Petistas veem alívio em estabilidade de Lula; equipe de Flávio aponta insatisfação

O Lula está derretendo, o caso Lulinha está nos ajudando
Deputado Carlos Jordy interpreta a pesquisa como confirmação de desgaste do presidente e vantagem para Flávio.
Mark

Por que o PT vê alívio em números que mostram Lula perdendo um ponto percentual?

Mimi

Porque esse ponto caiu dentro da margem de erro. Mas mais importante: a pesquisa foi coletada antes das novas revelações da Polícia Federal sobre o caso Lulinha. O PT está basicamente dizendo que sobreviveu ao pior momento sem danos mensuráveis — ainda.

Mark

E Flávio vê a mesma pesquisa como evidência de que está ganhando?

Mimi

Exatamente. Para a campanha dele, o que importa é a tendência. Flávio está diminuindo a distância no primeiro turno e se consolidando como a única alternativa viável. Quando o eleitor perceber que tem que escolher entre dois nomes, a lógica diz que migra para quem pode vencer.

Mark

Mas o escândalo do filho de Lula não apareceu na pesquisa ainda.

Mimi

Não. A pesquisa foi coletada na terça e quarta. As novas revelações da PF saíram na quinta. Então tecnicamente, o pior ainda não foi medido. Isso deixa tudo em aberto.

Mark

Qual é o argumento econômico que Flávio está usando?

Mimi

Que a economia está ruim. O Grupo Casas Bahia pediu recuperação judicial, lojas fecharam. Ele grava vídeos na porta de lojas fechadas em Brasília. A mensagem é: a população está endividada, sem poder de compra, e o governo não entregou o que prometeu.

Mark

Os líderes do centrão acreditam que Lula vai para o segundo turno?

Mimi

Sim. Eles acham que o escândalo força um segundo turno, frustrando o plano de Lula de vencer no primeiro turno em 4 de outubro. Mas também acham que Lula demonstrou resiliência — o dano foi menor do que poderia ter sido.

Mark

E quanto ao caso Dark Horse de Flávio?

Mimi

Saiu em maio, então tem menos impacto agora. Os líderes do centrão acham que a revelação sobre Lulinha ajuda Flávio a superar aquele escândalo. É uma questão de timing e recência.

  • Lula tem 39% no primeiro turno e 47% no segundo turno contra Flávio (32% e 43%)
  • Variação de um ponto percentual no segundo turno está dentro da margem de erro de dois pontos
  • Pesquisa coletada na terça e quarta-feira, antes das novas revelações da Polícia Federal sobre Lulinha
  • Eleição marcada para 4 de outubro de 2026
  • Fábio Luís é alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal

Lula mantém 39% no primeiro turno e 47% no segundo contra Flávio (32% e 43%), com variação dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Escândalo envolvendo filho de Lula (Fábio Luís) e ex-assessor com lobista não impactou pesquisa coletada antes das novas revelações da Polícia Federal.

Petistas e bolsonaristas interpretam divergentemente pesquisa Datafolha: PT vê alívio com estabilidade de Lula (47% vs 43% de Flávio no segundo turno), enquanto equipe de Flávio aponta insatisfação com governo e consolidação como única alternativa viável.

A pesquisa Datafolha divulgada na sexta-feira (21) ofereceu aos dois principais candidatos à presidência exatamente o que cada um queria ver nela. Para o PT, a notícia era de que Lula havia sobrevivido intacto a duas semanas de turbulência política. Para a campanha de Flávio Bolsonaro, a mesma pesquisa revelava um cenário em movimento, com o senador ganhando terreno e se consolidando como a única alternativa viável ao presidente.

Os números, em si, eram claros: Lula mantinha 39% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Flávio chegava a 32%. No segundo turno, o presidente tinha 47% contra 43% do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Comparado ao levantamento anterior, realizado antes do início formal da campanha, Lula havia perdido um ponto percentual na projeção de segundo turno — uma oscilação que caía dentro da margem de erro de dois pontos, tornando-a estatisticamente insignificante.

