Pedidos para proteger invenções disparam 44% em Portugal até julho

Portugal está a proteger mais aquilo que inventa
Os pedidos de patentes de invenção nacionais cresceram 44% nos primeiros sete meses de 2026.
Mark

Porque é que um aumento de 44% em pedidos de patentes importa? Parece um número técnico, isolado.

Mimi

Porque revela confiança. Quando uma empresa ou investigador investe tempo e dinheiro em proteger legalmente uma ideia, está a dizer que acredita que vale a pena. É um indicador de que há inovação a acontecer, e que as pessoas estão dispostas a formalizá-la.

Mark

Mas a região Norte tem 37% dos pedidos. Isso significa que o resto do país está atrasado?

Mimi

Não necessariamente atrasado. Significa que há clusters de inovação mais concentrados. A Grande Lisboa tem 26%, o Centro tem 22%. É uma distribuição, não uma falha. Mas sim, há uma concentração geográfica que vale a pena notar.

Mark

E porque é que os modelos de utilidade caíram 43,9% enquanto as patentes explodem?

Mimi

Essa é a pergunta incómoda. Pode ser que o sistema esteja a ficar mais exigente, ou que haja um atraso no processamento. Ou pode ser que as empresas estejam a optar por proteger invenções mais ambiciosas em vez de pequenas melhorias. Não sabemos ao certo.

Mark

Quanto tempo leva realmente a proteger uma ideia?

Mimi

Pelo menos 21 meses. Passa por várias fases de análise, e outras pessoas podem contestar o pedido. É um processo pensado para ser rigoroso, mas também significa que há um atraso significativo entre a ideia e a proteção formal.

Mark

E se alguém roubar a ideia durante esses 21 meses?

Mimi

Essa é uma vulnerabilidade real do sistema. A proteção só começa quando a patente é concedida. Por isso é que muitas empresas mantêm segredos comerciais enquanto esperam.

  • Portugal registou 851 pedidos de proteção de invenções nacionais até julho de 2026, um crescimento de 44% que não tinha paralelo nos últimos dez anos.
  • A ambição ultrapassa fronteiras: os pedidos de Marcas da União Europeia com origem em Portugal subiram 18,2%, sinalizando que o ecossistema de inovação quer escala europeia.
  • A Universidade de Coimbra lidera os pedidos de patentes nacionais, revelando que a investigação académica está a converter-se em proteção formal com mais frequência.
  • O sistema mostra sinais de pressão: as concessões de modelos de utilidade caíram 43,9%, sugerindo congestionamento ou critérios mais exigentes numa altura em que a procura não para de crescer.
  • Uma patente demora pelo menos 21 meses a ser decidida, e em 2024 foram interpostos 61 recursos contra decisões do INPI — lembrando que proteger uma invenção é um processo longo e disputado.

Num agosto de 2026, os dados do Instituto Nacional da Propriedade Industrial revelaram que Portugal atravessa um momento raro: os pedidos de proteção de invenções nacionais cresceram 44% nos primeiros sete meses do ano, atingindo 851 solicitações — o maior salto numa década. O movimento sugere que criadores, investigadores e empresas portuguesas estão a reconhecer, com crescente maturidade, que uma ideia sem proteção legal é uma ideia vulnerável. A inovação portuguesa não está apenas a acontecer — está a aprender a defender-se.

Os números chegaram do Instituto Nacional da Propriedade Industrial numa terça-feira de agosto e contavam uma história reveladora: Portugal está a proteger mais aquilo que inventa. Nos primeiros sete meses de 2026, o país apresentou 851 pedidos para proteger invenções nacionais — um salto de 44% face ao mesmo período do ano anterior, o crescimento mais acentuado registado numa década.

O apetite por proteção além-fronteiras também acelerou. Os pedidos de Marcas da União Europeia com origem em Portugal cresceram 18,2%, atingindo 1.648 solicitações, e os pedidos internacionais de patente apresentados através do INPI subiram de 44 para 54. Os pedidos de marcas nacionais e outros sinais distintivos cresceram 7,6%, para 14.789. O quadro que emerge é o de um ecossistema de inovação que ganha confiança e procura escala — não apenas em Portugal, mas na Europa e além.

