PM dispersa aglomeração na Praia do Morro com gás lacrimogêneo

Múltiplas pessoas expostas a gás lacrimogêneo durante dispersão; crianças e adolescentes presentes no local consumindo álcool e expostos a risco de contaminação por covid-19.
Uma minoria está levando o som, aglomerando, fazendo festas clandestinas
O comandante da PM reconhece que a maioria colabora, mas uma parcela persiste em ignorar as restrições.
Mark

Por que a polícia precisou usar gás lacrimogêneo? Não havia outras formas de dispersar a multidão?

Mimi

Segundo o comandante, as pessoas começaram a arremessar garrafas e pedras contra os policiais quando a abordagem começou. O gás foi usado depois dessa reação, como forma de evitar que pessoas fossem lesionadas.

Luke

Mas a gente só tem a versão da polícia sobre o que provocou a reação. Não sabemos se as garrafas vieram primeiro ou se o gás foi disparado antes.

Mark

E quanto às crianças que estavam lá? Elas foram expostas ao gás também?

Mimi

A reportagem menciona que havia crianças e adolescentes no local consumindo álcool, mas não especifica quantas foram afetadas pelo gás ou se todas conseguiram sair antes.

Luke

Isso é um vazio importante. Sabemos que havia menores lá, sabemos que houve dispersão com gás, mas não temos informação clara sobre o impacto direto nas crianças.

Mark

Guarapari estava realmente em risco alto para covid? Como isso foi determinado?

Mimi

O estado havia colocado Guarapari e outras sete cidades na área vermelha do mapa de risco, que entrou em vigor na segunda-feira. Vermelho significa risco alto.

Luke

O mapa é do governo do estado, então é uma classificação oficial. Mas a reportagem não explica os critérios usados para essa classificação ou os números de casos e mortes que levaram a isso.

Mark

Se as praias estavam abertas, a aglomeração era inevitável, não era?

Mimi

Tecnicamente sim. As praias não foram fechadas, apenas foi proibido som e equipamentos de amplificação. Mas sem fechar o espaço, é difícil impedir que pessoas se aglomerem.

Luke

Essa é a contradição central da história. O município estava em risco alto, mas não fechou as praias. Então a polícia foi forçada a dispersar pessoas que tecnicamente tinham direito de estar lá.

Mark

O que o infectologista estava dizendo sobre o colapso do sistema de saúde?

Mimi

Ele alertava que se as pessoas continuarem se aglomerando sem proteção, o vírus vai se espalhar para dentro das casas, infectando os vulneráveis. E se muitos ficarem graves ao mesmo tempo, não haverá leitos suficientes nos hospitais.

Luke

É um cenário plausível, mas a reportagem não traz dados sobre a ocupação de leitos em Guarapari naquele momento ou projeções específicas. É um alerta baseado em lógica epidemiológica, não em números locais.

  • Mais de 200 pessoas ignoraram as restrições sanitárias e lotaram a Praia do Morro com caixas de som e álcool, incluindo crianças e adolescentes, enquanto o município estava na zona vermelha do mapa de risco estadual.
  • Quando a Polícia Militar chegou após denúncias de moradores, parte da multidão reagiu com violência, arremessando garrafas e pedras contra os policiais.
  • Diante da resistência, a PM lançou granadas de gás lacrimogêneo, provocando correria pela areia e pelo calçadão — cenas registradas em vídeo pelos próprios frequentadores.
  • Na manhã seguinte, a praia continuava movimentada e a maioria dos banhistas estava sem máscara, revelando que a dispersão foi pontual, não uma mudança de comportamento.
  • Um infectologista alertou que aglomerações como essa alimentam uma cadeia silenciosa de contágio que pode levar ao colapso hospitalar, deixando pacientes graves sem leitos disponíveis.

Em uma noite de verão marcada pela pandemia, a Praia do Morro em Guarapari tornou-se palco de uma tensão que vai além do confronto físico: mais de duzentas pessoas reunidas ao som de caixas acústicas, em um município classificado em risco alto para covid-19, forçaram a Polícia Militar a recorrer ao gás lacrimogêneo após serem recebidas com garrafas e pedras. O episódio revela a distância que pode existir entre as normas que uma sociedade estabelece para se proteger e a disposição de cada indivíduo em segui-las — uma distância que, em tempos de pandemia, pode custar vidas.

Na noite de 4 de janeiro, a Polícia Militar chegou em comboio à Praia do Morro, em Guarapari, após moradores denunciarem um evento clandestino com mais de 200 pessoas, caixas acústicas e carros de som. O município havia entrado naquele mesmo dia na classificação de risco alto para covid-19, e a prefeitura já havia proibido equipamentos de som nas praias para evitar aglomerações.

