Uma jovem empresária de 31 anos que vivia nos Estados Unidos voltou ao Brasil em busca de renovação e partiu sem retorno — morta durante uma cirurgia plástica de quase dez horas em Ilhéus, na Bahia. O médico responsável, Rossini Tebaldi Ruback, havia sido alvo de denúncias de pacientes apenas um ano antes, por complicações graves e procedimentos inadequados. Entre a versão clínica de uma reação anestésica imprevisível e a dor de uma família deixada sem informação e sem acesso ao corpo, a morte de Adriele da Silva Pinto levanta questões que a medicina e a justiça ainda precisam responder.
Cirurgião de empresária morta na BA enfrentou denúncias de pacientes em 2023
Estava lá empacotada na sala de cirurgia, trancada
Por que esse caso está sendo investigado agora, se o médico já havia enfrentado denúncias antes?
Porque a morte de Adriele trouxe à tona um padrão. Quando uma paciente morre, as pessoas começam a procurar no histórico. E descobrem que não era a primeira vez que algo dava errado.
As denúncias de 2023 resultaram em alguma ação contra o médico?
Oficialmente, não sabemos. O conselho mantém sigilo sobre os processos éticos. Só divulga se houver sanção pública. Então o médico continuou trabalhando.
E a explicação dele sobre a morte — hipertermia maligna — é plausível?
É uma condição real e rara. Mas é também a explicação perfeita porque é imprevisível, não detectável antes, e não está relacionada à técnica cirúrgica. Difícil de contestar.
O que mais preocupa a família?
Não apenas a morte, mas como foi tratada. Dez horas esperando sem informação. Não deixaram ver o corpo. E o atestado de óbito não foi assinado pelo cirurgião que fez a operação.
Isso muda algo legalmente?
Pode. Se o médico responsável não assinou o atestado, há questões sobre quem estava realmente responsável naquele momento final. É um detalhe que os investigadores vão examinar.
O que acontece agora?
Investigação. Polícia, conselho de medicina, talvez justiça. Mas o silêncio processual significa que o público pode nunca saber exatamente o que as autoridades descobriram sobre as denúncias de 2023.
El Pulso
- Uma mulher saudável de 31 anos entra numa clínica para quatro procedimentos estéticos e não sai viva — a família aguarda quase dez horas sem qualquer notícia.
- O cirurgião envolvido já havia sido denunciado em 2023 por pacientes de quatro cidades diferentes, relatando infecções graves, deformidades e cirurgias sem anestesia adequada.
- A defesa alega hipertermia maligna, condição rara e imprevisível, como causa da morte — uma explicação que a família e seu advogado recebem com desconfiança.
- O atestado de óbito não foi assinado pelo próprio cirurgião responsável, e um boletim de ocorrência foi registrado na delegacia por suspeitas sobre as circunstâncias do caso.
- O Cremeb confirma que não havia processo ético em tramitação contra o médico no momento da morte, mantendo sigilo sobre o desfecho das denúncias anteriores de 2023.
Uma jovem empresária de 31 anos que vivia nos Estados Unidos voltou ao Brasil em busca de renovação e partiu sem retorno — morta durante uma cirurgia plástica de quase dez horas em Ilhéus, na Bahia. O médico responsável, Rossini Tebaldi Ruback, havia sido alvo de denúncias de pacientes apenas um ano antes, por complicações graves e procedimentos inadequados. Entre a versão clínica de uma reação anestésica imprevisível e a dor de uma família deixada sem informação e sem acesso ao corpo, a morte de Adriele da Silva Pinto levanta questões que a medicina e a justiça ainda precisam responder.
Adriele da Silva Pinto tinha 31 anos e vivia nos Estados Unidos quando decidiu voltar ao Brasil para realizar quatro procedimentos estéticos em Ilhéus, no sul da Bahia. Entrou na sala de cirurgia numa tarde de terça-feira. Na madrugada seguinte, sua família soube que ela havia morrido.
O cirurgião responsável, Rossini Tebaldi Ruback, não era um nome sem histórico. Em março de 2023, pacientes de ao menos quatro cidades baianas o denunciaram por complicações sérias: infecções que exigiram cirurgias de reparação, deformidades e relatos de procedimentos realizados sem anestesia adequada. Uma instrumentadora cirúrgica que trabalhou com ele também apresentou denúncias na mesma época. O Conselho Regional de Medicina da Bahia confirmou a existência de processos, mas manteve sigilo sobre seus resultados.
A versão apresentada pela defesa do médico atribui a morte a uma hipertermia maligna — reação rara e imprevisível a agentes anestésicos, que não pode ser detectada em exames pré-operatórios de rotina. Segundo essa narrativa, a cirurgia transcorria normalmente quando a paciente apresentou deterioração súbita do quadro clínico. Medidas de emergência foram adotadas, com participação de cardiologista, mas Adriele não respondeu ao tratamento.
