OpenAI resolve equação de Navier-Stokes em 88h, mas matemáticos acusam apropriação de pesquisa

A alternativa é deixar anúncios dizer algo que sei ser falso
Buckmaster explica por que decidiu tornar público o vazamento de informações sobre sua pesquisa.
Mark

Por que isso importa? Uma empresa resolver um problema matemático antigo deveria ser bom, certo?

Mimi

Deveria, sim. Mas o timing é suspeito. Buckmaster estava trabalhando no mesmo problema, usando ferramentas da OpenAI, e de repente a OpenAI começa a trabalhar nele também — logo depois que Buckmaster diz que suas informações vazaram.

Luke

Espera. A OpenAI nega ter visto o trabalho deles. E Buckmaster mesmo admite que não leu a solução completa da OpenAI. Então como sabemos que houve apropriação real e não apenas coincidência?

Mimi

Buckmaster tem e-mails mostrando que avisou a OpenAI sobre suas preocupações em 3 de setembro. A OpenAI anunciou a solução horas depois. Isso não é coincidência.

Mark

Mas a OpenAI diz que começou a trabalhar no problema em 1º de setembro, antes de Buckmaster reclamar.

Luke

Exato. E isso é verificável? Ou é só o que a empresa está dizendo? Porque a OpenAI também admitiu que dados anonimizados dos usuários "podem ter contribuído" para seus modelos. Isso é uma brecha enorme.

Mimi

É verdade. A empresa está dizendo "improvável, mas não podemos descartar". Isso é praticamente admitir que não sabem se seus dados foram usados ou não.

Mark

Então ninguém sabe realmente o que aconteceu?

Luke

Não. E isso é o problema. A solução ainda não foi verificada pelo Instituto Clay. Pode estar errada. Pode estar certa mas construída sobre informações roubadas. Ou pode ser completamente legítima. Estamos no escuro.

Mimi

O que sabemos é que há uma acusação séria, uma negação, e uma admissão de que a OpenAI não consegue garantir que dados de usuários não foram usados. Isso é suficiente para questionar a integridade do anúncio.

Mark

E agora?

Luke

Agora esperamos a verificação independente. Se a solução for confirmada, a pergunta muda: foi desenvolvida eticamente? Isso depende de investigações que ainda não aconteceram.

  • OpenAI resolveu em 88 horas um problema das equações de Navier-Stokes sem solução há 90 anos
  • Usou novo modelo de IA e aproximadamente 10 mil robôs autônomos
  • Matemáticos de NYU e Anthropic acusam vazamento de informações sobre seu trabalho simultâneo
  • Solução ainda não foi verificada pelo Instituto Clay Mathematics
  • Robôs trocaram quase 3 milhões de mensagens e usaram 130 bilhões de tokens

A OpenAI usou um novo modelo de IA e cerca de 10 mil robôs para resolver em 88 horas um problema matemático complexo sem solução há 90 anos. Matemáticos da Universidade de Nova York e Anthropic alegam que informações sobre seu progresso foram repassadas à OpenAI antes do anúncio da empresa.

A OpenAI anunciou ter resolvido partes das equações de Navier-Stokes usando IA e robôs autônomos, mas matemáticos acusam a empresa de ter acessado informações sobre seu trabalho simultâneo.

Na terça-feira, 8 de setembro, a OpenAI anunciou ter resolvido um dos problemas matemáticos mais antigos e desafiadores do mundo: aspectos centrais das equações de Navier-Stokes, que descrevem o movimento de fluidos e cuja prova completa escapava aos matemáticos há nove décadas. A empresa afirmou que seu novo modelo de inteligência artificial, trabalhando ao lado de aproximadamente dez mil robôs executando tarefas de forma relativamente autônoma, conseguiu encontrar a solução em apenas 88 horas. A OpenAI chamou o feito de marco histórico, evidência da velocidade com que as ferramentas de IA estão evoluindo.

Mas o anúncio desencadeou uma controvérsia imediata. Tristan Buckmaster, professor de matemática na Universidade de Nova York, e Levent Alpöge, matemático da Anthropic (empresa concorrente da OpenAI), estavam trabalhando no mesmo problema usando a ferramenta Codex da OpenAI. No dia 3 de setembro, Buckmaster descobriu que informações sobre o progresso de sua pesquisa haviam sido repassadas para a OpenAI. Horas antes de a empresa publicar sua solução, Buckmaster fez uma declaração pública acusando a OpenAI de ter começado a trabalhar nas equações apenas após receber dados sobre o trabalho dele e de Alpöge. Ele apresentou trechos de correspondências que trocou com a empresa, documentando suas preocupações sobre prazos e métodos. "Porque a alternativa é deixar uma série de anúncios dizer algo que eu sei que é falso", explicou Buckmaster sobre sua decisão de tornar público o que havia ocorrido.

A OpenAI respondeu parabenizando Buckmaster e Alpöge pelo trabalho "extraordinário" que desenvolviam simultaneamente. A empresa negou categoricamente ter acessado qualquer trabalho dos dois matemáticos através de qualquer meio antes de eles fazerem sua divulgação, e assegurou que nenhum dado de usuário foi acessado durante a resolução do problema. Porém, a companhia admitiu uma possibilidade: "Embora improvável, não podemos descartar a possibilidade de que dados anonimizados derivados do uso de nossos produtos possam ter contribuído para o aprimoramento de nossos modelos".

O cronograma revelado pela OpenAI oferece uma janela para entender como tudo aconteceu. No final de agosto, a empresa começou a treinar um novo modelo de IA que rapidamente demonstrou capacidade excepcional para resolver problemas matemáticos. Em 1º de setembro, após ouvir rumores de que dois problemas do Prêmio Millennium haviam sido resolvidos, a OpenAI decidiu colocar seus milhares de robôs treinados no novo modelo para trabalhar em questões ainda não solucionadas. Cinco dias depois, em 5 de setembro, aproximadamente 88 horas após iniciar o esforço, anunciou ter resolvido o chamado problema de existência e suavidade de Navier-Stokes, que está relacionado à turbulência, um fenômeno ainda não totalmente compreendido pela ciência.

O esforço computacional foi monumental. Os robôs trocaram quase três milhões de mensagens e utilizaram 130 bilhões de tokens de saída — linhas individuais de texto e código que um modelo de IA produz em suas respostas. Embora o novo modelo da OpenAI seja de uso exclusivo da empresa por ser "significativamente mais capaz" que seus modelos anteriores, os pesquisadores decidiram aplicá-lo a certos problemas matemáticos avançados de importância reconhecida.

Até agora, a solução da OpenAI não foi verificada de forma independente nem aceita publicamente pelo Instituto Clay Mathematics, a organização sediada nos EUA que organiza o Prêmio Millennium e oferece uma grande quantia em dinheiro para quem resolver primeiro esses quebra-cabeças matemáticos. A verificação independente será crucial para determinar se a empresa realmente resolveu o problema ou se sua solução contém falhas. Enquanto isso, a questão de como Buckmaster e Alpöge tiveram suas informações compartilhadas permanece sem resposta clara, deixando em aberto uma das maiores controvérsias recentes no cruzamento entre inteligência artificial e pesquisa matemática.

Porque a alternativa é deixar uma série de anúncios dizer algo que eu sei que é falso
— Tristan Buckmaster, professor de matemática da Universidade de Nova York
Embora improvável, não podemos descartar a possibilidade de que dados anonimizados derivados do uso de nossos produtos possam ter contribuído para o aprimoramento de nossos modelos
— OpenAI, em resposta às acusações
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