PF aponta atuação direta de Ibaneis na estratégia do BRB para compra do Master

Decisões estratégicas eram submetidas antes de deliberação formal
A PF descreve como Ibaneis centralizava decisões do BRB que deveriam passar por órgãos de governança.
Mark

O que exatamente a PF está dizendo que Ibaneis fez? Ele aprovou um empréstimo ou algo mais?

Mimi

Não é só aprovação. Os relatórios mostram que ele estava envolvido em decisões que deveriam ser tomadas pelos órgãos formais de governança do banco — e que essas decisões eram submetidas a ele antes de qualquer deliberação oficial. Ele definiu estratégia, autorizou capital, validou operações críticas.

Luke

Mas como sabemos disso? Quem tem acesso a essas comunicações?

Mimi

Mensagens dos celulares de Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro. Ambos estão presos, então a PF teve acesso aos aparelhos.

Mark

E o encontro em Zurique — isso prova que Ibaneis estava negociando a compra do Master?

Mimi

A PF marca esse encontro como o início formal do processo de aquisição. Mas o que torna significativo é que Ibaneis estava lá, junto com o presidente do BRB e o dono do Master.

Luke

Espera — a PF diz que foi o início, mas com base em quê? Uma mensagem dizendo que o governador pediu para marcar reunião? Ou há comunicações do encontro em si?

Mimi

O relatório marca o encontro como o ponto de partida, mas a evidência mais clara é o padrão: antes disso, em outubro, o BRB estava captando capital; depois, em janeiro, começam as compras de carteiras de crédito do Master.

Mark

Quanto dinheiro estamos falando?

Mimi

9,52 bilhões de reais entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025. Projeções indicam que chegaria a 16,7 bilhões em um ano.

Luke

E isso é ilegal? Ou é apenas politicamente questionável?

Mimi

A PF fala em captura institucional — alinhamento da estrutura de decisão do banco a interesses específicos, violando princípios de impessoalidade e moralidade. Mas a conclusão sobre crime específico ainda não foi formalizada nos documentos que temos.

Mark

Então o que acontece agora?

Mimi

Os relatórios foram enviados ao STF. Cabe ao tribunal decidir se há base para ação penal ou se há necessidade de mais investigação.

  • Ibaneis Rocha atuou em autorização de capital, estratégia de expansão e validação de decisões operacionais críticas do BRB
  • Encontro em Zurique em 23 de janeiro de 2025 com Ibaneis, Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e Leonardo marca início da aquisição
  • BRB comprou R$ 9,52 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025

PF documenta que Ibaneis não se limitou a prerrogativas institucionais, atuando em autorização de capital, estratégia de expansão e validação de decisões operacionais críticas do BRB. Mensagens de celulares mostram que decisões estratégicas eram submetidas ao ex-governador antes de deliberação formal, com encontro em Zurique em janeiro de 2025 marcando início da aquisição.

Relatórios da Polícia Federal indicam que o ex-governador Ibaneis Rocha atuou diretamente na estratégia do Banco de Brasília para comprar o Banco Master, caracterizando possível captura institucional.

A Polícia Federal apresentou ao Supremo Tribunal Federal documentos que traçam um caminho direto entre o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha e as decisões estratégicas que permitiram ao Banco de Brasília tentar adquirir o Banco Master entre 2024 e 2025. Os relatórios, obtidos por G1 e TV Globo, descrevem uma atuação que vai além do que seria esperado de um gestor público — sugerindo, na linguagem dos investigadores, uma captura institucional da instituição financeira.

Segundo a investigação, Ibaneis não se limitou ao exercício regular de suas funções. Os documentos apontam quatro frentes de atuação direta: ele autorizou os montantes do aumento de capital do banco, definiu a estratégia de expansão, validou decisões operacionais críticas e articulou negociações com agentes privados. O que torna isso significativo é a forma como funcionava: decisões estratégicas relevantes eram submetidas à apreciação de Ibaneis antes mesmo de passarem pelos órgãos formais de governança do banco. Isso não é um detalhe administrativo — é uma centralização do poder decisório que a PF caracteriza como interferência política direta na condução de uma instituição financeira pública.

A cronologia começa em outubro de 2024, quando o BRB colocou ações no mercado para captar até um bilhão de reais e ampliar seu capital social. A PF vê essa movimentação como etapas preparatórias para o que viria depois. Três meses mais tarde, em janeiro de 2025, as tratativas diretas começaram. No dia 20, Paulo Henrique Costa, que presidia o BRB na época, enviou uma mensagem a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, dizendo que o governador havia pedido para marcarem uma reunião. Três dias depois, em 23 de janeiro, os quatro se encontraram em Zurique — Vorcaro, Ibaneis, Paulo Henrique e um quarto interlocutor identificado apenas como Leonardo. A PF marca esse encontro como o ponto de partida formal do processo de aquisição.

O que os investigadores encontraram nas mensagens dos celulares de Paulo Henrique e Daniel Vorcaro revela uma operação que buscava sigilo. No dia 26 de janeiro, Vorcaro perguntou a Paulo Henrique sobre a negociação, mencionando que o jornalista Lauro Jardim havia feito perguntas sobre o assunto. Na resposta, Paulo Henrique demonstrou preocupação com vazamentos e afirmou que não haviam ampliado o escopo das pessoas envolvidas no negócio. Esse cuidado com a discrição contrasta com a escala do que estava sendo movimentado: entre outubro de 2024 e fevereiro de 2025, o BRB comprou 9,52 bilhões de reais em carteiras de crédito emitidas pelo Banco Master. Projeções anteriores da PF indicavam que esse montante chegaria a 16,7 bilhões em um ano.

A estrutura usada para isso também chama atenção. A PF identificou que o Banco Master passou a integrar, de forma indireta, a estrutura acionária do BRB através de fundos de investimento — Borneo, Verbier e Delta — que foram estruturados com o propósito de ocultar o beneficiário final e evitar a caracterização formal de controle ou participação qualificada. Essa engenharia financeira, combinada com a centralização das decisões em torno de Ibaneis, leva a PF a uma conclusão: a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público que deveriam guiar uma instituição pública.

Os investigadores usam o termo captura institucional para descrever o que ocorreu. Não se trata apenas de um governador influenciando uma instituição sob sua responsabilidade — trata-se de uma estrutura de poder que foi reorganizada para servir a objetivos particulares. Paulo Henrique Costa e Daniel Vorcaro estão presos. Ibaneis Rocha, que deixou o cargo de governador, aguarda os desdobramentos da investigação. A defesa de todos foi procurada para comentar, mas não respondeu até o momento da publicação.

As comunicações demonstram que decisões estratégicas relevantes eram submetidas previamente à sua apreciação, antes mesmo de deliberação pelos órgãos formais de governança, evidenciando centralização decisória e interferência política direta na condução da instituição financeira pública
— Polícia Federal
Tal atuação é indicativa de captura institucional, na medida em que a estrutura de decisão do banco foi alinhada a interesses específicos, em detrimento dos princípios de impessoalidade, moralidade e interesse público
— Polícia Federal
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