Há momentos em que uma companhia de dança não avança para o próximo passo, mas volta ao próprio rastro para entender o que foi deixado para trás. É o que faz Deborah Colker com 'Remix', espetáculo que reúne fragmentos de três décadas de criação em uma única noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, entre 7 e 23 de agosto. Revisitar não é repetir: é reconhecer que o passado ainda tem movimento.
Deborah Colker apresenta 'Remix' em São Paulo com cenas de seu repertório
Dezesseis corpos negociam com vasos e cortinas como se fossem personagens
Por que revisitar obras antigas em vez de criar algo completamente novo?
Porque há algo que só funciona quando você olha para trás com a experiência que tem agora. Essas cenas antigas ganham significado diferente quando colocadas lado a lado, quando um público que talvez nunca tenha visto "Vulcão" em 1994 pode entender sua força hoje.
E a cenografia — cortina, vasos, roda — isso é novo ou vem das peças originais?
Parte vem das criações anteriores, mas a forma como tudo se relaciona agora é nova. Os vasos, por exemplo, não são apenas decoração. Eles ocupam o espaço de forma que os bailarinos precisam negociar com eles, dançar em torno deles. Muda tudo.
Dezesseis bailarinos é um elenco grande. Como se mantém a intimidade em um palco tão cheio?
Justamente porque há tantos corpos, a intimidade vira algo coletivo. Não é sobre um casal ou um personagem isolado. É sobre como dezesseis pessoas podem criar uma atmosfera, um clima, juntas.
A música ao vivo em "4x4" — Mozart — parece fora de lugar em dança contemporânea.
Parece, mas não é. Colker sempre trabalhou nessa zona de tensão entre o clássico e o contemporâneo. Mozart tocado ao vivo cria uma presença que uma gravação nunca teria. Os bailarinos dançam com o pianista, não apenas para a música.
Qual é o risco de montar algo assim? De misturar tantas coisas?
O risco é que vire colagem, que pareça desconexo. Mas se funciona — e tudo indica que vai funcionar — o público sai entendendo que essas obras todas falam a mesma língua, que vêm do mesmo lugar criativo.
The Pulse
- Três décadas de repertório comprimidas em um único espetáculo criam a tensão entre o que foi e o que ainda pode ser.
- Uma cortina de 12 metros, noventa vasos e uma roda de cinco metros de diâmetro transformam o palco em um campo de forças entre corpo e objeto.
- A convivência de 'Vulcão' (1994) e 'Belle' (2014) em uma mesma noite exige que os 16 bailarinos habitem emoções radicalmente distintas sem perder a coesão.
- Uma sonata de Mozart tocada ao vivo enquanto meninas dançam oferece um dos momentos de maior delicadeza e contraste da produção.
- Com ingressos a partir de R$ 50 e sessões de quarta a domingo, o espetáculo se posiciona como porta de entrada para quem ainda não conhece a companhia — e como reencontro para quem já a acompanha.
Há momentos em que uma companhia de dança não avança para o próximo passo, mas volta ao próprio rastro para entender o que foi deixado para trás. É o que faz Deborah Colker com 'Remix', espetáculo que reúne fragmentos de três décadas de criação em uma única noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, entre 7 e 23 de agosto. Revisitar não é repetir: é reconhecer que o passado ainda tem movimento.
A Companhia Deborah Colker chega a São Paulo em agosto com 'Remix', espetáculo que condensa fragmentos de quatro criações do grupo em uma experiência cênica inédita. A estreia acontece entre 7 e 23 de agosto no Teatro Sérgio Cardoso, com 16 bailarinos em cena.
O projeto, concebido em 2025, propõe revisitar o passado sem simplesmente repeti-lo. A cenografia reforça essa ambição: uma cortina de 12 metros de altura, noventa vasos e uma roda de cinco metros de diâmetro funcionam como presenças silenciosas que moldam o movimento dos corpos.
Entre as obras revisitadas estão 'Vulcão' (1994), primeiro trabalho da companhia, que explora estados emocionais extremos, e 'Belle' (2014), inspirada no romance de Joseph Kessel e no filme de Buñuel, com sua narrativa de desejos e contradições. De '4x4' (2002) vem uma cena em que meninas dançam ao som de uma sonata de Mozart tocada ao vivo no palco. 'Rota' contribui com passagens sobre equilíbrio e relação do dançarino com o espaço.
Os ingressos partem de R$ 50 e estão disponíveis na plataforma Sympla. As sessões ocorrem de quarta a sábado às 20h e aos domingos às 16h. O espetáculo é recomendado para maiores de dez anos.
A companhia de dança Deborah Colker chega a São Paulo em agosto com um espetáculo que funciona como um retrato condensado de sua trajetória. Chamado "Remix", o trabalho reúne fragmentos de quatro criações distintas do grupo, transformando-os em uma nova experiência cênica que estreia na capital paulista entre 7 e 23 de agosto, no Teatro Sérgio Cardoso.
O projeto nasceu em 2025 com uma proposta clara: revisitar o passado sem simplesmente repeti-lo. Dezesseis bailarinos ocupam o palco ao lado de uma cenografia que mistura o minimalista com o monumental. Uma cortina de 12 metros de altura, noventa vasos dispostos no espaço e uma roda com cinco metros de diâmetro funcionam como personagens silenciosos, moldando o movimento dos corpos e criando um diálogo entre o humano e o objeto.
Entre as obras que ganham nova vida em "Remix" está "Vulcão", criada em 1994 como primeiro trabalho da companhia. A peça explora estados emocionais extremos — o ímpeto, o fascínio, o descontrole — através da dança. Também presente está "Belle", de 2014, que se inspira no romance "Belle de Jour" de Joseph Kessel e no filme homônimo dirigido por Luís Buñuel em 1967, trazendo para o palco uma narrativa de desejos e contradições.
De "4x4", criação de 2002, vem uma cena particularmente delicada: meninas dançam enquanto uma sonata de Mozart é tocada ao vivo ao piano no palco, criando um encontro entre a música erudita e o movimento contemporâneo. A quarta obra revisitada, "Rota", contribui com passagens que investigam o equilíbrio corporal e a relação do dançarino com o espaço cênico.
Os ingressos começam em cinquenta reais para o balcão inteira e estão disponíveis na plataforma Sympla. As apresentações ocorrem de quarta a sábado às vinte horas, com sessões dominicais às dezesseis horas. O espetáculo é recomendado para maiores de dez anos.
Para quem acompanha o trabalho de Deborah Colker, "Remix" oferece uma oportunidade rara de ver décadas de criação condensadas em um único evento. Para quem descobre a companhia agora, é um ponto de entrada que mostra tanto a profundidade do repertório quanto a capacidade de reinvenção que marca o trabalho do grupo.
Notable Quotes
Remix foi concebida em 2025 a partir de cenas de quatro criações do repertório do grupo— Informação do espetáculo