Polícia russa prende mais de 4.400 em protestos pró-Navalny

Mais de 4.400 pessoas foram presas durante os protestos, incluindo a esposa de Navalny, Yulia Navalnaya, e vários aliados próximos do opositor colocados em prisão domiciliar.
Não tenham medo. A maioria está do nosso lado.
Navalny pediu aos russos que protestassem apesar da repressão iminente, em carta postada em seu blog na quinta-feira.
Mark

Como é possível que mais de 4.400 pessoas tenham sido presas em um único dia? Isso não parece extraordinário?

Mimi

É extraordinário, sim. Mas a ONG OVD-Info, que tem histórico de monitoramento confiável, documentou cada prisão. Apenas em Moscou foram 1.365. O resto distribuído por cidades como São Petersburgo, Krasnoyarsk e Vladivostok.

Luke

Mas precisamos ser claros: 4.407 é o número que a OVD-Info divulgou. Não sabemos se outras organizações chegaram a números diferentes, ou se houve prisões que não foram documentadas.

Mark

E por que a esposa dele foi presa? Ela estava fazendo algo ilegal?

Mimi

Ela estava a caminho de uma manifestação. Vários meios de comunicação da oposição relataram isso, mas não há detalhes públicos sobre acusações específicas contra ela.

Luke

Exatamente. Sabemos que foi presa, mas não temos a versão oficial das autoridades russas sobre por quê. É importante manter essa distinção.

Mark

Navalny pediu que as pessoas saíssem às ruas apesar de saber que seria reprimido?

Mimi

Ele escreveu em seu blog: "Não tenham medo. A maioria está do nosso lado. Vamos acordá-la". Era um chamado direto, feito na quinta-feira, dois dias antes dos protestos.

Luke

E funcionou — pelo menos em termos de mobilização. Mas também funcionou em termos de dar ao governo uma justificativa clara para a repressão. Não é claro se Navalny calculou esse custo.

Mark

O que é esse palácio que aparece em tudo?

Mimi

Navalny divulgou uma investigação acusando Putin de se beneficiar de um palácio nas margens do Mar Negro. O vídeo foi visualizado mais de 100 milhões de vezes no YouTube. Putin negou, chamando-o de "lavagem cerebral". Um bilionário amigo de Putin, Arkadi Rotenberg, disse que é o verdadeiro proprietário e que está construindo um hotel.

Luke

Então temos três versões: a de Navalny, a negação de Putin, e a afirmação de Rotenberg. Nenhuma delas foi verificada independentemente no contexto dessa reportagem. É um ponto de tensão real.

  • A mobilização popular ganhou escala nacional, com estimativas de mais de 5 mil manifestantes apenas em Novosibirsk — uma das maiores concentrações antigovernamentais dos últimos anos na Rússia.
  • O Kremlin respondeu com força desproporcional: estações de metrô fechadas, centros de cidades bloqueados, Guarda Nacional nas ruas e ameaças de processar manifestantes por 'motins em massa'.
  • A repressão atingiu o círculo íntimo de Navalny — sua esposa Yulia foi presa a caminho de um protesto, e aliados próximos já estavam em prisão domiciliar desde sexta-feira.
  • A tensão diplomática se intensificou com críticas abertas do secretário de Estado americano Antony Blinken, prontamente rebatidas por Moscou como 'interferência grosseira nos assuntos internos' do país.
  • Navalny enfrenta audiência judicial na próxima semana com risco real de até dois anos e meio de prisão, enquanto o vídeo sobre o suposto 'palácio de Putin' ultrapassa 100 milhões de visualizações e alimenta a indignação popular.

No coração do inverno russo, milhares de cidadãos saíram às ruas pelo segundo fim de semana consecutivo para exigir a liberdade de Alexei Navalny — e o Estado respondeu com a linguagem que conhece melhor: a prisão em massa. Mais de 4.400 pessoas foram detidas em todo o país, de Vladivostok a São Petersburgo, num confronto que revela não apenas a fragilidade de um regime que teme seus próprios cidadãos nas ruas, mas também a persistência de uma sociedade que, apesar do medo, continua a acordar.

No último domingo de janeiro de 2021, a Rússia acordou sob o peso de uma repressão coordenada: mais de 4.400 pessoas foram presas em manifestações que se espalharam do Extremo Oriente ao oeste do país, exigindo a libertação de Alexei Navalny. Era o segundo fim de semana consecutivo de protestos, e o Estado não estava disposto a deixar as ruas falarem livremente.

Em Moscou, o governo fechou o acesso ao centro da cidade, bloqueou estações de metrô e mobilizou centenas de policiais e agentes da Guarda Nacional. Mesmo assim, manifestantes gritavam 'Putin é um ladrão!' enquanto navegavam pelos pontos de controle. O local do protesto foi alterado de última hora para driblar as restrições — um sinal de que a determinação popular não se dobrava facilmente à logística da repressão.

