A cada ano, milhões de vidas são ceifadas pelo cancro — uma realidade que nos convida a olhar com mais atenção para os gestos mais quotidianos, incluindo o que colocamos no prato. João Vasco Barreira, oncologista com prática em Cascais e Santarém, lembra que a alimentação não é destino, mas escolha: evitar carnes processadas, álcool e ultraprocessados, enquanto se abraça a diversidade vegetal e o padrão mediterrânico, é um ato de cuidado que está ao alcance de cada pessoa. A prevenção não exige perfeição — exige consciência.
Oncologista alerta: carnes processadas e álcool aumentam risco de cancro
Não é o croissant de domingo que preocupa; é quando passa a ser segunda a sexta
Porque é que as carnes processadas são tão diferentes da carne vermelha normal, se ambas são carne?
A diferença está nos aditivos e no processo. Os nitritos e nitratos usados para conservar bacon ou salsichas transformam-se em compostos que danificam o ADN. A carne vermelha fresca não tem esse problema — o risco vem de comer demasiada, demasiado frequentemente.
Então um churrasco ocasional está bem?
Sim, desde que não seja a regra. O problema é quando a carne carbonizada se torna um hábito. Os compostos tóxicos formam-se a temperaturas muito altas, especialmente quando há queimadura.
E quanto ao álcool — há alguma quantidade segura?
Não, segundo a evidência oncológica. O etanol metaboliza-se em acetaldeído, que danifica o ADN. Não importa se é cerveja ou vinho — o álcool é o álcool.
Mas então como é que as pessoas conseguem viver sem nunca comer um croissant ou beber uma cerveja?
Não é sobre nunca comer ou beber. É sobre frequência. O croissant de domingo não é o problema. É quando passa a ser todos os dias. A prevenção é sobre padrões, não sobre perfeição.
E se alguém quer começar a mudar hoje — por onde começa?
Não comece a tirar coisas. Comece a adicionar: cereais integrais, leguminosas, vegetais variados, fruta. Quando o prato fica mais cheio de coisas boas, naturalmente há menos espaço para as outras.
Le Pouls
- Com 28 mil mortes por cancro por ano em Portugal, a urgência de estratégias de prevenção acessíveis nunca foi tão evidente.
- Carnes processadas e álcool surgem como os maiores vilões: nitritos que danificam o ADN e etanol que se converte em acetaldeído, ambos com ligações diretas a múltiplos tipos de tumor.
- O consumo habitual de ultraprocessados e açúcares não mata por um ingrediente isolado, mas alimenta a obesidade — fator de risco para pelo menos 13 tipos de cancro.
- A resposta não está apenas na restrição: cereais integrais, leguminosas, vegetais variados e fruta constroem uma defesa ativa e sustentável contra a doença.
- O padrão alimentar mediterrânico — azeite, peixe, legumes, fruta — alinha-se naturalmente com as recomendações oncológicas, oferecendo uma saída sem abdicar da identidade gastronómica portuguesa.
A cada ano, milhões de vidas são ceifadas pelo cancro — uma realidade que nos convida a olhar com mais atenção para os gestos mais quotidianos, incluindo o que colocamos no prato. João Vasco Barreira, oncologista com prática em Cascais e Santarém, lembra que a alimentação não é destino, mas escolha: evitar carnes processadas, álcool e ultraprocessados, enquanto se abraça a diversidade vegetal e o padrão mediterrânico, é um ato de cuidado que está ao alcance de cada pessoa. A prevenção não exige perfeição — exige consciência.
Todos os anos morrem dez milhões de pessoas de cancro no mundo; em Portugal, são cerca de 28 mil. A doença estende-se como uma sombra sobre famílias inteiras, e por isso a prevenção importa — especialmente quando passa por algo tão concreto como a alimentação.
João Vasco Barreira, oncologista nos hospitais CUF em Cascais e Santarém, aponta as carnes processadas como a principal preocupação. Bacon, salsichas, chouriço e fiambre contêm nitritos que, no organismo, se transformam em compostos capazes de danificar o ADN e aumentar o risco de tumores digestivos. A forma de cozinhar também conta: carnes carbonizadas ou expostas diretamente à chama produzem substâncias potencialmente cancerígenas. A carne vermelha não processada, porém, pode integrar uma dieta equilibrada — desde que em quantidade moderada.
O álcool não tem a mesma margem de tolerância. Independentemente do tipo — vinho, cerveja ou destilados —, o etanol metaboliza-se em acetaldeído, um composto que agride diretamente o ADN. A ligação ao cancro oral, esofágico, hepático e mamário está bem estabelecida: quanto menos, melhor.
Os ultraprocessados, refrigerantes e doces não escondem um ingrediente cancerígeno específico, mas o seu consumo habitual promove o excesso de peso — associado a pelo menos 13 tipos de cancro. Não é o croissant de domingo que preocupa; é quando se torna rotina diária.