Para a família, as horas que se seguiram foram de angústia e silêncio. A tia de Adriele, Ivanilda de Jesus, descreveu uma espera de quase dez horas sem informações, sem assistência médica para sua própria pressão alta e sem permissão para ver a sobrinha. O advogado da família registrou boletim de ocorrência e apontou uma irregularidade: o atestado de óbito não foi assinado pelo próprio cirurgião que conduziu o procedimento.
O Cremeb informou que, no momento da morte de Adriele, não havia processo ético-profissional em tramitação contra Ruback. A defesa do médico pediu cautela na divulgação de informações e reafirmou sua disposição de colaborar com as investigações. A apuração segue em aberto.
Adriele da Silva Pinto tinha 31 anos e morava nos Estados Unidos quando decidiu voltar ao Brasil para fazer quatro procedimentos estéticos. Mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e jato de plasma — uma sequência ambiciosa de intervenções marcada para uma terça-feira à tarde em Ilhéus, no sul da Bahia. Ela entrou na sala de cirurgia às 15h. O procedimento deveria terminar às 20h. Na madrugada de quarta-feira, sua família recebeu a notícia de que ela havia morrido.
O cirurgião responsável era Rossini Tebaldi Ruback, um médico plástico regularmente inscrito no Conselho Regional de Medicina. Mas Ruback não era um nome desconhecido para as autoridades. Em março de 2023, pouco mais de um ano antes da morte de Adriele, pacientes de cidades diferentes — Itabuna, Salvador, Eunápolis e Vitória da Conquista — procuraram autoridades para relatar complicações após cirurgias realizadas por ele. Uma mulher descreveu ter colocado próteses de silicone nas mamas e feito lipoaspiração na barriga, apenas para desenvolver uma infecção grave que exigiu cirurgia de reparação. Ela alegou que o procedimento havia sido realizado sem anestesia adequada. Uma instrumentadora cirúrgica que trabalhou com Ruback também apresentou denúncias na mesma época. O Conselho Regional de Medicina da Bahia confirmou que houve processos, mas manteve sigilo sobre os resultados, informando apenas que as partes envolvidas foram comunicadas.
A morte de Adriele ocorreu de forma súbita e inesperada, segundo a defesa do médico. De acordo com a versão apresentada, o procedimento cirúrgico transcorreu sem intercorrências até sua fase final. Então, a paciente apresentou uma alteração grave do quadro clínico. A equipe de anestesiologia identificou os sinais como compatíveis com hipertermia maligna — uma condição rara, grave e potencialmente fatal que resulta de suscetibilidade individual a certos agentes anestésicos. Trata-se de uma reação imprevisível que não pode ser detectada por exames pré-operatórios de rotina e não está relacionada à técnica cirúrgica em si. Medidas de emergência foram adotadas imediatamente, incluindo medicação específica e manobras de estabilização, com participação de um cardiologista. Apesar de todos os esforços, a paciente não respondeu ao tratamento.
A experiência da família durante essas horas foi marcada pela angústia e pela falta de informação. Ivanilda de Jesus, tia de Adriele, descreveu uma espera de quase dez horas sem notícias, sem medicação para acalmar sua pressão alta, sem atenção adequada. Quando pediu para ver a sobrinha, foi informada que não seria possível. "Estava lá empacotada na sala de cirurgia, trancada", disse ela em entrevista à TV Santa Cruz. O advogado da família registrou um boletim de ocorrência na delegacia após suspeitas sobre as circunstâncias da morte. Ele também observou que o atestado de óbito não foi assinado por Ruback, o médico responsável pela cirurgia.
O Conselho Regional de Medicina da Bahia informou que não há processo ético-profissional em tramitação no Tribunal de Ética Médica contra o médico no momento da morte de Adriele. Quanto às denúncias anteriores de 2023, a entidade mantém sigilo processual conforme previsto em lei, mas afirmou que eventuais sanções públicas seriam divulgadas em seu site e no Diário Oficial da União. A defesa de Ruback solicitou responsabilidade na divulgação de informações ainda não apuradas e pediu respeito à dor dos envolvidos, reafirmando a disponibilidade do médico para colaborar com as autoridades competentes e órgãos de classe.
Citas Notables
Durante quase 10h de cirurgia, ele veio me dar essa resposta, que ela tinha vindo a óbito. Me deixaram aflita, [com] pressão alta, não me deram atenção, medicamento para me acalmar, me largaram lá sozinha.— Ivanilda de Jesus, tia de Adriele
O ato cirúrgico transcorreu integralmente sem intercorrências. Já em sua fase final, após concluído o procedimento, a paciente apresentou, de forma súbita e inesperada, alteração grave de seu quadro clínico.— Defesa de Rossini Tebaldi Ruback