Polícia investiga ranking sexual que expôs 53 alunas da Unoeste

53 alunas tiveram fotos e identidades expostas em ranking sexual depreciativo, sofrendo violência de gênero organizada e violação de privacidade.
Mulheres tratadas como mercadorias, avaliadas por aparência
Coletivo de ativistas descreve a lógica por trás do ranking sexual que expôs 53 alunas.
Mark

Por que uma lista assim circula em um grupo privado primeiro? Parece deliberado.

Mimi

É. O grupo "não psicólogos" era um espaço fechado onde as pessoas provavelmente se sentiam seguras para falar assim. Depois vaza. Sempre vaza. E quando vaza, já tem vida própria.

Mark

As fotos vieram de redes sociais públicas. Então as alunas nem sabiam que estavam sendo usadas assim.

Mimi

Exatamente. Alguém foi aos perfis delas, capturou as fotos, e as reutilizou em um contexto completamente diferente — sexualizado, depreciativo. É uma violação dupla: da privacidade e da imagem.

Mark

A universidade diz que está "acolhendo" as alunas. Isso significa o quê na prática?

Mimi

Significa que reconhecem o dano. Mas acolhimento é diferente de responsabilização. A pergunta real é: o que vai acontecer com quem criou e compartilhou a lista? Que sanções?

Mark

Cinco suspeitos. Como a polícia identifica quem fez o quê em um grupo privado?

Mimi

Rastreamento de mensagens, análise de quem tinha acesso, quem compartilhou primeiro. É trabalho de investigação digital. Mas também depende de denúncias, de pessoas dispostas a falar.

Mark

O coletivo chamou isso de "misoginia organizada". Não é só um ranking boba?

Mimi

Não. É organizado porque segue uma lógica — a de reduzir mulheres a mercadorias sexuais. Não é caótico. É sistemático. E por isso é mais perigoso.

  • Uma 'tier list' com fotos e classificações sexuais de 53 alunas circulou em grupo privado antes de se espalhar pelas redes, expondo identidades e violando privacidades sem qualquer consentimento.
  • Comentários filtrados do grupo revelam a crueldade deliberada por trás da lista: mulheres foram excluídas por orientação sexual e corpo, evidenciando uma seleção misógina e sistemática.
  • A Delegacia de Defesa da Mulher abriu investigação imediata, identificou seis vítimas e coloca cinco suspeitos sob escrutínio, enfrentando o desafio técnico de rastrear autoria e compartilhamento.
  • A Unoeste prometeu rigor e sanções institucionais, mas ainda sem detalhar consequências concretas — enquanto deputadas pressionam a reitoria por respostas mais firmes.
  • Coletivos feministas nomeiam o episódio como 'misoginia organizada', conectando-o a ideologias que tratam mulheres como mercadorias, e alertam que o problema é estrutural, não pontual.

Em Presidente Prudente, 53 estudantes de psicologia da Unoeste tiveram suas imagens e identidades transformadas em mercadoria por um ranking sexual que circulou em grupos privados antes de vazar para as redes sociais. O episódio, que mobilizou ativistas, parlamentares e a própria universidade, expõe não apenas uma violação de privacidade, mas uma lógica organizada de desumanização das mulheres. A investigação policial e a apuração interna da instituição representam o início de um processo de responsabilização que a sociedade exige — e que vai muito além de punir indivíduos.

Na quinta-feira, estudantes e ativistas se reuniram em frente ao Campus II da Unoeste, em Presidente Prudente, carregando cartazes contra um ranking sexual que havia exposto 53 alunas do curso de psicologia. A lista, organizada no formato de uma 'tier list', classificava as mulheres com expressões como 'deliciosíssima' e 'comível', usando fotos retiradas sem consentimento de seus perfis nas redes sociais. O conteúdo começou em um grupo privado chamado 'não psicólogos' antes de vazar publicamente. Capturas de tela revelaram comentários que tornavam ainda mais explícita a intenção: 'Tirei as lésbicas e as gordas', escreveu um dos participantes.

A Delegacia de Defesa da Mulher abriu investigação imediata. Até o momento, seis vítimas foram identificadas e cinco suspeitos estão sendo investigados — o trabalho agora é rastrear quem criou a lista e quem participou de seu compartilhamento. A Unoeste, que tomou conhecimento da denúncia na sexta-feira, abriu apuração interna paralela, prometendo sanções e afirmando acolher as alunas com respeito à sua privacidade e dignidade.

