Em uma estrada do Paraná, quatro homens partiram para cobrar uma dívida e nunca voltaram. Mais de um ano depois, a família Buscariollo — pai e três filhos — foi presa, acusada de transformar uma negociação financeira em emboscada fatal. O caso revela como obrigações não cumpridas podem escalar, em silêncio, até o ponto de nenhum retorno, e como a justiça, ainda que tardia, persiste em fechar seus círculos.
Pai e três filhos são presos um ano após morte de cobradores de dívida no Paraná
Pai e filho tentaram empreender fuga e foram capturados em meio à mata
Por que levou um ano inteiro para encontrá-los?
A polícia precisava fazer levantamentos de inteligência e monitoramento. Eles estavam na lista vermelha da Interpol, o que significa que havia circulação internacional de seus nomes. Mas encontrá-los fisicamente, em um sítio na zona rural, exigiu paciência e trabalho investigativo.
A dívida de 255 mil reais justificaria uma emboscada?
Não é sobre justificar. É sobre entender o que a polícia acredita ter acontecido: quatro homens chegaram para cobrar, as negociações falharam, e em vez de deixá-los ir, os Buscariollo os mataram. O valor da dívida é o pano de fundo, não a explicação.
Por que a defesa diz que Carlos Henrique não estava lá?
Porque se ele não estava na cidade, ele não poderia ter participado da emboscada. A defesa promete provas disso. É uma estratégia comum: separar os acusados, mostrar que nem todos estavam envolvidos da mesma forma.
E os outros dois filhos? Qual é o papel deles?
Carlos Eduardo já estava preso por outros crimes. Paulo, o filho que estava foragido com o pai, é um dos principais suspeitos desde o início. Mas os detalhes específicos de quem fez o quê ainda não estão claros publicamente.
Como quatro corpos ficam escondidos por mais de um mês?
Enterrados em um bunker. É uma propriedade rural, isolada. Ninguém sabia que estavam lá até a polícia encontrar. As famílias só sabiam que haviam desaparecido.
O Pulso
- Quatro cobradores desapareceram em agosto de 2025 após tentar recuperar R$ 255 mil em notas promissórias não pagas — e seus corpos só foram encontrados enterrados em um bunker semanas depois.
- Antônio Buscariollo e seu filho Paulo Ricardo passaram mais de um ano foragidos, com nomes na lista vermelha da Interpol, escondidos em um sítio rural no interior de São Paulo.
- A operação de inteligência da Polícia Civil do Paraná culminou na captura simultânea de quatro membros da família em cidades diferentes, encerrando uma fuga que atravessou estados.
- A defesa contesta a participação de Carlos Henrique, alegando que ele não estava na cidade durante os crimes e prometendo apresentar provas na audiência de custódia.
- A polícia suspeita que o círculo de envolvidos seja maior do que os quatro presos, mantendo a investigação aberta enquanto as famílias das vítimas aguardam respostas completas.
Em uma estrada do Paraná, quatro homens partiram para cobrar uma dívida e nunca voltaram. Mais de um ano depois, a família Buscariollo — pai e três filhos — foi presa, acusada de transformar uma negociação financeira em emboscada fatal. O caso revela como obrigações não cumpridas podem escalar, em silêncio, até o ponto de nenhum retorno, e como a justiça, ainda que tardia, persiste em fechar seus círculos.
Um ano após o desaparecimento de quatro homens em uma estrada do Paraná, a polícia prendeu Antônio Buscariollo e três de seus filhos, suspeitos de envolvimento nos homicídios. Antônio e Paulo Ricardo, que estavam na lista vermelha da Interpol, foram capturados em um sítio rural em Rio das Pedras, interior de São Paulo, após tentarem fugir pela mata. No mesmo dia, Carlos Henrique foi preso em Santa Bárbara do Oeste, e Carlos Eduardo já se encontrava detido em São Bernardo do Campo por outros crimes.
Tudo começou em agosto de 2025, quando Robishley, Rafael, Diego e Alencar viajaram para Icaraíma, no noroeste do Paraná, para cobrar uma dívida de R$ 255 mil dividida em dez notas promissórias — nenhuma delas quitada. Em troca, receberiam metade do valor recuperado. No dia 4, encontraram os Buscariollo no distrito de Vila Rica; houve tentativa de oferecer um imóvel como pagamento, mas as negociações fracassaram. Na manhã do dia 5, os quatro foram vistos pela última vez em uma padaria. Ao meio-dia, falaram com familiares. A polícia acredita que foram mortos em emboscada ao retornar à propriedade rural dos suspeitos.
