No Distrito Federal, a corrida pelo governo começa a ganhar contornos mais nítidos: a governadora Celina Leão lidera com folga, mas em um eleitorado ainda em movimento, onde mais da metade dos eleitores admite poder mudar de ideia antes de outubro. A pesquisa Quaest, divulgada em agosto, revela não apenas uma hierarquia provisória, mas também as fraturas ideológicas e demográficas que tornam qualquer prognóstico prematuro. É o retrato de uma democracia que ainda delibera.
Pesquisa Quaest: Celina lidera disputa pelo governo do DF em todos os recortes
Mais da metade do eleitorado ainda pode mudar de voto
Por que Celina lidera em praticamente todos os grupos, mas Grass fica tão competitivo entre a esquerda?
Porque a esquerda é um eleitorado diferente. Grass é do PT, e entre quem se identifica como de esquerda não lulista, ele chega a 47%. Celina é do Progressistas — um partido de centro-direita. Ela tem força onde há conservadorismo, entre evangélicos e bolsonaristas.
Então a eleição é realmente sobre duas bases diferentes?
Exatamente. Celina domina entre evangélicos com 40%, entre bolsonaristas com 49%, entre os mais pobres com 40%. Grass domina entre quem tem ensino superior, entre a esquerda. São eleitorados que não se falam.
Mas 53% dos eleitores ainda podem mudar de voto. Isso não muda tudo?
Muda, sim. Mas note que entre bolsonaristas, apenas 13% estão indecisos. Entre a esquerda não lulista, só 8%. Os indecisos estão mais entre independentes e entre quem ganha mais. São grupos menores.
Então Celina tem uma base mais sólida?
Tem uma base mais consolidada, sim. Mas também tem menos espaço para crescer. Grass pode crescer se mobilizar melhor a esquerda, se conseguir converter indecisos de renda alta. Celina já está no teto dela em muitos grupos.
E Arruda? Por que ele fica sempre em segundo?
Arruda é PSD, um partido de centro. Ele não tem a força de Celina entre evangélicos e bolsonaristas, e não tem a força de Grass entre a esquerda. Ele fica no meio, pegando um pouco de cada lado, mas sem dominar nenhum.
Le Pouls
- Celina Leão abre 14 pontos de vantagem sobre Arruda, mas 53% dos eleitores ainda não fecharam sua escolha — a liderança é real, porém frágil.
- Leandro Grass concentra quase metade das intenções entre eleitores de esquerda não lulista, sinalizando que o campo progressista pode se consolidar em torno de um nome.
- Entre evangélicos e bolsonaristas, Celina atinge seus picos mais altos — 40% e 49%, respectivamente — revelando uma base sólida, mas geograficamente concentrada no espectro conservador.
- Com 14% de indecisos e candidatos menores somando apenas 8%, o eleitorado flutuante pode ser o fiel da balança nos dois meses que restam até 4 de outubro.
No Distrito Federal, a corrida pelo governo começa a ganhar contornos mais nítidos: a governadora Celina Leão lidera com folga, mas em um eleitorado ainda em movimento, onde mais da metade dos eleitores admite poder mudar de ideia antes de outubro. A pesquisa Quaest, divulgada em agosto, revela não apenas uma hierarquia provisória, mas também as fraturas ideológicas e demográficas que tornam qualquer prognóstico prematuro. É o retrato de uma democracia que ainda delibera.
A pesquisa Quaest encomendada pela Globo, divulgada no final de agosto, oferece o primeiro retrato detalhado da disputa pelo governo do Distrito Federal. A governadora Celina Leão, do Progressistas, lidera com 34% das intenções de voto, seguida por Arruda, do PSD, com 20%, e Leandro Grass, do PT, com 13%. O levantamento ouviu 1.104 pessoas entre 21 e 24 de agosto, com margem de erro de 3 pontos percentuais.
A liderança de Celina é ampla, mas não uniforme. Ela domina entre homens e mulheres, em todas as faixas etárias, entre católicos e evangélicos e em todos os níveis de renda. Porém, entre eleitores com ensino superior, Grass se aproxima de Arruda. E entre os que se identificam como de esquerda não lulista, Grass salta para 47%, deixando Celina em terceiro lugar. Entre bolsonaristas, ela atinge 49% — sua maior concentração em qualquer grupo.
