Deborah Colker apresenta 'Remix' em São Paulo com cenas de seu repertório

Dezesseis corpos negociam com vasos e cortinas como se fossem personagens
A cenografia de "Remix" não é apenas cenário, mas parceira ativa dos bailarinos no palco.
Mark

Por que revisitar obras antigas em vez de criar algo completamente novo?

Mimi

Porque há algo que só funciona quando você olha para trás com a experiência que tem agora. Essas cenas antigas ganham significado diferente quando colocadas lado a lado, quando um público que talvez nunca tenha visto "Vulcão" em 1994 pode entender sua força hoje.

Mark

E a cenografia — cortina, vasos, roda — isso é novo ou vem das peças originais?

Mimi

Parte vem das criações anteriores, mas a forma como tudo se relaciona agora é nova. Os vasos, por exemplo, não são apenas decoração. Eles ocupam o espaço de forma que os bailarinos precisam negociar com eles, dançar em torno deles. Muda tudo.

Mark

Dezesseis bailarinos é um elenco grande. Como se mantém a intimidade em um palco tão cheio?

Mimi

Justamente porque há tantos corpos, a intimidade vira algo coletivo. Não é sobre um casal ou um personagem isolado. É sobre como dezesseis pessoas podem criar uma atmosfera, um clima, juntas.

Mark

A música ao vivo em "4x4" — Mozart — parece fora de lugar em dança contemporânea.

Mimi

Parece, mas não é. Colker sempre trabalhou nessa zona de tensão entre o clássico e o contemporâneo. Mozart tocado ao vivo cria uma presença que uma gravação nunca teria. Os bailarinos dançam com o pianista, não apenas para a música.

Mark

Qual é o risco de montar algo assim? De misturar tantas coisas?

Mimi

O risco é que vire colagem, que pareça desconexo. Mas se funciona — e tudo indica que vai funcionar — o público sai entendendo que essas obras todas falam a mesma língua, que vêm do mesmo lugar criativo.

  • Três décadas de repertório comprimidas em um único espetáculo criam a tensão entre o que foi e o que ainda pode ser.
  • Uma cortina de 12 metros, noventa vasos e uma roda de cinco metros de diâmetro transformam o palco em um campo de forças entre corpo e objeto.
  • A convivência de 'Vulcão' (1994) e 'Belle' (2014) em uma mesma noite exige que os 16 bailarinos habitem emoções radicalmente distintas sem perder a coesão.
  • Uma sonata de Mozart tocada ao vivo enquanto meninas dançam oferece um dos momentos de maior delicadeza e contraste da produção.
  • Com ingressos a partir de R$ 50 e sessões de quarta a domingo, o espetáculo se posiciona como porta de entrada para quem ainda não conhece a companhia — e como reencontro para quem já a acompanha.

Há momentos em que uma companhia de dança não avança para o próximo passo, mas volta ao próprio rastro para entender o que foi deixado para trás. É o que faz Deborah Colker com 'Remix', espetáculo que reúne fragmentos de três décadas de criação em uma única noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, entre 7 e 23 de agosto. Revisitar não é repetir: é reconhecer que o passado ainda tem movimento.

A Companhia Deborah Colker chega a São Paulo em agosto com 'Remix', espetáculo que condensa fragmentos de quatro criações do grupo em uma experiência cênica inédita. A estreia acontece entre 7 e 23 de agosto no Teatro Sérgio Cardoso, com 16 bailarinos em cena.

O projeto, concebido em 2025, propõe revisitar o passado sem simplesmente repeti-lo. A cenografia reforça essa ambição: uma cortina de 12 metros de altura, noventa vasos e uma roda de cinco metros de diâmetro funcionam como presenças silenciosas que moldam o movimento dos corpos.

Entre as obras revisitadas estão 'Vulcão' (1994), primeiro trabalho da companhia, que explora estados emocionais extremos, e 'Belle' (2014), inspirada no romance de Joseph Kessel e no filme de Buñuel, com sua narrativa de desejos e contradições. De '4x4' (2002) vem uma cena em que meninas dançam ao som de uma sonata de Mozart tocada ao vivo no palco. 'Rota' contribui com passagens sobre equilíbrio e relação do dançarino com o espaço.

Os ingressos partem de R$ 50 e estão disponíveis na plataforma Sympla. As sessões ocorrem de quarta a sábado às 20h e aos domingos às 16h. O espetáculo é recomendado para maiores de dez anos.

A companhia de dança Deborah Colker chega a São Paulo em agosto com um espetáculo que funciona como um retrato condensado de sua trajetória. Chamado "Remix", o trabalho reúne fragmentos de quatro criações distintas do grupo, transformando-os em uma nova experiência cênica que estreia na capital paulista entre 7 e 23 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso.

O projeto nasceu em 2025 com uma proposta clara: revisitar o passado sem simplesmente repeti-lo. Dezesseis bailarinos ocupam o palco ao lado de uma cenografia que mistura o minimalista com o monumental. Uma cortina de 12 metros de altura, noventa vasos dispostos no espaço e uma roda com cinco metros de diâmetro funcionam como personagens silenciosos, moldando o movimento dos corpos e criando um diálogo entre o humano e o objeto.

Entre as obras que ganham nova vida em "Remix" está "Vulcão", criada em 1994 como primeiro trabalho da companhia. A peça explora estados emocionais extremos — o ímpeto, o fascínio, o descontrole — através da dança. Também presente está "Belle", de 2014, que se inspira no romance "Belle de Jour" de Joseph Kessel e no filme homônimo dirigido por Luís Buñuel em 1967, trazendo para o palco uma narrativa de desejos e contradições.

De "4x4", criação de 2002, vem uma cena particularmente delicada: meninas dançam enquanto uma sonata de Mozart é tocada ao vivo ao piano no palco, criando um encontro entre a música erudita e o movimento contemporâneo. A quarta obra revisitada, "Rota", contribui com passagens que investigam o equilíbrio corporal e a relação do dançarino com o espaço cênico.

Os ingressos começam em cinquenta reais para o balcão inteira e estão disponíveis na plataforma Sympla. As apresentações ocorrem de quarta a sábado às vinte horas, com sessões dominicais às dezesseis horas. O espetáculo é recomendado para maiores de dez anos.

Para quem acompanha o trabalho de Deborah Colker, "Remix" oferece uma oportunidade rara de ver décadas de criação condensadas em um único evento. Para quem descobre a companhia agora, é um ponto de entrada que mostra tanto a profundidade do repertório quanto a capacidade de reinvenção que marca o trabalho do grupo.

Remix foi concebida em 2025 a partir de cenas de quatro criações do repertório do grupo
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