Paralimpíadas de Paris: guia completo sobre os Jogos e participação brasileira

Pela primeira vez, uma cerimônia paralímpica acontecerá fora de um estádio
Paris marca momento histórico ao levar a abertura dos Jogos pelas ruas da cidade, entre Champs-Elysées e Place de la Concorde.
Mark

Por que a cerimônia de abertura fora do estádio é tão importante?

Mimi

É a primeira vez na história que isso acontece. Normalmente tudo é concentrado em um lugar, mas Paris está levando os atletas pelas ruas, pelos marcos da cidade. Muda completamente a relação entre os Jogos e a população.

Luke

Mas quantas pessoas realmente vão ver? Os organizadores estimam 50 mil, mas é uma estimativa. Não sabemos se vai ser 30 mil ou 80 mil.

Mark

E quanto à delegação brasileira — 280 atletas é realmente um recorde?

Mimi

É o maior que o Brasil já mandou para fora do Brasil. Só fica atrás do Rio 2016, quando tínhamos 278 atletas e éramos o país-sede, então tinha mais recursos.

Luke

Mas é importante notar: o Brasil não vai em duas modalidades. Não é participação total. E 45% de mulheres — é um avanço, mas ainda significa que 55% são homens.

Mark

Como funciona a participação de atletas russos e bielorrussos?

Mimi

Eles competem como neutros. Sem bandeira, sem cores nacionais, sem aparecer no quadro de medalhas. Se ganharem ouro, toca o hino paralímpico em vez do hino do país.

Luke

Todos foram examinados para garantir que não apoiaram a guerra na Ucrânia. Mas é um critério que só sabemos que foi aplicado porque nos disseram. Não há transparência sobre como exatamente essa avaliação foi feita.

Mark

Qual é o significado histórico de ter 168 delegações?

Mimi

É um recorde. Mostra que o movimento paralímpico está crescendo, mais países estão participando. Três países estreiam agora.

Luke

Mas ainda é menos que as Olimpíadas, que tiveram 207 delegações. E o número de atletas em Paris — 4.400 — é praticamente o mesmo de Tóquio 2020, que teve 4.393. Então o crescimento é mais em quantidade de países, não necessariamente em atletas por país.

Mark

Como os Jogos Paralímpicos começaram?

Mimi

Um médico britânico, Ludwig Guttman, começou a usar esporte para reabilitar veteranos de guerra com lesões na coluna. Em 1948 fez uma competição pequena, e virou os Jogos Paralímpicos oficiais em 1960 em Roma.

Luke

É uma história bonita, mas importante lembrar que começou como reabilitação, não como celebração do esporte paralímpico em si. A evolução foi longa.

  • 4.400 atletas de 168 delegações competem em 22 modalidades
  • Brasil envia 280 atletas, sendo 45% mulheres, em 20 das 22 modalidades
  • Cerimônia de abertura em 28 de agosto, primeira paralímpica fora de estádio
  • 549 medalhas de ouro em disputa
  • Três países estreiam: Eritreia, Quiribati e Kosovo

As Paralimpíadas de Paris começam com cerimônia de abertura inovadora fora do estádio, com desfile popular pelos marcos icônicos da cidade entre Champs-Elysées e Place de la Concorde. O Brasil envia recorde de 280 atletas, sendo 45% mulheres, competindo em 20 das 22 modalidades paralímpicas disponíveis nos Jogos.

Paris sedia as Paralimpíadas a partir de 28 de agosto com 4.400 atletas de 168 delegações em 22 modalidades. O Brasil participa com 280 atletas em 20 esportes, sua maior delegação fora do Brasil.

Paris está prestes a receber seu segundo evento paralímpico da história. Depois que a capital francesa encerrou as Olimpíadas em 11 de agosto, a cidade se prepara agora para abrir as portas a atletas de todo o mundo a partir de 28 de agosto, quando acontece a cerimônia de abertura. A França já havia sediado Jogos Paralímpicos antes — em 1992, na região da Savoia, com Albertville como cidade principal — mas o que se aproxima promete ser diferente em escala e formato.

