Óculos gratuitos para eclipse solar esgotam em Portugal; alternativas custam cerca de 3 euros

Nesta fase está a ficar muito, muito complicado arranjar os óculos
Ivone Fachada, da Ciência Viva, admite a dificuldade de encontrar óculos certificados após esgotamento do stock gratuito.
Mark

Por que é que os óculos esgotaram tão depressa, mesmo depois de reforçarem o stock?

Mimi

Porque as pessoas perceberam que isto é raro. O último eclipse total em Portugal foi em 1912. O próximo é em 2144. Quando algo assim acontece uma vez por século, as pessoas movem-se.

Mark

Mas havia 660 óticas a distribuir óculos gratuitos. Isso não era suficiente?

Mimi

Não. A oferta foi sempre limitada. Quando reforçaram na terça-feira, esperavam talvez que durasse alguns dias. Durou horas.

Mark

E as pessoas que não conseguiram óculos gratuitos? Estão perdidas?

Mimi

Não completamente. Podem comprar por três euros em farmácias. Mas têm de verificar a certificação — ISO 12312-2, marca CE, regulamento europeu. Sem isso, danificam os olhos.

Mark

E os centros de ciência viva? Ofereciam alguma coisa?

Mimi

Sim, mas apenas em troca de bilhetes de família. O Centro de Lagos oferecia 50 óculos a quem comprasse 25 bilhetes. Era uma solução para alguns, não para todos.

Mark

Na Madeira, o eclipse é menos dramático, certo?

Mimi

Muito menos. Apenas 74% a 77% de obscurecimento, comparado com 92% a 99% no continente. Mas mesmo assim, as pessoas queriam os óculos gratuitos.

Mark

O que é que Ciência Viva aprendeu com isto?

Mimi

Que subestimaram a procura. E que quando algo é raro e gratuito, desaparece em horas, não em dias.

  • Os óculos gratuitos esgotaram em menos de 24 horas após reforço de stock, apanhando a Ciência Viva desprevenida e deixando 660 óticas sem uma única unidade disponível.
  • A urgência é real: o eclipse total de 12 de agosto é um evento geracional — o último em Portugal foi em 1912 e o próximo só acontecerá em 2144.
  • A Ciência Viva admitiu que 'está a ficar muito, muito complicado' garantir novos óculos, sem certezas sobre um eventual reforço de stock antes do dia do eclipse.
  • A alternativa existe mas tem custo: farmácias e supermercados vendem óculos certificados por cerca de três euros, desde que ostentem a norma ISO 12312-2 e a marca CE.
  • Alguns centros Ciência Viva oferecem óculos na compra de bilhetes de família, mas as quantidades são simbólicas — Lagos anunciou apenas 50 unidades para 25 famílias.
  • Autoridades alertam para o risco de usar telemóveis ou câmaras para filmar o eclipse, dispositivos sem filtros solares adequados e vulneráveis a danos permanentes.

A poucos dias de um eclipse solar que Portugal não voltará a ver até 2144, a corrida pelos óculos gratuitos revelou algo mais profundo do que uma simples escassez de stock: revelou a fome humana de testemunhar o extraordinário. A agência Ciência Viva distribuiu centenas de milhares de óculos por 660 óticas em todo o país, mas a procura esgotou tudo em menos de 24 horas, deixando muitos portugueses a procurar alternativas certificadas nas farmácias ou a resignarem-se a observar o fenómeno de forma indireta. Na Madeira, onde o obscurecimento será de 74% a 77%, o momento será igualmente raro — apenas menos absoluto.

A corrida pelos óculos de eclipse solar em Portugal terminou tão depressa quanto começou. Na terça-feira à tarde, a Ciência Viva reforçou o stock de óculos gratuitos disponíveis no site clubdavisão.pt. Menos de 24 horas depois, por volta das 13h30 de quarta-feira, tinham desaparecido das 660 óticas participantes no programa. Ivone Fachada, da direção da agência, confirmou que nenhuma unidade estava disponível e admitiu, com pouca esperança no tom, que a situação estava a tornar-se "muito, muito complicada".

O eclipse solar total está marcado para 12 de agosto, entre as 18h30 e as 20h30. No continente, o obscurecimento chegará aos 92% a 99%; na Madeira e nos Açores, ficará entre os 74% e os 77%. O peso histórico do momento é considerável: o último eclipse total em Portugal ocorreu em 1912 e o próximo não acontecerá até 2144 — para a maioria dos portugueses, uma oportunidade única na vida.