A pressão sobre o entorno de Navalny foi igualmente intensa. Sua esposa, Yulia Navalnaya, foi detida a caminho de uma manifestação. Aliados próximos já estavam em prisão domiciliar após buscas e apreensões na sede do Fundo Anticorrupção. As autoridades haviam advertido que participantes poderiam ser processados por 'motins em massa', e a agência reguladora Roskomnadzor ameaçou punir redes sociais por incitar menores a protestar.

Os protestos eram alimentados por dois combustíveis distintos: a prisão de Navalny após seu retorno à Rússia em janeiro, e um vídeo de investigação que ele divulgara acusando Putin de se beneficiar de um luxuoso palácio à beira do Mar Negro — assistido mais de 100 milhões de vezes. Putin negou as acusações; o bilionário Arkadi Rotenberg, amigo próximo do presidente, apressou-se a declarar ser o verdadeiro dono do imóvel.

Na semana seguinte, Navalny enfrentaria uma audiência judicial com risco de até dois anos e meio de prisão. Do lado de fora das fronteiras russas, o secretário de Estado americano Antony Blinken denunciou o 'uso persistente de táticas brutais'. Moscou respondeu com a fórmula habitual: acusação de interferência estrangeira. O diálogo entre o poder e a rua, por ora, seguia sendo travado em silêncio forçado e algemas.

No último domingo de janeiro de 2021, a polícia russa prendeu mais de 4.400 pessoas em manifestações que varreram o país de uma ponta a outra — de Vladivostok, no Extremo Oriente, até São Petersburgo, no oeste. Era o segundo fim de semana consecutivo de protestos exigindo a libertação de Alexei Navalny, o principal opositor do presidente Vladimir Putin, e as autoridades responderam com uma mobilização sem precedentes.

Em Moscou, onde 1.365 pessoas foram detidas segundo a ONG OVD-Info, que monitora manifestações, o governo fechou o acesso ao centro da capital e mobilizou centenas de policiais e agentes da Guarda Nacional. As ruas foram bloqueadas, estações de metrô foram fechadas — uma decisão rara que sinalizava o nível de preocupação do Kremlin. Os manifestantes, mesmo assim, gritavam "Putin é um ladrão!" e "Liberdade!" enquanto passavam pelos pontos de controle. O local do protesto foi alterado no último minuto para contornar as restrições impostas pela polícia.

A repressão se estendeu por toda a Rússia. São Petersburgo, Krasnoyarsk na Sibéria e Vladivostok no Extremo Oriente registraram centenas de prisões cada uma. Em Novosibirsk, a terceira maior cidade do país, estimativas apontavam mais de 5 mil manifestantes — uma das maiores mobilizações antigovernamentais dos últimos anos. Um jovem manifestante de 25 anos em Vladivostok lamentou que apenas algumas dezenas conseguissem se reunir porque as forças de choque bloquearam o centro da cidade.

A esposa de Navalny, Yulia Navalnaya, foi prendida a caminho de uma manifestação. Vários de seus aliados próximos já estavam em prisão domiciliar desde a sexta-feira anterior, após operações de busca e apreensão que visaram sua casa e as instalações do Fundo Anticorrupção, a organização que lidera. Nos dias que antecederam os protestos, as autoridades haviam advertido os apoiadores de Navalny de que poderiam ser processados por "motins em massa" se os comícios se tornassem violentos. A agência de telecomunicações Roskomnadzor anunciou que sancionaria as redes sociais por mensagens que, segundo ela, incentivavam menores a protestar.

Apesar da pressão, Navalny havia pedido aos russos na quinta-feira que tomassem as ruas. "Não tenham medo", escreveu ele em uma carta postada em seu blog. "A maioria está do nosso lado. Vamos acordá-la". Os protestos eram alimentados não apenas pela sua prisão, mas também por uma investigação que ele havia divulgado acusando Putin de se beneficiar de um enorme palácio nas margens do Mar Negro — um vídeo que havia sido visualizado mais de 100 milhões de vezes no YouTube. Putin negou as acusações, chamando-as de tentativa de "lavagem cerebral" nos russos. No sábado, o bilionário Arkadi Rotenberg, amigo próximo de Putin, afirmou ser o verdadeiro proprietário da residência e garantiu que estava construindo um hotel.

Navalny, de 44 anos, havia retornado à Rússia em 17 de janeiro após meses de recuperação na Alemanha por suspeita de envenenamento, pelo qual acusa Putin e os serviços de segurança russos. Agora enfrentava uma apresentação judicial prevista para a semana seguinte, com risco de até dois anos e meio de prisão pela violação das condições de uma pena suspensa de três anos e meio imposta em 2014. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, criticou a repressão no Twitter, denunciando o "uso persistente de táticas brutais" e pedindo a libertação dos presos, incluindo Navalny. O ministério das Relações Exteriores russo respondeu rapidamente, denunciando as acusações como "interferência grosseira nos assuntos internos" do país.

Não tenham medo. A maioria está do nosso lado. Vamos acordá-la.
— Alexei Navalny, em carta postada em seu blog
As pessoas estão irritadas com o que está acontecendo e porque membros do parlamento e ativistas da oposição foram presos esta semana.
— Khelga Pirogova, deputada local por coalizão pró-Navalny em Novosibirsk
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