Há milhões de anos, criaturas caminhavam sobre as dunas de um deserto que hoje é Santa Catarina, deixando impressões que o tempo transformou em pedra e em pergunta. Duas trilhas fossilizadas encontradas em Turvo revelam pegadas maiores do que qualquer outra já atribuída a Mammaliaformes no Cretáceo Inferior de Gondwana, desafiando a imagem consagrada de ancestrais dos mamíferos como seres invariavelmente pequenos. A descoberta, publicada no Journal of South American Earth Sciences, não responde quem eram esses animais com precisão, mas amplia o horizonte do que foi possível na longa jornada ev
Pegadas fossilizadas em SC revelam mamíferos pré-históricos maiores do que se conhecia
Tamanhos maiores surgiram mais cedo do que se reconhecia
Por que essas pegadas em particular mudam o que sabemos sobre mamíferos antigos?
Porque são maiores do que qualquer outra pegada de Mammaliaformes já encontrada naquela formação geológica. Isso sugere que esses animais alcançavam tamanhos que a ciência não tinha documentado antes.
Mas a gente consegue saber o tamanho real do animal só pela pegada? Ou é só uma estimativa?
É uma estimativa. As pegadas não permitem calcular com precisão o tamanho corporal. O que sabemos é que o animal era maior do que o que deixava pegadas menores.
E conseguem identificar qual espécie deixou essas marcas?
Não. As pegadas não revelam a identidade exata do animal. Sabemos que provavelmente era um Mammaliaformes, um ancestral dos mamíferos, mas não qual espécie.
Então tecnicamente, essas pegadas não provam que havia mamíferos maiores naquela época, só que havia animais deixando pegadas maiores. Pode ser uma interpretação diferente.
Exato. Por isso os pesquisadores são cuidadosos. Eles dizem que a descoberta sugere que tamanhos maiores surgiram mais cedo e com maior frequência, não que provam isso definitivamente.
Como as pegadas se preservaram por milhões de anos?
Quando o animal caminhava sobre o arenito úmido, deixava uma marca. Com o tempo, mais sedimento cobriu aquela marca, e processos geológicos transformaram tudo em rocha. A pegada ficou registrada dentro da pedra.
E quanto mais tempo passa, mais a pegada pode ser alterada pela rocha e pelos processos químicos, certo?
Sim. As condições do solo antigo, a umidade, tudo isso pode modificar a aparência original. Por isso os pesquisadores precisam ser cuidadosos na interpretação.
Qual é o próximo passo para entender melhor esses animais?
Novas descobertas e comparações com outros fósseis. Cada pegada, cada osso encontrado ajuda a reconstruir a diversidade de vida naquele ambiente antigo.
Le Pouls
- Pegadas em arenito de uma pedreira de Turvo superam em tamanho todos os registros anteriores de Mammaliaformes do Cretáceo Inferior de Gondwana, reescrevendo um limite que parecia estabelecido.
- A raridade de esqueletos na Formação Botucatu tornava o tamanho desses animais uma lacuna persistente — agora as próprias rochas oferecem uma resposta inesperada.
- Os rastros com quatro dedos curtos e arredondados indicam locomoção quadrúpede em ambiente desértico, mas não permitem identificar a espécie nem calcular o porte exato do animal.
- Pesquisadores alertam que umidade, consistência do solo e alterações geológicas podem distorcer as impressões originais, exigindo cautela na interpretação dos dados.
- A descoberta aponta que a diversidade de tamanhos entre os Mammaliaformes mesozoicos era muito maior do que o registro fóssil disponível permitia reconhecer até agora.
Há milhões de anos, criaturas caminhavam sobre as dunas de um deserto que hoje é Santa Catarina, deixando impressões que o tempo transformou em pedra e em pergunta. Duas trilhas fossilizadas encontradas em Turvo revelam pegadas maiores do que qualquer outra já atribuída a Mammaliaformes no Cretáceo Inferior de Gondwana, desafiando a imagem consagrada de ancestrais dos mamíferos como seres invariavelmente pequenos. A descoberta, publicada no Journal of South American Earth Sciences, não responde quem eram esses animais com precisão, mas amplia o horizonte do que foi possível na longa jornada evolutiva que nos trouxe até aqui.
Há milhões de anos, Santa Catarina era um deserto de dunas. Animais que caminhavam sobre aquela areia deixaram marcas que o tempo endureceu em rocha — e duas dessas trilhas, encontradas em placas de arenito extraídas de uma pedreira em Turvo, agora desafiam o que se sabia sobre os ancestrais dos mamíferos.
As pegadas estão guardadas no Laboratório de Paleontologia da UERJ e foram analisadas em estudo publicado no Journal of South American Earth Sciences. O resultado surpreendeu: as impressões são as maiores de Mammaliaformes já documentadas no Cretáceo Inferior de Gondwana, superando todos os registros anteriores da Formação Botucatu, a unidade geológica que preserva aquele antigo paleodeserto na Bacia do Paraná.
