Há um padrão que Miguel Stilwell, CEO da EDP, reconhece com inquietação: a Europa já foi refém da dependência energética, e hoje repete o mesmo ciclo no domínio digital, desta vez subordinada aos Estados Unidos. O diagnóstico não é de incapacidade, mas de lentidão — uma burocracia que sufoca a inovação enquanto americanos e chineses avançam sem esperar. A questão que se coloca ao continente não é se quer competir, mas se consegue, finalmente, mover-se à velocidade que a era exige.
Europa enfrenta dependência dramática digital, alerta CEO da EDP
A Europa precisa de acelerar, mas sem perder a exigência que a caracteriza
Quando Stilwell fala de dependência digital, está a comparar isto com a dependência energética anterior? São realmente situações equivalentes?
Sim, é exatamente essa a analogia. A Europa esteve presa a fornecedores de energia durante décadas, o que a deixou vulnerável. Agora, a maioria das ferramentas digitais críticas — desde plataformas até infraestrutura de cloud — vêm dos EUA. É uma vulnerabilidade diferente, mas igualmente real.
Mas há uma diferença importante: a energia é um recurso físico escasso. A tecnologia digital pode ser desenvolvida em qualquer lugar. A questão não é se a Europa *pode* fazer isto, mas se consegue fazê-lo mais depressa do que está a fazer. Stilwell está a dizer que a burocracia é o travão, mas não vemos números sobre quanto tempo demora uma aprovação regulatória europeia versus americana.
Ele menciona que está a integrar IA na EDP e a capacitar trabalhadores. Isto é uma resposta suficiente?
É o que uma empresa pode fazer dentro das suas próprias operações. Mas Stilwell é claro: uma empresa não resolve um problema sistémico. Precisa de mudança ao nível político e regulatório.
Exatamente. E aqui há uma tensão não resolvida: Stilwell quer menos burocracia, mas também quer manter a exigência europeia. Menos burocracia pode significar menos supervisão, menos proteção de dados, menos segurança. Ele não explica como se consegue uma coisa sem sacrificar a outra.
Então qual é o risco real se a Europa não agir?
Fica cada vez mais dependente de tecnologia que não controla, desenvolvida segundo valores que podem não ser os seus. É uma questão de soberania tecnológica.
Verdade, mas também há um risco oposto: se a Europa tentar correr demasiado depressa para alcançar os EUA, pode comprometer os padrões que a definem. Stilwell diz que não quer isto, mas a história mostra que quando há pressa, as exigências são as primeiras a cair.
Der Puls
- A Europa acumula uma dependência digital dos EUA que Stilwell compara, sem hesitação, à vulnerabilidade energética que já custou caro ao continente.
- O fosso tecnológico face aos EUA e à China continua a alargar-se, e Portugal não é exceção neste atraso estrutural.
- A burocracia europeia é apontada como o principal obstáculo: processos lentos, regulamentações sobrepostas e decisões em câmara lenta travam a inovação antes de ela ganhar forma.
- A EDP responde com ação interna — inteligência artificial nos processos e formação dos trabalhadores —, mas Stilwell reconhece que uma empresa não resolve um problema que é sistémico e continental.
- A saída exige mudança política e regulatória: acelerar sem abandonar os padrões europeus de qualidade e segurança, tratando a burocracia como o luxo que já não é sustentável.
Há um padrão que Miguel Stilwell, CEO da EDP, reconhece com inquietação: a Europa já foi refém da dependência energética, e hoje repete o mesmo ciclo no domínio digital, desta vez subordinada aos Estados Unidos. O diagnóstico não é de incapacidade, mas de lentidão — uma burocracia que sufoca a inovação enquanto americanos e chineses avançam sem esperar. A questão que se coloca ao continente não é se quer competir, mas se consegue, finalmente, mover-se à velocidade que a era exige.