Para quem ficou sem óculos gratuitos, a saída mais acessível são as farmácias e alguns supermercados, onde óculos certificados custam cerca de três euros. O detalhe essencial é a certificação: os óculos têm de ostentar a norma ISO 12312-2, a marca CE e o Regulamento (UE) 2016/425. Sem estas marcas, não são seguros para observação direta do Sol. Fachada alertou ainda para o uso de telemóveis e câmaras, dispositivos sem filtros solares adequados e sujeitos a danos permanentes se apontados diretamente para o astro.

Alguns centros Ciência Viva oferecem óculos na compra de bilhetes de família — o centro de Lagos anunciou 50 unidades para quem adquirisse 25 bilhetes e participasse nas oficinas —, mas são oportunidades pontuais e limitadas. No continente, especialmente perto de Bragança, onde o eclipse será total numa área restrita do Parque Natural de Montesinho, a procura foi frenética. Na Madeira, onde o fenómeno será parcial, a urgência é menor — mas a raridade do momento é a mesma.

A corrida pelos óculos de eclipse solar em Portugal terminou tão depressa quanto começou. Na terça-feira à tarde, a agência Ciência Viva reforçou o stock de óculos gratuitos disponibilizados através do site clubdavisão.pt. Menos de 24 horas depois, por volta das 13h30 de quarta-feira, tinham desaparecido. Ivone Fachada, da direção da Ciência Viva, confirmou à Lusa que nenhuma das 660 óticas participantes no programa tinha qualquer unidade em stock naquele momento.

O eclipse solar total está marcado para 12 de agosto, começando por volta das 18h30 e terminando às 20h30. Para a maioria dos portugueses, será um espetáculo parcial — o obscurecimento rondará os 92% a 99% no continente, e apenas 74% a 77% nos Açores e na Madeira. Mas em Portugal, o fenómeno tem um peso histórico particular. O último eclipse total do Sol ocorreu em 1912. O próximo não acontecerá até 2144. Para várias gerações, este será o único momento de testemunhar um alinhamento perfeito entre Terra, Lua e Sol.

Fachada não sabia, no momento da entrevista, se haveria um novo reforço de stock durante o dia. Aconselhou os portugueses a verificarem regularmente as óticas listadas no site, na esperança de que algumas recebessem mais unidades. Mas o tom da sua resposta sugeria pouca esperança. "Nesta fase está a ficar muito, muito complicado arranjar os óculos", admitiu.

Para quem não conseguisse obter os óculos gratuitos, a alternativa era clara: farmácias, algumas lojas online e supermercados vendiam óculos certificados por cerca de três euros. O detalhe importante era a certificação. Os óculos tinham de estar identificados com a norma ISO 12312-2, a marca CE visível e o Regulamento (UE) 2016/425. Sem estas marcas, não eram seguros para observar o Sol diretamente.

Houve ainda uma terceira via, embora limitada. Alguns centros Ciência Viva ofereciam óculos na compra de bilhetes de família. O Centro de Ciência Viva de Lagos, no distrito de Faro, anunciou que ofereceria 50 óculos a quem comprasse 25 bilhetes de família e participasse nas suas oficinas. Era uma oportunidade para 25 famílias, mas nada mais.

Fachada foi clara sobre o que não fazer. Telemóveis e câmaras não deviam ser usados para gravar o eclipse. Os dispositivos não estavam preparados para a luz solar direta e careciam de filtros solares apropriados. O risco era danificá-los permanentemente.

A distribuição dos óculos gratuitos tinha sido uma iniciativa ambiciosa. Mas a procura superou a oferta com uma velocidade que apanhou a agência desprevenida. Agora, com o eclipse a menos de uma semana, a maioria dos portugueses teria de escolher entre comprar óculos certificados ou observar o fenómeno de forma indireta. Na Madeira, onde o obscurecimento seria menor, a questão era menos urgente. Mas no continente, especialmente perto de Bragança, onde o eclipse seria total numa área restrita do Parque Natural de Montesinho, a procura pelos óculos tinha sido frenética.

Neste momento não há nenhuma ótica que tenha óculos disponibilizados
— Ivone Fachada, Ciência Viva
Nesta fase está a ficar muito, muito complicado arranjar os óculos
— Ivone Fachada, Ciência Viva
Quer a matéria completa? Leia o original em JM Madeira ↗
Fale Conosco FAQ