Mas o contexto em que essa pesquisa chegava era tudo menos tranquilo. Duas semanas antes, revelações sobre a relação entre Fábio Luís, filho do presidente, e a lobista Roberta Luchsinger explodiram na mídia. O caso envolvia suspeitas de que Lulinha teria atuado para vender medicamentos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. Também estava envolvido Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula, que teria recebido despesas pessoais pagas pela lobista — transações que ele afirma terem sido um empréstimo. Na quinta-feira anterior à divulgação da pesquisa, a Polícia Federal havia publicado novas informações, apontando Lulinha como beneficiário indireto do trabalho de Luchsinger e identificando uma suposta comunhão de interesses entre os dois. Fábio Luís era alvo de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal.

Para os aliados de Lula, o fato de que a pesquisa havia sido coletada na terça e quarta-feira — antes dessas novas revelações da Polícia Federal — era quase um alívio. Significava que o pior ainda não havia sido medido. Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha do presidente em São Paulo e advogado de Lulinha, descreveu o resultado como excepcional diante das circunstâncias. "Dadas as circunstâncias em que estamos sofrendo um massacre com ataques orquestrados, de dentro e fora do país, o resultado é excepcional", disse. O secretário de Comunicação do PT, Éden Valadares, reforçou a mensagem: a pesquisa mostrava estabilidade, com o presidente liderando todos os cenários. Sob reserva, porém, aliados do presidente admitiam que o caso ainda teria reflexos na campanha. Depois de duas semanas de abatimento, afirmavam estar preparados para um contra-ataque a partir da semana seguinte.

Do outro lado, a campanha de Flávio lia a mesma pesquisa como confirmação de uma tendência. O senador estava consistentemente diminuindo a distância para Lula no primeiro turno e se consolidando como o único candidato capaz de derrotá-lo. O restante do campo estava embolado abaixo de 5%, incluindo a candidatura de Pablo Marçal, que poderia ser cassada por inelegibilidade. Integrantes da campanha de Flávio argumentavam que o eleitor ainda não havia sido influenciado pelas notícias negativas sobre Lulinha — e que, quando isso acontecesse, o desgaste provavelmente seria mínimo para o petista. Mas havia outro fator em jogo: a economia. O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia havia sinalizado ao eleitorado que o governo Lula ia mal na economia, com impacto direto na vida das pessoas. Flávio havia gravado vídeos de campanha na porta de uma loja recém-fechada em Brasília e batia na tecla de que a população estava endividada e sem poder de compra.

O deputado federal Carlos Jordy, que acompanhou Flávio em comícios no Rio de Janeiro no dia da divulgação da pesquisa, foi mais direto: "O Lula está derretendo, o caso Lulinha está nos ajudando e a gente vai vencer essa eleição". Segundo auxiliares do presidenciável do PL, a proximidade da eleição fazia com que os eleitores percebessem dois fatores cruciais. Primeiro, que Flávio era a única opção com chances de vencer Lula, criando um movimento de migração de votos a favor do bolsonarista. Segundo, que a população refletia sobre os próximos quatro anos e não estava satisfeita com o governo atual — algo que as pesquisas começavam a captar com mais clareza.

Dois líderes do centrão ouvidos pela Folha ofereceram uma leitura mais matizada. Avaliavam que o efeito do caso Lulinha havia sido limitado na pesquisa e que Lula havia demonstrado resiliência. Mas acreditavam que o escândalo forçaria um segundo turno, frustrando o objetivo do petista de vencer a eleição no dia 4 de outubro. Esses políticos também notavam que o escândalo envolvendo o filho do presidente ajudava Flávio a superar o caso Dark Horse — a revelação de sua relação com Vorcaro, que havia sido divulgada em maio e, portanto, tinha menos impacto. A campanha seguia para outubro com duas narrativas completamente diferentes sobre o mesmo conjunto de números.

Dadas as circunstâncias em que estamos sofrendo um massacre com ataques orquestrados, de dentro e fora do país, o resultado é excepcional
— Marco Aurélio Carvalho, coordenador da campanha de Lula em São Paulo
O Lula está derretendo, o caso Lulinha está nos ajudando e a gente vai vencer essa eleição
— Carlos Jordy, deputado federal do PL-RJ
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