A morfologia das trilhas revela quatro dedos curtos e arredondados, compatíveis com um animal quadrúpede provavelmente pertencente ao grupo que engloba os mamíferos modernos e seus parentes evolutivos. Os rastros foram classificados na icnofamília Chelichnopodidae. Na Formação Botucatu, onde esqueletos são raros, essas pegadas funcionam como uma janela única para compreender quem habitou aquele ambiente e como se movia.
Os pesquisadores são cautelosos: as impressões não permitem identificar a espécie nem calcular o tamanho corporal com precisão, pois condições do solo antigo e alterações geológicas podem modificar a aparência original das marcas. Ainda assim, a descoberta oferece evidências concretas de que animais maiores surgiram mais cedo e com maior frequência entre os Mammaliaformes do que se reconhecia — sugerindo uma diversidade de portes muito mais ampla durante a era dos dinossauros do que o registro disponível permitia imaginar.
Há milhões de anos, quando Santa Catarina era um deserto de dunas e areias, animais caminhavam sobre solo que eventualmente se tornaria rocha. Duas dessas trilhas fossilizadas, encontradas em Turvo no Sul do Estado, agora contam uma história que desafia o que os cientistas acreditavam saber sobre os ancestrais dos mamíferos.
As pegadas foram descobertas em placas de arenito extraídas de uma pedreira em Turvo e estão guardadas na coleção do Laboratório de Paleontologia da Faculdade de Geologia da UERJ. O que chamou a atenção dos pesquisadores foi simples mas significativo: essas impressões são maiores do que qualquer outra pegada de Mammaliaformes já descrita na Formação Botucatu, a unidade geológica que preserva registros daquele antigo ambiente. A análise foi publicada na revista científica Journal of South American Earth Sciences e aponta que esses animais alcançavam portes bem superiores ao que o registro fóssil tradicional sugeria.
Durante o Cretáceo Inferior, a região onde hoje fica Santa Catarina integrava um vasto paleodeserto chamado Botucatu. Dunas e areia dominavam a paisagem. Quando animais caminhavam sobre esse substrato arenoso, suas pegadas deixavam marcas que, ao longo de milhões de anos, foram endurecidas e preservadas nas rochas. A Formação Botucatu, situada na Bacia do Paraná, é particularmente valiosa para os paleontólogos porque contém poucos esqueletos desses animais antigos. As pegadas, portanto, oferecem uma janela rara para compreender quem viveu ali e como se movimentava.
A análise morfológica das trilhas de Turvo revelou impressões com quatro dedos, curtos e arredondados, dispostos de forma compatível com um animal que caminhava sobre quatro patas. Essas características indicam um provável membro de Mammaliaformes, o grupo que engloba os mamíferos modernos e seus parentes evolutivos próximos. Durante o Mesozoico, a era dos dinossauros, esse conjunto de animais era muito mais diverso do que a ideia tradicional de criaturas minúsculas poderia sugerir. Os rastros foram também classificados na icnofamília Chelichnopodidae, uma categoria que agrupa pegadas com características morfológicas similares, ainda que não corresponda necessariamente a uma família biológica real.
O que torna essa descoberta particularmente importante é sua escala. As duas trilhas de Turvo representam as maiores pegadas semelhantes às de mamíferos documentadas no Cretáceo Inferior de Gondwana, o antigo supercontinente que reunia terras que se tornaram América do Sul, África, Antártida, Austrália e outras regiões. Dentro da própria Formação Botucatu, já existiam outros rastros atribuídos a Mammaliaformes, mas nenhum tão grande quanto esses.
Os pesquisadores, porém, são cautelosos sobre o que essas pegadas realmente nos dizem. Embora as impressões revelem informações valiosas sobre locomoção e tamanho relativo, elas não permitem calcular com precisão o tamanho corporal dos animais nem identificar a espécie responsável pelas marcas. As condições do solo antigo, a umidade, a consistência do arenito e as alterações sofridas pela rocha ao longo do tempo podem modificar a aparência original das pegadas, limitando os detalhes anatômicos disponíveis para análise.
O que a descoberta sugere, porém, é que animais maiores surgiram mais cedo e com maior frequência entre os Mammaliaformes do que se reconhecia anteriormente. Isso não significa que todos fossem grandes, mas que a variedade de tamanhos dentro do grupo pode ter sido muito mais ampla do que os registros disponíveis permitiam estabelecer. As pegadas de Turvo acrescentam evidências concretas a essa discussão em evolução.
Os icnofósseis, como são chamadas essas marcas preservadas em rocha, complementam o registro fóssil de forma única. Diferentemente dos ossos e dentes, eles registram atividades realizadas pelos animais, como caminhar e se deslocar. Na Formação Botucatu, onde esqueletos são raros, essas pegadas tornam-se particularmente valiosas. Novas descobertas e comparações com outros fósseis poderão ajudar a esclarecer ainda mais a diversidade de formas e tamanhos dos Mammaliaformes e como esses animais viveram e evoluíram durante a era dos dinossauros.
Citations marquantes
Os rastros de Turvo acrescentam evidências de que portes corporais maiores surgiram mais cedo e com maior frequência do que se reconhecia anteriormente— Pesquisadores do estudo publicado no Journal of South American Earth Sciences