Oi inicia demissões negociadas com sindicatos; programa prevê parcelamento de verbas

Aproximadamente 900 empregados da Oi serão desligados entre agosto e setembro de 2026, com receitas de verbas rescisórias parceladas conforme faixa salarial.
Um acordo de perdas compartilhadas em tempos de crise
Reflexão sobre como a negociação entre Oi e sindicatos reflete a realidade de uma empresa em recuperação judicial.
Mark

Por que a Oi precisou negociar essas condições especiais de pagamento? Não poderia simplesmente pagar tudo de uma vez?

Mimi

A empresa está em recuperação judicial e enfrenta uma crise de caixa real. Pagar 900 rescisões integralmente de uma vez quebraria a empresa. A negociação foi a forma de manter a operadora funcionando enquanto protege os trabalhadores.

Mark

E os sindicatos aceitaram parcelamento? Isso não prejudica os desligados?

Mimi

Aceitaram, mas negociaram proteções. Conseguiram vincular o número de parcelas ao valor devido, manter o plano de saúde por três meses e evitar descontos no benefício de alimentação. Não é ideal, mas é melhor do que receber nada ou perder a cobertura médica.

Mark

Qual é a diferença entre desligar 900 pessoas agora e desligar depois?

Mimi

Timing importa. A empresa precisa reduzir custos já. Deixar para depois piora a crise de caixa e pode inviabilizar a recuperação judicial. Os sindicatos sabem disso, por isso negociaram as condições em vez de apenas resistir.

Mark

Alguém sai ganhando nessa história?

Mimi

Ninguém sai ganhando. A Oi preserva caixa e sobrevive. Os trabalhadores recebem suas verbas, mas parceladas e com atraso. Os sindicatos evitam algo pior. É um acordo de perdas compartilhadas.

Mark

E se a Oi não conseguir pagar as parcelas depois?

Mimi

Essa é a razão pela qual tudo foi homologado pela Justiça. Há um marco legal que protege os direitos dos trabalhadores. Mas é um risco real em uma recuperação judicial.

  • A Oi, em colapso financeiro e sob recuperação judicial, não tem caixa suficiente para honrar de imediato as verbas rescisórias de centenas de trabalhadores dispensados.
  • Cerca de 900 empregados serão desligados entre agosto e setembro de 2026, criando uma onda de incerteza sobre renda, saúde e futuro para essas famílias.
  • Sindicatos entraram na negociação e arrancaram concessões concretas: parcelamento escalonado por faixa salarial, manutenção do plano de saúde por três meses e proteção do benefício de alimentação.
  • A Justiça homologou o acordo, conferindo respaldo legal a um modelo excepcional que equilibra a sobrevivência da empresa com proteções mínimas aos trabalhadores.
  • Os desligamentos seguem em curso até 30 de setembro, com cada rescisão obedecendo às condições negociadas — um processo que ainda não revelou seu número final de afetados.

Em meio a uma recuperação judicial que expõe os limites de uma das maiores operadoras de telecomunicações do Brasil, a Oi iniciou em 18 de agosto de 2026 um ciclo de desligamentos que alcançará cerca de 900 trabalhadores até o fim de setembro. O processo, negociado com federações sindicais e homologado pela Justiça, revela como crises corporativas profundas forçam a reinvenção das relações entre capital e trabalho — buscando, dentro do possível, preservar a dignidade de quem parte. É o retrato de uma empresa tentando sobreviver sem abandonar inteiramente suas obrigações humanas.

A Oi deu início, na terça-feira 18 de agosto, à execução de um programa de desligamentos previamente negociado com as principais federações sindicais do setor — FENATTEL, FITRATELP e Federação Livre. A confirmação veio do presidente da Federação Livre, Luis Antônio Silva, que acompanhou todo o processo. Os termos foram submetidos à Justiça para homologação, refletindo a situação delicada em que a operadora se encontra em plena recuperação judicial.

Estimativas feitas no início de agosto apontavam para cerca de 900 empregados afetados até o fim de setembro. O programa abrange apenas funcionários da Oi S.A. com contratos vigentes em 31 de julho, dispensados sem justa causa entre 1º de agosto e 30 de setembro de 2026. Pedidos de demissão voluntária, desligamentos por justa causa, trabalhadores em período de experiência e empregados de outras empresas do grupo estão excluídos.