No sábado, a deputada federal Sâmia Bomfim e a candidata a deputada estadual Carolina Simon protocolaram ofício na reitoria cobrando providências concretas. Simon destacou que instituições de ensino precisam ser espaços seguros e comprometidos com o enfrentamento à misoginia. A Frente pela Vida das Mulheres, coletivo presente no protesto, nomeou o episódio de 'misoginia organizada' e o conectou a ideologias que tratam mulheres como mercadorias avaliadas por aparência e disponibilidade sexual.

O que resta agora é o trabalho mais lento: a responsabilização criminal e institucional dos envolvidos, enquanto 53 mulheres carregam o peso de terem suas presenças na universidade reduzidas a objeto de classificação.

Na quinta-feira passada, estudantes e ativistas se reuniram em frente ao Campus II da Unoeste, na Rodovia Raposo Tavares, em Presidente Prudente. Carregavam cartazes. Gritavam palavras de ordem. O que os levou até ali foi uma lista — um ranking sexual que havia circulado dias antes, expondo 53 alunas do curso de psicologia da universidade com fotos e classificações depreciativas.

A lista foi organizada no formato de uma "tier list", aquele modelo que distribui pessoas ou itens em categorias diferentes. As mulheres foram classificadas com expressões como "deliciosíssima" e "comível". As fotos vieram de seus perfis nas redes sociais, capturadas e reutilizadas sem consentimento. O conteúdo começou circulando em um grupo privado chamado "não psicólogos" antes de vazar para as redes sociais públicas. Capturas de tela das conversas revelaram comentários ainda mais explícitos: "Tirei as lésbicas e as gordas", escreveu alguém no grupo.

A Delegacia de Defesa da Mulher de Presidente Prudente abriu investigação imediatamente. Segundo a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, a polícia identificou seis vítimas até o momento e está investigando cinco suspeitos. O trabalho agora é esclarecer quem criou a lista e quem participou de seu compartilhamento — questões que parecem simples mas que exigem rastreamento de mensagens, identificação de perfis e reconstrução de quem fez o quê.

A Unoeste tomou conhecimento da denúncia na sexta-feira e abriu uma investigação interna paralela. Em comunicado, a universidade afirmou estar conduzindo a apuração "com prioridade e rigor", prometendo aplicar sanções institucionais conforme suas normas internas. Disse também estar acolhendo as alunas envolvidas, preservando sua privacidade e dignidade — linguagem cuidadosa que reconhece o dano sem ainda detalhar as consequências para os responsáveis.

No sábado, a deputada federal Sâmia Bomfim e a candidata a deputada estadual Carolina Simon protocolaram um ofício na reitoria cobrando providências. Simon afirmou que instituições de ensino precisam ser espaços seguros, comprometidos com ética e com o enfrentamento à misoginia e à violência. A declaração aponta para uma questão maior: não se trata apenas de um incidente isolado, mas de um padrão de comportamento que a universidade precisa confrontar estruturalmente.

A Frente pela Vida das Mulheres, coletivo que participou do protesto, chamou o episódio de "misoginia organizada". O grupo conectou a lista a uma lógica maior — a chamada "red pill" e o conceito de "Valor Sexual de Mercado", onde mulheres são tratadas como mercadorias, avaliadas por aparência, comportamento e suposta disponibilidade sexual. Não é apenas um ranking. É um sistema de pensamento que reduz pessoas a objetos de consumo.

O que aconteceu agora é investigação em duas frentes: a polícia buscando responsáveis criminais, a universidade buscando responsáveis institucionais. As 53 alunas tiveram suas imagens e identidades expostas, suas privacidades violadas, suas presenças na universidade transformadas em objeto de classificação sexual. O protesto na quinta-feira foi apenas o começo da resposta. O que vem agora é o trabalho mais lento e necessário de responsabilização.

Instituições de ensino precisam ser espaços seguros, comprometidos com ética e com o enfrentamento à misoginia e à violência
— Carolina Simon, candidata a deputada estadual
A criação de um ranking sexual para classificar mulheres reproduz diretamente a lógica red pill do chamado Valor Sexual de Mercado: mulheres tratadas como mercadorias
— Frente pela Vida das Mulheres
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