PF documenta que Ibaneis não se limitou a prerrogativas institucionais, atuando em autorização de capital, estratégia de expansão e validação de decisões operacionais críticas do BRB. Mensagens de celulares mostram que decisões estratégicas eram submetidas ao ex-governador antes de deliberação formal, com encontro em Zurique em janeiro de 2025 marcando início da aquisição.
PF aponta atuação direta de Ibaneis na estratégia do BRB para compra do Master
Decisões estratégicas eram submetidas antes de deliberação formal
O que exatamente a PF está dizendo que Ibaneis fez? Ele aprovou um empréstimo ou algo mais?
Não é só aprovação. Os relatórios mostram que ele estava envolvido em decisões que deveriam ser tomadas pelos órgãos formais de governança do banco — e que essas decisões eram submetidas a ele antes de qualquer deliberação oficial. Ele definiu estratégia, autorizou capital, validou operações críticas.
Mas como sabemos disso? Quem tem acesso a essas comunicações?
Mensagens dos celulares de Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro. Ambos estão presos, então a PF teve acesso aos aparelhos.
E o encontro em Zurique — isso prova que Ibaneis estava negociando a compra do Master?
A PF marca esse encontro como o início formal do processo de aquisição. Mas o que torna significativo é que Ibaneis estava lá, junto com o presidente do BRB e o dono do Master.
Espera — a PF diz que foi o início, mas com base em quê? Uma mensagem dizendo que o governador pediu para marcar reunião? Ou há comunicações do encontro em si?
O relatório marca o encontro como o ponto de partida, mas a evidência mais clara é o padrão: antes disso, em outubro, o BRB estava captando capital; depois, em janeiro, começam as compras de carteiras de crédito do Master.
Quanto dinheiro estamos falando?
9,52 bilhões de reais entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Projeções indicam que chegaria a 16,7 bilhões em um ano.
E isso é ilegal? Ou é apenas politicamente questionável?
A PF fala em captura institucional — alinhamento da estrutura de decisão do banco a interesses específicos, violando princípios de impessoalidade e moralidade. Mas a conclusão sobre crime específico ainda não foi formalizada nos documentos que temos.
Então o que acontece agora?
Os relatórios foram enviados ao STF. Cabe ao tribunal decidir se há base para ação penal ou se há necessidade de mais investigação.
Il Polso
- Ibaneis Rocha atuou em autorização de capital, estratégia de expansão e validação de decisões operacionais críticas do BRB
- Encontro em Zurique em 23 de janeiro de 2025 com Ibaneis, Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e Leonardo marca início da aquisição
- BRB comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025
PF documenta que Ibaneis não se limitou a prerrogativas institucionais, atuando em autorização de capital, estratégia de expansão e validação de decisões operacionais críticas do BRB. Mensagens de celulares mostram que decisões estratégicas eram submetidas ao ex-governador antes de deliberação formal, com encontro em Zurique em janeiro de 2025 marcando início da aquisição.
Relatórios da Polícia Federal indicam que o ex-governador Ibaneis Rocha atuou diretamente na estratégia do Banco de Brasília para comprar o Banco Master, caracterizando possível captura institucional.
A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal documentos que traçam um caminho direto entre o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha e as decisões estratégicas que permitiram ao Banco de Brasília tentar adquirir o Banco Master entre 2024 e 2025. Os relatórios, obtidos por G1 e TV Globo, descrevem uma atuação que vai além do que seria esperado de um gestor público — sugerindo, na linguagem dos investigadores, uma captura institucional da instituição financeira.
Segundo a investigação, Ibaneis não se limitou ao exercício regular de suas funções. Os documentos apontam quatro frentes de atuação direta: ele autorizou os montantes do aumento de capital do banco, definiu a estratégia de expansão, validou decisões operacionais críticas e articulou negociações com agentes privados. O que torna isso significativo é a forma como funcionava: decisões estratégicas relevantes eram submetidas à apreciação de Ibaneis antes mesmo de passarem pelos órgãos formais de governança do banco. Isso não é um detalhe administrativo — é uma centralização do poder decisório que a PF caracteriza como interferência política direta na condução de uma instituição financeira pública.
A cronologia começa em outubro de 2024, quando o BRB colocou ações no mercado para captar até um bilhão de reais e ampliar seu capital social. A PF vê essa movimentação como etapas preparatórias para o que viria depois. Três meses mais tarde, em janeiro de 2025, as tratativas diretas começaram. No dia 20, Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB na época, enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dizendo que o governador havia pedido para marcarem uma reunião. Três dias depois, em 23 de janeiro, os quatro se encontraram em Zurique — Vorcaro, Ibaneis, Paulo Henrique e um quarto interlocutor identificado apenas como Leonardo. A PF marca esse encontro como o ponto de partida formal do processo de aquisição.
O que os investigadores encontraram nas mensagens dos celulares de Paulo Henrique e Daniel Vorcaro revela uma operação que buscava sigilo. No dia 26 de janeiro, Vorcaro perguntou a Paulo Henrique sobre a negociação, mencionando que o jornalista Lauro Jardim havia feito perguntas sobre o assunto. Na resposta, Paulo Henrique demonstrou preocupação com vazamentos e afirmou que não haviam ampliado o escopo das pessoas envolvidas no negócio. Esse cuidado com a discrição contrasta com a escala do que estava sendo movimentado: entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB comprou 9,52 bilhões de reais em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master. Projeções anteriores da PF indicavam que esse montante chegaria a 16,7 bilhões em um ano.
A estrutura usada para isso também chama atenção. A PF identificou que o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB através de fundos de investimento — Borneo, Verbier e Delta — que foram estruturados com o propósito de ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada. Essa engenharia financeira, combinada com a centralização das decisões em torno de Ibaneis, leva a PF a uma conclusão: a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público que deveriam guiar uma instituição pública.
Os investigadores usam o termo captura institucional para descrever o que ocorreu. Não se trata apenas de um governador influenciando uma instituição sob sua responsabilidade — trata-se de uma estrutura de poder que foi reorganizada para servir a objetivos particulares. Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro estão presos. Ibaneis Rocha, que deixou o cargo de governador, aguarda os desdobramentos da investigação. A defesa de todos foi procurada para comentar, mas não respondeu até o momento da publicação.
Citazioni salienti
As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública— Polícia Federal
Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público— Polícia Federal