Pesquisa Datafolha mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula no segundo turno

O maestro da comunicação chama-se Lula e seu problema foi tocar um disco velho
Analista aponta que o presidente, não seu ministério, é responsável pela estratégia de campanha que não conseguiu mobilizar eleitores.
Mark

Como Flávio conseguiu abrir essa vantagem tão rápido? Parecia que Lula tinha o controle.

Mimi

Nove milhões de votos que foram para Lula em 2022 migraram para Flávio. Isso não é uma mudança marginal — é um realinhamento. E os eleitores da terceira via também estão indo mais para Flávio do que para o presidente.

Luke

Mas a pesquisa é só uma. Quanto tempo se passou desde o primeiro turno? E Dilma virou em 2014 depois de estar atrás.

Mimi

Verdade. Mas o problema de Lula não é novo. Ele tem 46% de rejeição. Seu governo está em 40% de aprovação há meses. Não é um problema de campanha desorganizada — é um problema estrutural.

Mark

Lula mesmo disse que a campanha foi desorganizada. Ele reconheceu o erro.

Luke

Reconheceu, mas colocou a culpa na campanha, não em si mesmo. Há um padrão aí que Paulo Vidal já tinha identificado em 2018.

Mimi

Exatamente. Vidal disse que Lula evitava assumir seus erros, que se construía sobre o sacrifício dos aliados. Agora, vinte anos depois, ele está dizendo que a campanha foi fraca, como se a campanha fosse uma coisa separada dele.

Mark

E os debates? Lula não foi aos debates do primeiro turno. Isso vai importar agora?

Luke

Pode importar muito. Ele pode faltar de novo, mas aí cede um palanque valioso para Flávio. E Flávio, apesar de estar à frente, tem propostas incompletas. Um debate bem feito pode mudar as coisas.

Mimi

Mas há apenas quatro debates programados, e o primeiro foi cancelado. Não há muito tempo.

Mark

Então Lula precisa fazer algo diferente nos próximos vinte e um dias.

Mimi

Precisa. Mas o padrão dele é tocar um disco velho. Ele foi a Fortaleza inaugurar uma obra do ITA, que gerou a Embraer, que acabava de montar o primeiro caça Gripen. Tinha uma história de futuro ali. Ele não contou.

  • Flávio Bolsonaro abre quatro pontos de vantagem sobre Lula na primeira pesquisa do segundo turno, com 52% contra 48% — um sinal de alarme para o campo governista.
  • Nove milhões de eleitores que votaram em Lula em 2022 agora declaram apoio ao adversário, revelando uma erosão eleitoral sem precedente recente para um presidente em exercício.
  • A rejeição de 46% a Lula e uma aprovação de governo estagnada em 40% criam um teto difícil de romper, mesmo com medidas anunciadas nos últimos dias da campanha.
  • Quatro debates estão programados antes do segundo turno, mas Lula não participou dos embates do primeiro turno — uma ausência que pode custar palanques decisivos ao adversário.
  • A campanha petista foi descrita pelo próprio Lula como a mais desorganizada desde 1989, mas analistas apontam que o problema central é a escolha do que comunicar, não quem comunica.

Em outubro de 2026, a primeira pesquisa Datafolha do segundo turno revelou que Flávio Bolsonaro lidera com 52% contra 48% de Lula — um resultado que não apenas reordena a disputa, mas expõe fraturas profundas na relação entre o presidente e o eleitorado que um dia o elegeu. Nove milhões de votos que foram a Lula em 2022 migraram para seu adversário, e uma rejeição de 46% pesa sobre o incumbente como uma herança que nenhuma medida de última hora conseguiu dissolver. O que está em jogo não é apenas uma eleição, mas a capacidade de um líder histórico de se reinventar diante do espelho que ele mesmo evitou encarar.

A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno trouxe um resultado que reordena o cenário eleitoral brasileiro: Flávio Bolsonaro aparece com 52% das intenções de voto contra 48% de Lula. Flávio ampliou seu capital eleitoral desde o primeiro turno, atraiu eleitores da terceira via em maior proporção e, mais significativamente, absorveu nove milhões de votos que haviam ido a Lula em 2022.

O presidente enfrenta um obstáculo que não é novo, mas permanece intransponível: 46% dos eleitores o rejeitam, e seu governo não consegue alcançar 50% de aprovação há anos. As medidas mobilizadas nos últimos dias — um benefício futuro e o fim das apostas esportivas — não produziram o efeito esperado. Lula reagiu, mas a reação não foi suficiente para frear a tendência.

Os vinte e um dias entre os turnos serão marcados por quatro debates. O primeiro, previsto para a Record, foi cancelado. SBT, Band e Globo ainda estão na agenda. Lula não participou dos debates do primeiro turno, uma escolha estratégica cuja sabedoria permanece em questão. Flávio, por sua vez, apresentou propostas que carecem de coerência interna — reflexo da velocidade com que sua campanha ganhou terreno.

A história oferece precedentes: Dilma Rousseff reverteu uma desvantagem inicial em 2014. Lula pode fazer o mesmo, mas precisaria abandonar a noção de que sua vitória é automática. Ao comentar o resultado do primeiro turno, ele admitiu que sua campanha foi a menos organizada desde 1989 — uma confissão que, para analistas, carrega uma lógica antiga: atribuir a derrota a fatores externos.

