Casal condenado por tortura reconstrói vida em Portugal antes de ser preso

24 ex-internos da clínica sofreram agressões físicas, castigos psicológicos, ingestão forçada de medicamentos e violência sexual durante internação para tratamento de dependência química.
Reconstruíram vidas públicas enquanto fugiam de condenações por tortura
O casal viveu dez anos em Portugal como profissionais respeitados antes de ser preso pela Interpol.
Mark

Como duas pessoas condenadas por tortura conseguiram sair do Brasil legalmente em 2017?

Mimi

A Justiça brasileira negou os pedidos de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público no início das investigações. Sem uma ordem de prisão, eles puderam deixar o país de forma legal. A condenação só veio depois, em 2026.

Mark

E durante dez anos em Portugal, ninguém os procurou?

Mimi

Tecnicamente não eram foragidos até a sentença transitar em julgado. Viveram vidas públicas — ele era psicólogo em escola, membro de uma ordem profissional, competia em torneios. Ela era instrutora de zumba conhecida. Estavam integrados.

Mark

Como a Interpol os encontrou?

Mimi

Quando a condenação se tornou definitiva em junho, os mandados de prisão foram expedidos e seus nomes entraram na Difusão Vermelha. Portugal cooperou com a Interpol e os deteve em julho.

Mark

E agora?

Mimi

O Ministério Público pediu a extradição para que cumpram a pena no Brasil. A esposa de Djalma tentou impedir isso com um pedido de asilo, mas o processo segue.

  • Vinte e quatro ex-internos sofreram agressões físicas, castigos psicológicos, ingestão forçada de medicamentos e violência sexual em uma clínica de reabilitação em Ribeirão Preto — feridas que aguardaram quase uma década por resposta judicial definitiva.
  • O casal deixou o Brasil legalmente em 2017, amparado pela negativa judicial de prisão preventiva, e reconstruiu identidades respeitáveis em Portugal enquanto o processo corria no país de origem.
  • A sentença condenatória transitou em julgado em junho de 2026, transformando de imediato os dois em foragidos internacionais e acionando a Difusão Vermelha da Interpol.
  • Djalma foi preso na Amadora em 9 de julho; Marluci, nos Açores em 17 de julho — ambos detidos nas comunidades onde haviam construído novas vidas.
  • O Ministério Público de Ribeirão Preto formalizou o pedido de extradição, e a defesa de ambos optou pelo silêncio diante das prisões e da condenação.

Por quase uma década, um casal condenado por torturar pacientes vulneráveis em uma clínica brasileira viveu integrado à sociedade portuguesa — ele como psicólogo escolar, ela como professora de zumba — enquanto a Justiça do Brasil ainda não havia encerrado seu caminho legal. Quando a sentença de 17 anos e meio finalmente transitou em julgado em junho de 2026, a Interpol os localizou e prendeu em solo português em julho. O caso levanta questões duradouras sobre os limites entre fuga e recomeço, e sobre o que significa responsabilidade quando a lei demora a alcançar quem ela condena.

Djalma Antônio Henares Júnior e Marluci Cabrera Bellini Henares foram presos em Portugal em julho de 2026, quase dez anos depois de deixarem o Brasil. Condenados a 17 anos e seis meses de prisão por torturar 24 internos em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto, o casal havia se mudado legalmente para os Açores em fevereiro de 2017, quando a Justiça brasileira negou pedidos de prisão preventiva e não os impediu de sair do país.

Em Portugal, reconstruíram suas vidas com notável integração. Djalma tornou-se membro efetivo da Ordem dos Psicólogos de Portugal, atuou em uma escola na região de Lisboa, publicou livros voltados a jovens e chegou a vencer um torneio internacional de jiu-jitsu em 2019. Marluci, ex-advogada no Brasil, reinventou-se como instrutora de zumba na ilha de São Miguel, tornando-se figura popular na comunidade local. Mesmo após a separação do casal, ambos permaneceram em território português.

A virada ocorreu em junho de 2026, quando a sentença condenatória transitou em julgado. Com os mandados de prisão definitiva expedidos, os dois foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. Djalma foi detido na Amadora no dia 9 de julho; Marluci, uma semana depois, nos Açores. A esposa de Djalma chegou a pedir asilo para tentar barrar a extradição, invocando seus laços familiares e integração à sociedade portuguesa.

Os crimes que motivaram a condenação incluíam agressões físicas com pedaços de madeira, castigos psicológicos, administração forçada de medicamentos e violência sexual contra os internos. O Ministério Público de Ribeirão Preto formalizou o pedido de extradição para que ambos cumpram a pena no Brasil. As defesas optaram por não se manifestar.

Djalma Antônio Henares Júnior tinha 56 anos quando a polícia portuguesa o deteve em julho deste ano na Amadora, região de Lisboa. Sua companheira, Marluci Cabrera Bellini Henares, 49 anos, foi presa dias depois na ilha de São Miguel, nos Açores. Ambos haviam desaparecido da vida brasileira quase uma década antes, fugindo para Portugal após serem condenados por torturar pacientes em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo.

O casal havia se mudado legalmente para a região autônoma dos Açores em fevereiro de 2017, logo no início das investigações que os acusavam de crimes contra 24 ex-internos. Na época, a Justiça brasileira havia negado pedidos de prisão preventiva feitos pelo Ministério Público, permitindo que saíssem do país sem serem considerados foragidos. Durante quase dez anos, reconstruíram suas vidas em solo português, criando laços profissionais e pessoais que os integraram à comunidade local. Depois de um tempo, se separaram, mas ambos permaneceram no país.

Djalma se estabeleceu como psicólogo em uma escola na região de Lisboa, conquistando uma posição respeitada na comunidade escolar. Tornou-se membro efetivo da Ordem dos Psicólogos de Portugal, publicou livros de aconselhamento para jovens e se dedicou ao jiu-jitsu, chegando a vencer um torneio internacional em 2019 representando o município do Nordeste, nos Açores, onde residia. Constituiu uma nova família em Portugal, e sua esposa chegou a ingressar com um pedido de asilo para tentar impedir sua extradição, argumentando seus laços familiares e integração na sociedade portuguesa.

Marluci, que havia sido advogada no Brasil com registro ativo na seccional de São Paulo, tornou-se uma figura popular nos Açores como instrutora de zumba. Viveu por anos na ilha de São Miguel, onde desenvolveu uma presença marcante como professora de dança. Manteve um endereço registrado em Parede, um distrito de Lisboa, mas sua vida se concentrou na região autônoma.

A situação mudou drasticamente em junho de 2026, quando a sentença que os condenava a 17 anos e seis meses de prisão em regime fechado transitou em julgado. Com a expedição dos mandados de prisão definitiva, seus nomes foram incluídos na Difusão Vermelha da Interpol. Djalma foi detido no dia 9 de julho na Amadora; Marluci, uma semana depois, em 17 de julho, na ilha onde havia construído sua vida.

Os crimes pelos quais foram condenados envolveram agressões físicas contra os internos com pedaços de madeira, castigos psicológicos, ingestão forçada de medicamentos e violência sexual. Vinte e quatro ex-internos da clínica relataram essas torturas durante o processo. O Ministério Público de Ribeirão Preto formalizou o pedido de extradição para que cumpram a pena no Brasil. As defesas de ambos informaram que não irão se manifestar sobre as prisões ou a condenação.

As defesas de ambos informaram que não irão se manifestar sobre as prisões ou a condenação
— Defesas do casal
Want the full story? Read the original at G1 ↗
Contact Us FAQ