OAB-SP recorre contra comissão que defende porte de arma para advogados

A advocacia é a antítese da força bruta
Argumento central da OAB-SP contra a criação da comissão pró-armamento de advogados.
Mark

Por que a OAB-SP vê tanta ameaça nessa comissão? Parece uma questão interna, um grupo de advogados discutindo segurança pessoal.

Mimi

Porque não é só sobre segurança pessoal. É sobre o que a profissão representa. Se a advocacia admite que precisa de armas para funcionar, está dizendo que a lei e a argumentação não são suficientes. Isso muda a identidade da profissão.

Mark

Mas advogados sofrem ameaças reais, não é? Há casos documentados de violência contra profissionais da área.

Mimi

Há, sim. Mas a comissão de segurança argumenta que isso não é inerente à profissão como um todo. Não é como ser policial ou segurança. Você não precisa de arma para ser advogado.

Mark

E quanto ao argumento de que juízes e promotores têm porte? Não seria injusto negar aos advogados o que é concedido a eles?

Mimi

É o argumento mais forte que eles têm. Mas a comissão diz que juízes e promotores têm porte por razões específicas, não por serem profissionais jurídicos em geral. E o STF já decidiu que porte exige demonstração cabal de risco, não presunção.

Mark

Qual é o risco real aqui? Que advogados armados mudem algo fundamental?

Mimi

O risco é simbólico, mas real. Se a advocacia se arma, está aceitando que o Estado de Direito não funciona. Está dizendo que a palavra perdeu para a força. Isso afeta como a profissão se vê e como a sociedade a vê.

Mark

E esse projeto de lei no Senado? Pode virar lei mesmo?

Mimi

Pode. Mas primeiro precisa passar por essa disputa interna na OAB. Se a seccional paulista bloquear, fica mais difícil para o movimento ganhar força.

  • A subseção de Franco da Rocha criou, em julho, uma comissão pró-armamento sem pedir autorização à seccional de São Paulo, desafiando a hierarquia interna da OAB.
  • O presidente da comissão publicou vídeos atirando de dentro de um carro e praticando tiro ao alvo, alimentando o debate com imagens que contrastam com a imagem tradicional da advocacia.
  • A Comissão Especial de Segurança Pública da OAB-SP reagiu com um recurso que classifica a medida como 'tecnicamente temerária e juridicamente insustentável', invocando a Lei do Desarmamento e precedentes do STF.
  • O argumento de que advogados merecem o mesmo porte de arma que juízes e promotores é rebatido com precisão: 'paridade de armas', no direito, é igualdade processual — não literal.
  • O caso aguarda julgamento na primeira câmara recursal da OAB-SP, enquanto ambos os lados se recusam a comentar publicamente.

No coração do debate sobre segurança e identidade profissional, a OAB-SP recorre contra a criação de um grupo que defende o porte de armas para advogados, argumentando que a profissão se funda na palavra e no argumento — não na força. A iniciativa, nascida na subseção de Franco da Rocha sem autorização prévia da seccional paulista, expõe uma tensão mais profunda: até onde vai a autonomia das partes em relação ao todo, e o que significa, afinal, defender o Estado de Direito?

A Comissão Especial de Segurança Pública da OAB-SP acionou a primeira câmara recursal da entidade para barrar um grupo de trabalho criado pela subseção de Franco da Rocha com o objetivo de defender o porte de armas para advogados. O recurso, presidido pelo advogado Alberto Zacharias Toron, classifica a iniciativa como "tecnicamente temerária e juridicamente insustentável".

O argumento central da comissão é que a advocacia é uma atividade intelectual e dialética, fundada na palavra e na lei — e não pode ser equiparada a profissões de segurança pública. Armar advogados, segundo o documento, seria admitir que o Estado de Direito cedeu à barbárie. Além disso, a subseção teria extrapolado suas competências ao criar o grupo sem autorização prévia da seccional paulista, afetando a identidade da classe em âmbito estadual e nacional.

