Pela segunda vez em menos de um mês, a Europa se curva diante de um calor que não pede licença: temperaturas entre 36 e 43 graus Celsius varrem o continente de Portugal aos Bálcãs, evocando a sombra de 2003, quando dezenas de milhares morreram. A França, epicentro da crise, decretou alerta vermelho máximo para metade de seu território, enquanto escolas fecham, trens param e hospitais se preparam. Três idosos já não resistiram, e a ciência é inequívoca: as mudanças climáticas não apenas permitem esses episódios — elas os convocam, cada vez mais fortes e mais frequentes.
Onda de calor se intensifica na Europa com temperaturas recorde e fechamento de escolas
Em breve estaremos dando aula nos corredores do supermercado
Por que a França decretou alerta vermelho especificamente? Isso é realmente raro?
É o nível máximo de alerta meteorológico que existe. Eles só fazem isso quando há risco real de morte em massa. Metade do país está coberta por esse alerta — 35 milhões de pessoas. Não é algo que façam levianamente.
E as escolas fechando — isso é por segurança das crianças ou por impossibilidade prática?
Ambas as coisas. As salas de aula ficam insuportáveis, mas também há risco real. Uma professora comentou que na semana anterior as crianças estavam a 32 graus dentro da sala. Ninguém consegue aprender assim, e há riscos de saúde.
Três idosos morreram no domingo. Isso é esperado em uma onda de calor, ou foi algo particularmente grave?
É esperado que haja mortes, mas três em um único dia em uma região específica sugere que o calor foi particularmente intenso. E isso foi antes do pico — as temperaturas mais altas viriam depois.
A comparação com 2003 é assustadora. 70 mil mortos em duas semanas.
Sim, mas há uma diferença importante: em 2003 ninguém estava preparado. Agora há alertas, sistemas de emergência ativados, distribuição de água nas estações. A questão é se isso será suficiente, especialmente porque esta onda promete ser mais longa.
Os trens cancelados — isso afeta principalmente turistas ou pessoas que dependem deles para trabalhar?
Ambas. Mas a SNCF especificamente pediu que pessoas vulneráveis evitassem viajar. Então estão reconhecendo que é perigoso estar em um trem lotado sem ar-condicionado adequado durante esse calor.
E o que vem depois? Isso vai passar ou é o novo normal?
Passa em alguns dias. Mas a questão maior é que isso é a segunda onda em um mês. Os cientistas dizem que mudanças climáticas intensificam esses fenômenos. Então a pergunta real é: com que frequência vamos ver isso agora?
The Pulse
- A segunda onda de calor em menos de um mês promete ser mais longa e intensa que a anterior, evocando a catástrofe de agosto de 2003 que matou mais de 70 mil europeus.
- Três idosos morreram no sudoeste francês, treze pessoas se afogaram no fim de semana, e os serviços de emergência registram um aumento enorme de chamadas em toda a França.
- Mais de 800 escolas fecharam as portas e 10% dos trens de Paris foram cancelados preventivamente, enquanto autoridades distribuem água, leques e chapéus nas estações.
- O alerta vermelho cobre metade da França e se estende ao Reino Unido, Espanha, Portugal, Bélgica e Bálcãs, transformando o continente inteiro num mapa de risco.
- Cientistas reforçam que as mudanças climáticas estão por trás da escalada desses extremos, lançando a pergunta incômoda: as medidas emergenciais de hoje serão suficientes para o padrão climático de amanhã?
Pela segunda vez em menos de um mês, a Europa se curva diante de um calor que não pede licença: temperaturas entre 36 e 43 graus Celsius varrem o continente de Portugal aos Bálcãs, evocando a sombra de 2003, quando dezenas de milhares morreram. A França, epicentro da crise, decretou alerta vermelho máximo para metade de seu território, enquanto escolas fecham, trens param e hospitais se preparam. Três idosos já não resistiram, e a ciência é inequívoca: as mudanças climáticas não apenas permitem esses episódios — elas os convocam, cada vez mais fortes e mais frequentes.
A Europa enfrenta seu segundo episódio de calor extremo em menos de um mês, e desta vez a intensidade e a duração prometem ser ainda maiores. A partir de 22 de junho, o fenômeno forçou o fechamento de escolas, o cancelamento de trens e uma vigilância reforçada nos hospitais de todo o continente — um cenário que evoca a catástrofe de agosto de 2003, quando mais de 70 mil pessoas morreram em duas semanas.
A França é o epicentro da crise. Com alerta vermelho decretado em metade do território — onde vivem mais de 35 milhões de pessoas —, as previsões apontam entre 36 e 43 graus Celsius sem alívio antes do fim da semana. Três idosos já morreram em suas casas no sudoeste do país, treze pessoas se afogaram durante o fim de semana, e a ministra da Saúde relatou um aumento enorme nas chamadas de emergência. Mais de 800 escolas permaneceram fechadas na segunda-feira, enquanto outras 1.800 ajustaram seus horários. Uma professora de Bordeaux resumiu a situação com amargura: na semana anterior, as crianças já suportavam 32 graus dentro das salas de aula.
