A Paraíba encerrou 2025 com uma contradição que os números sozinhos não resolvem: os casos de dengue caíram pela metade, mas nove pessoas morreram pela doença — um lembrete de que estatísticas de melhora coexistem com perdas irreparáveis. O estado registrou quase nove mil casos prováveis de arboviroses ao longo do ano, incluindo chikungunya, zika e oropouche, enquanto autoridades de saúde alertam que a redução na incidência não deve ser confundida com o fim da ameaça. A vigilância coletiva e o reconhecimento precoce dos sintomas permanecem como as únicas respostas à altura de um problema que s
Paraíba registra queda de 48% em casos de dengue em 2025, mas confirma 9 mortes
Nove mortes em um ano de queda de 48% nos casos
Como a Paraíba conseguiu reduzir os casos de dengue em 48% de um ano para o outro? Isso é resultado de uma intervenção específica?
O balanço da secretaria de saúde não detalha as medidas específicas que levaram à queda. Sabemos que houve redução, mas os mecanismos exatos — se foi intensificação de campanhas, melhoria no controle de vetores, ou simplesmente variação natural do ciclo da doença — não estão explícitos no relatório.
Exatamente. E há outro ponto: essa redução de 48% é em relação a 2024, que foi um ano de pico com aumento de 100% comparado a 2023. Então estamos voltando a níveis anteriores, não necessariamente a um novo patamar de controle.
Mas nove mortes confirmadas ainda é um número significativo. Como isso se compara historicamente?
O relatório não oferece comparação direta com mortes em 2024 ou anos anteriores. Sabemos que houve nove óbitos por dengue em 2025 e duas por chikungunya, mas sem contexto histórico é difícil avaliar se isso representa melhoria ou piora na letalidade.
Isso é um vazio importante. Você pode ter redução de casos mas aumento de mortalidade relativa — ou seja, uma proporção maior de infectados morrendo. O documento não permite essa análise.
A técnica da vigilância fala muito sobre sintomas de alerta. Isso sugere que algumas mortes poderiam ter sido evitadas com atendimento mais rápido?
Ela enfatiza dor abdominal como sinal crítico e reforça a importância de procurar o serviço de saúde imediatamente. Há uma sugestão implícita de que o reconhecimento precoce reduz complicações, mas ela não afirma explicitamente que as nove mortes foram resultado de atraso no atendimento.
Certo. Ela está falando sobre prevenção de futuras mortes, não explicando as que já ocorreram. Não sabemos se esses nove óbitos aconteceram em pessoas que chegaram tarde ao hospital, que tiveram acesso limitado, ou se foram casos particularmente agressivos. Isso permanece sem resposta.
E quanto ao oropouche? 651 casos é muito?
É uma doença menos frequente na Paraíba comparada à dengue e chikungunya. Mas o documento não oferece contexto histórico para essa doença especificamente, então não dá para dizer se 651 é um aumento preocupante ou um número esperado.
Exatamente. Oropouche é emergente em algumas regiões do Brasil, mas aqui não temos série histórica. É um dado solto sem interpretação possível.
El Pulso
- Apesar de uma queda de 48% nos casos de dengue, a Paraíba confirmou nove mortes em 2025 — cinco só em João Pessoa —, revelando que a doença ainda mata mesmo quando recua.
- A chikungunya somou 567 casos e duas mortes, enquanto 651 registros de oropouche acrescentam uma camada de alerta a um cenário que vai além da dengue.
- Técnicos da Secretaria de Saúde advertem que a sensação de alívio pode ser perigosa: sintomas como febre, dor abdominal e manchas no corpo exigem atenção imediata e não devem ser ignorados.
- A eliminação de focos de água parada segue como medida central, e especialistas alertam que os ganhos de 2025 podem se reverter rapidamente sem ação coletiva contínua.
A Paraíba encerrou 2025 com uma contradição que os números sozinhos não resolvem: os casos de dengue caíram pela metade, mas nove pessoas morreram pela doença — um lembrete de que estatísticas de melhora coexistem com perdas irreparáveis. O estado registrou quase nove mil casos prováveis de arboviroses ao longo do ano, incluindo chikungunya, zika e oropouche, enquanto autoridades de saúde alertam que a redução na incidência não deve ser confundida com o fim da ameaça. A vigilância coletiva e o reconhecimento precoce dos sintomas permanecem como as únicas respostas à altura de um problema que se renova a cada estação.
A Paraíba fechou 2025 com um resultado que mistura avanço e luto. Os casos de dengue caíram 48% em relação a 2024 — quando o estado havia notificado 14.789 casos prováveis —, mas nove mortes pela doença foram confirmadas, cinco delas em João Pessoa e uma cada em Campina Grande, Solânea, Tavares e São Domingos do Cariri. A chikungunya também deixou vítimas fatais: duas mortes em Campina Grande e Prata.