A comissão também invoca a Lei do Desarmamento e jurisprudência do STF, que exige demonstração cabal de risco inerente à atividade — não uma presunção generalizada para toda uma categoria profissional.

Do outro lado, Gustavo Martinho, presidente da comissão de Franco da Rocha, publicou vídeos atirando de dentro de um carro e praticando tiro ao alvo, questionando por que juízes e promotores têm porte de arma e advogados não. Ele menciona um projeto de lei em tramitação no Senado que propõe estender esse direito a advogados que preencham os requisitos legais.

A OAB-SP recusou-se a comentar. Martinho afirmou que a subseção se manifestará nos autos. O caso segue para julgamento recursal.

A Comissão Especial de Segurança Pública da OAB-SP acionou a primeira câmara recursal da entidade para bloquear a criação de um grupo de trabalho dedicado a defender o direito de advogados portarem armas de fogo. A iniciativa partiu da subseção de Franco da Rocha, município da região metropolitana de São Paulo, e gerou uma reação imediata dos guardiões da política de segurança da seccional paulista.

O recurso apresentado pela comissão de segurança, presidida pelo advogado Alberto Zacharias Toron, qualifica a medida como "tecnicamente temerária e juridicamente insustentável". O argumento central é contundente: a profissão de advogado repousa sobre a palavra, o argumento e a lei — não sobre força bruta. Permitir que advogados portem armas, segundo o documento, equivaleria a admitir que o Estado de Direito fracassou diante da barbárie.

Além da questão de fundo, a comissão aponta um vício processual. A subseção de Franco da Rocha não teria obtido autorização prévia da seccional de São Paulo para criar o grupo de trabalho. Segundo o recurso, as subseções não possuem legitimidade para definir políticas de classe que afetem a identidade e a imagem da advocacia em âmbito estadual ou nacional. Estabelecer uma comissão com pauta de armamento, argumenta o grupo, extrapola as competências que lhes foram delegadas.

O recurso também invoca a Lei do Desarmamento, que proíbe o porte de armas em todo o território nacional, exceto em casos específicos de necessidade comprovada por exercício de atividade profissional de risco ou ameaça à integridade física. A advocacia, na visão da comissão, é uma atividade intelectual e dialética — não pode ser equiparada a profissões policiais ou de segurança sem que haja nexo causal com a natureza da função. O Supremo Tribunal Federal, acrescenta o documento, já decidiu em diversas ocasiões que a concessão de porte de arma a categorias profissionais exige demonstração cabal de risco inerente à atividade, não presunção generalizada para toda uma classe.

A comissão pró-armamento foi criada no início de julho pela subseção de Franco da Rocha. Seu presidente, Gustavo Martinho, publicou vídeos no Instagram em que aparece com diferentes tipos de armas, atirando de dentro de um carro e praticando tiro ao alvo. Nas mesmas publicações, Martinho afirma que tramita no Senado um projeto de lei propondo autorizar o porte de arma para advogados que preencham os requisitos legais, reconhecendo a exposição ao risco vivenciada por profissionais da classe. Ele questiona por que apenas juízes e promotores possuem porte de arma, perguntando se a vida do advogado vale menos.

Para a Comissão de Segurança Pública, a comparação com magistrados não se sustenta. A expressão "paridade de armas" — usada no contexto jurídico para designar igualdade de oportunidades processuais — não pode ser interpretada literalmente para estender o porte de armas de fogo a todos os profissionais jurídicos. Quando contatado pela coluna, Martinho afirmou não estar autorizado a falar e que a subseção de Franco da Rocha se manifestará nos autos. A OAB-SP, por sua vez, recusou-se a comentar o tema.

A advocacia é a antítese da força bruta. O instrumento de trabalho do advogado é a palavra, o argumento e a lei. Admitir a necessidade de armas para o exercício da profissão é admitir a derrota do Estado de Direito perante a barbárie.
— Comissão Especial de Segurança Pública da OAB-SP, no recurso apresentado
Por que apenas juízes e promotores possuem porte de arma. A vida do advogado vale menos?
— Gustavo Martinho, presidente da comissão pró-armamento
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