O eleitorado ainda está em movimento: apenas 47% dos entrevistados consideram sua escolha definitiva, e 14% permanecem indecisos. Os candidatos menores — Paula Belmonte, Cappelli e Kiko Caputo — somam juntos apenas 8%.
O cenário que emerge é de um favorito claro, mas longe de uma vitória garantida. A capacidade de Grass de mobilizar o voto de esquerda e a força de Celina entre evangélicos e conservadores desenham um mapa eleitoral fragmentado, onde a campanha dos próximos dois meses ainda pode reescrever o resultado.
A pesquisa Quaest encomendada pela Globo, divulgada no final de agosto, oferece o primeiro retrato detalhado de como os eleitores do Distrito Federal estão se posicionando na corrida pelo governo. A governadora Celina Leão, do Progressistas, aparece na frente com 34% de intenção de voto, seguida pelo candidato Arruda, do PSD, com 20%, e Leandro Grass, do PT, com 13%. O levantamento ouviu 1.104 pessoas entre 21 e 24 de agosto, com margem de erro de 3 pontos percentuais.
O que chama atenção, porém, é que essa liderança de Celina não é uniforme. Ela domina em praticamente todos os recortes demográficos — entre homens e mulheres, em todas as faixas etárias, entre católicos e evangélicos, em todos os níveis de renda. Mas há fraturas importantes. Entre eleitores com ensino superior, Grass fica numericamente próximo a Arruda, com 21% contra 14%. Entre os que se identificam como de esquerda não lulista, Grass salta para 47%, deixando Celina em terceiro lugar com apenas 17%. Entre bolsonaristas, por outro lado, Celina atinge 49%, sua maior concentração em qualquer grupo.
A pesquisa também revela que o eleitorado ainda está em movimento. Apenas 47% dos entrevistados disseram que sua escolha é definitiva. Os outros 53% afirmam que podem mudar de voto até o dia da eleição, marcado para 4 de outubro. Além disso, 14% dos eleitores ainda estão indecisos, e 10% pretendem votar em branco, nulo ou não comparecer.
Os números mostram padrões interessantes quando se olha para grupos específicos. Entre evangélicos, Celina alcança 40%, sua segunda melhor performance depois dos bolsonaristas. Entre os que ganham até dois salários mínimos, ela chega a 40% também. Já entre eleitores de alta renda — mais de cinco salários mínimos — sua vantagem diminui para 31%, enquanto Grass sobe para 17%. Entre eleitores brancos, Grass fica empatado com Arruda em 17% e 18%, respectivamente, enquanto Celina cai para 29%.
A idade também marca diferenças. Entre jovens de 16 a 34 anos, Celina mantém 32%, mas Grass fica mais próximo com 14% contra os 16% de Arruda. Entre eleitores com 60 anos ou mais, Arruda cresce para 24%, sua melhor performance em qualquer faixa etária, embora ainda atrás de Celina com 29%.
Os candidatos menores do campo — Paula Belmonte do PSDB, Cappelli do PSB, Kiko Caputo do Novo — somam juntos apenas 8% na pesquisa estimulada. Os demais candidatos não ultrapassam 2% cada um.
O cenário que emerge é de uma disputa com um favorito claro, mas longe de decidida. A margem de 14 pontos de Celina sobre Arruda é significativa, mas num eleitorado onde mais da metade ainda pode mudar de voto, tudo dependerá de como a campanha se desenrola nos próximos dois meses. A capacidade de Grass de mobilizar o voto de esquerda — onde alcança quase metade das intenções entre não lulistas — e a força de Celina entre evangélicos e bolsonaristas desenham um mapa eleitoral fragmentado, onde a mobilização e a campanha podem reescrever o resultado.
Citations marquantes
A atual governadora lidera a disputa em todos os recortes de sexo, raça, idade, escolaridade, religião, renda e orientação política— Pesquisa Quaest