Os 10 melhores e piores momentos da Copa do Mundo de 2026

Nunca antes um governo interferiu tanto em uma competição da Fifa
A administração Trump negou vistos, interrogou jogadores e suspendeu cartões vermelhos durante a Copa de 2026.
Mark

O formato de 48 seleções realmente funcionou melhor do que esperavam?

Mimi

Superou as expectativas. Havia medo real de que a qualidade técnica caísse drasticamente, mas Cabo Verde chegou ao mata-mata em sua estreia, e nove seleções africanas avançaram. O torneio provou que havia espaço para mais times sem sacrificar a competitividade.

Mark

E quanto aos grandes nomes? Eles entregaram o que se esperava?

Mimi

Entregaram e mais. Mbappé com 22 gols em Copas, Messi com 21, Haaland com sete em seu primeiro Mundial. Cristiano Ronaldo marcou em seis Copas diferentes. Não foi só brilho individual—foi recorde atrás de recorde.

Mark

Mas havia coisas que não funcionaram bem, certo?

Mimi

Muitas. A logística foi um caos. A França praticamente não saiu da costa leste, enquanto a Colômbia viajou pelos três países. Os ingressos foram tão caros que estádios ficaram vazios mesmo em jogos com Messi. E depois estava a interferência política.

Mark

Fale sobre isso. Trump realmente ligou para a Fifa?

Mimi

Admitiu publicamente. Ligou para suspender um cartão vermelho de Balogun dos EUA. A Fifa concordou. Um árbitro da Somália não entrou nos EUA por visto negado. Um jogador iraquiano foi interrogado por sete horas. A seleção iraniana teve que usar uma base no México com tempo limitado.

Mark

Isso nunca tinha acontecido antes?

Mimi

Nunca. Nunca um governo interferiu tanto em uma competição da Fifa. Foi um ponto de ruptura. O torneio mostrou que o futebol não está isolado da geopolítica.

Mark

E o Brasil? Esperavam mais?

Mimi

Muito mais. Com Ancelotti no comando, havia esperança. Mas a seleção era envelhecida, carente de reposição, e Neymar estava visivelmente fora de ritmo. Pouco se salvou além de Vinicius Junior e alguns poucos outros.

  • 48 seleções em 104 partidas durante 39 dias em três países
  • Mbappé marcou 22 gols em Copas, Messi 21, pulverizando recorde de Klose com 16
  • Cristiano Ronaldo primeiro a marcar em seis Copas diferentes
  • Trump admitiu ter ligado para Infantino para suspender cartão vermelho de Balogun
  • Colômbia foi única seleção obrigada a viajar pelos três países anfitriões

Formato expandido de 48 seleções superou expectativas com qualidade técnica mantida e seleções como Cabo Verde se destacando no mata-mata. Recordes históricos pulverizados: Mbappé marcou 22 gols em Copas, Messi 21, e Cristiano Ronaldo primeiro a marcar em seis Copas diferentes.

Análise editorial da Folha sobre a Copa do Mundo 2026 em três países, destacando sucessos como o formato de 48 seleções e recordes históricos, além de problemas como interferência política, preços abusivos e logística desigual.

Depois de 39 dias, 104 partidas e 48 seleções espalhadas por três países, a Copa do Mundo de 2026 deixou para trás um rastro de momentos memoráveis e outros francamente problemáticos. O torneio expandido provou que a desconfiança inicial sobre a qualidade técnica era infundada. Equipes como Cabo Verde, em sua estreia, chegaram ao mata-mata ao lado de outras oito seleções africanas, validando a decisão de ampliar as vagas no continente. O formato funcionou.

Os grandes nomes do futebol brilharam como esperado, mas com intensidade que surpreendeu. Mbappé marcou 22 gols em suas Copas, pulverizando o recorde anterior de Klose com 16. Messi somou 21. Cristiano Ronaldo se tornou o primeiro jogador a marcar em seis Copas diferentes. Haaland, em seu primeiro Mundial, fez sete gols. Kane seis. Bellingham, Dembélé e Olise se destacaram com assistências. Até Vinicius Junior teve seu brilho em solo americano. Os recordes não pararam por aí: Unai Simón bateu a marca de 650 minutos sem tomar gols, e Didier Deschamps se tornou o técnico com mais participações em Copas, com 26 jogos.

Algumas mudanças operacionais funcionaram bem. O novo protocolo do hino permitiu que todos os 26 jogadores entrassem em campo para ouvir o hino nacional, com bandeirões gigantes estendidos no gramado. A parada de três minutos para hidratação, embora controversa, permitiu que técnicos reposicionassem suas equipes e mudassem a dinâmica dos jogos. As novas regras aumentaram a dinâmica geral, com mais reversões em laterais e punições para simuladores. A torcida escocesa deixou saudades maiores que seu time, assim como os cânticos argentinos e o "Wonderwall" dos ingleses. A torcida norueguesa marcou presença com sua remada viking que saiu da arquibancada e chegou até o Parlamento.

Mas a Copa também revelou seus piores aspectos. A logística foi desigual: enquanto a França só saiu da costa leste na semifinal, a Colômbia foi obrigada a viajar pelos três países anfitriões. Os ingressos foram caríssimos, afastando torcedores mesmo em jogos com Messi. Havia lugares vazios nos setores mais caros. As mascotes do torneio—Clutch, Maple e Zayu—foram tão desprezadas que nem apareceram na cerimônia de abertura televisionada. O Brasil, sob comando de Carlo Ancelotti, decepcionou. Com uma seleção envelhecida, carente de reposição em alguns setores e um Neymar visivelmente fora de ritmo, pouco se salvou além de Vinicius Junior, Matheus Cunha e Bruno Guimarães.

A interferência política manchou o torneio. Donald Trump admitiu ter ligado para Gianni Infantino, mandatário da Fifa, para suspender um cartão vermelho aplicado ao atacante Balogun dos EUA, que o tiraria das oitavas de final. A Fifa concordou. O árbitro brasileiro Raphael Claus foi chamado de "suspeito" por Trump. Um árbitro da Somália não entrou nos EUA por ter o visto negado. Um jogador iraquiano foi interrogado por sete horas na alfândega. A seleção iraniana usou uma base no México com tempo limitado para entrar e sair dos EUA. Nunca antes em uma competição da Fifa um governo interferiu tanto.

O show do intervalo na final exagerou na quantidade de artistas convidados—Madonna, Shakira, BTS e outros. As transmissões tiveram seus próprios problemas: a Globo tentou replicar o humor da CazéTV e foi criticada nas redes, enquanto a CazéTV abusou ao citar apostas e odds, chamando atenção até do Ministério da Justiça. Houve ainda suspeitas de resultados combinados, com o argelino Mahrez admitindo que foi estranho marcar um gol nos acréscimos contra a Áustria, já que o empate classificaria ambas as seleções. Com oito terceiros colocados avançando de 12 grupos, as equipes entravam em campo sabendo exatamente o que precisavam fazer.

A Copa de 2026 será lembrada tanto pelos recordes históricos e pela expansão bem-sucedida do formato quanto pela interferência política descarada e pela desigualdade que permeou sua organização. O torneio provou que o futebol pode crescer sem perder qualidade, mas também revelou que a geopolítica e os interesses comerciais continuam moldando como o esporte é jogado e assistido no palco mundial.

Admitiu ter ligado para o mandatário da Fifa para suspender um cartão vermelho aplicado ao atacante Balogun, que o tiraria das oitavas de final
— Donald Trump
Foi estranho marcar um gol nos acréscimos contra a Áustria, já que o empate classificaria as duas seleções
— Mahrez, atacante argelino
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