O transporte também sentiu o peso do calor. Paris cancelou 10% de seus trens preventivamente, e na estação Saint-Charles, em Marselha, autoridades distribuíram água, leques e chapéus aos passageiros. Na Bélgica, trens de horário de pico foram suspensos numa semana que pode bater recordes históricos de temperatura média.
O fenômeno não respeita fronteiras. O Reino Unido emitiu alerta vermelho incomum para quarta e quinta-feira; os Bálcãs podem chegar a 38 graus; a Espanha registra valores entre 5 e 10 graus acima do normal, com o País Basco podendo ultrapassar os 40 graus. Portugal e os Países Baixos também estão em alerta. Por trás de tudo isso, o consenso científico permanece claro e urgente: as mudanças climáticas provocadas pela atividade humana tornam esses episódios mais frequentes e mais severos — e a Europa ainda busca saber se suas respostas emergenciais serão à altura do que está por vir.
A Europa está enfrentando seu segundo episódio de calor extremo em menos de um mês, e desta vez a intensidade promete ser ainda maior. A partir de segunda-feira, 22 de junho, o fenômeno forçará o fechamento de escolas, o cancelamento de trens e uma vigilância reforçada nos hospitais de todo o continente. O que torna este evento particularmente preocupante é sua duração: cientistas alertam que será mais prolongado que a onda anterior, e sua magnitude evoca a catástrofe de agosto de 2003, quando mais de 70 mil pessoas morreram ao longo de duas semanas na Europa.
A França é o epicentro da crise neste momento. O país decretou alerta vermelho — o nível máximo de alerta meteorológico — em metade de seu território, onde residem mais de 35 milhões de pessoas. As previsões indicam temperaturas entre 36 e 43 graus Celsius, e os termômetros não devem cair antes do fim da semana. Já no domingo anterior, três idosos faleceram em suas casas no sudoeste francês devido ao calor extremo. Treze pessoas se afogaram em diferentes regiões do país durante o fim de semana. A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, relatou um aumento enorme no número de chamadas aos serviços de emergência, embora o sistema de saúde ainda não esteja sob tensão particularmente grave.
O impacto nas escolas é imediato e massivo. Mais de 800 das 60 mil escolas francesas permanecerão fechadas na segunda-feira, enquanto outras 1.800 precisarão ajustar seus horários de aula. Desde a semana anterior, muitos estabelecimentos educacionais vinham sugerindo aos pais que mantivessem as crianças em casa ou as buscassem na hora do almoço para evitar as salas de aula insuportáveis. Uma professora de Bordeaux, que pediu anonimato, expressou sua frustração: na semana passada, as crianças estavam expostas a 32 graus dentro das salas, e ela brincou amargamente que em breve estariam dando aulas nos corredores do supermercado em frente à escola.
O transporte público também sofre impactos severos. A região de Paris cancelou preventivamente 10% de seus trens, e a companhia SNCF recomendou que pessoas vulneráveis evitassem viajar. Na estação de trem Saint-Charles em Marselha, no sudeste, as autoridades distribuíram garrafas de água, leques e chapéus aos passageiros antes do embarque. Uma enfermeira de 31 anos, Mamone Outhaithany, comentou com leveza que seria "muito prático" usar o chapéu para jogar petanca. Na Bélgica, ao norte, a semana pode estabelecer um novo recorde de calor, com temperatura média superior a 27 graus Celsius. Alguns trens em horários de pico foram cancelados na segunda e terça-feira naquele país, onde o transporte ferroviário é particularmente importante.
O fenômeno não se limita à França e à Bélgica. O Reino Unido decretou um alerta vermelho incomum por calor extremo para quarta e quinta-feira no sul do país. Os Bálcãs enfrentam temperaturas que podem chegar a 38 graus na Macedônia do Norte. A Espanha está em seu segundo dia de onda de calor, com valores entre 5 e 10 graus acima do normal para a época, segundo a agência meteorológica Aemet. A região do País Basco, pouco acostumada a temperaturas tão altas, pode ultrapassar os 40 graus. O calor já forçou o cancelamento, por precaução, da transmissão em telão da partida Espanha-Arábia Saudita no centro de Madri no domingo. Portugal decretou alerta laranja na terça-feira em três distritos do interior, enquanto os Países Baixos estão em código amarelo, com previsões de até 37 graus até o fim da semana.
Por trás deste episódio extremo está a mudança climática provocada pela atividade humana. O consenso científico é claro: as alterações climáticas intensificam os fenômenos meteorológicos extremos, tornando-os mais frequentes e mais severos. Esta segunda onda de calor em um mês é um reflexo dessa realidade. Enquanto a Europa se mobiliza para proteger sua população vulnerável — idosos, crianças, pessoas com problemas de saúde — a questão que paira sobre o continente é se as medidas emergenciais serão suficientes ou se este é apenas o prelúdio de um padrão climático que se tornará cada vez mais comum nos próximos anos.
Notable Quotes
Um aumento enorme no número de chamadas aos serviços de emergência— Stéphanie Rist, ministra da Saúde da França
Valores entre 5 e 10 graus superiores aos normais para esta época— Rubén del Campo, porta-voz da agência meteorológica espanhola Aemet