Miguel Stilwell, presidente executivo da EDP, identifica um padrão preocupante: a Europa, que já enfrentou uma perigosa dependência energética, está agora a repetir o mesmo erro no domínio digital. A subordinação tecnológica aos Estados Unidos é, para Stilwell, tão real e crescente quanto aquela que um dia deixou o continente vulnerável nos mercados de energia.
O problema, no seu diagnóstico, não é falta de talento ou ambição europeia. É burocracia. Regulamentações sobrepostas, processos administrativos intermináveis e estruturas de decisão lentas criam um ambiente onde a inovação avança a passo de caracol — enquanto os EUA e a China se movem sem estas amarras. A distância não para de crescer.
Stilwell defende uma mudança de mentalidade: a Europa tem de acelerar e reduzir o peso burocrático que a imobiliza. Mas faz questão de sublinhar que isso não significa abdicar dos padrões europeus de qualidade, segurança e proteção. O que precisa de mudar é o processo, não os princípios.
A EDP está a tentar dar o exemplo — integrando inteligência artificial nos seus processos internos e preparando os colaboradores para trabalhar com estas ferramentas. Stilwell, que já usa IA nas suas próprias rotinas diárias, sabe, porém, que uma empresa não resolve sozinha um problema continental. A verdadeira mudança terá de vir do nível político e regulatório: uma Europa que decida, de uma vez, que velocidade e qualidade não são incompatíveis.
Miguel Stilwell, presidente executivo da EDP, vê um padrão perigoso a repetir-se na Europa. Há anos o continente enfrentou uma dependência energética que o deixou vulnerável. Agora, diz ele, enfrenta algo igualmente preocupante: uma dependência digital dos Estados Unidos que ameaça a sua autonomia tecnológica e económica.
Stilwell não faz desta uma questão abstrata. Está atento ao ritmo das mudanças — já integrou inteligência artificial nas suas rotinas diárias e está a preparar os colaboradores da EDP para trabalhar com estas novas ferramentas. Mas observa que o esforço feito até agora, tanto por Portugal como pela Europa no seu conjunto, não tem sido suficiente para acompanhar o desenvolvimento americano. A distância entre o continente europeu e os Estados Unidos continua a aumentar, e a China também avança rapidamente. A dependência é real e crescente.
O diagnóstico de Stilwell é claro: não é falta de capacidade ou ambição que trava a Europa. É burocracia. Camadas sucessivas de processos administrativos, regulamentações sobrepostas e estruturas de decisão lentas criam um ambiente onde a inovação se move a passo de caracol comparado com a velocidade dos seus concorrentes. Os EUA e a China não têm este problema — movem-se mais depressa, tomam decisões mais rápido, implementam soluções sem esperar por aprovações de múltiplos níveis.
Para Stilwell, a solução passa por uma mudança de mentalidade. A Europa precisa de acelerar, de ganhar terreno, de reduzir significativamente o peso burocrático que a imobiliza. Mas isto não significa abandonar os princípios que a definem. Stilwell é claro: a exigência europeia — os padrões de qualidade, de segurança, de proteção — não deve ser sacrificada. O que precisa mudar é o processo, não o resultado.
A EDP, sob a sua liderança, está a tentar ser parte da solução. A integração de inteligência artificial nos processos internos e a capacitação dos trabalhadores para estas ferramentas são sinais de que a empresa reconhece que a adaptação não é opcional. É uma questão de sobrevivência competitiva. Mas Stilwell sabe que uma empresa, por grande que seja, não pode resolver sozinha um problema que é sistémico e continental. Precisa de mudança ao nível político e regulatório, de uma Europa que decida, finalmente, que a velocidade é compatível com a qualidade, e que a burocracia é um luxo que já não pode permitir-se.
Bemerkenswerte Zitate
A Europa tem um problema dramático de dependência — primeiro energética, agora digital — e precisa deixar de lado a burocracia para ganhar terreno— Miguel Stilwell, CEO da EDP