No total, o estado registrou 8.963 casos prováveis de arboviroses, incluindo 567 de chikungunya, 20 de zika e 651 de oropouche — este último representando uma preocupação adicional por sua presença crescente. A queda na dengue inverte uma trajetória que havia dobrado entre 2023 e 2024, mas não elimina a pressão sobre o sistema de saúde.
Carla Jaciara, técnica da Vigilância das Arboviroses da SES-PB, alertou que a redução nos números não deve gerar complacência. Reconhecer sinais precoces — febre, náuseas, dor abdominal, manchas no corpo — e buscar atendimento médico sem demora são passos essenciais para evitar que casos simples evoluam para formas graves. A eliminação permanente de focos de água parada, ela reforçou, continua sendo a principal arma preventiva disponível à população.
O desafio que permanece é duplo: manter a queda na incidência e reduzir a mortalidade. As nove mortes por dengue em um ano de menos casos sugerem que o acesso oportuno ao cuidado — ou a evolução silenciosa da doença — ainda cobra um preço que as estatísticas de melhora não conseguem apagar.
A Paraíba encerrou 2025 com um resultado contraditório nas arboviroses: enquanto os casos de dengue caíram pela metade em relação ao ano anterior, o estado confirmou nove mortes pela doença, um custo humano que não desaparece nas estatísticas de redução percentual.
O balanço da Secretaria de Estado da Saúde aponta 8.963 casos prováveis de arboviroses no total durante o ano. Desses, a dengue respondeu pela maioria, mas com números significativamente menores do que em 2024. Além da dengue, a Paraíba registrou 567 casos de chikungunya, 20 de zika e 651 de oropouche. As mortes, porém, não acompanharam a queda de incidência: nove óbitos por dengue foram confirmados, cinco deles concentrados em João Pessoa. Os municípios de Campina Grande, Solânea, Tavares e São Domingos do Cariri registraram uma morte cada. A chikungunya também deixou seu rastro letal, com duas mortes confirmadas em Campina Grande e Prata.
Para entender a magnitude dessa redução, é preciso olhar para trás. Em 2024, entre janeiro e 28 de dezembro, a Paraíba havia notificado 14.789 casos prováveis de dengue, um número que representava um aumento de cerca de 100% comparado aos 7.208 casos do mesmo período em 2023. A queda de 48% em 2025 marca uma inversão dessa trajetória ascendente, ainda que o estado tenha permanecido sob pressão das arboviroses.
Carla Jaciara, técnica responsável pela Vigilância das Arboviroses da SES-PB, enfatizou que a redução de casos não deve levar a população a baixar a guarda. Ela destacou a importância crítica de reconhecer os sinais de alerta precoces — febre, dor de cabeça, náuseas, manchas pelo corpo — e, especialmente, dor abdominal, que pode indicar complicações graves. Segundo ela, procurar atendimento médico assim que esses sintomas aparecem é fundamental para evitar que os casos evoluam para formas mais severas da doença.
A eliminação contínua de focos de água parada permanece como a medida preventiva central. Jaciara reforçou que a população precisa manter essa vigilância constante, já que os mosquitos vetores das arboviroses dependem de água acumulada para reprodução. Sem essa ação coletiva e permanente, os ganhos obtidos em 2025 podem se reverter rapidamente.
Os números de outras arboviroses também mostram movimento. A chikungunya, que havia aumentado 18% entre 2023 e 2024 (passando de 1.449 para 1.711 casos), agora integra um cenário mais complexo em 2025. A zika, por sua vez, apresentou redução de 18% entre 2023 e 2024, caindo de 118 para 97 casos, e até o momento não registrou óbitos. O surgimento de 651 casos de oropouche em 2025 adiciona uma camada de preocupação, ainda que essa doença seja menos frequente no estado.
O desafio agora é sustentar a redução de incidência enquanto se reduz também a mortalidade. As nove mortes por dengue em 2025, embora em contexto de casos menores, indicam que nem todos os infectados recebem atendimento oportuno ou que algumas formas da doença continuam evoluindo para complicações fatais mesmo com acesso ao sistema de saúde. A vigilância epidemiológica segue como prioridade, assim como a educação contínua sobre sintomas de alerta e a importância de não postergar a busca por atendimento.
Citas Notables
É de extrema importância que a população esteja sempre atenta aos sinais de alerta e de gravidade, como febre, dor de cabeça, náuseas, manchas pelo corpo e, especialmente, dor abdominal, que é um sinal de alerta importante— Carla Jaciara, técnica responsável pela Vigilância das Arboviroses da SES-PB