Petrobras veta dois nomes em assembleia; Hapvida faz oferta com família Pinheiro

Dois nomes vetados antes da votação refletem critérios de governança
A Petrobras bloqueou indicações para seu conselho de administração por conflitos de interesse político.
Mark

Por que a Petrobras precisou vetar esses dois nomes especificamente?

Mimi

O veto a Rezende se deveu ao cargo político que ele ocupa no PSB. A Petrobras tem critérios de independência para o conselho. Pietro Mendes, sendo secretário do governo, criava uma sobreposição de poder executivo que a companhia quis evitar.

Mark

A Hapvida está vendendo imóveis para a própria família controladora. Isso não é suspeito?

Mimi

Tecnicamente não. É uma transação de venda seguida de aluguel, o que permite que a família Pinheiro monetize ativos enquanto mantém o uso operacional. Mas sinaliza que a companhia está reorganizando sua estrutura patrimonial.

Mark

E as Americanas? R$ 40 bilhões é uma dívida gigantesca.

Mimi

É. Os executivos vão ao Senado hoje para explicar como chegaram lá. Inconsistências contábeis sugerem que o problema não apareceu da noite para o dia, mas foi se acumulando sem transparência adequada.

Mark

Tantas empresas divulgando resultados ruins no mesmo dia. O mercado está ruim?

Mimi

Alguns setores sim. A Rede D'Or caiu 33%, a Espaçolaser teve prejuízo. Mas a Dexxos cresceu 91%. Não é uma queda geral, é mais setorial e específico de cada negócio.

Mark

A Cemig investindo R$ 42 bilhões. Isso é muito?

Mimi

Para uma empresa de infraestrutura, é um plano ambicioso mas realista. Mostra confiança no setor de energia. O detalhe é que ela quer focar em ativos que já controla, em Minas Gerais principalmente, reduzindo risco.

  • Petrobras veta Sergio Rezende e Pietro Mendes para conselho em assembleia de 27 de abril
  • Hapvida anuncia oferta com R$ 360 milhões da família Pinheiro e venda de imóveis por R$ 1,25 bilhão
  • Lojas Americanas comparece ao Senado para explicar dívida de R$ 40 bilhões
  • Cemig planeja investir R$ 42 bilhões entre 2023 e 2027

Petrobras veta indicações de Sergio Rezende e Pietro Mendes para conselho de administração em assembleia de 27 de abril. Hapvida realiza oferta de ações com participação de R$ 360 milhões da família Pinheiro e venda de imóveis por R$ 1,25 bilhão.

Petrobras publica manual de assembleia com dois vetos a conselheiros; Hapvida anuncia oferta de ações e venda de imóveis; múltiplas empresas divulgam resultados do quarto trimestre.

A Petrobras divulgou nesta terça-feira o manual que orientará os acionistas na assembleia geral ordinária marcada para 27 de abril, às 13h. O documento traz uma novidade que marca a dinâmica política dentro da estatal: dois nomes foram vetados para o conselho de administração, que possui 11 cadeiras e receberá oito novos membros. Seis desses conselheiros serão indicados pelo governo, enquanto dois virão da base de acionistas minoritários.

O comitê de pessoas da Petrobras analisou seis indicações e barrou Sergio Rezende, que ocupa cargo de membro titular no diretório nacional do PSB. Separadamente, o próprio conselho de administração vetou Pietro Mendes, secretário de petróleo, gás natural e biocombustível do Ministério de Minas e Energia. Os vetos refletem critérios de governança e possíveis conflitos de interesse que a companhia entendeu necessário bloquear antes da votação dos acionistas.

Em movimento paralelo, a Hapvida anunciou uma oferta de ações em que a família Pinheiro, controladora da companhia, investirá R$ 360 milhões. Além disso, a operadora de saúde fechou uma transação de venda seguida de aluguel envolvendo dez imóveis, no valor total de R$ 1,25 bilhão, também com a família Pinheiro. Esses imóveis pertencem a empresas que a Hapvida adquiriu após sua abertura de capital em 2018, sinalizando uma reorganização patrimonial significativa.

Na esfera do varejo, os executivos das Lojas Americanas enfrentam pressão política. Leonardo Coelho Pereira, presidente da companhia, e seu antecessor Sérgio Rial comparecem hoje à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado para explicar as inconsistências contábeis que levaram a varejista a acumular uma dívida superior a R$ 40 bilhões. O depoimento marca um momento crítico para a empresa, que busca esclarecer como chegou a essa situação financeira.

O dia também é marcado por uma enxurrada de divulgações de resultados do quarto trimestre. A Ânima reportou lucro líquido de R$ 169 milhões, impulsionado por um benefício fiscal de R$ 375 milhões relacionado à aquisição da Laureate, com receita líquida estável em R$ 845 milhões. A Tupy teve lucro de R$ 56 milhões, uma queda de 8% ante o mesmo período de 2021, enquanto seu conselho aprovou a distribuição de R$ 41 milhões em juros sobre capital próprio. A Rede D'Or São Luiz viu seu lucro cair 33%, chegando a R$ 282,5 milhões.

Em outros movimentos corporativos, a Bradespar aprovou dividendos complementares de R$ 470 milhões e convocou assembleia extraordinária para 27 de abril a fim de votar um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão, elevando o capital social para R$ 4,6 bilhões. A ClearSale reverteu prejuízo anterior, registrando lucro de R$ 5,2 milhões, enquanto a Espaçolaser enfrentou prejuízo de R$ 16,1 milhões. A Saraiva, em recuperação judicial, aprofundou suas perdas, com prejuízo ajustado de R$ 15 milhões, alta de 35% sobre o ano anterior.

No setor de infraestrutura, a Cemig anunciou plano de investimento de R$ 42 bilhões entre 2023 e 2027, focando em ativos sob seu controle acionário, preferencialmente em Minas Gerais. A Isa Cteep iniciou operação comercial da Interligação Elétrica Itaúnas. O Banco do Brasil projeta negócios de até R$ 500 milhões durante a Tecnoshow Comigo, uma das principais feiras do agronegócio. Esses movimentos refletem investimentos estruturais e oportunidades comerciais que as grandes empresas perseguem enquanto o mercado absorve os resultados trimestrais e as decisões de governança corporativa.

A Petrobras avaliou seis indicações e vetou Sergio Rezende por ele ser membro titular do diretório nacional do PSB
— Comitê de pessoas da Petrobras
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