No limiar de uma nova era para a saúde pública brasileira, a farmacêutica EMS lança a Ozivy — a primeira caneta de semaglutida fabricada em solo nacional —, tornando acessível um princípio ativo que até então chegava ao país apenas pelas mãos de um único laboratório estrangeiro. Com a expiração da patente da Novo Nordisk em março e a aprovação da Anvisa em maio, abre-se uma janela histórica para que milhões de brasileiros com diabetes tipo 2 e obesidade possam, talvez pela primeira vez, enxergar o tratamento como algo ao alcance. A chegada de um novo fabricante não resolve sozinha a equação da
Ozivy, caneta de semaglutida da EMS, chega às farmácias na segunda-feira
A concorrência pode finalmente tornar esses tratamentos acessíveis
Por que a Ozivy é considerada um medicamento novo e não um genérico, se contém o mesmo princípio ativo?
Porque foi produzida por síntese química, não por DNA recombinante. A Anvisa classifica como novo quando o método de fabricação é fundamentalmente diferente, mesmo que o resultado final seja o mesmo.
Qual é a vantagem prática dessa diferença de produção para o paciente?
Teoricamente, nenhuma — ambas as formas funcionam. Mas a comunidade médica ainda está observando se há variações na resposta individual. Por isso os médicos insistem em avaliar caso a caso.
Se a Ozivy custa R$ 452 e o programa de desconto reduz para R$ 287 mensais, isso é realmente acessível para a maioria?
Ainda não. R$ 287 por mês é significativo para muitas pessoas. O otimismo dos especialistas é que a concorrência vai empurrar os preços ainda mais para baixo nos próximos meses.
O que muda no mercado agora que a patente expirou?
Abre espaço para outros fabricantes produzirem semaglutida. A EMS foi a primeira a chegar, mas não será a última. Quanto mais opções, mais pressão nos preços.
Por que o Espírito Santo foi incluído na primeira onda de distribuição?
Não está claro no anúncio. Pode ser logística, demanda regional ou parceria com redes locais. A Rede Pague Menos já relata interesse dos consumidores aqui.
Qual é o risco de ampliar o acesso sem acompanhamento médico adequado?
A semaglutida é potente — reduz apetite, muda metabolismo. Sem orientação, pacientes podem usá-la incorretamente ou ignorar efeitos colaterais. Por isso a médica reforça que cada corpo responde de forma individual.
O Pulso
- A semaglutida, antes monopólio da Novo Nordisk no Brasil, ganha um concorrente nacional com a Ozivy, pressionando um mercado que mantinha preços proibitivos para a maioria da população.
- Farmácias no Espírito Santo já registram procura pelo produto antes mesmo da distribuição plena, revelando uma demanda reprimida por tratamentos contra obesidade e diabetes.
- O preço de lançamento de R$ 452 ainda é alto, mas o programa de desconto da EMS pode reduzir o custo mensal para R$ 287 nos primeiros três meses, sinalizando uma estratégia de conquista de mercado.
- A diferença técnica entre a síntese química da Ozivy e o DNA recombinante dos originais acende um debate médico sobre equivalência terapêutica e a necessidade de acompanhamento individualizado.
- Endocrinologistas celebram a concorrência, mas alertam: maior acesso sem orientação médica adequada pode transformar um avanço em risco.
No limiar de uma nova era para a saúde pública brasileira, a farmacêutica EMS lança a Ozivy — a primeira caneta de semaglutida fabricada em solo nacional —, tornando acessível um princípio ativo que até então chegava ao país apenas pelas mãos de um único laboratório estrangeiro. Com a expiração da patente da Novo Nordisk em março e a aprovação da Anvisa em maio, abre-se uma janela histórica para que milhões de brasileiros com diabetes tipo 2 e obesidade possam, talvez pela primeira vez, enxergar o tratamento como algo ao alcance. A chegada de um novo fabricante não resolve sozinha a equação da acessibilidade, mas planta uma semente de competição que especialistas esperam ver florescer em preços mais justos.
A farmacêutica EMS coloca em circulação a Ozivy, primeira caneta injetável de semaglutida produzida no Brasil, iniciando a distribuição pelas principais capitais com expansão nacional prevista para julho. O lançamento é possível após a expiração da patente da Novo Nordisk em março e a aprovação da Anvisa no final de maio — que classificou o produto como medicamento novo, não genérico, por utilizar síntese química em vez de DNA recombinante.