A região Norte lidera com 37% dos pedidos nacionais, seguida da Grande Lisboa com 26% e da região Centro com 22%. A Universidade de Coimbra destaca-se como a entidade com mais pedidos de patentes nacionais, sinal de que a investigação académica se está a traduzir em proteção formal.

Há, porém, um contraponto nos dados. Enquanto os pedidos de invenções nacionais disparam, as concessões de modelos de utilidade — que protegem melhorias técnicas aplicadas a utensílios e mecanismos — caíram 43,9%, para 92 concessões. É um sinal de que o sistema está congestionado ou que os critérios de aprovação se tornaram mais rigorosos, numa altura em que a procura cresce mais depressa do que a capacidade de processar e conceder essas proteções.

Os números chegaram do Instituto Nacional da Propriedade Industrial numa terça-feira de agosto, e contavam uma história simples mas reveladora: Portugal está a proteger mais aquilo que inventa. Nos primeiros sete meses de 2026, o país apresentou 851 pedidos para proteger invenções nacionais — um salto de 44% face ao mesmo período do ano anterior. É o crescimento mais acentuado registado numa década, e sugere que empresas, investigadores e criadores portugueses estão a acordar para a importância de blindar legalmente o seu trabalho.

Mas a história não fica por aqui. Enquanto os pedidos de patentes de invenção disparavam, o apetite por proteção além-fronteiras também acelerava. Os pedidos de Marcas da União Europeia com origem em Portugal cresceram 18,2%, atingindo 1.648 solicitações. Os pedidos internacionais de patente apresentados através do INPI subiram de 44 para 54. Simultaneamente, os pedidos de marcas nacionais e outros sinais distintivos do comércio cresceram 7,6%, para um total de 14.789. O quadro que emerge é o de um ecossistema de inovação que está a ganhar confiança e a procurar escala — não apenas em Portugal, mas na Europa e além.

O INPI, tutelado pelo Ministério da Justiça, é o guardião deste processo. A instituição regista e protege direitos de propriedade industrial sobre marcas, patentes e designs, garantindo que a legislação nacional e internacional são respeitadas durante a atribuição desses direitos. Os números que publica revelam tendências mais profundas sobre onde a inovação está a acontecer no país. A região Norte lidera com 37% dos pedidos nacionais, seguida da Grande Lisboa com 26% e da região Centro com 22%. A Universidade de Coimbra destaca-se como a entidade que apresentou mais pedidos de patentes nacionais — um sinal de que a investigação académica está a traduzir-se em proteção formal.

O processo de proteção, porém, não é rápido. Um pedido de patente demora pelo menos 21 meses a chegar a uma decisão, passando por várias fases de análise e por um período em que terceiros podem apresentar oposição. É um caminho longo, mas necessário. Uma patente concedida confere ao titular o direito de impedir terceiros de produzir, utilizar ou comercializar a invenção protegida sem autorização. Em caso de conflito, a questão pode chegar ao Tribunal da Propriedade Intelectual — em 2024, foram interpostos 61 recursos contra decisões do INPI.

Há, porém, um contraponto nos dados. Enquanto os pedidos de invenções nacionais explodem, as concessões de modelos de utilidade — que protegem melhorias técnicas aplicadas a utensílios, ferramentas ou mecanismos — caíram 43,9%. Foram concedidas 92 invenções nos primeiros sete meses de 2026, contra 164 no mesmo período de 2025. É um sinal de que o sistema está congestionado ou que os critérios de aprovação se tornaram mais rigorosos. Os números de 2025 já marcavam o valor mais elevado da última década em pedidos nacionais de patentes de invenção, sugerindo que a procura por proteção continua a crescer mais depressa do que a capacidade do sistema em processar e conceder essas proteções.

A proteção conferida por uma patente permite ao titular impedir terceiros de produzir, utilizar ou comercializar a invenção protegida sem autorização
— Instituto Nacional da Propriedade Industrial
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