Prevenir não é só retirar — é também acrescentar. Cereais integrais, leguminosas, vegetais diversificados e fruta inteira constroem uma proteção ativa. A boa notícia é que o padrão mediterrânico — azeite, peixe, legumes, fruta — já incorpora estas recomendações. A prevenção do cancro não exige proibições absolutas, mas escolhas conscientes e sustentáveis.
Todos os anos, dez milhões de pessoas morrem de cancro no mundo. Em Portugal, o número ronda os 28 mil pacientes anuais. A doença não afeta apenas quem a sofre — estende-se como uma sombra sobre famílias inteiras. Por isso faz sentido que procuremos constantemente formas de a evitar. A genética, a idade, o tabaco, o peso, a atividade física — tudo conta. Mas há um fator que passa muitas vezes despercebido, apesar de estar ao nosso alcance: o que comemos.
João Vasco Barreira, oncologista que trabalha nos hospitais CUF em Cascais e Santarém, tem uma mensagem clara para quem quer reduzir o risco. Da próxima vez que entrar num supermercado, há produtos que merecem especial atenção. As carnes processadas — bacon, salsichas, chouriço, salame, presunto, fiambre — ocupam o topo da lista de preocupações. Estes alimentos são conservados através de salga, cura, fermentação ou fumagem, processos que deixam marcas químicas no produto final. Os nitritos e nitratos utilizados como conservantes podem transformar-se em compostos N-nitrosos, agentes que danificam o ADN e aumentam significativamente o risco de tumores no sistema digestivo.
Mas o perigo não termina na produção. A forma como cozinhamos também importa. Quando a carne é submetida a temperaturas muito elevadas — especialmente quando fica carbonizada ou em contacto direto com a chama — formam-se aminas heterocíclicas e hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, compostos químicos tóxicos e potencialmente cancerígenos. Isto não significa que um churrasco ocasional seja um problema, esclarece Barreira. O que importa é não transformar a carne carbonizada num hábito. A carne vermelha, por seu lado, não merece a mesma condenação. Um bife ocasional não é o vilão da história. Vaca, porco ou borrego podem fazer parte de uma alimentação equilibrada — a questão é a quantidade e a frequência com que aparecem no prato.
O álcool, porém, não tem essa margem de negociação. Cerveja, vinho, gin ou whisky — o tipo não importa. O que importa é o álcool em si. Quando o etanol é metabolizado pelo corpo, transforma-se em acetaldeído, um composto capaz de provocar danos diretos no ADN. A ligação entre álcool e cancro está estabelecida para vários tipos de tumores: cavidade oral, faringe, laringe, esófago, fígado, cólon, reto e mama. Para prevenção oncológica, a recomendação é simples: quanto menos álcool, melhor.
A lista de produtos a deixar na prateleira estende-se ainda aos refrigerantes açucarados, doces, bolachas, pastelaria, snacks e fast food. Aqui, porém, há uma nuance importante. As bolachas não contêm misteriosamente um químico cancerígeno. O problema está no padrão alimentar geral e no excesso de calorias, açúcares e gorduras que estes produtos representam quando consumidos regularmente. O excesso de peso e a obesidade estão associados a um risco aumentado de pelo menos 13 tipos de cancro. Não é o croissant de domingo que preocupa Barreira — é quando o croissant passa a ser segunda, terça, quarta, quinta e sexta. O mesmo princípio aplica-se aos refrigerantes.
Mas prevenir cancro através da alimentação não é apenas retirar coisas. É, sobretudo, acrescentar as certas. Os cereais integrais — aveia, pão integral, arroz integral — assumem um papel importante, com evidência de que a fibra está associada a um menor risco de cancro colorretal. As leguminosas como feijão, grão, lentilhas e ervilhas fornecem fibra e proteína vegetal, ajudando a reduzir a dependência de refeições centradas na carne. Nos vegetais, não é preciso procurar propriedades especiais. Couves, tomate, cenoura, espinafres — quanto maior a diversidade, melhor. A fruta também entra nesta lógica: maçãs, frutos vermelhos, citrinos, pera, kiwi. É preferível a fruta inteira aos sumos. Frutos secos como nozes, amêndoas e avelãs completam o quadro, de preferência sem sal ou açúcar adicionados.
Há uma boa notícia para quem não quer abandonar a alimentação portuguesa. Azeite, peixe, legumes, leguminosas, fruta e cereais integrais encaixam perfeitamente num padrão alimentar de inspiração mediterrânica — exatamente o tipo de dieta que os oncologistas recomendam. A prevenção do cancro não é uma questão de proibições absolutas, mas de escolhas conscientes e padrões sustentáveis.
Citations marquantes
Não significa que um churrasco ocasional seja um problema. Significa que não devemos fazer da carne carbonizada um hábito.— João Vasco Barreira, oncologista
Para prevenção oncológica, quanto menos álcool, melhor.— João Vasco Barreira