tradicional da cobertura televisiva no Brasil.
Mas a pressão financeira deixou marcas mais profundas na própria estrutura do jogo. A avalanche de sites de apostas, entre outros fatores, impulsionou mudanças que afetaram a dinâmica do esporte. As chamadas pausas para hidratação dividiram as partidas em quatro tempos em vez de dois. O sistema, emprestado do basquete profissional americano, favorece as inserções de publicidade, mas gerou dúvidas sobre se preserva o andamento tradicional do futebol. Além dessas duas novas pausas, o intervalo entre o primeiro e segundo tempo foi ampliado de 15 minutos, agora dedicado a shows musicais — uma estratégia copiada do Super Bowl, a disputa pelo título do futebol americano.
A dimensão política personalista também marcou presença de forma inédita. O presidente Donald Trump exerceu pressão sobre a Fifa, com a aquiescência de Infantino. Antes mesmo do evento, a entidade havia presenteado o republicano com um prêmio da paz de caráter insólito. Durante a competição, a pedido de Trump, a Fifa chegou a anular a aplicação da regra de suspensão automática que deveria ter afastado um jogador americano que havia sido expulso de campo. O governo americano, por sua vez, impediu que a delegação iraniana pernoitasse em território dos EUA, realizou revistas constrangedoras em jogadores e barrou a entrada de um árbitro da Somália.
Do ponto de vista estritamente futebolístico, prevalece a avaliação de que a Copa foi atraente e bem disputada. É verdade que a quantidade maior de seleções gerou alguns embates desinteressantes, mas também produziu encontros surpreendentes e emocionantes. Países distantes dos holofotes internacionais ganharam projeção. O caso mais emblemático foi a seleção de Cabo Verde, que conseguiu capturar a atenção global em um torneio que, apesar de todas as suas contradições comerciais e políticas, manteve viva a capacidade do futebol de surpreender.
Citas Notables
A Fifa estuda a possibilidade de elevar o número de participantes para 64 países em 2030, ano do centenário da competição— Análise da trajetória de expansão da Fifa
A pedido de Trump, a entidade chegou ao cúmulo de anular a aplicação da regra de suspensão automática de um jogador americano— Relato sobre intervenção política personalista