IPO realiza primeiro diagnóstico de cancro do pulmão com robô de broncoscopia

O primeiro paciente tratado, com cerca de 70 anos e suspeita de cancro do pulmão, conseguiu obter diagnóstico confirmado após tentativa anterior com biópsia guiada por TAC ter sido insuficiente.
Este sonho tornou-se realidade
O pneumologista do IPO refere-se ao equipamento que a instituição desejava há anos e que finalmente conseguiu instalar.
Mark

Porque é que este robô faz tanta diferença? Não era possível fazer diagnósticos antes?

Mimi

Era possível, mas com limitações. Os médicos conseguiam navegar as vias aéreas principais, mas as ramificações mais finas — onde muitos tumores começam — eram difíceis de alcançar. Este robô é como ter um GPS dentro do pulmão.

Mark

E quanto ao paciente? Como é que a experiência dele muda?

Mimi

Para ele, muda radicalmente. A tentativa anterior não tinha funcionado. Agora tem um diagnóstico confirmado em 40 minutos, sem cirurgia aberta. Sabe o que tem e pode começar o tratamento certo.

Mark

Disseste que no futuro pode tratar, não apenas diagnosticar. Como é que isso funciona?

Mimi

Imagina que durante o exame diagnóstico encontras um tumor pequeno. Em vez de apenas recolheres uma amostra, podes introduzir uma sonda que aquece e destrói o tecido canceroso ali mesmo. Sem incisões, sem internamento prolongado.

Mark

Mas isto é apenas o primeiro caso. Quantos doentes podem beneficiar?

Mimi

Essa é a questão. Portugal tem dezenas de milhares de casos de cancro do pulmão por ano. Mas este equipamento é caro e requer treino especializado. Por enquanto, apenas o IPO o tem. Outros centros vão querer um.

Mark

O que significa que isto é um privilégio?

Mimi

Por enquanto, sim. Mas é assim que a medicina funciona — a tecnologia chega a um centro, prova o seu valor, e depois expande-se. Este primeiro diagnóstico é o começo dessa história.

  • Primeiro diagnóstico de cancro do pulmão com robô ION em Portugal, realizado no IPO de Lisboa
  • Apenas um número muito reduzido de centros europeus possui esta plataforma de broncoscopia robótica
  • A árvore brônquica tem extensão estimada de 2.400 quilómetros de ramificações
  • Primeiro paciente tinha cerca de 70 anos; exame demorou 40 minutos
  • Financiamento através do Plano de Recuperação e Resiliência

O IPO é o primeiro centro do SNS e um dos poucos na Europa com acesso a esta plataforma robótica de navegação GPS para diagnóstico de cancro do pulmão. A tecnologia permite aceder a nódulos pulmonares periféricos com precisão elevada, transformando a navegação da árvore brônquica de 2.400 quilómetros de extensão.

O Instituto Português de Oncologia de Lisboa realizou o primeiro diagnóstico de cancro do pulmão com robô de broncoscopia ION, tecnologia de ponta que permite maior precisão em procedimentos minimamente invasivos.

O Instituto Português de Oncologia de Lisboa Francisco Gentil acaba de fazer história clínica. No início de agosto, os seus médicos realizaram o primeiro diagnóstico de cancro do pulmão em Portugal usando um robô de broncoscopia — um equipamento tão sofisticado que apenas um número muito reduzido de centros europeus o possui. A máquina, chamada ION, representa um salto tecnológico significativo na forma como os pneumologistas conseguem aceder aos pulmões e recolher amostras de tecido para análise.

O que torna este robô especial é a sua capacidade de navegação. Enquanto a broncoscopia tradicional se baseava em mapas anatómicos e depois evoluiu para sistemas de orientação semelhantes a GPS, este novo equipamento oferece navegação robótica de precisão elevada. Para compreender a complexidade do que está em jogo: a árvore brônquica — o conjunto de vias aéreas que se ramificam dentro dos pulmões — tem uma extensão total estimada de cerca de 2.400 quilómetros quando se somam todas as suas ramificações até aos bronquíolos mais finos. O robô torna estas estruturas periféricas muito mais acessíveis, permitindo diagnósticos mais precoces através de procedimentos minimamente invasivos. É, numa analogia que o próprio IPO utiliza, semelhante à transição para a condução autónoma nos automóveis — sempre apoiada pelo conhecimento e experiência clínica das equipas médicas.

O primeiro paciente a beneficiar desta tecnologia tinha cerca de 70 anos e apresentava suspeita de cancro do pulmão. Ambrus Szantho, médico pneumologista do IPO, explicou que uma tentativa anterior de diagnóstico com biópsia guiada por TAC não tinha sido suficiente para chegar a uma conclusão. O robô ofereceu uma segunda oportunidade. Durante um exame que demorou cerca de 40 minutos, os médicos conseguiram recolher material que confirmou o diagnóstico, abrindo caminho para decidir qual o melhor tratamento para este doente.

Para Szantho, este momento representa o cumprimento de um desejo antigo. Quando o equipamento começou a aparecer na Europa há cerca de três anos, o IPO sonhava em tê-lo. "Sempre sonhámos ter um. E, finalmente, este sonho tornou-se realidade", afirmou o especialista. O investimento foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, e integra-se numa estratégia mais ampla que inclui também a renovação da plataforma de ecoendoscopia brônquica e a navegação eletromagnética, permitindo uma abordagem verdadeiramente integrada ao diagnóstico, estadiamento e caracterização das doenças pulmonares.

Mas o potencial desta tecnologia vai além do diagnóstico. No futuro, o IPO espera poder utilizar o mesmo sistema não apenas para realizar biópsias, mas também para remover lesões suspeitas e, eventualmente, tratar tumores. Szantho descreveu o plano: em casos selecionados, será possível introduzir uma sonda para tratamentos que "queimem" o nódulo, tratando a doença de forma menos invasiva. É um horizonte que aproxima a medicina pulmonar de procedimentos já bem estabelecidos noutras áreas — como as colonoscopias — onde a remoção de lesões durante o exame diagnóstico é prática comum. O que começou como um primeiro diagnóstico pode ser o primeiro passo de uma transformação muito mais ampla na forma como Portugal trata o cancro do pulmão.

Sempre sonhámos ter um. E, finalmente, este sonho tornou-se realidade
— Ambrus Szantho, médico pneumologista do IPO
No futuro, em casos selecionados, será possível introduzir uma sonda para tratamentos que queimem o nódulo e tratem a doença desta forma
— Ambrus Szantho, médico pneumologista do IPO
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