O tenente Rafael Santana da Silva descreveu o que seus homens encontraram: crianças e adolescentes consumindo álcool, suspeita de tráfico de drogas e som alto ecoando pela orla. Quando os policiais iniciaram a abordagem, parte da multidão reagiu atirando garrafas e pedras. A resposta foi o lançamento de granadas de gás lacrimogêneo, que dispersou a multidão pela areia e pelo calçadão.

Apesar da ação policial, a questão de fundo permanecia em aberto: as praias de Guarapari não estavam fechadas, apenas com restrições de som. Na manhã seguinte, a reportagem encontrou a praia ainda movimentada, com a maioria dos banhistas sem máscara, mesmo sob chuva.

O infectologista Crispim Cerutti alertou para o ciclo de risco que essas aglomerações alimentam: pessoas contaminadas levam o vírus para casa, onde convivem com idosos e pessoas com comorbidades. O perigo maior, segundo ele, é o colapso do sistema de saúde — quando não há mais leitos para quem precisa de internação. O tenente-coronel Emerson Caus reconheceu que a maioria da população colaborava, mas uma minoria persistia em organizar festas clandestinas, especialmente na Praia do Morro.

Na noite de domingo, 4 de janeiro, a Polícia Militar de Guarapari chegou à Praia do Morro em comboio tático para dispersar uma multidão que ocupava a areia e o calçadão. Mais de 200 pessoas estavam ali, animadas pelo som de caixas acústicas e carros de som, em um evento que funcionava à margem de qualquer autorização. A polícia havia sido acionada por moradores que denunciaram o que estava acontecendo.

O tenente Rafael Santana da Silva, comandante da força tática local, descreveu o cenário que seus homens encontraram: um aglomerado de pessoas em plena pandemia, com presença marcante de crianças e adolescentes consumindo bebidas alcoólicas, tráfico de drogas ocorrendo no local, e som alto ecoando pela orla. Tudo isso em um município que estava classificado no risco alto para covid-19 conforme o mapa de risco estadual que havia entrado em vigor naquele dia.

Quando os policiais começaram a abordar o grupo, algumas pessoas reagiram. Garrafas e pedras foram arremessadas contra os militares. Diante dessa resistência, a polícia acionou seu protocolo de dispersão: lançou granadas de gás lacrimogêneo sobre a multidão. Vídeos capturados por frequentadores registraram o momento em que as pessoas corriam pela areia e pelo calçadão, dispersando-se sob o efeito do gás.

A prefeitura de Guarapari havia proibido caixas de som e equipamentos similares nas praias justamente para evitar aglomerações e conter o avanço do novo coronavírus. Porém, não havia restrição que impedisse as pessoas de simplesmente estarem nas praias. Mesmo com o município em zona vermelha do mapa de risco estadual, as praias permaneciam abertas ao público.

O médico infectologista Crispim Cerutti alertou para as consequências dessa dinâmica. Pessoas que se aglomeram sem proteção, disse ele, levam o vírus para dentro de suas casas, onde convivem com idosos e pessoas com comorbidades. Esses grupos vulneráveis acabam infectados por seus próprios familiares. Além disso, o infectologista apontou um risco ainda maior: o colapso do sistema de saúde. Quando isso ocorre, pessoas graves com dificuldade respiratória não encontram leitos disponíveis para internação.

Na manhã de segunda-feira, a reportagem esteve na Praia do Morro e encontrou a movimentação ainda intensa. Nem a chuva havia afastado os banhistas, a maioria sem máscara. O tenente-coronel Emerson Caus, comandante do 10º Batalhão da PM em Guarapari, reconheceu que a maioria da população estava colaborando com as medidas sanitárias, mas uma minoria persistia em levar som, fazer aglomerações e organizar festas clandestinas na praia, especialmente no Morro.

O episódio do gás lacrimogêneo marca um ponto de tensão entre a tentativa de conter a transmissão viral e o comportamento de uma parcela da população que segue ignorando as restrições. Guarapari permanecia em risco alto, e a polícia continuava respondendo a denúncias, mas a questão de fundo permanecia: como fazer cumprir medidas de saúde pública quando as pessoas escolhem não aderir a elas.

Vermelho é a hora em que você tem que ficar dentro de casa, porque as pessoas que estão interagindo impunemente vão levar o vírus para dentro de suas casas, onde estão as pessoas vulneráveis
— Médico infectologista Crispim Cerutti
A maioria da população está entendendo e acatando as informações, mas infelizmente uma minoria está levando o som, aglomerando, fazendo festas clandestinas na praia
— Tenente-coronel Emerson Caus, comandante do 10º Batalhão da PM
Contattaci Domande frequenti