Essa leitura ressoa com o retrato feito por Paulo Vidal, sindicalista que trabalhou com Lula desde 1969 e que, antes de falecer em 2026, descreveu o presidente como alguém que evitava assumir erros e se construiu sobre o sacrifício dos aliados. O ministro Sidônio Palmeira tem sido responsabilizado pela 'crise de comunicação', mas o problema é mais profundo: meses atrás, Lula viajou a Fortaleza para inaugurar uma etapa do campus do ITA e não mencionou que a instituição gerou a Embraer, que acabara de montar o primeiro caça Gripen em parceria com a Saab — uma história de inovação e futuro que ele simplesmente não contou. Esse silêncio resume o desafio dos próximos dias: não é a comunicação que falha, é a escolha do que comunicar.

A primeira pesquisa Datafolha do segundo turno trouxe um resultado que reordena o cenário eleitoral: Flávio Bolsonaro aparece com 52% das intenções de voto contra 48% de Lula, uma vantagem de quatro pontos que marca uma inflexão clara na disputa. Os números revelam movimentos profundos no eleitorado. Flávio ampliou seu capital eleitoral em mais de um milhão de votos desde o primeiro turno. Eleitores que votaram em candidatos da terceira via migraram em maior proporção para ele do que para o presidente. E há um dado particularmente pesado: nove milhões de votos que foram para Lula em 2022 estão agora com Flávio em 2026.

O presidente enfrenta um obstáculo que não é novo, mas que permanece intransponível. Quarenta e seis por cento dos entrevistados o rejeitam. Seu governo, desde 2026, recebe avaliação negativa na faixa dos 40% e há anos não consegue alcançar 50% de aprovação. As medidas que Lula tentou mobilizar nos últimos dias — um benefício futuro e o fim das apostas — não produziram o efeito esperado. O presidente reagiu, mas a reação não foi suficiente para frear a tendência.

Os vinte e um dias que separam o primeiro turno do segundo são tradicionalmente um período de recalibração e promessas. Mas o que realmente pesa nesse intervalo são os debates diretos. Quatro foram programados. O primeiro, que seria na Record no domingo 11 de outubro, foi cancelado. O SBT receberá os candidatos quatro dias depois. A Band está marcada para o dia 18, e a Globo para o dia 23, apenas dois dias antes da votação. Lula não compareceu aos debates do primeiro turno — uma escolha estratégica cuja sabedoria permanece em questão. Teoricamente, qualquer um dos dois candidatos pode faltar a um ou a todos os debates que restam, cedendo ao adversário um palanque valioso. Flávio, nos últimos dias, apresentou propostas que carecem de completude ou coerência interna — um desequilíbrio que reflete a velocidade com que sua campanha ganhou terreno.

A história oferece precedentes. Dilma Rousseff, após a primeira pesquisa do segundo turno em 2014, conseguiu reverter o resultado inicial, e ela não era particularmente hábil em embates eleitorais. Lula pode fazer o mesmo. Mas para isso precisaria abandonar um padrão que o acompanha há décadas: a noção de que sua vitória é automática, de que o trabalho já está feito. Na quarta-feira 7 de outubro, falando sobre o resultado do domingo anterior, ele reconheceu que sua campanha foi desorganizada — a menos organizada de que participou desde 1989. Essa confissão, porém, carrega uma velha lógica: culpar a campanha pela derrota, como se a campanha fosse uma entidade separada dele próprio.

Paulo Vidal, sindicalista que trabalhou com Lula desde 1969 na máquina do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, ofereceu em 2018 um retrato amargo do presidente. Vidal, que faleceu em 2026, descreveu Lula como alguém egoísta que evitava assumir seus erros, que se construiu sobre o sacrifício dos aliados e que, apesar da persona de líder dos trabalhadores, sempre apreciou as vantagens que o dinheiro podia oferecer. O tempo e o poder os afastaram. Essa caracterização ressoa agora, quando Lula atribui sua campanha fraca a falhas organizacionais externas.

Nos últimos meses, Sidônio Palmeira, ministro da Comunicação Social, tornou-se alvo de críticas pela chamada "crise de comunicação" do governo. Mas essa atribuição inverte a realidade. O maestro da comunicação é Lula. Seu problema nessa campanha foi tocar um disco velho. Meses atrás, ele viajou a Fortaleza para inaugurar uma etapa do campus avançado do Instituto Tecnológico da Aeronáutica, uma obra legítima de seu governo. Falou de tudo naquela ocasião, menos de tecnologia. O ITA gerou a Embraer, que havia acabado de montar o primeiro caça Gripen em parceria com a sueca Saab. O caça fez seu primeiro voo na semana anterior. Era uma história de inovação, de capacidade industrial, de futuro. Lula não a contou. Essa omissão resume o desafio que ele enfrenta nos próximos vinte e um dias: não é a comunicação que falha, é a escolha do que comunicar.

Acho que nós fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade, poderíamos ter feito mais. Essa foi a campanha menos organizada de que participei desde 1989
— Lula, em 7 de outubro de 2026
Um tipo egoísta que sempre evitou assumir seus erros, se construiu sobre o sacrifício dos aliados e, apesar do figurino de líder dos trabalhadores e da esquerda, desde os primórdios já gostava das gostosuras que o dinheiro pode comprar
— Paulo Vidal, sindicalista, sobre Lula em 2018
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