Os corpos foram encontrados enterrados em um bunker após mais de um mês de buscas intensas, iniciadas quando a esposa de Robishley registrou o desaparecimento. A investigação apontou Carlos Henrique como administrador da dívida e suposto mandante dos crimes. Sua defesa, no entanto, afirma ter provas de que ele não estava na cidade na época e aguarda a audiência de custódia para apresentá-las. Antônio, de 67 anos, dono de um pesqueiro em Icaraíma e ex-candidato a vereador, responde também por antecedentes de posse ilegal de arma. A polícia investiga se outras pessoas participaram do crime.
Um ano depois que quatro homens desapareceram em uma estrada do Paraná, a polícia finalmente fechou o cerco. Na terça-feira 18 de agosto, Antônio Buscariollo e seu filho Paulo Ricardo foram encontrados em um sítio na zona rural de Rio das Pedras, em São Paulo, onde estavam escondidos desde que fugiram das investigações. Os dois tinham seus nomes na lista vermelha da Interpol. No mesmo dia, outros dois filhos de Antônio — Carlos Henrique e Carlos Eduardo — também foram presos. Todos são suspeitos de envolvimento nas mortes de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza.
O que levou esses quatro homens à morte começou com uma dívida. No dia 4 de agosto de 2025, Robishley, Rafael e Diego saíram de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, rumo a Icaraíma, no noroeste do Paraná. Seu objetivo era encontrar Alencar, que já estava lá, e cobrar 255 mil reais que a família Buscariollo devia. O débito havia sido dividido em dez notas promissórias de 25 mil reais cada uma, mas nenhuma parcela foi paga. Se conseguissem recuperar o dinheiro, os cobradores receberiam metade do valor arrecadado.
No mesmo dia 4 de agosto, todos os quatro foram até o distrito de Vila Rica para o primeiro contato com Antônio e Paulo Buscariollo. A polícia descobriu que os Buscariollo tentaram oferecer uma casa na área urbana como forma de resolver a questão, mas as negociações não avançaram. No dia seguinte, 5 de agosto, uma câmera de segurança de uma padaria em Icaraíma registrou os quatro homens pela última vez com vida, na manhã daquele dia. Por volta do meio-dia, eles conversaram com familiares pela última vez. A polícia acredita que foram mortos em uma emboscada quando retornaram à propriedade rural dos suspeitos, por volta das 12h30.
No dia 6 de agosto, a esposa de Robishley procurou a polícia de São Paulo para registrar o desaparecimento do marido e dos amigos. O que começou como um caso de pessoas desaparecidas se transformou em investigação de homicídio. Os corpos foram encontrados enterrados em um bunker após mais de um mês de buscas intensas.
A captura de Antônio e Paulo ocorreu após operação de inteligência da Polícia Civil do Paraná. Segundo o delegado Thiago Teixeira, os foragidos foram localizados através de diversos levantamentos e monitoramento. Durante a ação em Rio das Pedras, pai e filho tentaram fugir pela mata, mas foram capturados. Carlos Henrique foi encontrado em Santa Bárbara do Oeste, também em São Paulo. A polícia o aponta como a pessoa que administrava a dívida e como mandante dos quatro homicídios. Carlos Eduardo, o quarto filho preso, já estava detido em São Bernardo do Campo desde a operação Dry Fall, respondendo por crimes de tráfico e associação criminosa.
Antônio Buscariollo, aos 67 anos, tem antecedentes criminais por posse ilegal de arma de fogo. Ele e a família eram donos de um pesqueiro em Icaraíma. Curiosamente, Antônio foi candidato a vereador nas eleições municipais de 2024 pelo PSD. A defesa dos suspeitos, representada pelo advogado Renan Farah, afirma que ainda não teve acesso integral ao processo e que possui provas de que Carlos Henrique não estava na cidade na época dos crimes. A defesa aguarda a audiência de custódia para apresentar essas evidências. A polícia, por sua vez, acredita que mais pessoas podem estar envolvidas no crime, embora os nomes não tenham sido divulgados. O caso segue em investigação, com os suspeitos agora enfrentando audiências de custódia para que o Poder Judiciário analise a legalidade de suas prisões.
Citações Notáveis
Com a identificação de seu paradeiro, realizamos o monitoramento e planejamos o melhor momento para a captura— Delegado Thiago Teixeira, Polícia Civil do Paraná
Carlos Henrique sequer se encontrava na cidade na época dos fatos criminosos que estão sendo imputados à família— Advogado Renan Farah, defesa dos suspeitos