O preço inicial é de R$ 452 por caneta, mas a EMS oferece o Programa Vida + Leve, que reduz o custo médio para R$ 287 mensais nos três primeiros meses. A distribuição ocorre de forma gradual, considerando logística e demanda, e os pacientes podem acompanhar a disponibilidade pelo portal da empresa. No Espírito Santo, farmácias da Rede Pague Menos já registram procura pelo produto.
A semaglutida, princípio ativo do Ozempic e do Wegovy, age como agonista do GLP-1, controlando o açúcar no sangue, estimulando a produção de insulina e reduzindo o apetite — com potencial de perda de até 15% do peso corporal. Maria Amélia Julião, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Espírito Santo, recebe a novidade com otimismo pelo impacto esperado nos preços, mas ressalta que o custo ainda é um grande limitador de acesso e que o uso responsável, com acompanhamento médico, é indispensável. A chegada da Ozivy representa um passo na democratização desse tratamento, ainda que o caminho para a acessibilidade plena seja longo.
A farmacêutica EMS coloca em circulação na segunda-feira a Ozivy, uma caneta injetável de semaglutida que marca a primeira produção brasileira deste medicamento. O lançamento começa pelas principais capitais do país e se expande gradualmente para outras regiões nas semanas seguintes, com o Espírito Santo já incluído no plano de distribuição. A empresa projeta cobertura nacional até julho.
A semaglutida é o princípio ativo dos medicamentos Ozempic e Wegovy, produzidos pela Novo Nordisk e amplamente conhecidos no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. A patente expirou em março deste ano, abrindo espaço para novos fabricantes entrarem no mercado. A Anvisa aprovou a Ozivy no final de maio, classificando-a como medicamento novo — não como genérico, similar ou biossimilar — porque utiliza tecnologia de síntese química em vez do método de DNA recombinante empregado pelos originais.
O preço inicial é de R$ 452 por caneta. A EMS oferece o Programa Vida + Leve, que reduz o custo médio para R$ 287 mensais durante os três primeiros meses de tratamento. Segundo Iran Gonçalves Jr., diretor médico e porta-voz da empresa, o abastecimento ocorre de forma gradual e estratégica, considerando capacidade logística, demanda de mercado e expansão progressiva nas principais redes farmacêuticas. Os pacientes podem acompanhar a disponibilidade do medicamento pelo portal Vida + Leve Ozivy.
Thayná da Silva, farmacêutica da Rede Pague Menos em Jardim da Penha, relata que as lojas do Espírito Santo já registram procura pela Ozivy, refletindo a crescente demanda por medicamentos à base de semaglutida impulsionada pela busca por tratamentos para obesidade e controle do diabetes. A entrada de um novo fabricante no mercado brasileiro pode intensificar a concorrência e contribuir para tornar esses tratamentos mais acessíveis.
Maria Amélia Julião, endocrinologista e presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia do Espírito Santo, vê a novidade com otimismo, especialmente pelo potencial impacto nos custos. Ela aponta que o custo dos tratamentos com semaglutida ainda é um grande limitador de acesso, e que a entrada de novos fabricantes tende a gerar redução de preços. Porém, a especialista reforça que a ampliação do acesso deve estar acompanhada do uso responsável da medicação.
Julião destaca uma diferença técnica importante entre a Ozivy e os medicamentos originais. Enquanto Ozempic e Wegovy são produzidos por tecnologia de DNA recombinante — utilizando organismos vivos modificados em laboratório —, a Ozivy é produzida por síntese química. Embora a Anvisa tenha aprovado a Ozivy com base em estudos que comprovam sua eficácia e segurança para diabetes tipo 2, a comunidade médica reforça que cada corpo pode responder de forma individual, e o uso deve ser avaliado caso a caso pelo especialista.
A semaglutida funciona como agonista do GLP-1, imitando um hormônio natural para controlar o açúcar no sangue, estimular a produção de insulina, retardar a digestão e reduzir o apetite. É considerada a segunda geração das canetas emagrecedoras, com potencial para levar à perda de até 15% do peso corporal. A chegada da Ozivy representa um passo importante na democratização do acesso a este tipo de tratamento no Brasil, ainda que especialistas alertem para a necessidade de acompanhamento médico adequado.
Citações Notáveis
O custo desses tratamentos ainda é um grande limitador. Com a entrada de novos fabricantes, a tendência natural é que haja uma redução de preços— Maria Amélia Julião, endocrinologista e presidente da SBEM-ES
Cada corpo pode responder de forma individual. O uso deve ser avaliado caso a caso pelo especialista— Maria Amélia Julião