Cerca de 4.400 atletas de 168 delegações diferentes chegarão a Paris para competir em 22 modalidades. É um recorde de participação: nunca tantas nações haviam enviado representantes a uma Paralimpíada. Três países — Eritreia, Quiribati e Kosovo — estarão competindo pela primeira vez em Jogos Paralímpicos. Atletas da Rússia e Belarus também participarão, mas como neutros, usando uniformes sem cores, bandeiras ou símbolos nacionais, e não aparecerão no quadro de medalhas nem nas cerimônias de abertura e encerramento. Caso um atleta neutro vença, o hino paralímpico será tocado em seu lugar. Todos os competidores neutros foram examinados independentemente para garantir que não apoiaram a guerra na Ucrânia e não são contratados pelo exército.

O Brasil chega a Paris com uma delegação de 280 atletas — a maior que o país já enviou para fora de seu território, ficando atrás apenas dos 278 atletas que competiram no Rio 2016, quando o Brasil era o país-sede. Desses 280, 255 são esportistas com deficiência, 19 são atletas-guia (18 do atletismo e um do triatlo), três são calheiros da bocha, dois são goleiros do futebol de cegos e um é timoneiro do remo. Um detalhe marca essa delegação: 45% dos atletas são mulheres, o maior percentual de mulheres que o Brasil jamais convocou para uma Paralimpíada. A equipe brasileira disputará 20 das 22 modalidades — as únicas ausências serão basquete em cadeira de rodas e rúgbi em cadeira de rodas. Ao longo de 11 edições de Jogos Paralímpicos, o Brasil acumulou 373 medalhas: 109 de ouro, 132 de prata e 132 de bronze.

A cerimônia de abertura marca um ponto de virada histórico. Pela primeira vez, uma cerimônia paralímpica acontecerá fora de um estádio. Em vez de se concentrar em um único local, os atletas participarão de um desfile popular que percorrerá alguns dos marcos mais icônicos de Paris, viajando entre os Champs-Elysées e a Place de la Concorde. Espectadores poderão assistir gratuitamente ao longo da rota antes do desfile oficial; aqueles que comprarem ingressos poderão ver as formalidades na Place de la Concorde. Os organizadores estimam que cerca de 50 mil pessoas assistirão ao evento. A cerimônia contará com a mistura tradicional de música e movimento, mas com artistas com deficiência como protagonistas do show.

Os locais de competição aproveitam a infraestrutura olímpica já construída. O Stade de France sediará o atletismo, a La Defense Arena receberá a natação, e Roland Garros será o palco do tênis em cadeira de rodas. Os jardins do Chateau de Versailles abrigarão os eventos paraequestres. O Grand Palais, normalmente dedicado a arte e esporte, sediará esgrima em cadeira de rodas e para-taekwondo. Uma competição de futebol para cegos acontecerá em um estádio especialmente construído aos pés da Torre Eiffel. Os paratriatletas competirão no centro de Paris, com a natação prevista para o Rio Sena.

No primeiro dia de competições, quinta-feira 29 de agosto, 22 medalhas de ouro já serão decididas. O último dia, domingo 8 de setembro, contará com disputas de basquete em cadeira de rodas, levantamento de peso paralímpico, paracanoagem e maratonas em cadeira de rodas, além da cerimônia de encerramento no Stade de France. Um total de 549 medalhas de ouro estará em disputa ao longo dos Jogos.

No Brasil, a transmissão será possível pelo canal do Comitê Paralímpico Internacional no YouTube e também pelo Sportv2. A volta dos Jogos Paralímpicos com público marca um retorno importante: os Jogos de Tóquio, remarcados para 2021, foram realizados a portas fechadas. Paris traz de volta a energia das multidões que caracteriza esses eventos.

A história dos Jogos Paralímpicos remonta a mais de uma década antes da primeira edição oficial. Sir Ludwig Guttman, neurologista britânico, começou a usar o esporte como ferramenta de reabilitação para veteranos da Segunda Guerra Mundial com lesões na coluna vertebral no Hospital Stoke Mandeville em Aylesbury. Em 1948, ele organizou uma competição entre hospitais para coincidir com as Olimpíadas de Londres. A ideia se expandiu pela Grã-Bretanha na década seguinte, e em 1960, 400 atletas em cadeira de rodas de 23 países viajaram a Roma para competir em 57 eventos de medalhas em oito esportes, marcando o que é hoje considerado os primeiros Jogos Paralímpicos oficiais.

Jamais uma delegação brasileira teve tanta atleta mulher convocada como agora, representando 45% do total de atletas
— Dados da delegação brasileira
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