O nó central da negociação foi o pagamento das verbas rescisórias. A empresa propôs parcelar a multa de 40% do FGTS e demais verbas em seis ou dez vezes, mas os sindicatos resistiram, argumentando que o fracionamento deveria ser proporcional ao valor devido. O acordo final adotou um sistema escalonado por faixa salarial: até 30 dias para salários de até R$ 7 mil; 60 dias para remunerações entre R$ 7.001 e R$ 11 mil; 90 dias entre R$ 11.001 e R$ 14 mil; e 120 dias para salários acima de R$ 14 mil. As demais verbas também foram parceladas, com primeiro pagamento 30 dias após o desligamento.

Além do parcelamento, os sindicatos conquistaram a manutenção do plano de saúde por três meses após o desligamento e a não cobrança do saldo remanescente do benefício de alimentação no acerto final. O número exato de trabalhadores desligados na terça-feira não foi divulgado, mas o programa segue seu curso — um arranjo que traduz tanto a gravidade da crise da Oi quanto a capacidade sindical de negociar proteções mesmo em cenários adversos.

A Oi começou nesta terça-feira, 18 de agosto, a colocar em prática um programa de desligamentos que havia sido negociado semanas antes com as principais federações sindicais do setor. A confirmação veio de Luis Antônio Silva, presidente da Federação Livre, que acompanhou todo o processo de negociação. Os desligamentos ocorrem dentro de um marco legal específico: as condições foram negociadas entre a empresa e os representantes dos trabalhadores e depois submetidas à Justiça para homologação, refletindo a situação delicada em que a operadora se encontra.

A Oi está em recuperação judicial e enfrenta uma crise financeira severa. No início de agosto, quando o programa ainda estava sendo finalizado, estimativas apontavam que cerca de 900 empregados seriam afetados pelos desligamentos, que se estenderiam até o final de setembro. O programa abrange apenas funcionários da Oi S.A. que mantinham contratos vigentes em 31 de julho e que fossem dispensados sem justa causa no período entre 1º de agosto e 30 de setembro de 2026. Ficam de fora trabalhadores de outras empresas do Grupo Oi, desligamentos por justa causa, pedidos de demissão voluntária e empregados ainda em período de experiência.

A negociação aconteceu em 4 de agosto, reunindo representantes da Oi com dirigentes da FENATTEL, FITRATELP e Federação Livre. Durante o encontro, a administração da empresa apresentou às entidades sindicais um quadro de grave crise econômico-financeira, explicando que a redução do quadro era necessária para adequar a estrutura de custos, preservar caixa e lidar com impactos diretos sobre o fluxo de caixa e a capacidade de pagamento imediato das obrigações trabalhistas.

O ponto mais delicado da negociação foi como estruturar o pagamento das verbas rescisórias. A Oi propôs inicialmente um parcelamento da multa de 40% do FGTS e das demais verbas — saldo salarial, aviso prévio, férias e 13º proporcional — em seis ou dez parcelas mensais, dependendo da faixa salarial do empregado. Os sindicatos contestaram esse modelo, argumentando que o número de parcelas deveria estar vinculado ao valor total devido, evitando que quantias pequenas fossem fracionadas por períodos muito longos.

Após as negociações, a empresa aceitou um sistema escalonado baseado na remuneração. Para salários de até R$ 7 mil, o pagamento da multa de FGTS pode ocorrer em até 30 dias. O prazo sobe para 60 dias para remunerações entre R$ 7.001 e R$ 11 mil; 90 dias entre R$ 11.001 e R$ 14 mil; e 120 dias para salários acima de R$ 14 mil. As demais verbas rescisórias também foram objeto de negociação para pagamento parcelado, com o primeiro pagamento ocorrendo 30 dias após o desligamento.

Os sindicatos também conquistaram outras concessões importantes. A Oi concordou em manter o plano de saúde dos desligados por três meses após o desligamento — uma reivindicação que reflete a preocupação com a continuidade da cobertura médica durante um período de transição. A empresa também aceitou não descontar o saldo remanescente do benefício de alimentação no acerto rescisório, preservando apenas a cobrança da coparticipação do empregado.

O número exato de trabalhadores efetivamente desligados na terça-feira ainda não foi informado pela empresa. O que se sabe é que o programa continuará até 30 de setembro, e que cada desligamento seguirá as condições negociadas e homologadas pela Justiça — um arranjo que reflete tanto a gravidade da situação financeira da Oi quanto a capacidade das federações sindicais de negociar proteções dentro de um cenário de crise.

A administração da Oi apresentou às entidades sindicais um quadro de grave crise econômico-financeira, com impactos sobre o fluxo de caixa e sobre a capacidade de pagamento imediato das obrigações trabalhistas
— Ata da reunião de negociação de 4 de agosto
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